Calonectris edwardsii

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Como ler uma caixa taxonómicaCagarra de Cabo Verde
Taxocaixa sem imagem
Estado de conservação
Status iucn3.1 NT pt.svg
Quase ameaçada
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Procellariiformes
Família: Procellariidae
Género: Calonectris
Espécie: C. edwardsii
Nome binomial
Calonectris edwardsii
(Oustalet, 1883)

Calonectris edwardsii (Oustalet, 1883), conhecido pelo nome comum de cagarra, é uma ave marinha de média dimensão pertencente à família Procellariidae. É considerada como um endemismo do arquipélago de Cabo Verde e da região biogeográfica da Macaronésia[1] .

Descrição[editar | editar código-fonte]

A cagarra-de-cabo-verde foi originalmente descrita em 1883 por Émile Oustalet como uma espécie autónoma no género Calonectris, mas foi posteriormente considerada como uma subespécie de Calonectris diomedea. A situação foi revertida em 1995 pela publicação de uma anális taxonómica da autoria de Cornelis Hazevoet que demonstra que a população cabo-verdiana constitui uma espécie distinta[1] .

C. edwardsii apresenta um bico afilado e escuro, com a cabeça e a parte dorsal mais escura que qualquer das subespécies de C. diomedea. Também o voo é mais parecido com o das pardelas. com uma postura das asas mais rígida e batidas mais rápidas. A aparência geral, comparada com C. diomedea, é de uma ave mais pequena, mais com corpo mais esguio e angular[2] .

Distribuição e etologia[editar | editar código-fonte]

Apenas se conhece nidificação da espécie no arquipélago de Cabo Verde, embora se suspeite que possa ocorrer na ilha da Madeira. As maiores colónias nidificantes situam-se nas falésias costeiras da ilha Brava, no Ilhéu Branco e no Ilhéu Raso, mas a espécie nidifica em pequenas colónias em outras ilhas de Cabo Verde[3] .

Apesar da sua distribuição pelágica e movimentos no mar não serem bem conhecidos, as aves desta espécie estão regularmente presentes em torno das ilhas de Cabo Verde durante a estação reprodutora. Após o período de nidificação as aves dispersam-se na região oceânica circundante, sendo encontradas com frequência na zona de upwelling das águas do Senegal, onde cerca de 10% da população foi registada durante o mês de Outubro. Há também registos de avistamentos no Atlântico Sul e na costa leste da América do Norte[4] [5] .

Após uma ausência de três meses, os adultos reprodutores regressam às zonas de nidificação nos finais de Fevereiro e durante o mês de Março, instalando-se em cavidades nas falésias, sobre ilhéus e rochedos marinhos isolados e sob grandes rochas da zona costeira. As fêmeas põem um só ovo, de casca branca, e a incubação ocoe de Maio a Julho, com as crias abandonando o ninho de finais de Setembro a Novembro. Após abandonarem o ninho, as aves mantêm-se no mar até à época de nidificação seguinte[3] .

Tal como acontece com as restantes espécies do género Calonectris, C. edwardsii alimenta-se exclusivamente de pequenos peixes e cefalópodes pelágicos e de outros organismos marinhos, vindo a terra exclusivamente para nidificar.

A população total foi estimada em 1993 em cerca de 20,000 indivíduos maturos (10 000 pares nidificantes). Apesar da espécie estar legalmente protegida, os juvenis são capturados nos ninhos por pescadores, sendo usados para alimentação humana e para isco de pesca, estimando-se em cerca de 5 000 as aves que em cada ano são capturadas nas colónias dos ilhéus Branco e Raso[6] . O efectivo populacional da espécie tem declinado por causa do excesso de capturas de juvenis e a espécie é considerada como quase ameaçada[3] .

Notas

  1. a b Hazevoet, C.J. (1995). The birds of the Cape Verde Islands. Tring, UK: British Ornithologists' Union (Check-list 13).
  2. Magikbirds: Cape Verde Shearwater
  3. a b c BirdLife International. (2008). Species factsheet: Calonectris edwardsii. Downloaded from http://www.birdlife.org on 10/1/2009.
  4. Hazevoet, C.J. (1997). Notes on distribution, conservation, and taxonomy of birds from the Cape Verde Islands, including records of six species new to the archipelago. Bulletin Zoologisch Museum, University of Amsterdam 15(13): 89-100.
  5. Curtis,W.F. (1994). Further South Atlantic records. Sea Swallow 43: 19-28.
  6. BirdLife International: Cape Verde Shearwater: Threats

Ligações externas[editar | editar código-fonte]