Campina das Missões

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Município de Campina das Missões
Avenida Santa Teresa

Avenida Santa Teresa
Bandeira de Campina das Missões
Brasão de Campina das Missões
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 9 de outubro de 1963 (50 anos)
Gentílico campinense
Prefeito(a) Ademir Renato Nedel (PMDB)
(2009–2012)
Localização
Localização de Campina das Missões
Localização de Campina das Missões no Rio Grande do Sul
Campina das Missões está localizado em: Brasil
Campina das Missões
Localização de Campina das Missões no Brasil
27° 59' 20" S 54° 50' 22" O27° 59' 20" S 54° 50' 22" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Noroeste Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Cerro Largo IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Porto Lucena, Cândido Godói, Ubiretama, Cerro Largo, Salvador das Missões e São Paulo das Missões
Distância até a capital 534 km
Características geográficas
Área 225,762 km² [2]
População 6 117 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 27,09 hab./km²
Altitude 163 m
Clima Subtropical úmido Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,764 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 66 782,069 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 10 403,81 IBGE/2008[5]
Página oficial

Campina das Missões é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Localiza-se a uma latitude 27º59'20" sul e a uma longitude 54º50'22" oeste, estando a uma altitude de 163 metros. Sua população em 2010 era de 6 117 habitantes.[3]

Colonizada por descendentes de alemães e russos (eslavos). Possui uma das maiores colônias de descendentes russos do Rio Grande do Sul. Sua economia está fundamentada na agricultura de minifúndios. Predomina o cultivo de soja e milho. Possui poucas indústrias, como de roupas e esquadrias.

História[editar | editar código-fonte]

A história de Campina das Missões começa em 1902, quando foi decidido colonizar as terras localizadas entre o Rio Uruguai e o Rio Comandaí, pois a ocupação definitiva do estado era um dos objetivos do governador Borges de Medeiros.

A região, denominada "Campina" (pelo fato de, no início do século XX, ser uma verdadeira campina em meio à mata virgem) começou a ser colonizada em 1909, por imigrantes russos, em sua maioria, provindos da Sibéria. Acostumados com o frio, os imigrantes russos sofreram com o clima tropical e a dificuldade com o manejo das terras. A primeira construção na cidade foi o Condor, que servia de centro de administração e coordenação da imigração a ser iniciada na nova colônia.

A imigração alemã, começou em Campina, entre 1910 e 1911. Os novos imigrantes, em sua maioria provindos das "Colônias Velhas" (São Sebastião do Caí, Feliz, São Leopoldo, Montenegro, Estrela, Lajeado e Santa Cruz do Sul), tinham experiência com a agricultura e, ao contrário dos russos, já estavam acostumados com o clima tropical e o meio agreste, o que fez com que vingassem melhor suas iniciativas.

Em 1º de outubro de 1920, Campina foi elevada à categoria de nono distrito de Santo Ângelo, sendo a partir de então denominada de Campina das Missões. Em 9 de agosto de 1931, com a emancipação política e do município de Santa Rosa, o 9º distrito de Santo Ângelo passou a figurar como quinto distrito de Santa Rosa.

No dia 22 de novembro de 1962, os representantes da indústria, comércio e agricultura, escolheram em Assembleia Geral na sede do Clube Bela Vista, os membros da Comissão Emancipadora, que promoveria todos os trabalhos necessários para a emancipação do distrito de Campina, parte do Distrito de Cândido Godói e parte de Ubiretama, pertencente ao município de Giruá. Foram escolhidos dez nomes para a Comissão Emancipadora.

Campina das Missões foi emancipada em 9 de outubro de 1963, elevando-se à categoria de município. O primeiro governo municipal de Campina das Missões começou em 1964. Em 2009, a cidade começou seu décimo primeiro governo municipal.

Línguas minoritárias[editar | editar código-fonte]

Desde a sua fundação há mais de um século, além da língua nacional, o português, dois idiomas minoritários fazem parte íntegra da cultura local: a língua russa e a alemã.

No caso do alemão, predomina nesta municipalidade o dialeto conhecido por Riograndenser Hunsrückisch, um regionalismo linguístico presente em um grande número de comunidades riograndenses, tanto na região leste denominada antigamente de Colônias Velhas em alemão, ou seja die Altkolonie, quanto no noroeste do estado, nas Colônias Novas ou die Neikolonie (i. e. Neukolonie no alemão padrão); sendo que, por convenção de uso comum, fica no plural em português mas no singular em alemão).

