Camellón

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Camellón ou Waru waru.

Os Camellones (também conhecidos como Waru waru) são um tipo de disposição de solo na planície circundante ao lago Titicaca, onde existem extensas áreas que são periodicamente inundadas devido às variações estacionais normais do nível das águas do lago.

Consiste basicamente em criar áreas de terrenos cultiváveis mais elevadas utilizando os solos vizinhos (os quais estarão sempre inundados), permitindo o cultivo da parte elevada (que estará sempre acima do nível da água).

Origem dos camellones[editar | editar código-fonte]

As escavações arqueológicas realizadas entre 1981 e 1986[1] indicam que:

  • a agricultura dos camellones aparece relativamente cedo na região do Lago Titicaca;
  • embora intensiva em termos de frequência de cultivo e taxas elevadas de produção, o uso intensivo de mão-de-obra não é uma condição indispensável para o sistema de cultivo;
  • as produções sustentadas a longo prazo com baixa aplicação total de mão-de-obra fazem deste um sistema agrícola muito eficiente;
  • a construção e o manejo dos camellones estão ao alcance de cada núcleo familiar rural e dos grupos sociais organizados a nível da localidade.

Pode-se definir duas fases no uso e implementação desta prática cultural:

  • Fase I: que se iniciou provavelmente antes do 100 a. C. e terminou aproximadamente em 400 d. C., associando-se com as culturas agrícolas antigas da bacia do Titicaca e com a posterior cultura Pucará;
  • Fase II: que começou aproximadamente em 1000 d. C. e terminou em 1450 d. C., e se associou com os Senhorios Aymaras.

Discute-se que o sistema agrícola de camellones se desenvolveu como consequência de uma economia orientada a terras inundáveis, similar àquela praticada pelo grupo étnico Uro, mencionado na literatura colonial e etnográfica. Esta economia proporcionou uma base rica e estável para a ocupação sedentária inicial das águas pouco profundas do lago e uma pré-adaptação para o sistema agrícola dos camellones.

Em torno do Lago Titicaca ainda é possível observar zonas com traços dos antigos Waru warus. Algumas comunidades locais, geralmente com apoio de programas de cooperação tentam recuperar estas práticas culturais com um sucesso relativo.

Efeitos dos camellones[editar | editar código-fonte]

Um benefício importante e amplamente reconhecido deste sistema de manejo no altiplano é sua contribuição à mitigação de geadas noturnas durante a cultivo agrícola. Os resultados experimentais evidenciam um valor mais elevado da temperatura da água utilizada no cultivo sobre as plataformas e uma temperatura de cultivo sempre maior (1 a 2 °C) nos camellones do que no Pampa.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Clark L. Erickson, (Ph.D.Universidad de Pennsylvania) - Investigación arqueológica del sistema agricola de los camellones en la cuenca del Lago Titicaca del Peru (Entre 1981 y 1986). Publicado por: "El Centro de Información para el Desarrollo" (CID) y El Proyecto Interinstitucional de los Waru Waru (PIWA)
  2. Jean-Paul Lhomme (Dirección de Agrometeorología, Servicio Nacional de Meteorología e Hidrología (SENAMHI)), y Jean Joinville VaCher (Institut français d'Études andines) - La mitigación de heladas en los camellones del altiplano andino. 2003.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CANAHUA, A., C. DIAZ y P.C. AGUILAR. 1992. Investigación y Validación de la Tecnología de Camellones en Puno, Perú. En: Actas del VII Congreso Internacional sobre Cultivos Andinos. Edit. IBTA, ORSTOM y CIID. La Paz, Bolivia.
  • CANAHUA, A. y L. LARICO. 1991. Manual Técnico de Waru waru. Edit. PIWA, PELT/INADE – IC/COTESU. Puno, Perú.
  • CATACORA, P. Y A. CANAHUA. 1992. Selección de Genotipos de quinua (Chenopodium quinoa W.) Resistentes a Heladas y Perspectivas de Producción en Camellones. En: Actas de VII Congreso Internacional sobre Cultivos Andinos. Edit. IBTA, ORSTOM y CIID. La Paz, Bolivia.
  • CCAMA. F.1991. La Estructura y Evolución de la Producción Agropecuaria en el departamento de Puno. Edit. INIA, PISA. Puno, Perú.
  • CHURA, E. 1997. Variación de la Temperatura Mínima en Agroecosistemas de Camellones (Waru waru), Pampa y su Efecto en el Cultivo de la Papa Amarga (Solanum juzepczukii y Solanum curtilobum ). Tesis Magister Scientae. Escuela de Postgrado. UNA, Puno. Puno, Perú.
  • DIAZ, C. Y E. VELASQUEZ. 1991. Inventario de Infraestructuras Agrícolas Andinas en Puno, Perú. En: Seminario Perú - Bolivia sobre Investigación en Camellones. Convenio PELT/INADE – IC/COTESU.
  • GARAYCOCHEA, I. 1986. Los Camellones y la Recuperación de la Frontera Agrícola en el Altiplano Puneño. En: Anales de V Congreso Internacional de Sistemas Agropecuarios Andinos. Edit. PISA – INIPA-ACDI – CIID.
  • GARCIA, M., J.J. VACHER, y J. HIDALGO. 1992.Estudio comparativo del comportamiento hídrico de dos variedades de quinua en el Altiplano Central. En: Actas del VII Congreso Internacional sobre Cultivos Andinos. Edit. IBTA, ORSTOM Y CIID. La Paz, Bolivia.
  • GRACE, B. 1985. El Clima del Altiplano de Puno. Edit. Convenio Perú Canadá – CIPA XV. Puno, Perú.
  • INEI. 1996. III Censo Agropecuario.
  • PIWA – PELT/INADE. 1994. Priorización de las Areas Potenciales para la re construcción de waru waru en el Altiplano de Puno. Edit. Convenio INADE/PELT – COTESU. Puno, Perú.
  • TAPIA, M. 1986. Guía Metodológica para la caracterización de la Agricultura Andina. Mimeo IICA - CIID. Lima, Perú.