Capitania do Espírito Santo
A Capitania do Espírito Santo foi uma das Capitanias do Brasil durante o período colonial.
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[editar] História
A costa do atual estado do Espírito Santo foi reconhecida por navegadores portugueses já em 1501, e desde então foi alvo da ação de contrabandistas de pau-brasil ("Caesalpinia echinata").
[editar] O estabelecimento da capitania
Com o estabelecimento, pela Coroa Portuguesa do sistema de Capitanias Hereditárias para a colonização do Brasil (1534), o seu atual território estava compreendido no lote que se estendia da foz do rio Mucuri à do rio Itapemirim (aproximadamente), doada a Vasco Fernandes Coutinho em 1 de junho de 1534.
O seu donatário, acompanhado de sessenta degredados, desembarcou da nau Glória, numa pequena enseada nas faldas do morro da Penha, a 23 de maio de 1535, um domingo de Pentecostes, razão pela qual o donatário resolveu batizar o seu lote com o nome de Capitania do Espírito Santo.
O desembarque, na praia de Piratininga, fez-se penosamente, sob as flechas dos Goitacás, havendo necessidade do troar das duas peças de artilharia da embarcação, para que os indígenas debandassem, permitindo a posse da terra pelo donatário. Ali mesmo decidiu-se erguer a povoação que mais tarde seria conhecida como Vila Velha, principiando-se as primeiras habitações, uma ermida - sob a invocação de São João, em homenagem ao soberano -, e uma fortificação (Fortim do Espírito Santo). Os indígenas denominaram esta primitiva vila do Espírito Santo como "Mboab", (ave com os pés emplumados; 'pintos calçudos'),palavra em tupi que fazia uma menção aos pés calçados dos portugueses. O termo, aportuguesado para "emboaba", virou sinônimo pejorativo de forasteiro. Distribuídas as sesmarias, a D. Jorge de Menezes o donatário entregou a ilha junto à barra (atual ilha do Boi); a Valentim Nunes coube a atual ilha dos Frades e, a 15 de julho de 1537, doou a Duarte de Lemos a então ilha de Santo Antonio (atual ilha de Vitória), em que se instalara na sua parte alta, fazendo construir, na fazenda, ao lado da residência, uma igreja em honra a Santa Luzia.
Por essa época, os colonizadores sentiam-se mais desafogados do gentio. A falta, porém, de colonos para dar desenvolvimento aos trabalhos iniciados obrigou o donatário a ir à Metrópole.
Com o retorno de Vasco Fernandes Coutinho a Portugal, entretanto, a situação se inverteu, e frente aos ataques indígenas, nova vila foi fundada, em setembro de 1551, na fronteira ilha de Santo Antônio, batizada com o nome de Nossa Senhora da Vitória. A primitiva vila do Espírito Santo passaria, daí em diante, a ser conhecida como Vila Velha.
[editar] O combate aos estrangeiros
Belchior Azeredo assumiu as funções de Capitão-mor de 1561 a 1564, com todos os poderes e jurisdições atribuídas anteriormente a Vasco Fernandes Coutinho. Posteriormente, Azeredo participou da expulsão dos invasores franceses da baía de Guanabara, no comando de uma das naus da esquadra de Cristóvão de Barros, sendo recompensado com a doação de uma vasta sesmaria, onde se fixou com seus familiares.
Vítima de ataques esporádicos de ingleses e de franceses, foi atacada pelo corsário inglês Thomas Cavendish em 8 de fevereiro de 1592, ocasião em que foi derrotado com a perda de oitenta homens de sua tripulação.Não apenas na invasão, mas também foi derrotado por índios ( homens da terra ).
[editar] As invasões holandesas ao Brasil
Ao tempo da primeira das Invasões holandesas do Brasil (1624-1625), quando do ataque neerlandês a Salvador, o donatário do Espírito Santo, Francisco de Aguiar Coutinho repeliu uma investida de oito navios sob o comando de Piet Hein, de 10 a 18 de março de 1625, com o apoio de entricheiramentos na vila, artilhados com quatro pedreiros, e dos moradores (OLIVEIRA, 1975:124-127).