Riograndenser Hunsrückisch ganha reconhecimento oficial do estado do Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

Em 2012 a câmara dos deputados do estado votou em unanimade a favor do reconhecimento official do Riograndenser Hunsrückisch, o dialeto alemão mais falado no Brasil, e com a maior concentração de falantes no Rio Grande do Sul, como parte do patrimônio cultural imaterial a ser preservado e protegido.[6] Na verdade este reconhecimento se dá devido a um trabalho que vem sendo efetivado desde há longos anos por iniciativa individual, comunitária, de linguistas e academicos, como por exemplo o professor Dr. Cléo Vilson Altenhofen da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Hoje este dialeto também é reconhecido internacionalmente como uma língua em perigo de extinção e, presentemente, cresce a conscientização popular da necessidade reverter este diagnóstico. Tradicionalmente o dialeto manteve-se em grande parte um língua ágrafa (sem produção escrita em larga escala), apoiando-se no uso centenário do alemão padrão (Hochdeutsch) para tal; hoje existem crescentes iniciativas de produzir textos escritos no Hunsrückisch brasileiro para ajudar na sua preservação.[7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Campina das Missões se localiza numa região cercada de planaltos, a área urbana da cidade se concentra próxima ao Rio Tumurupará (veja também (Topônimos tupis-guaranis no Brasil).

A área do município é de 227,91 km².

Clima[editar | editar código-fonte]

A temperatura média anual do município gira entre 19°C e 20°C, com temperaturas entre 27°C e 37°C no verão e entre -2°C a 14°C no inverno.

A precipitação pluviométrica situa-se em 1700 a 1800mm. O comportamento hídrico do solo apresenta um excedente anual entre 500 a 600mm.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A cidade é cortada por dois rios: o Rio Comandaí e o Rio Tumurupará, também conhecido como "Rio Pessegueiro", que corta o noroeste da parte urbana do município.

Política[editar | editar código-fonte]

Câmara Municipal[editar | editar código-fonte]

Os vereadores de Campina das Missões, no cargo até 2012 são:

  • Aldacir Inácio Perini (PDT)
  • Laurinha Regina Reckziegel (PT)
  • Daltro Luiz Bastos (PDT)
  • Luiz Ernédio Schermann (PDT)
  • Ademir Afonso Grunitzky (PP)
  • Nelmo Vior Rörig (PT)
  • Renato João Lautharte (PT)
  • Ademir Jablonsky (PDT)
  • Nelio Webler (PT)

Eleitos para o mandato 2013-2016 nas eleições de 7 de Outubro:

  • Aldacir Inácio Perini (PDT)
  • Daltro Luiz Bastos (PDT)
  • Ademir Afonso Grunitzky (PP)
  • Luiz Ernédio Schermann (PDT)
  • Teonésio Abraão Andreis (PT)
  • Alcides José Kirsch (PMDB)
  • Ademir Jablonsky (PDT)
  • Vanir Knapp (PT)
  • Fábio André Bencke (PMDB)

Prefeitura[editar | editar código-fonte]

Ademir Renato Nedel é o prefeito de Campina das Missões pelo PMDB. O vice-prefeito da cidade é Marino Jacob Goerlach (PDT). Eles foram eleitos em 2008, reeleitos em 2012 e estarão no cargo até 2016.

Eleições de 2008

Em 29 de junho de 2008, foram escolhidos os candidatos para as eleições municipais de 2008. Melchior Mallmann candidatou-se à reeleição pela coligação União Democrática Popular (PT/PPS/PSDB) e o vice Ademir Renato Nedel se candidatou a prefeito pela coligação Campina para Todos (PTB/PP/PMDB/PDT).

Ademir Renato Nedel venceu as eleições em 5 de outubro de 2008 com 60,06% dos votos válidos, contra 39,94% de Melchior Mallmann[8] . Renato assumiu a prefeitura em 1º de janeiro de 2009 com mandato até 31 de dezembro de 2012.

