Capital (economia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Em economia, capital, bens de capital, ou capital real referem-se a bens duráveis já produzidos e usados na produção de mercadorias ou serviços. Os bens de capital não são significativamente consumidos, embora possam depreciar durante o processo de produção. Capital é diferente de terra na medida em que o capital deve ser produzido pelo trabalho humano antes que ele possa ser um fator de produção. A qualquer momento no tempo, o capital físico total pode ser chamado de estoque de capital, um uso diferente do mesmo termo aplicado a uma entidade empresarial. Em um sentido fundamental, o capital consiste de qualquer coisa produzida que pode aumentar o poder de uma pessoa para executar um trabalho economicamente útil - uma pedra ou uma flecha é capital para um homem das cavernas que pode usá-los como um instrumento de caça, enquanto as estradas são capital para os habitantes de uma cidade. Capital é uma variável na função de produção. Casas e automóveis pessoais não são capitais mas são bens duráveis, pois eles não são usados em um esforço de produção.

Na economia marxiana, o capital é usado para comprar alguma coisa só para vendê-la novamente a fim de realizar um lucro financeiro. Para Marx, o capital só existe dentro do processo de troca econômica – é a riqueza que cresce do processo de circulação em si e constitui a base do sistema econômico do capitalismo.[1]

Portal
A Wikipédia possui o
Portal da economia.


Tipos de capital[editar | editar código-fonte]

Capital é um fator de produção que representa o potencial de produção, ou seja, o poder ou a capacidade de algo ser transformado em um bem ou serviço. Não representa um bem ou serviço no presente, mas o estoque de bens econômicos heterogêneos – máquinas, terras, matérias-primas – capaz de reproduzir bens e serviços (fluxo de riquezas). Seu conceito está ligado com o de investimento, por existir um custo de oportunidade.

Partindo desta definição mais geral, podemos dar exemplos de diversos tipos de capital, como por exemplo:

  • Capital humano representa o potencial de um ser humano transformar, interpretar e produzir. Está ligado a capacidades técnicas, cognitivas.
  • Capital pessoal, que é inerente às pessoas, protegido pelas sociedades, e trocar trabalho por confiança ou dinheiro. Conceitos parecidos são "talento", "criatividade", "liderança", "corpos treinados" ou "habilidades inatas", que não podem ser reproduzidos de forma confiável ao combinar qualquer das formas anteriores. Na análise econômica tradicional, o capital individual é normalmente chamado de trabalho.
  • Capital social representa o potencial de um grupo de indivíduos construir e manter redes sociais de maneira com que essa organização e intercâmbio gere melhorias no bem-estar social.
  • Capital natural representa o potencial de matérias primas brutas naturais serem transformadas em bens de consumo. Está diretamente ligado ao funcionamento de sistemas ecológicos.
  • Capital físico representa o potencial de máquinas, ferramentas e edifícios serem utilizados na produção de bens e serviços. Este tipo de capital, por sua vez, surge da interação da capital natural, humano, etc.
  • Capital financeiro representa o potencial de troca de poder econômico (garantido pelas instituições do Estado sob forma de, por exemplo, dinheiro, títulos) por outros bens e serviços. É uma forma de título de posse comercializado em mercados financeiros. O seu valor também é baseado na percepção do mercado nos ganhos futuros e no risco embutido.
  • Capital público, que engloba o agregado de todos os ativos pertencentes ao governo que são usados para promover a produtividade da indústria privada, incluindo auto-estradas, ferrovias, aerportos, estações de tratamento de água, telecomunicações, redes elétricas, usinas elétricas, prédios municipais, hospitais e escolas públicas, polícia, proteção ao fogo, tribunais entre outros.
  • Capital espiritual, que se refere ao poder, influência, disposição criado pela crença, conhecimento e prática espiritual de uma pessoa ou organização.

Substuição de tipos de capital[editar | editar código-fonte]

Existe atualmente um debate envolvendo economistas ambientais sobre a substitutibilidade entre tipos de capital, ou seja, até que ponto é possível trocar capital natural por, por exemplo, capital físico, sem que haja perdas sociais e ambientais irreversíveis.

A análise feita pela economia ecológica diz que existe um limite para a substituição de capital natural - que influencia no equilíbrio de ecossistemas - por capital físico, máquinas e outros bens físicos.

A substituição implica uma via de mão dupla, capital natural deveria poder ser tanto destruído como insumo para a produção de capital físico, como o inverso, podendo ser também "produzido". Entretanto, é sabido que existem limites para a capacidade de recuperação do meio ambiente, ou seja, existem contextos em que mudanças ambientais são irreversíveis devido à complexidade e fragilidade do sistema. Sendo assim, não há como a ciência econômica e a sociedade definir valores de troca ou custos de oportunidade para alguns serviços ambientais, pois seus custos de restauração seriam inviavelmente altos.

