Capitão-general

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Capitão-general é um título de alto comando militar, naval ou governamental, utilizado em diversos países.

Cargo militar e naval[editar | editar código-fonte]

Como cargo militar, o termo capitão-general significa "capitão geral", ou seja o chefe de todos os capitães. O termo foi usado, em vários países da Europa, normalmente como título atribuído ao comandante-chefe de um exército.

Portugal[editar | editar código-fonte]

O cargo de capitão-general foi atribuído, em 1508, ao comandante-geral das Ordenanças organizadas pelo Rei D. Manuel I.

A partir da Guerra da Restauração, o título Capitão-General das Armas do Reino foi atribuído ao comandante-chefe do Exército Português, ao qual estavam subordinados os governadores das armas, encarregados do comando do exército de cada província. O posto de capitão-general foi substituído pelo de marechal-general em 1762.

Similarmente, o título de Capitão-General da Armada Real dos Galeões de Alto Bordo do Mar Oceano - também chamado, simplesmente Capitão-General da Armada Real ou Capitão-General dos Galeões - era o título do comandante-geral da Armada Portuguesa nos séculos XVII e XVIII. A função de Capitão-General da Armada Real, sucedeu, a partir da Guerra da Restauração, à de Capitão-Mor do Mar, criada, em 1373, pelo Rei D. Fernando I. O cargo foi extinto por D. Maria I, ficando as suas antigas responsabilidades atribuídas, essencialmente, ao Secretário de Estado da Marinha.

Outros países[editar | editar código-fonte]

Os seguintes países usaram o título capitão-general para designar cargos militares ou navais:

  • República de Veneza - era o título do comandante-chefe da frota em caso de guerra. Utilizado desde o século XIV até final do século XVIII;
  • Espanha - título atribuído a vários comandantes militares, tanto das forças terrestres, como das navais, a partir do século XV. Como título de função, foi a designação dos comandantes territoriais do Exército até ao início da década de 1980. Como patente, é actualmente a mais elevada distinção militar espanhola, sendo o posto ocupado pelo Rei enquanto Chefe Supremo das Forças Armadas, tendo sido também outorgado excepcionalmente a alguns militares a título honorífico;
  • Reino Unido - foi utilizado, desde o século XVI, ocasionalmente, como título dos comandantes-chefes do Exército. Actualmente é o título da Rainha de Inglaterra como comandante honorária da Artilharia de vários exércitos da Commonwealth. É também o título do comandante honorário dos fuzileiros navais britânicos;
  • Países Baixos - utilizado pelo Stadhouder, na sua função de comandante supremo do Exército, a partir do século XVI;
  • Chile - é a patente atribuída aos generais do Exército que assumem a função de chefe de Estado;
  • Bolívia - é o título do chefe de Estado - mesmo sendo civil - na sua função de comandante supremo das forças armadas.

Cargo administrativo[editar | editar código-fonte]

Como cargo administrativo, o título capitão-general foi atribuído aos governadores de vários territórios coloniais portugueses e espanhóis.

Portugal[editar | editar código-fonte]

Capitão-general era a designação dada ao titular do cargo de governador e comandante militar de uma capitania-geral na administração ultramarina portuguesa. Os capitães-generais distinguiam-se dos capitães-donatários por serem funcionários administrativos nomeados directamente pela Coroa, e não por donatários. A partir de meados do século XVIII, durante o governo do Marquês de Pombal, as donatarias, ainda existentes no Brasil, Açores e Madeira, foram extintas e substituídas por capitanias-gerais.

Espanha[editar | editar código-fonte]

Na administração colonial espanhola, à semelhança da portuguesa, o capitão-general era o governador e comandante militar de uma capitania-geral.