Caligola

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Calígula
Calígula (ITA) / Calígula (USA)
 Itália Estados Unidos
1980 • cor • 155 min 
Direção Tinto Brass, Giancarlo Lui, Bob Guccione
Roteiro Gore Vidal
Elenco Malcolm McDowell
Teresa Ann Savoy
Helen Mirren
Peter O'Toole
John Gielgud
Género drama
Idioma Italiano / inglês
Página no IMDb (em inglês)

Calígula é um filme de 1979 dirigido por Tinto Brass, com cenas adicionais filmadas por Giancarlo Lui e por Bob Guccione, fundador da revista Penthouse. O filme gira em torno da ascensão e queda do imperador romano Gaius Caesar Germanicus, mais conhecido como Calígula. Caligola foi escrito por Gore Vidal, co-financiado pela revista Penthouse, e produzido por Guccione e Franco Rossellini. O filme é estrelado por Malcolm McDowell como o imperador. Caligola foi o primeiro grande filme a mostrar atores famosos (John Gielgud, Peter O'Toole, Malcolm McDowell, Helen Mirren) envolvidos em cenas de sexo explicíto.[1]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Com quase 3 horas de duração, este filme é tido como o maior pornô-épico da história do Cinema, concebido e realizado por Bob Guccione, o criador da revista Penthouse.

O filme conta a história de Calígula, tirano que comandou o Império Romano durante 4 anos. Em seu reinado orgíaco e sangrento, ele fez assassinar vários membros da aristocracia senatorial, casou-se com a própria irmã Drusila e concedeu ao seu cavalo, Incitatus, as insígnias de senador.

Para realizar o que pretendia ser um monumento cinematográfico, Guccione desembolsou 20 milhões de dólares, encomendou 64 cenários e 3.592 trajes, e contratou os talentos de Malcolm McDowell, Peter O´Toole e John Gielgud, além do diretor Tinto Brass - que abandonou o projeto, sendo substituído por Giancarlo Lui e, depois, pelo próprio Bob Guccione.

Considerado um dos mais controversos filmes de todos os tempos, "Calígula" divide opiniões.
Para alguns, com suas cenas de sexo explícito e flagelação sado-masoquista, ele evoca as experiências cinematográficas de Pier Paolo Pasolini.

Para outros, ele não passa de um bizarro festival de escatologia.

Recepção e crítica[editar | editar código-fonte]

O filme foi mal recebido pela crítica; Roger Ebert deu "nota zero", descrevendo-o como "doentio, imprestável, lixo vergonhoso." Talvez o comentário mais cruel que já apareceu nas críticas de Ebert é atribuída a um terceiro: "'Esse filme', disse a moça na minha frente na máquina de refrigerante, 'é a pior merda que eu já vi!'" Esse foi um dos poucos filmes que Ebert já abandonou no meio da projeção; "depois de duas horas dos seus 170 (sic) minutos."[2] O crítico Leonard Maltin disse que o filme era pouco mais do que "seis minutos de cenas não envolvendo sexo explícito."[3] A revista estadosunidense Newsweek chamou Caligola de "uma enxurrada de depravação de duas horas e meia que parece ter sido filmada através de um vidro de vaselina."[4]

Analisando sua perspectiva contemporânea, o crítico Alex Jackson ofereceu um análise mais simpática:

O filme é agressivamente, odiosamente, chocantemente sem sentido. No entanto, a distância irônica que você usa para aguentar (e talvez até gostar) de filmes do Takashi Miike, até funciona por um tempo em Caligola, mas não dura até o fim. O filme é simplesmente muito vazio e cruel. Depois de umas duas horas e meia, o filme fica mais dinâmico e realmente vai ficando melhor conforme você mergulha na atmosfera. Mas não há perspectiva alguma. Eu nunca consegui me identificar com nenhum dos personagens, nem me importar com eles. O filme é tão profundamente desumano que tira dele qualquer conceito.

