Califado Abássida

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde junho de 2013).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
الخلافة العباسية
al-Khilāfah al-‘Abbāsīyyah

Califado Abássida

Império

Umayyad Flag.svg
750 – 1299
Localização de Abássida
Califado Abássida cerca de 850
Continente Eurafrásia
Capital Bagdá
Religião Islamismo sunita
Governo Califado
Califa
 • 721–754 As-Saffah
 • 786–809 Harun al-Rashid
 • 1261–1262 Al-Mustansir
 • 1242–1258 Al-Musta'sim
Período histórico Idade Média
 • 750 Destrono dos omíadas pelos abássidas
 • 1258 Dissolução
 • 1299 Recrutamento de soldados pelo califato abássida
Moeda Dinar abássida
Precedido por
Sucedido por
Umayyad Flag.svg Califado Omíada
Império Mongol 20px
Califado Fatímida Fatimid flag.svg
Reino Idríssida Idrisids-eng.PNG
Aglábidas Aghlabids Dynasty 800 - 909 (AD).svg
Império Safárida Saffarid dynasty 861-1003.png

O Califado Abássida (em árabe: العبّاسيّون; transl.: al-‘abbāsīyūn), foi o terceiro califado islâmico. Ele foi governado pela dinastia Abássida de califas, que construíram sua capital em Bagdá após terem destronado o Califado Omíada, cuja capital era Damasco, com exceção da região de al-Andalus.

O Califado Abássida foi fundado pelos descendentes do profeta islâmico ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib, o tio mais jovem de Maomé, em Harran, em 750 d.C. e mudou a sua capital em 762 para Bagdá. Prosperou por dois séculos, mas vagarosamente entrou em declínio com a ascensão do exército turco que eles mesmos haviam criado, os mamelucos. Menos de 150 anos após terem tomado o poder da Pérsia, os califas foram forçados a cedê-lo para para emires dinásticos locais, que aceitavam sua autoridade de forma apenas nominal. O califado também perdeu as províncias ocidentais do al-Andalus, Magrebe e Ifriqiya para um príncipe omíada, para os Aglábidas e para o Califado Fatímida, respectivamente.

O governo dos abássidas foi exterminado por um breve período de 3 anos em 1258, quando o Hulagu, dos mongóis, saqueou Bagdá. Eles retomaram o poder no Egito mameluco em 1261, de onde continuaram a alegar autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos até 1519, quando o poder foi formalmente transferido para o Império Otomano e a capital, realocada para Constantinopla (conquistada aos bizantinos em 1453).

Ascensão[editar | editar código-fonte]

Os califas abássidas eram árabes descendentes de ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib (566 - 662), um dos tios mais jovens de Maomé, que se consideravam os verdadeiros sucessores de Maomé e adversários dos Omíadas. Estes, por sua vez, eram descendentes de Umayya e formavam um clã que se separou de Maomé na tribo de Quraysh. Eles conseguiram o apoio dos xiitas (da sub-seita Hashimiyya, derivada dos Xiitas caisanitas) contra os Omíadas ao se converterem temporariamente ao islamismo xiita e se juntando a eles em sua luta contra os Omíadas.

Os abássidas também se distinguiram dos Omíadas ao atacar seu caráter moral e a sua administração de forma geral. De acordo com Ira Lapidus, "A revolta abássida foi apoiada de forma geral por árabes, principalmente os incomodados colonizadores de Marw, mais a facção iemenita e seus 'mawali".[1] . Os abássidas também apelaram para os árabes que ainda não se tinham convertido ao Islão, conhecidos como mawali, que permaneceram à margem da sociedade parental dos árabes e eram vistos como sendo uma classe inferior dentro do Império Omíada. Muhammad ibn 'Ali, um bisneto de Abbas, começou a campanha pelo retorno da família de Maomé, os Hachemitas, na Pérsia, durante o reinado de Omar II.

Durante o reinado de Marwan II, esta oposição culminou na rebelião de Ibrahim, o imã, o quarto na linhagem de Abbas. Apoiado pela província do Coração (atualmente no Irã), ele teve um considerável sucesso, mas foi capturado no ano de 747, vindo a morrer na prisão. A luta então continuou com seu irmão, Abdallah, conhecido pelo nome de Abu al-'Abbas as-Saffah, que derrotou os Omíadas em 750 na Batalha de Zab, perto do Grande Zab, e foi subsequentemente proclamado califa.

