Canhão da Nazaré

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Canhão da Nazaré, no Oeste, Portugal

O Canhão da Nazaré, ou Cana da Nazaré é um desfiladeiro submarino de origem tectónica situado ao largo da costa da Nazaré, Portugal, relacionado com a falha da Nazaré-Pombal, começa a definir-se a cerca de 500 metros da costa. Considerado por muitos o maior da Europa, separa a costa da Península Ibérica na direção este-oeste desde a plataforma continental, numa extensão de cerca de 211 km começando a uma profundidade de 50 metros até à planície abissal Ibérica onde atinge profundidades na ordem dos 5000 metros.[1]

Secções do canhão de Nazaré[editar | editar código-fonte]

Dependendo das regiões que ele atravessa, é possível distinguir 3 secções do Canhão da Nazaré. A secção inicial que se estende até ao bordo da plataforma continental, encontra-se a menos de 1km de Nazaré e estende-se até 60 km ao largo, composto por ravinas e forma de V. A secção média do canhão, que corresponde à parte onde este rasga a vertente continental estende-se por 57 km, desde o bordo da plataforma até à base da vertente continental, a profundidades de 4050 metros. Ao longo desta secção o canhão conserva ainda uma forma em V, muito sinuosa, apresentando grandes ravinas nas paredes junto à parte mais profunda que define o seu eixo (chamada de talweg). A secção inferior é o extremo mais profundo do canhão, situada a profundidades superiores a 4050 metros. No Canhão da Nazaré esta zona estende-se por cerca de 94 km. Aí a parte central do canhão – o talweg – perde as suas características abruptas das secções menos profundas, transitando de um perfil em V para um fundo plano e pouco sinuoso. Aos 4970 metros, a 211 km da cabeceira, o canhão atinge a planície abissal Ibérica.

Forte São Miguel, Nazaré

Fenómenos e dinâmica[editar | editar código-fonte]

O Canhão de Nazaré também funciona como um polarizador de ondulações.[2] As ondas conseguem viajar a uma velocidade muito maior pela falha geológica, chegando na costa praticamente sem dissipação de energia. A Praia do Norte, na cidade de Nazaré (Portugal), apresenta consistentemente ondas significativamente maiores do que o restante da costa portuguesa por conta do Canhão de Nazaré. As correntes predominantes de norte funcionam como condutas sedimentares, ao longo das quais há intensificação dos processos de transporte de partículas entre a zona costeira e o domínio profundo do mar, o transporte de matéria particulada (sedimentos) ao longo de todo o canhão parece eficiente.[3] Este desfiladeiro submarino provoca grandes alterações ao nível do trânsito sedimentar litoral, uma vez que este vale é um autêntico sumidouro para os sedimentos provenientes de norte, da deriva litoral, o que justifica a inexistência de grandes extensões de areia nas praias a Sul da Nazaré. [1]

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

O Canhão da Nazaré gera a afluência à superfície de águas ricas em nutrientes e plâncton, permitindo a presença de uma fauna bastante rica em espécies de interesse comercial. [1] Tem vindo a ser alvo de vários estudos por parte da Marinha Portuguesa, e várias outras instituições, nacionais e estrangeiras, com o objectivo e como argumento para expansão da "Zona Econômica Exclusiva Portuguesa", ZEE. Recentemente os pesquisadores encontraram, por exemplo, um tubarão a 3 600 metros de profundidade, assim como diversas colónias de corais.

Surf no Norte do Canhão[editar | editar código-fonte]

No dia 01/11/2011 o surfista Havaiano, Garrett McNamara surfou (na região conhecida como Norte do Canhão), uma onda medida pelo Billabong XXL Global Big Wave Award de 2011 com 78 pés, entrando para Guiness Book of Records[4] , mostrando como o canhão de Nazaré tem potencial para a prática de tow-in em ondas gigantes.[5] [6] Mais uma vez no dia 28/01/2013 o surfista Havaiano, Garrett McNamara surfou uma onda calculada em 34 m (112 ft) que poderá bater o seu recorde anterior, já considerada a maior de sempre, segundo o Guinness.[7] [8] Especialistas mediram essa onda em 30 metros, mas a medição não é oficial pois McNamara a retirou do concurso. No dia 28/10/2013 o surfista veterano, Carlos Burle surfou uma onda que pode bater o anterior record de 2011. [9]

Referências

  1. a b c Canhão de Nazaré Câmara Municipal da Nazaré. Visitado em 19 de Junho de 2012.
  2. Santos, Luis dos (2010). Observação de ondas internas não-Lineares geradas sobre o canhão submarino da Nazaré IH, Universidade de Lisboa tema Oceanografia Dissertação para a obtenção do grau de mestre em Ciências Geofísicas. Visitado em 17 de Junho de 2012.
  3. Jesus, Carlos César Dias de (2011). Vias de transporte de sedimentos finos recentes na margem continental central portuguesa Repositório Institucional da Universidade de Aveiro Teses de doutoramento. Visitado em 17 de Junho de 2012.
  4. NAZARÉ ENTRA PARA O GUINESS BOOK OF RECORDS COM GARRETT McNAMARA NOS “ÓSCARES” DE ONDAS GRANDES Zon North Canyon Show. Visitado em 19 de Junho de 2012.
  5. [1] Sic Notícias no SAPO
  6. [2] North Canyon Show by Garret
  7. Vanessa Fidalgo. A onda de Garrett McNamara Revista Domingo,Jornal Correio da Manhã. Visitado em 15 de Fevereiro de 2013.
  8. Garrett McNamara surfs 'highest ever' wave off Portugal (em inglês). Visitado em 15 de Fevereiro de 2013.
  9. Carlos Burle à espera de saber se bateu o recorde de McNamara Sol (jornal). Visitado em 29 de Outubro de 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]