Campanha de nacionalização

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Campanha de nacionalização foi o conjunto de medidas tomadas durante o Estado Novo de Getúlio Vargas para diminuir a influência das comunidades de imigrantes estrangeiros no Brasil e forçar sua integração junto à população brasileira.

Alguns grupos de imigrantes foram considerados mais aptos serem absorvidos, outros foram considerados incapazes devido a fatores como o idioma falado, a religião professada, a atividade econômica realizada.[1]

Numa primeira fase, em 1938, abordou a nacionalização do ensino com: obrigação do ensino do português, obrigatoriedade das escolas terem nomes brasileiros, só brasileiros natos podiam ocupar cargos de direção, os professores deviam ser brasileiros natos ou naturalizados graduados em escolas brasileiras, as aulas deviam ser ministradas em português, proibido o ensino de línguas estrangeiras para menores de 14 anos, subvenções provenientes de governos e instituições estrangeiras foram proibidas, institução das matérias obrigatórias de educação moral e cívica, e educação física (que devia ser ministrada por instrutores militares).[2]

Em 1939 novas medidas foram implementadas: a proibição de falar idiomas estrangeiros em público, inclusive durante cerimônias religiosas (o Exército deveria fiscalizar as "zonas de colonização estrangeira"). As associações culturais e recreativas tiveram de encerrar todas as atividades que pudessem estar associadas à outras culturas.[2]

Também os meios de comunicação foram afetados, com a censura de programas de rádio e as restrições à imprensa em língua estrangeira. Em uma primeira fase os jornais foram obrigados a ter um redator brasileiro (incumbido da censura) e publicar edições bilíngües e artigos patrióticos de autores brasileiros. Depois veio a proibição definitiva, com o desaparecimento da maioria dos jornais e revistas afetados. Os nomes de ruas, letreiros e cartazes das lojas e fábricas, e o nome de clubes e associações foram afetados.[2]

Entre as nacionalidades afetadas estavam os judeus Asquenazes, especialmente aqueles que falavam alemão e ou a Língua iídiche, havendo campanhas antijudaicas em vários estados brasileiros. No Rio Grande do Sul elas foram significativas, já que o estado havia recebido vários imigrantes na primeira década do século XX, devido a acordos entre autoridades brasileiras e a Iídiche Colonization Association.[1] Entre outras acusaões, os judeus passaram a ser acusados de formarem quadrilhas internacionais, com o objetivo de trazer 4000 imigrantes de forma ilegal, em solo brasileiro, assim como serem exploradores de mulheres.[1]

Em 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi intensificada a repressão às nacionalidades ligadas às Potências do Eixo: alemães, italianos e japoneses. Foram anunciadas, com restrições às liberdades individuais: necessidade de autorização para viajar dentro do país; apreensão de livros, revistas, jornais e documentos, com destruição de parte da memória histórica da imigração, e eventual prisão daqueles que não falassem português.

Em agosto de 1942, em Pelotas, as ruas da cidade foram tomadas por uma turba enfurecida, que atacou violentamente casas comerciais, de teuto-brasileiros e imigrantes alemães, até mesmo a igreja da comunidade protestante alemã foi queimada em seu interior.[3]

Veja também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. a b c LIA, C. (11, mai. 2013). A quadrilha de falsários: imigrantes judeus nas ações policiais e judiciais da era Vargas Métis: história & cultura, América do Norte. Página visitada em 15 Mai. 2013.
  2. a b c SEYFERTH, Giralda. Os imigrantes e a campanha de nacionalização do Estado Novo. In:Repensando o Estado Novo.Organizadora: Dulce Pandolfi. Rio de Janeiro: Ed.Fundação Getulio Vargas, 1999. 345 p.
  3. FONSECA, Maria Angela Peter da. Estratégias para a preservação do germanismo (Deutschtum) - gênese e trajetória de um collegio teutobrasileiro urbano em Pelotas (1898-1942), Pelotas, 2007, 158p.