Canha

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Nota: Se procura a freguesia do concelho da Ponta do Sol, consulte Canhas.
Canha
Brasão da freguesia de Canha
Brasão
Concelho Montijo
Área 207,73 km²
População 1 907 hab. (2001)
Densidade 9,2 hab./km²
Orago Nossa Senhora da Oliveira
Freguesias de Portugal

Canha é uma freguesia portuguesa do concelho do Montijo, com 207,73 km² de área e 1 907 habitantes (2001). Densidade: 9,2 hab/km².

Foi vila e sede de concelho entre 1172 e 1836, sendo então integrado no município de Montemor-o-Novo. Recuperou a categoria de concelho durante um curto período em 1838, sendo então integrado definitivamente no actual município. Era constituído apenas pela freguesia da vila e tinha, em 1801, 992 habitantes.

Índice

[editar] História

A Vila de Canha, cuja a padroeira é a Nossa Senhora da Oliveira, é a cabeça da freguesia com maior dimensão do concelho do Montijo e tem de área 207,73 Km2. O nome da localidade deriva do facto de existirem na região grande profusão de canas, daí o topónimo de Villa Nova de Canya. Devido à sua excelente localização geográfica, atraiu desde longa data a fixação do homem, como atestam os diversos vestígios encontrados na proximidade da sua ribeira, datáveis do paleolítico. Do neolítico há a registar a existência de uma sepultura megalítica tipo cista. A presença de um castro neolítico também foi referenciada na região. Do período da ocupação romana do território encontram-se vestígios da sua passagem por Canha, nomeadamente na área do Monte do Escatelar onde se encontra os restos de uma presumível “Villae”. De salientar a existência de um fragmento de mosaico policromo, actualmente inserido numa das habitações do monte e de diversos materiais cerâmicos.

A freguesia é constituída por terrenos agrícolas, bastante férteis, que lhe conferem um carácter rural por excelência. A Agricultura foi a sua característica principal até aos nossos dias e que também se reflectiu na única experiência industrial acontecida que foi a conserva de polpa de tomate na fábrica da Tocam que fechou em 1989.

No Casario da Vila é patente o traçado tipo alentejano. O seu casario de piso térreo é maioritariamente caiado de branco com barras azuis ou cinzentas, num compromisso paisagístico que marca esta zona de transição entre campos ribatejanos e a planície alentejana.

[editar] Cronologia

  • 1172 - Canha recebe de D. Afonso Henriques o primeiro Foral.
  • 1186 - A 28 de Outubro de 1186 (Corpo Cronológico, Parte I, maço 1, número 3, Documentos Régios), o Rei D. Sancho I, O Povoador, resolve delimitar as fronteiras das Ordens Religiosas Militares de Avis e de Sant’Iago, pelas Ribeiras de Lavre e de Canha até à foz com o Rio Tejo em Samora Correia que então ainda não existia. À Ordem de Avis (antiga Ordem de Calatrava e de Évora) foi atribuída uma pequena faixa de território de 8 km entre a margem direita da Ribeira de Canha e a actual Salvaterra de Magos, junto ao Tejo, alargando para o norte do Alentejo, e para a Ordem de Sant’Iago toda a margem esquerda até ao Algarve.

Assim durante o período da reconquista, Canha aparece como limite do Castelo de Alcácer do Sal e, posteriormente, juntamente com Cabrela e o Castelo de Belmonte ( Samora Correia ), fazia parte das sentinelas avançadas que defrontavam os mouros, pertencendo a defesa deste território à cavalaria e mestrado de Santiago.