Esse princípio de não-substitutibilidade entre capitais justifica posturas como o 'princípio da precaução', que diz que, quando há grande incerteza sobre a reversibilidade ou não dos danos ambientais causados por um investimentos, estes não devem ser feitos devido a incerteza quanto a seus efeitos no bem-estar social de longo prazo.

O capital na teoria clássica da economia[editar | editar código-fonte]

Na economia clássica, "capital" é um dos três fatores de produção, junto com terra, trabalho. Os bens com as seguintes características são considerados como capital:

  • Podem ser utilizado na produção de outros bens (esta característica faz do capital um fator de produção).
  • São feitos por humanos, em contraste com a "terra", que é um recurso natural, localização geográfica e minerais.
  • Não se esgotam imediatamente no processo de produção, como as matérias primas e os bens intermediários.

Estas distinções de conveniência foram levadas para a teoria econômica contemporânea.[2] [3] Mais tarde, esclareceu-se que o capital é um estoque. Como tal, o seu valor pode ser estimado em um ponto no tempo, por exemplo 31 de dezembro. Por outro lado, o investimento, como produção a ser adicionada ao estoque de capital, é descrito como ocorrendo ao longo do tempo ("por ano"), sendo, portanto, um fluxo.

Exemplos mais antigos muitas vezes descreviam o capital como itens físicos, tais como ferramentas, edifícios e veículos que são utilizados no processo de produção. Pelo menos desde a década de 1960 os economistas têm cada vez mais se focado em formas mais abrangentes de capital. Por exemplo, o investimento em habilidades e educação pode ser visto como formação de capital humano ou capital de conhecimento, e investimentos em propriedade intelectual podem ser vistos como formação de capital intelectual. Estes termos levam a certas questões e controvérsias discutidas no meio acadêmico.

A terceira parte da definição não é usada frequentemente pelos economistas clássicos. O economista clássico David Ricardo utilizaria a definição acima para o termo capital fixo e o termo capital circulante para as matérias primas e bens intermediários. Para ele, ambos são tipos de capital.

O intelectual Karl Marx adiciona uma distinção que é sempre confundida com a visão de Ricardo. Na teoria marxista, o investimento do capitalista na força de trabalho é chamada de capital variável, a fonte única da mais-valia. Ele é chamado de "variável" pois o total do valor que ele pode produzir varia conforme o total que ele consome, isto é, ele cria novo valor. Por outro lado, o termo capital constante é uma referência ao investimento em fatores de produção não humanos, como fábricas e equipamentos, que segundo Marx, adicionam apenas o custo de substituição ao valor das matérias primas utilizadas na produção. Ele é constante, já que o total do valor comprometido com o investimento original, e o total recuperado na forma de produtos produzidos, permanece constante.

O investimento ou acumulação de capital na teoria econômica clássica, é o ato de gerar aumento de capital. Para que haja investimento, os bens não devem ser produzidos para o consumo imediato, mas para a produção de outros bens, ou seja, devem ser utilizados como "meios de produção". O investimento é relacionado com a poupança, mas não é a mesma coisa. Segundo o economista John Maynard Keynes, a poupança é o ato de não gastar a renda em bens e serviços de necessidade corrente, já o investimento envolve o gasto em bens específicos como os "bens de capital".

O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk afirmava que a intensidade do capital é medida pela roundaboutness ("período de rotação") dos processos de produção. Ele define capital é como o bem de ordem,mais alta, ou um bem utilizado na produção dos bens de consumo.

Outros usos[editar | editar código-fonte]

Algumas teorias utilizam os termos capital intelectual e capital do conhecimento que levam à certas questões e controvérsias. Em geral, o capital intelectual é aquele que produz uma novo "direito sobre propriedade intelectual".

Apesar de ainda ser possível calcular a ideia de capital humano do ponto de vista macroeconómico como salário, ele é raramente (ou simplesmente não é) é usado no planejamento do investimento. O capital humano é visto de maneiras diferentes por aqueles que acreditam que ele é fruto do investimento ou por aqueles que acreditam que ele é vítima da exploração.

Obras diversas descreveram os termos capital natural e capital social. Estes termos refletem um consenso que a natureza e sociedade funcionam de maneira similar. Em particular, eles podem ser utilizados na produção de outros bens, não são consumidos durante o processo de produção e podem ser melhorados (senão criados) pelo esforço humano.

Também existe literatura sobre o capital intelectual e a propriedade intelectual. Porém, cada vez mais se diferencia o significado de capital de investimento dos instrumentos para recuperação de direitos de patente, copyright e trademark.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1] Definition of Capital on Marxists.org
  2. Paul Samuelson e William Nordhaus (2004). Economics, 18ª ed.,
  3. Glossary of Terms, "Capital (capital goods, capital equipment."
       • Deardorff's Glossary of International Economics, Capital.