Se o filme pode ser comparado com as sátiras de Fellini? Não, aqueles filmes demonstram algum tipo de cordialidade. Se o filme pode ser comparado com Salo? Não, aquele filme apresenta algum tipo de humanismo. Se o filme pode se comparado com The Devils? Não, aquele filme apresenta algum tipo de senso de humor. Se o filme pode ser comparado com Kids ou Bully de Larry Clark? Não, aqueles filmes apresentam algum tipo de humanidade, cordialidade, humor e até erotismo; os adolescente naqueles filmes eram desajeitados com o sexo e a violência. Você consegue apontar o problema? A maior, e eu acho que você pode argumentar, diferença daqueles filmes (e todos eram melhores e superiores à Caligola) é que havia algum tipo de propósito por trás deles.[5]

Referências culturais[editar | editar código-fonte]

  • Em 2005, um falso trailer de Gore Vidal's Caligula foi produzido pelo artista Francesco Vezzoli para a campanha publicitária de uma nova linha de acessórios de Gianni Versace. Era uma paródia, "ostensivamente promovendo um filme sobre um imperador romano pirado que dorme com as irmãs, executa seus críticos e preside um grupo bissexual vestido sumariamente." O trailer apresenta Courtney Love como Calígula, Benicio del Toro como Macro, bem como Helen Mirren interpretando Tibério. Milla Jovovich e Gerard Butler aparecem como Drusila e Querea, respectivamente. Vidal aparece como ele próprio.[6] O trailer passou no mundo inteiro, inclusive numa apresentação no Whitney Museum of American Art, em Nova York, por ocasião da Whitney Biennial de 2006.[7]
  • Em 2006, durante o escândalo envolvendo Mark Foley, o programa de humor estadosunidense The Daily Show mostrou uma rápida cena de uma orgia do filme Caligola, dizendo se tratar de imagens de uma câmera de segurança do Congresso. Posteriormente, o apresentador Jon Stewart afirma que se tratava de uma cena do filme "Caligola de Bob Guccione."
  • Matthew Sweet usou diálogos do filme em seu álbum Altered Beast (1993). A banda sueca de metal melódico, Arch Enemy usou os mesmos diálogos na música Rise of the Tyrant:[8]
    Calígula: Eu existo desde a manhã do mundo e existirei até que a última estrela caia da noite.
    Apesar de ter tomado a forma de Gaius Caligula, Eu sou todos os homens da mesma forma como não sou homem algum, e por isso sou um deus.
    Eu esperarei pela decisão unânime do Senado, Cláudio...

    Cláudio: Todos aqueles que concordam, digam sim.
    Calígula: Sim... Sim!
    Senadores: Sim! Sim! Sim!...
    Querea: Agora ele é um deus...[9]
  • Na série de animação Home Movies, o personagem Brendon Small pergunta a seu pai se eles podem assistir Caligola no episódio "Pizza Club", na 2ª temporada.[10]
  • A banda britânica New Order tem uma música "Murder" em que se pode ouvir um trecho do filme, no qual o imperador fala: "Crawl! Crawl! Crawl! I hate them!" (Rasteje! Rasteje! Rasteje! Eu os odeio!)
  • A banda Cephalic Carnage escreveu uma música sobre Calígula intitulada "Anthro Emesis", onde são descritas suas atividades perversas. Em seu álbum mais recente, Xenosapien, a música "Let Them Hate So Long As They Fear" é baseada na fala de Calígula no filme, "Let them hate me, so long as they fear me" (deixem que me odeiem, desde que me temam).
  • No filme Kabluey (2008) de Scott Pendergast, uma criança problemática é vista assistindo o filme Caligola.
  • A cantora britânica Little Boots tirou seu nome artístico do filme ("pequenas botas", em português; é a tradução de "Calígula").
  • Mencionado na série House, no 22º episódio da 5ª temporada, intitulado "House Divided".
  • Em 1990 este filme é dedicado para menores de 18 anos em lançamento em fita de vídeo mais antigo do Brasil, mais uma distribuição mundialmente na Europa Home Vídeo e Penthouse Films no Estado de São Paulo.
  • Em 1992 o filme Calígula foi exibido na TV brasileira pela a emissora Rede OM (atual CNT) juntamente pela parceria da Rede Gazeta de São Paulo e causou a maior polêmica quando foi exibido na TV brasileira na época. e atualmente pela Rede Bandeirantes com a sessão Cine Band Privé, com versão brasileira Dublavídeo São Paulo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]