Campeonato Carioca de Futebol de 1933

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Campeonato Carioca de Futebol de 1933
Times
Campeão Botafogo Football Club (AMEA); Bangu (LCF) Viação Excelsior Futebol Clube (LMDT)
Vice Andaraí e Olaria (AMEA); Fluminense (LCF)
Artilheiro Nilo (Botafogo) - 19 gols (AMEA);
Tião Bangu - 13 gols (LCF)

O Campeonato Carioca de Futebol de 1933 foi o nome dado a três competições paralelas, organizadas cada uma por uma liga esportiva diferente.

O campeonato de 1933 pela AMEA, vencido pelo Botafogo, tem sido alvo de polêmica, pois alguns torcedores de clubes rivais afirmam que o Flamengo teria sido rebaixado. No entanto, pesquisa de Marco Santos afirma que não havia a previsão de rebaixamento naquele ano em nenhuma das ligas existentes.[1]

O certame da (LCF) foi vencido pelo Bangu. Ainda um terceiro campeonato, organizado pela LMTD foi vencido por Viação Excelsior FC. Posteriormente, a LMTD desistiu de rivalizar com as demais ligas em se tornou uma subliga da LCF, destinada exclusivamente a organizar competições amadoras, deixando de existir em 1935. Por conta disso, muitas fontes não relacionam o Excelsior na lista dos campeões.

AMEA[editar | editar código-fonte]

Primeira Divisão[editar | editar código-fonte]

O campeonato organizado pela AMEA tinha o reconhecimento da CBD e da FIFA. Liderada por Botafogo e Flamengo, a entidade pretendia manter o formato amador do futebol. No entanto, durante a disputa simultânea de ambos os campeonatos, o Flamengo, discordando do modelo de premiação de jogadores, denunciou um suposto "amadorismo marrom" e decidiu abandonar a AMEA, passando a disputar o Campeonato da Liga Profissional com um time amador. São Cristóvão e Carioca seguiram o Flamengo, também abandonando a disputa, no entanto, o primeiro foi para a segunda divisão da LCF, enquanto o segundo não disputou nenhum outro campeonato naquele ano, uma vez que estava em reorganização administrativa interna.[1]

Devido ao formato do campeonato, não houve partida final do Campeonato da Liga Amadora (AMEA). Sagrou-se campeão o Botafogo, por ter perdido apenas 8 pontos durante todo o campeonato. Esse foi o primeiro grande racha no Futebol Brasileiro, impulsionando rachas maiores, como a fundação da FBF (Federação Brasileira de Futebol).

Segunda Divisão[editar | editar código-fonte]

Foi vencida pelo Sport Club Anchieta.[2]

LCF[editar | editar código-fonte]

Primeira Divisão[editar | editar código-fonte]

A partida final do Campeonato da Liga Profissional (LCF) foi disputada entre Bangu e Fluminense, no campo das Laranjeiras, em 12 de novembro de 1933, tendo sagrado-se Campeão o Bangu, cujo placar final foi 4 x 0, mesmo desfalcado e disputando a final da casa do adversário. O árbitro da partida foi Alderico Solon Ribeiro. O Bangu jogou desfalcado do zagueiro esquerdo Sá Pinto e do ponta direita Sobral; e o Fluminense sem o goleiro Veloso, todos contundidos. 1° Tempo, Bangu 2 a 0, gols de Ivan (contra) e Tião. No 2°, Plácido e Tião selaram a vitória do Bangu. O Bangu alinhou: Euclides; Mario e Camarão; Ferro, Santana e Médio; Paulista, Laudislau, Tião, Plácido e Orlandinho. O Fluminense com: Armandinho; Ernesto e Cabrera (Nariz, aos 21 do 2°); Marcial, Brant e Ivan; Álvaro, Vicentino (Russo), Russo (Cabrera), Tintas e Valter.