  • 1207 - É construido o Castelo de S. João Baptista de Belmonte pela Ordem de Sant’Iago e que seria o berço de Samora Correia 40 anos depois junto á foz da ribeira de Canha.
  • 1235 - Foral doado por D. Paio Peres Correia, comendador de Alcácer.
  • 1252 - D. Aires Vasques concede à Ordem de Santiago a igreja de Canha.
  • 1516 - Com a reforma manuelina dos forais, Canha recebe um novo foral.
  • 1527 – A Vila de Canha encontra-se incluída por doação ao futuro Cardeal D. Henrique no rol dos bens afectos à ordem de Santiago que serviam de sustento às Comendadeiras de Santos.
  • 1616 – É fundada a Misericórdia de Canha.
  • 1833 - Com a chegada dos liberais, começaram as reformas administrativas e o Concelho de Canha passou, então, por diversas vicissitudes políticas. Foi integrado na Comarca de Setúbal e Província da Estremadura. Depois foi transferido para a Província do Alentejo, posteriormente, em 1835 passou para o Distrito de Lisboa.
  • 1836 - É extinto o Concelho de Canha e incorporado no de Montemor-o-Novo.
  • 1838 - Por carta de lei de 2 de janeiro, Canha restaurou o seu concelho, mas por um curto espaço de tempo, já que pela lei de 17 de Abril do mesmo ano, foi integrada no Concelho de Aldeia Galega do Ribatejo ( actual Montijo ). Para a sua extinção e integração no concelho de Aldeia Galega terá contribuído o facto da maioria dos proprietários rurais da área serem residentes na Aldeia Galega ou na zona do seu concelho, pelo que não se justificava o pagamento de impostos noutro concelho que não fosse o da sua residência.
  • 1889 – Um grupo de amigos juntaram-se e realizaram pela primeira vez as em honra da padroeira da terra. A festa em Honra de Nossa Senhora de Oliveira realizam-se no primeiro fim de semana de Setembro e é um bom pretexto para visitar a vila histórica de Canha.
  • 1926 - Os munícipes de Canha manifestaram interesse que a freguesia integrasse o novo concelho de Vendas Novas. Tal objectivo levou a CM Montijo a protestar junto do Ministério do Interior.
  • 1944 - É criada a Casa do Povo de Canha.
  • 1947 - Renovado manifesto de Canha para que a freguesia integrasse Vendas Novas, levou a novo protesto por parte do Montijo. O Hospital da Misericórdia de Canha encerra e é posteriormente transformado em Lar.
  • 1951 - O Instituto Geográfico e Cadastral propões a troca das Herdades de Vidigal, Bombel e Vale Cabrela pelas propriedades e seus foros situadas entre as Herdades dos Pelados e Porto das Mestras, do concelho de Montemor-o-Novo, nomeadamente Latadas de Cima e Latadas de Baixo e foros das Latadas.
  • 1957 - Canha assistiu, então, ao desmembramento da sua área para criação da freguesia de Santo Isidro de Pegões.
  • 1985 - Canha assistiu, novamente, ao desmembramento da sua área para criação da freguesia de Pegões.
  • 1986 – A Vila de Canha foi visitada por Freitas do Amaral, então candidato à presidência da República.
  • 1997 - O brasão e bandeira, da vila, foram publicados em Diário da República, III Série de 03 de Janeiro de 1997. A autoria do brasão e bandeira deve-se a Ricardo Jorge Isabel da Silva.
  • 2007 – A 25 de Abril é inaugurado o Museu Etnográfico na antiga casa do médico que foi o grande benemérito da vila. No Museu Etnográfico pode-se espreitar o passado da vila, todo ele passado no campo.

[editar] Festas

No primeiro fim-de-semana de Setembro celebra-se a Festas de Nossa Senhora da Oliveira que vem acontecendo desde de 1889. As ruas, de arquitectura alentejana e à semelhança de Campo Maior, encontram-se engalanadas com recortes de papel colorido e flores do mesmo material resultado de muita dedicação e perícia. Não falta o arraial, fogareiros para assados, nomeadamente, a famosa sardinha ou a carne de porco, charanga e muita música.

Devido à proximidade do Ribatejo e do Alentejo realizam-se largadas, passeios equestres e uma Picaria na Praça de Touros. O ponto alto das festas surge aquando da procissão da Nossa Senhora da Oliveira. O andor com a imagem é colocado à entrada da igreja, com o mesmo nome, e ao final do dia de Domingo, a grande procissão sai percorrendo as principais ruas da vila. Esta imagem é acompanhada por outros santos também transportados em andor, homenageando assim todos os protectores da devoção da vila.

[editar] Património


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