Eleições de 2012

Em 7 de outubro de 2012 como único pretendente ao pleito, Ademir Renato Nedel, candidato à reeleição pela coligação Campina para Todos recebeu 58,21% dos votos, contra 41,79% entre votos brancos e nulos, reelegeu-se prefeito de Campina das Missões para o mandato 2013-2016.

Lista de prefeitos

Cultura[editar | editar código-fonte]

Igreja Matriz

Turismo[editar | editar código-fonte]

O principal ponto turístico de Campina das Missões é a Igreja Matriz (Nossa Senhora do Bom Conselho), localizada na avenida Santa Rosa. A igreja foi construída em 1919, uma das maiores da Diocese de Santo Ângelo.

As avenidas de Campina das Missões são enfeitadas com esculturas de arbustos em forma de cuias, chaleiras e animais no canteiro central. Pelo fato de não haver muito movimento de carros nas ruas da cidade, não há semáforos nas ruas.

Tradições[editar | editar código-fonte]

CTG Campina das Missões conta com um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG Fogo de Chão. Desde 1982, o CTG é um dos maiores e mais organizados da região, seu lema é "A tradição cultuada no presente, relembra o passado, educando para o futuro". Em 2006, contava com 170 associados.

Grupo Folclórico Russo Troyka O Grupo Folclórico Russo Troyka foi fundado em julho de 1992 e é mantido pela Associação Cultural Russa Volga do Brasil. Representa a etnia russa, divulgando os usos, costumes, tradições, enfim as danças alegres e vibrantes do fascinante folclore russo, sendo o único no Estado e do Sul do Brasil, no gênero.

Na sua trajetória de sucessos de 20 anos de caminhada artístico-cultural, constam em seu vasto currículo mais de 500 shows em eventos e feiras locais, regionais, nacionais e internacionais, dos quais várias apresentações na Argentina.

Merece destaque as conquistas feitas pelo grupo em festivais:

  • No Festival Santa Rosa em Dança, realizado em outubro de 2006, 2007, 2008, nestes três eventos culturais conquistou o 1º lugar na categoria folclore. No 4º Santa Rosa em Dança, sendo este em outubro de 2008, além do 1º lugar, obteve ainda o prêmio de Melhor Trabalho Adulto, dos 168 grupos concorrentes naquele certame.
  • No XII Festival Internacional São Borja em Dança, dos 115 grupos concorrentes do Brasil, Argentina e Paraguai conquistou 5 prêmios: 1º lugar com a melhor coreografia; 1º lugar infantil; 1º lugar juvenil I; 1º lugar juvenil II e 1º lugar adulto, cujas credenciais atestam a grandeza e o brilhantismo do elenco, que se notabilizou e cumpre extensa agenda de shows.

Esportes[editar | editar código-fonte]

A cidade conta com um estádio de futebol, chamado Estádio Miguelão, em homenagem a Miguel Francisco Szostkiewicz, primeiro prefeito da cidade e um dos líderes da emancipação de Campina das Missões.

Clubes de futebol de Campina das Missões

Educação[editar | editar código-fonte]

Conta com nove escolas. Seis de ensino fundamental, uma de educação básica, uma de educação infantil e uma de educação especial. Cinco escolas são municipais e quatro são estaduais.

Em pesquisa realizada, conforme o censo do IBGE, referente ao índice de analfabetismo no Brasil, o município encontra-se em 55º lugar, na lista dos municípios com menor índice de analfabetismo.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde e medicina[editar | editar código-fonte]

Hospital Campina.

A cidade conta com um hospital, chamado Hospital Campina. Foi fundado em 27 de maio de 1965 com o nome de Sociedade de Assistência e Cultura Padre Benedito Meister e tinha o objetivo de prestar assistência social e ministrar cursos de preparação para o trabalho.

Em 2006, o hospital contava com 61 leitos ativos e 64 funcionários, sendo servido por seis médicos. Atende pelo SUS e presta também, atendimentos particulares e através de convênios como o Ipê e a Unimed.Foi feita uma nova pintura em 2010.

O município está conveniado com o Hospital Campina conjugando ações na execução do Programa Saúde da Família, o PSF, que é composto por duas equipes integradas por dois médicos, duas enfermeiras, duas técnicas de enfermagem e dezessete agentes comunitários de saúde.

