Canção do Exílio

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Canção do Exílio in PRIMEIROS CANTOS
Autor (es) Gonçalves Dias
Idioma português
País  Brasil
Assunto in Primeiros Cantos
Género Lírico, (Indianismo-para alguns).
Editora Laemmert (primeira edição).
Lançamento 1957
Páginas 9º (283)

Canção do exílio é o poema de Gonçalves Dias que abre o livro contos literários e marca a obra do autor como um dos mais conhecidos poemas da língua portuguesa no Brasil. Foi escrita em julho de 1843, em Coimbra, Portugal. O poema, por conta de sua contenção e de sua alusão à pátria distante, tema tão próximo do ideário do Romantismo, tornou-se emblemático na cultura brasileira. Tal caráter é percebido por sua freqüente aparição nas antologias escolares, bem como pelas inúmeras citações do texto presentes na obra dos mais diversos autores brasileiros e, principalmente, pela inclusão de dois de seus versos na letra do Hino Nacional Brasileiro.

Sua temática é própria da primeira fase do Romantismo brasileiro, em sua mescla de nostalgia e nacionalismo - o tema do exílio, da saudade da terra natal Maranhão prestava-se à intenção de criar símbolos poéticos que funcionassem ao mesmo tempo como símbolos nacionais. Gonçalves Dias compôs o poema cinco anos depois de partir para Portugal, onde fora cursar Direito na Universidade de Coimbra.

A Canção do exílio teria inspiração na obra Canção de Mignon, pertencente ao livro Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister de Johann Wolfgang von Goethe, da qual Gonçalves Dias usa alguns versos como epígrafe, embora a maioria das antologias escolares não apresente a epígrafe em alemão.

Canção do exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

O texto é estruturado a partir do contraste entre a paisagem europeia e a terra natal - jamais nominada, sempre vista com o olhar exagerado de quem está distante e, em sua saudade, exalta os valores que não encontra no local de exílio. A construção é feita pela repetição das idéias expostas nos versos iniciais e pela súplica dos últimos versos:

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá
Sem que desfrute dos primores
Que não encontro eu cá
Sem que ainda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá

O poema é marcado por uma contenção formal, uma economia de termos e um cuidado métrico que seria aos poucos abandonado pelos poetas românticos posteriores. Sua forma equilibrada tornou-o material perfeito como texto declamatório. A grande exposição do poema ao longo da história literária brasileira teria, para alguns autores, banalizado a criação ao ponto de extrair do leitor contemporâneo o impacto inicial de seus versos.

Paródias, citações e recriações[editar | editar código-fonte]

A Canção do Exílio foi amplamente recriada e parodiada, principalmente pelos poetas modernistas; dois de seus versos estão citados no Hino Nacional Brasileiro ("Nossos bosques têm mais vida,/Nossa vida, mais amores."). Estas são algumas das inúmeras releituras e citações que o poema de Gonçalves Dias recebeu, a partir do Modernismo, pelas mãos de diversos poetas brasileiros:

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