Em 1933, o futebol brasileiro passava por um processo de profissionalização bastante conturbado. Havia uma verdadeira cisão entre os clubes que queriam o profissionalismo e os que desejavam manter o amadorismo no esporte. No estado do Rio, em especial, América, Bangu, Fluminense articulavam para adotar oficialmente (já que na prática alguns clubes assim o faziam) o profissionalismo, enquanto o Botafogo era terminantemente contra, contando com apoio do Flamengo e do São Cristovão. Para adotar o profissionalismo, América, Bonsucesso, Bangu, Fluminense e Vasco fundaram uma nova liga, denominada Liga Carioca de Futebol. Durante o campeonato da A.M.E.A. (entidade que reunia os clubes amadores e que era considerada a liga oficial, já que era vinculada a CBD e à CBF), Flamengo e São Cristovão resolveram abandonar a disputa. O Flamengo entrou então no campeonato dos clubes profissionais, que até então só contava com 5 clubes. Neste campeonato de profissionais só havia 6 clubes (América, Bangu, Bonsucesso, Flamengo, Fluminense e Vasco) e o Flamengo ficou em 6º lugar. Apesar de haver uma segunda divisão, o rebaixamento não estava previsto no regulamento. De acordo com Marco Santos, "nem faria sentido fazer descer o último colocado numa jovem liga onde times jogavam por convite".[1]

Segunda Divisão[editar | editar código-fonte]

Embora não haja muitos registros, houve uma segunda divisão do campeonato da LCF, disputada por 8 clubes. Ela era chamada de Sub-liga.[3] Não havia, no entanto, previsão de ascensão à primeira.[1] Ela foi vencida pelo São Cristóvão, que chegou a disputar 4 jogos pela liga rival. Após vencer o campeonato, o clube foi convidado a disputar a primeira divisão no ano seguinte.[1]

LMDT[editar | editar código-fonte]

O campeonato da LMDT foi dividido em duas divisões:[4]

Primeira Divisão[editar | editar código-fonte]

Conhecida por Divisão Emmanuel Augusto Nery, foi disputada por

  • SC Boa Vista (do Alto da Boa Vista)
  • Fundição Nacional AC (de São Cristóvão)
  • Jequiá FC (da Ilha do Governador)
  • Jornal do Commercio FC (do Centro-Santo Cristo-Gamboa)
  • Mauá FC (da Saúde-Centro)
  • Silva Manoel AC (do Centro)
  • Sparta FC (do Lins de Vasconcelos)
  • Sporting Club do Brasil (do Centro)
  • Triângulo Azul FC (do Centro)
  • Viação Excelsior FC (de São Cristóvão)

O Jequiá desistiu do campeonato após este ter iniciado, para se integrar à segunda divisão da LCF. O campeonato foi decidido num triangular final, onde, na última partida, o Excelsior venceu o Campo Grande por 4 x 2, na casa do adversário.

Segunda Divisão[editar | editar código-fonte]

Conhecida por Divisão João Evangelista Belfort Duarte, foi disputada por

  • SC Albano (de Jacarepaguá)
  • SC Campinho (de Campinho)
  • CS Campo Grande (de Campo Grande), vencedor da Série
  • Deodoro AC (de Deodoro)
  • Esperança FC (de Santa Cruz)
  • Oriente AC (de Santa Cruz)
  • SC Parames (de Jacarepaguá)
  • GS Santa Cruz (de Santa Cruz)
  • SC São José (de Magalhães Bastos)

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ASSAF, Roberto; MARTINS, Clovis. Campeonato Carioca - 96 Anos de História - 1902/1997. Ed. Irradiação Cultural. Rio de Janeiro; 1997.
  • MERCIO, Roberto. A História dos Campeonatos Cariocas de Futebol. Studio Alfa. Rio de Janeiro; 1985.
  • ASSAF, Roberto e MARTINS, Clóvis. História dos Campeonatos Cariocas de Futebol - 1906/2010. Maquinária Editora; 2010.
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