Campo conservativo
Em cálculo de várias variáveis, um campo vetorial conservativo é um campo vetorial que é o gradiente de um campo escalar. Esse artigo descreve o caso matematicamente mais simples de campos vetoriais conservativos do
e a importância do potencial na descrição de sistemas físicos.
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Definição [editar]
Um campo vetorial
é dito conservativo se, e somente se, pode ser escrito como o gradiente de um campo escalar
:
.
é chamado de potencial do campo
. Se identificarmos o espaço tangente
com o espaco de 1-formas diferenciais
através do produto interno
, então, um campo vetorial conservativo pode ser identificado como uma 1-forma exata
.
Campos vetoriais irrotacionais [editar]
Pode-se mostrar facilmente que, para qualquer campo conservativo:
isto é, todo campo vetorial conservativo é irrotacional. Na linguagem de formas diferenciais isso é uma consequência da nilpotência da derivada exterior
nos mostra que toda forma exata é fechada.
A recíproca desse teorema sempre vale localmente, como provado pelo Lema de Poincaré, mas globalmente depende do primeiro grupo de cohomologia de de Rham:
.
No caso considerado aqui,
e toda forma fechada é exata ou, todo campo vetorial irrotacional é conservativo. Numa região de
que não seja simplesmente conexa, isto é, que não seja homotopicamente equivalente ao todo
, isso não é mais verdade. Um caso interessante é a corda de Dirac
que está relacionada ao conceito de monopolo magnético e quantização de carga elétrica.
Independência de caminho [editar]
Usando o teorema de Stokes, pode-se ver que a integral de linha de um campo conservativo não depende do caminho entre os pontos inicial e final. Mais especificamente, conclui-se que:
Interpretação física [editar]
Mecânica [editar]
Se, em mecânica newtoniana, um campo de forças for um campo vetorial conservativo, então, partindo da segunda lei de Newton e usando a regra da cadeia, podemos escrever:
onde
é a energia cinética e
é a energia total, que a igualdade acima mostra ser constante.
O conceito de independência de caminho mostra que o trabalho realizado por uma força conservativa em qualquer circuito fechado é sempre igual a zero e que num caminho qualquer só depende dos pontos inicial e final:
Alguns exemplos de forças conservativas são:
A força gravitacional sobre um corpo pontual de massa
em
devido a um corpo pontual de massa
em
é:
A força coulombiana, que tem a mesma dependência funcional, também é conservativa, como discutido abaixo.
- Força elástica
Uma deformação elástica que obedeça à Lei de Hooke apresenta uma força de restauração conservativa:
Eletromagnetismo [editar]
As equações de Maxwell, especificamente
, mostram que o campo eletroestático é irrotacional e então, nas condições descritas acima, é um campo conservativo. As curvas de nível do potencial elétrico
são chamadas de curvas equipotenciais. Em particular, a força elétrica
é uma força conservativa.
A relatividade restrita nos mostra que, mesmo abandonando a hipótese de campos estáticos, os campos elétricos e magnéticos podem ser descritos como uma forma fechada. Mas localmente não como a derivada de uma 0-forma e sim de uma 1-forma do espaço de Minkowski. Efeitos como o efeito Aharanov-Bohm mostram que o conceito de potencial é fisicamente mais fundamental que o da sua derivada (neste caso, o campo eletromagnético; para o caso de forças, veja abaixo).
Mecânica Quântica [editar]
Em mecânica quântica, o conceito de força é abandonado em detrimento do conceito de potencial. Nesse sentido, o potencial passa a ter um papel mais fundamental que a força e todas as interações são consideradas conservativas. Interações dissipativas passam a ser descritas através de sistemas quânticos abertos. A função de onda é calculada através da equação de Schrödinger
A função de onda para os dois casos de forças potenciais vistas acima são as famosas soluções do átomo de hidrogênio e do oscilador harmônico.
Ver também [editar]
Referências [editar]
- Lima, E.L.;. Curso de Análise, vol 2.. segunda edição ed. [S.l.]: IMPA, 2005. ISBN 85-244-0049-8
- Nakahara, M.;. Geometry, Topology and Physics.. segunda edição ed. [S.l.]: Taylor & Francis, 2003. ISBN 978-0750306065
- Frankel, T.;. The Geometry of Physics: An Introduction.. segunda edição ed. [S.l.]: Cambridge University Press, 2003. ISBN 978-0521539272

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![\mathbf{F} = m \frac{d^2\mathbf{x}}{dt^2} \Rightarrow -\nabla{V} = m \nabla\left[\frac{1}{2}\left(\frac{d\mathbf{x}}{dt}\right)^2\right]\Rightarrow \nabla(V+T)=0\Rightarrow E=cte.](http://upload.wikimedia.org/math/c/2/6/c2664e91bd6d9dfca36708b2e6d14f16.png)



