Capitalismo informacional

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O conceito de Capitalismo informacional, ou "capitalismo cognitivo", elege a tecnologia de informação como o paradigma das mudanças sociais que reestruturaram o modo de produção capitalista, a partir de 1980. Trata-se de uma teoria que observa a sociedade da virada do século XX para o século XXI, e assinala uma nova realidade de práticas sociais geradas pelas transformações decorrentes da “revolução tecnológica concentrada nas tecnologias de informação” (1999:39) [1] .

O conceito[editar | editar código-fonte]

Nuclearmente, o Capitalismo informacional se baseia nas mudanças provocadas pelas novas tecnologias de informação.

Tais mudanças também foram observadas nas formulações teóricas de outros estudiosos, como, por exemplo, Pierre Lévy em sua obra Cibercultura [2] . Este, entre outros autores que repensam a sociedade contemporânea e observam os impactos das tecnologias da informação, concluiu que existe uma nova estrutura social que se manifesta de acordo com a diversidade cultural e de acordo com as instituições existentes.

Porém, o conceito de capitalismo informacional se complexifica ao sugerir uma reestruturação do capitalismo, cujas mudanças ainda se mantém em curso, e que, entre outros fatores, acentuam um desenvolvimento desigual e global, colocando segmentos e territórios avançados ao lado de bolsões de pobreza e miséria na economia global.

Por outro lado, as mudanças tecnológicas não se restringem aos limites do desenvolvimento econômico, e seriam responsáveis por modificações sociais tão agudas que redefinem as relações entre gêneros, grupos familiares e a biografia dos indivíduos.

A dialética entre tecnologia e sociedade[editar | editar código-fonte]

O conceito empreende uma interação dialética entre tecnologia e sociedade, na qual a importância da tecnologia reside em incorporar a sociedade, mas está longe de determiná-la, e, por sua vez, a sociedade utiliza a inovação tecnológica, mas não a determina. Nessa perpectiva, o Estado assume o papel fundamental de desenvolver ou paralisar a evolução tecnológica, e, mesmo sem determiná-la, pode estimulá-la ou freá-la.

É uma interpretação que pressupõe um rejuvenescimento do capitalismo a partir do informacionalismo, e, portanto, crêr que a ausência da tecnologia de informação teria limitado a realidade do próprio capitalismo.

Para chegar a esta formulação teórica, parte-se de dois eixos analíticos para a compreensão das dinâmicas das sociedades: modos de produção (capitalismo e estatismo – ou coletivismo, segundo Daniel Bell), e modos de desenvolvimento (agrário, industrial e informacional).

Denota-se a diferença entre as palavras “indústria” e “industrial”, quando se observa que a sociedade industrial não significa uma sociedade que tenha indústrias, mas sim aquelas nas quais as formas sociais, tecnológicas e os hábitos da vida cotidiana são por ela influenciados. Analogicamente, Castells distingue o termo “informação” (fundamental em todas as sociedades) do termo “informacional”, uma espécie de atributo de organização social.

Conseqüentemente, a revolução tecnológica atual tornou-se uma ferramenta básica do capitalismo, originando-se e desenvolvendo-se no período histórico atual, e modelando o capitalismo informacional.

Principal teórico[editar | editar código-fonte]

O conceito foi proposto pelo sociólogo Manuel Castells, no livro "A Sociedade em Rede", que foi escrito ao longo de 12 anos, e que contou com o apoio de pesquisadores de diversos países na coleta de dados disponíveis e na formulação de teorias exploratórias. É uma proposta que busca entender uma nova estrutura social, que se manifesta de diversas maneiras por conta da diversidade cultural e das instituições existentes em todo o planeta.


Referências

  1. Manuel Castells. A sociedade em rede - a era da informação: economia, sociedade e cultura. v. 1. São Paulo: Paz e Terra, 1999 p.39.
  2. Pierre Lévy. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. 264p. (Coleção TRANS) – 7ª. Edição

Ligações externas[editar | editar código-fonte]