Agropecuária[editar | editar código-fonte]

No interior da cidade existem vilas e fazendas onde há o cultivo do feijão-soja e do milho, e criação de porcos. Vale notar que a suinocultura brasileira recebeu um forte e definitivo impulso das regiões meridionais do país com o advento da imigração alemã a partir de 1824, sendo que Campinas das Missões faz parte desta história.[9] Históricamente, o consumo de carne suína teve características próprias no meio teuto-brasileiro, desde os métodos de produção animal aos produtos decorrentes e às receitas diversificadas de pratos, conforme exemplificado inclusive pelo idioma corrente: Spiessbraten (assado de carne de porco), Kopfwurst (morcilha branca), Bratwurst (linguiça), Blutwurst (morcilha de sangue), Schmalz (banha), Grieben (torresmo), etc.; há inclusive com expressões regionais específicas como Schweine rieche noh Geld (em alemão padrão: Schweinen riechen nach Geld), ou seja, "porcos têm cheiro de dinheiro que são reconhecidas e utlizadas por toda a região de colonização germânica do noroeste do estado.[10] A produção de frutas, hortaliças, vacas leiteiras, aves e ovos fazem parte da economia complementar de subsistência do município.

Transporte[editar | editar código-fonte]

Rodoviária de Campina das Missões.

A cidade conta com uma rodoviária. Fundada em 1974, transporta passageiros de Campina para outras cidades do estado, principalmente para Porto Alegre e as Colônias Velhas (die Altkolonie), em ônibus da empresa Ouro e Prata. Outras empresas como a Unigal fazem percursos de Santa Rosa a outras cidades vizinhas, tais como, Porto Lucena, Cândido Godói, passando por Campina das Missões e levando os usuários a várias comunidades do município.

Também conta com alguns ônibus particulares que fazem trajetos no interior do município. Alguns desses ônibus particulares são contratados pela prefeitura para realizar o transporte escolar no município.

Meio Ambiente[editar | editar código-fonte]

No ano de 2011 foi colocado em prática o Projeto Arborístico de Campina das Missões que está em fase inicial. O projeto visa o embelezamento do centro da cidade com o plantio de árvores, como o Plátano e a Cerejeira. Busca-se assim, tornar o município mais atrativo para os visitantes e garantir o bem-estar à população campinense. Estima-se que, em 5 anos, os resultados já poderão ser vistos.

Atrações[editar | editar código-fonte]

Feira[editar | editar código-fonte]

A cada 2 anos é realizada a Feira da Agricultura Familiar, Indústria e Comércio em Campina das Missões. É uma das mais importantes feiras regionais e conta com várias lideranças locais, regionais e estaduais, além de empresários, principalmente no setor do Agronegócio.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. a b Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Riograndenser Hunsrückisch: Com quase 200 anos de história, o idioma Riograndenser Hunsrückisch Plattdeitsch passa a ser reconhecido como patrimônio cultural do estado do Rio Grande do Sul em 2012; publicado no dia 31 de agosto de 2012 por Paul Beppler
  7. Riograndenser Hunsrückisch: Fundamentos para uma escrita do Hunsrückisch falado no Brasil; Cléo V. Altenhofen; Jaqueline Frey; Maria L. Käfer; Mário Klassmann; Gerson R. Neumann; Karen Pupp Spinassé; publicado no dia 14 de maio de 2013 por Paul Beppler
  8. Justiça Eleitoral - Resultado Eleições 2008
  9. Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS)/EMBRAPA/Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: A suinocultura no Brasil
  10. “DO PORCO NÃO SOBRA NEM O GRITO!”: CLASSIFICAÇÕES E PRÁTICAS, SABERES E SABORES NO ABATE DOMÉSTICO DE PORCOS por Graciela Fröhlich; dissertação de mestrado (janeiro de 2012) pela Universidade Federal de Santa Maria
  • BASTIAN, Clovis Pedro. Campina das Missões: Nossa terra e nossa gente. Campina das Missões/RS: Sueli Maria Bastian ME. 2006.
  • ZABOLOTSKY, Jacinto Anatólio. A Imigração Russa no Rio Grande do Sul: Os longos caminhos da esperança. 2.ed. Campina das Missões/RS: Coli Gráfica e Editora Ltda. 2000.
  • Antonio Jung - Assessoria de Planejamento - Prefeitura de Campina das Missões.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]