Poder[editar | editar código-fonte]

A primeira mudança realizada pelos abássidas foi mudar a capital do império de Damasco, na Síria, para Bagdá, atualmente no Iraque. Este movimento teve como razão um desejo de apaziguar - e se aproximar - da base de apoio mawali persa que existia na região, sob influência mais forte da história e cultura persa, e que demandavam uma influência menos "árabe" no império. Bagdá foi fundada no rio Tigre em 762 e um novo cargo, o de vizir foi criado para permitir a delegação do poder central, com parte ainda maior dele caindo sobre os emires locais. Eventualmente, isso significou que muitos califas abássidas eram relegados a uma posição simplesmente cerimonial do que na época dos Omíadas, uma vez que o vizir começou a exercer uma grande influência, substituindo a antiga aristocracia árabe pela burocracia persa[2] .

Os abássidas haviam dependido fortemente do apoio dos persas quando derrubaram os Omíadas. O sucessor de Abu al-'Abbas, Al-Mansur, quando mudou a capital de Damasco e convidou os muwali para a corte, ajudou a integrar as culturas árabe e persa, mas, ao mesmo tempo, alienou muitos de seus apoiadores árabes, particularmente os árabes de Coração que o haviam apoiado em suas batalhas contra os Omíadas. Estas fraturas na base de apoio dos abássidas quase que imediatamente causaram problemas. Os Omíadas, mesmo apeados do poder, não foram destruídos, uma vez que o último membro sobrevivente da casa real - que fora quase toda assassinada - conseguiu finalmente chegar a Espanha, onde se estabeleceu como um emir independente (Abderramão I, 756). Em 929, Abderramão III assumiu o título de califa, fundando al Andalus , com capital em Córdova, como uma rival a Bagdá ao título de capital do Império Islâmico.

Em 756, o califa abássida al-Mansur enviou mais de 4000 mercenários árabes para ajudar os chineses da dinastia Tang na Rebelião de An Shi contra An Lushan. Após a guerra, permaneceram na China[3] [4] [5] [6] [7] . O califa árabe Harun al-Rashid iniciou uma aliança com os chineses[8] e diversas embaixadas dos califas árabes à corte chinesa foram preservadas nos anais dos Tang, o mais importante deles sendo os de (A-bo-lo-ba) Abul Abbas, o fundador de uma nova dinastia, a dos (A-p'u-ch'a-fo) Abu Jafar, o construtor de Bagdá, e a de (A-lun) Harun al-Rashid, melhor conhecido, talvez, nos dias de hoje através da obra popular conhecida como "As Mil e Uma Noites". Os abássidas (ou "Bandeiras Negras", como eles eram chamados), eram conhecidos na história chinesa como Heh-i Ta-shih, "Os árabes vestidos de preto"[9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] .

Era de Ouro[editar | editar código-fonte]

Em virtualmente qualquer campo de pesquisa - em astronomia, alquimia, matemática, medicina, ótica e assim por diante - os cientistas árabes estão na vanguarda do avanço científico[19]

A Era de Ouro do Islão foi inaugurada no meio do século VIII pela ascensão do Califado Abássida e pela transferência da capital de Damasco para Bagdá[20] . Os abássidas fora influenciados pelas mandamentos e hadith corânicos, como "a tinta de um acadêmico é mais sagrada que o sangue de um mártir", estressando o valor do conhecimento[20] . Durante este período, o mundo islâmico se tornou um centro intelectual para ciência, filosofia, medicina e a educação, pois os abássidas abraçaram a causa do conhecimento e criaram a Casa da Sabedoria em Bagdá. Ali, acadêmicos muçulmanos e não muçulmanos lutaram para juntar todo o conhecimento do mundo e traduzi-lo para o árabe[20] . Diversas obras clássicas da Antiguidade, que de outra forma teriam se perdido, foram traduzidas para o árabe e o persa, e depois seria traduzidas para o turco, hebreu e o latim[20] . Durante este período, o mundo muçulmano era um caldeirão de culturas que colecionava, sintetizava e avançava de modo significativo o conhecimento herdado de civilizações antigas como os romanos, os chineses, o indianos, os persas, os egípcios, os gregos e os bizantinos[20] .

Sob os Mamelucos[editar | editar código-fonte]

No século IX, os abássidas criaram um exército leal apenas ao califado, recrutado principalmente entre os escravos turcos e árabes, conhecidos como "Mamelucos", com alguns eslavos e berberes. Esta força, criada durante o reinado de al-Ma'mun (813–833) e seu irmão e sucessor al-Mu'tasim (833–842) evitou que o império de desintegrasse[21] .

O exército mameluco, embora geralmente visto de forma negativa, tanto ajudou quanto prejudicou o califado. No início, ele deu ao governo uma força estável para lidar com problemas domésticos e externos. Porém, a criação deste exército estrangeiro e a transferência da capital de Bagdá para Samarra por al-Mu'tasim criaram uma divisão entre os califas e o povo que eles alegavam governar. Além disso, o poder dos mamelucos cresceu de forma constante até que al-Radi (934–941) foi coagido a entregar a maior parte das funções reais para Mohammed bin Raik[21] .