Durante a segunda das invasões holandesas (1630-1654), os neerlandeses atacaram novamente a capitania do Espírito Santo, agora com sete navios, sob o comando do Coronel Johann von Koin. Deles desembarcam uma força de quatrocentos homens, de 27 de outubro a 13 de novembro de 1640, sendo repelidos em Vitória pelas forças do Capitão-mor João Dias Guedes, a 28 de outubro (BARLÉU, 1974:200; OLIVEIRA, 1975:128-130). Diante dos ataques, o Governo-geral destacou para Vitória quarenta infantes da tropa regular. Um último ataque neerlandês à capitania ainda seria registrado, porém, em 1653.
[editar] A administração de Francisco Gil de Araújo
Francisco Gil de Araújo adquiriu a capitania de Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho (1674) por 40.000 cruzados, sendo lhe confirmada a posse por Carta-régia de 18 de Maio de 1675, e nela permanecendo de 1678 a 1682. Durante a sua administração, marcada por um reerguimento da capitania, concluiram-se a construção do Forte de Nossa Senhora do Carmo, reedificou-se o Forte de São João e edificou-se o Forte de São Francisco Xavier de Piratininga, na vila do Espírito Santo (Vila Velha), para proteger a entrada da barra de Vitória.
[editar] A capitania e o Ciclo da Mineração
Com a descoberta de minas de ouro no interior da Capitania do Espírito Santo no início do século XVIII, em 1704, a Coroa Portuguesa determinou que todos os que se encontrassem nas lavras de ouro se recolhessem à vila da Vitória, e que se evitassem, a todo o custo, excursões à região, que foi desmembrada do território capixaba e deu origem às Minas Gerais. Foi proibida ainda a abertura de estradas ligando a Capitania às Minas, pelas mesmas razões de segurança.
Desse modo, já em 1710, o Governador-geral observava que, em Vitória, faltava todo o tipo de defesa e meios de conservação, atribuindo isso à má administração daqueles que governaram a capitania. Isso se devia, entretanto, ao isolamento decorrente da descoberta das Minas. Em 1715 a Capitania reverteu à Coroa, por compra aos descendentes de Francisco Gil de Araújo, pelo mesmo valor pago por aquele donatário. A escritura dessa compra foi lavrada em 6 de Abril de 1718.
Com o aumento da produção mineral nas Minas Gerais, aumentou a importância da região do Espírito Santo, elevada à categoria de Comarca pela Provisão do Conselho Ultramarino de 15 de Janeiro de 1732.
SOUZA (1885) refere que a Provisão Régia de 10 de abril de 1736, determinava ao Governador-geral na Bahia que, de três em três anos, enviasse à do Espírito Santo um Engenheiro, provido dos materiais necessários a todos os reparos e melhorias nas fortificações dessa Capitania (op. cit., p. 99). Aparentemente isso só ocorreu em 1767-1768, quando José Antônio Caldas para lá foi mandado para erguer a Fortaleza da ilha do Boi e reformar as demais existentes. Esse oficial, em relato dirigido ao Governador, informou que a capitania contava cerca de oito mil pessoas, exportava mantimentos, madeiras, panos de algodão e açúcar para a Bahia, Rio de Janeiro e portos do Sul, sendo o transporte feito em embarcações pertencentes aos comerciantes de Vitória. Esse panorama não se alteraria até ao início do século XIX, quando a capitania obteve autonomia da Capitania da Bahia (1809), iniciando-se o plantio de café por volta de 1815.
Com a proclamação da Independência do Brasil, o seu "status" foi alterado para Província, permanecendo assim até à Proclamação da República Brasileira, quando se transformou no atual estado do Espírito Santo.
[editar] Bibliografia
- ALVES FILHO, Ivan. História dos Estados Brasileiros. Rio de Janeiro: Revan, 2000. 240p. ISBN 8571061785
- BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1974. 418 p. il.
- BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. 288 p. il. ISBN 8573022523
- MARQUES, César Augusto. Diccionario Historico, Geographico e Estatistico da Província do Espírito Santo. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1878. 248p.
- OLIVEIRA, José Teixeira de. História do Estado do Espírito Santo (2ª ed.). Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo, 1975. 602 p. il.
- SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.
[editar] Ver também
| Capitanias do Brasil | ||
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As quinze capitanias hereditárias iniciais Capitanias derivadas das iniciais e de novos territórios |
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