Caravagismo

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Judith decapitando a Holofernes, de Caravaggio, 1598-1599. Galeria Nacional d'Arte Ântica, Roma.

O Caravagismo foi uma corrente seguidora do barroco, que ocorreu principalmente no século XVI, que designa o estilo dos artistas que se inspiraram na obra do pintor italiano, Michelangelo Merisi da Caravaggio. Estes artistas também são conhecidos como tenebristas, na sua utilização da técnica do claro-escuro.[1] Em outras ocasiões, referindo-se ao seu naturalismo ou realismo. Pintores caravagistas reproduzem a figura com grande realismo, freqüentemente representando-a contra um fundo monocromático, e iluminado por uma luz violenta.[2]

Originou-se em Roma no início do século XVII, e desenvolveu-se aproximadamente entre 1590 e 1650. Os artistas principais da corrente caravagista foram: Bartolomeo Manfredi, Orazio Gentileschi e Artemisia Gentileschi, Gerrit van Honthorst, Hendrick ter Brugghen, Giovanni Serodine, Battistello Caracciolo e José de Ribera. [3]

História[editar | editar código-fonte]

Menino com pífano, Hendrick Jansz Terbrugghen, 1623, óleo sobre tela, 67,6 × 55 cm, Museu István-Dobó, Eger.

O caravagismo surgiu como uma reação ao Maneirismo, um estilo que foi considerado artificial, muito requintado e intelectual. Caravaggio propôs tomar como modelo a realidade, como as pessoas que encontrava na rua.

A instalação das pinturas de Caravaggio na Capela de São Mateus Contarelli teve um impacto imediato entre os jovens artistas que, provenientes de outras partes da Itália, que trabalhando em Roma, encontraram no caravagismo uma tendência a ser seguida por todos artistas. [4]

Os primeiros caravagistas foram Giovanni Baglione (embora sua fase caravagista tenha durado pouco) e o toscano Orazio Gentileschi. Na geração seguinte vieram: o veneziano Carlo Saraceni, o mantuano Bartolomeo Manfredi e o romano Orazio Borgianni.[5] Gentileschi, apesar de ser consideravelmente mais velho, era o único destes artistas que viveram para além de 1620, e acabou como pintor da corte do rei Carlos I da Inglaterra. Sua filha, Artemisia Gentileschi esteve também perto de Caravaggio, e foi a mais talentosa entre os pintores que foram anexados a este movimento, que cresceu em sua forma mais violenta.[6] Naquela época, porém, tanto em Roma e na Itália em geral, não foi Caravaggio, mas Annibale Carracci e sua mistura de elementos da Alta Renascença e do realismo, que acabou vencendo em pleno Barroco.[7]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Os caravagistas pintam quadros paisagistas de grande tamanho, com óleo sobre tela. Tratam preferencialmente de temas religiosos, principalmente os mais dramáticos e violentos, como na história de Judith e Holofernes, ou o martírio dos santos. No entanto, adotaram uma iconografia realista, tendo os modelos naturais de seus santos e virgens. Poucos elementos foram adicionados na composição, além do personagem central, mas esses elementos (tais como vasos ou cestas) foram considerados muito realistas.[8]

Esta tendência de platéia, que assim pareceu melhor para representar as obras, que incitaram a piedade, fez se tornar um dos primeiros estilos de pinturas Contrarreforma. O risco, entretanto, viria a cair na vulgaridade excessiva, levando-os a perder o respeito, em parte, as imagens sagradas, o que ocorreu, por exemplo, com algumas das obras de Caravaggio, que foram rejeitadas pelos seus clientes.

Na pintura italiana e espanhola, a luz é de origem indeterminada, em contrapartida, artistas como Georges de La Tour ou a escola de Utrecht, vem de uma fonte particular que aparece na tela. Esta introdução da imagem de uma fonte de iluminação visível é chamada de iluminismo.

As cores predominantes são vermelho, marrom e preto. São aplicadas diretamente, sem esboçar preparatórios ou desenhos, o que em italiano se chama alla prima.[9]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Harr, Jonathan. The Lost Painting: The Quest for a Caravaggio Masterpiece. [S.l.]: Random House, 2005. ISBN 0-375-50801-5
  2. Bernard Berenson, in Lambert, op. cit., p.8
  3. Catherine Puglisi. Caravaggio. [S.l.]: Phaidon, 1998. ISBN 0-7148-3966-
  4. Belkin (1998): 59.
  5. Brejon de Lavergnée, Barbara. 'Simon Vouet', Oxford Art Online.
  6. Anthony Blunt, "Art and Architecture in France, 1500–1700", 1953, Penguin
  7. Carrassat, P.F.R. y Marcadé, I., Movimientos de la pintura, Spes Editorial, S.L., 2004. ISBN 84-8332-596-9.
  8. Maneyre-Dagen, N., Leer la pintura, Spes Editorial, S.L., 2005. ISBN 84-8332-598-5.
  9. Pérez Sánchez, A.E., en Historia del Arte, Anaya, Madrid, 1986. ISBN 84-207-1408-9.