Os abássidas continuaram a manter uma presença, uma ilusão de autoridade, confinada a assuntos religiosos, no Egito, sob o reinado dos Mamelucos[21] .

Fim[editar | editar código-fonte]

A dinastia abássida finalmente terminou com al-Mutawakkil III, que foi levado como prisioneiro por Selim I a Constantinopla, onde ele manteve um papel cerimonial até a sua morte em 1543.

Califas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ira Lapidus. A History of Islamic Societies. Cambridge University Press. 2002 ISBN 0-521-77056-4 p.54
  2. Applied History Research Group, University of Calgary, "The Islamic World to 1600", Last accessed 2008-10-30
  3. Oscar Chapuis. A history of Vietnam: from Hong Bang to Tu Duc. [S.l.]: Greenwood Publishing Group, 1995. 216 p. p. 92. ISBN 0313296227 Página visitada em 28 June 2010.
  4. Joseph Mitsuo Kitagawa. The religious traditions of Asia: religion, history, and culture. [S.l.]: Routledge, 2002. 375 p. p. 283. ISBN 0700717625 Página visitada em 28 June 2010.
  5. Bradley Smith, Wango H. C. Weng. China: a history in art. [S.l.]: Harper & Row, 1972. 296 p. p. 129. Página visitada em 28 June 2010.
  6. Hugh D. R. Baker. Hong Kong images: people and animals. [S.l.]: Hong Kong University Press, 1990. 172 p. p. 53. ISBN 9622092551 Página visitada em 28 June 2010.
  7. Charles Patrick Fitzgerald. China: a short cultural history. [S.l.]: Praeger, 1961. 624 p. p. 332. Página visitada em 28 June 2010.
  8. Dennis Bloodworth, Ching Ping Bloodworth. The Chinese Machiavelli: 3000 years of Chinese statecraft. [S.l.]: Transaction Publishers, 2004. 346 p. p. 214. ISBN 0765805685 Página visitada em 28 June 2010.
  9. Marshall Broomhall. Islam in China: a neglected problem. LONDON 12 PATERNOSTER BUILDINGS, E.C.: Morgan & Scott, ltd., 1910. 25, 26 p. p. 25. Página visitada em December 14, 2011.
  10. Frank Brinkley. China: its history, arts and literature, Volume 2. BOSTON AND TOKYO: J.B.Millet company, 1902. 149, 150, 151, 152 p. p. 150. vol. Volumes 9-12 of Trübner's oriental series. Página visitada em 14 December 2011. Original from the University of California
  11. Frank Brinkley. Japan [and China: China; its history, arts and literature]. LONDON 34 HENRIETTA STREET, W. C. AND EDINBURGH: Jack, 1904. 149, 150, 151, 152 p. p. 150. vol. Volume 10 of Japan [and China]: Its History, Arts and Literature. Página visitada em 14 December 2011. Original from Princeton University
  12. Arthur Evans Moule. The Chinese people: a handbook on China .... LONDON NORTHUMBERLAND AVENUE, W.C.: Society for promoting Christian knowledge, 1914. p. 317. Página visitada em 14 December 2011. Original from the University of California
  13. Herbert Allen Giles. A glossary of reference on subjects connected with the Far East. 2 ed. HONGKONG: Messrs. Lane, 1886. p. 141. Página visitada em 14 December 2011.
  14. Everett Jenkins. The Muslim diaspora: a comprehensive reference to the spread of Islam in Asia, Africa, Europe, and the Americas. illustrated ed. [S.l.]: McFarland, 1999. p. 61. vol. Volume 1 of The Muslim Diaspora. ISBN 0786404310 Página visitada em December 14, 2011. Original from the University of Michigan)
  15. . [S.l.: s.n.]. p. 295. Página visitada em December 14, 2011.
  16. Stanley Ghosh. Embers in Cathay. [S.l.]: Doubleday, 1961. p. 60. Página visitada em December 14, 2011. Original from the University of Michigan, Library of Catalonia
  17. Heinrich Hermann. Chinesische Geschichte (em German). [S.l.]: D. Gundert, 1912. p. 77. Página visitada em December 14, 2011. Original from the University of California
  18. Deutsche Literaturzeitung für Kritik der Internationalen Wissenschaft, Volume 49, Issues 27-52. [S.l.]: Weidmannsche Buchhandlung, 1928. p. 1617. Página visitada em December 14, 2011. Original from Indiana University
  19. Huff, Toby E., The Rise of Early Modern Science: Islam, China, and the West, (Cambridge University Press, 2003), 48.
  20. a b c d e Vartan Gregorian, "Islam: A Mosaic, Not a Monolith", Brookings Institution Press, 2003, pg 26–38 ISBN 0-8157-3283-X
  21. a b c Abbasids (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 24/09/2010.
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Califado Abássida