Carlos I de Inglaterra

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Carlos I
Rei da Inglaterra, Escócia, França e Irlanda
Retrato por Antoon van Dyck, 1636
Rei da Inglaterra e Irlanda
Reinado 27 de março de 1625
a 30 de janeiro de 1649
Coroação 2 de fevereiro de 1626
Predecessor Jaime I
Sucessor Monarquia abolida
Rei da Escócia
Reinado 27 de março de 1625
a 30 de janeiro de 1649
Coroação 18 de junho de 1633
Predecessor Jaime VI
Sucessor Carlos II
Esposa Henriqueta Maria de França
Descendência
Carlos II de Inglaterra
Maria, Princesa Real e Princesa de Orange
Jaime II de Inglaterra & VII da Escócia
Isabel de Inglaterra
Ana de Inglaterra
Henrique, Duque de Gloucester
Henriqueta Ana, Duquesa de Orleães
Casa Stuart
Pai Jaime VI & I
Mãe Ana da Dinamarca
Nascimento 19 de novembro de 1600
Palácio de Dunfermline, Dunfermline, Fife, Escócia
Morte 30 de janeiro de 1649 (48 anos)
Palácio de Whitehall, Londres, Inglaterra
Enterro 7 de fevereiro de 1649
Capela de São Jorge, Windsor, Berkshire, Inglaterra
Religião Anglicana

Carlos I (Dunfermline, 19 de novembro de 1600Londres, 30 de janeiro de 1649) foi o Rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1625 até sua execução. Era o segundo filho do rei Jaime VI da Escócia; quando seu pai herdou o trono inglês em 1603, ele se mudou para a Inglaterra onde passou a maior parte da vida. Se tornou herdeiro aparente quando seu irmão Henrique Frederico morreu. Uma tentativa mal sucedida e impopular tentou casar Carlos com uma princesa espanhola em 1623. Dois anos depois se casou com a francesa Henriqueta Maria.

Depois de sua sucessão, Carlos começou uma luta pelo poder contra o parlamento inglês, tentando obter uma receita enquanto o parlamento tentava restringir sua prerrogativa real. Ele acreditava no direito divino dos reis e achou que podia governar de acordo com sua consciência. Muitos de seus súditos eram contra suas políticas, particularmente suas interferências nas igrejas inglesa e escocesa e o aumento de impostos sem o consentimento parlamentar, vendo suas ações como de um monarca absoluto tirano.

As políticas religiosas de Carlos, junto com seu casamento com uma católica, geraram antipatia e desconfiança entre grupos reformistas como os puritanos e calvinistas, que o viam como muito católico. Ele apoiava clérigos controversos como Ricardo Montagu e Guilherme Laud, quem Carlos nomeou Arcebispo da Cantuária, falhando em ajudar forças protestantes durante a Guerra dos Trinta Anos. Suas tentativas de forçar reformas religiosas na Escócia gerou as Guerras dos Bispos, aumentou a posição dos parlamentos inglês e escocês e ajudou a precipitar sua queda.

A partir de 1642, Carlos lutou contra as forças dos dois parlamentos na Guerra Civil Inglesa. Depois de ser derrotado em 1645, ele se entregou para forças escocesas que o entregaram para o parlamento inglês. Carlos se recusou a aceitar as exigências de uma monarquia constitucional protestante e temporariamente fugiu em novembro de 1647. Recapturado na Ilha de Wight, ele criou uma aliança com a Escócia, porém o Exército Novo de Oliver Cromwell consolidou seu controle da Inglaterra no final de 1648. Carlos foi julgado, condenado e executado por traição em janeiro de 1649. A monarquia foi abolida e uma república foi declarada. O Interregnum inglês terminou em 1660 e a monarquia foi restaurada com seu filho Carlos II.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Gravura por Simon de Passe de Carlos com seus pais, Ana e Jaime, c. 1612. Na National Portrait Gallery.

Carlos nasceu no Palácio de Dunfermline em 19 de novembro de 1600, o segundo filho de Jaime VI da Escócia e Ana da Dinamarca.[1] Ele foi batizado na Capela Real do Palácio de Holyrood em 23 de dezembro por David Lindsay, Bispo de Ross, recebendo o título de Duque de Albany, o título tradicional do segundo filho do Rei da Escócia, com os títulos subsidiários de Marquês de Ormond, Conde de Ross e Lorde Ardmannoch.[2]

Jaime era primo da rainha Isabel I de Inglaterra, e quando ela morreu sem filhos em 1603 ele se tornou o Rei da Inglaterra como Jaime I. Carlos era uma criança fraca e enferma; enquanto seus pais e irmãos mais velhos partiram para a Inglaterra em abril e junho do mesmo ano, ele foi considerado muito frágil para fazer a longa viagem até Londres.[3] Carlos ficou na Escócia com Alexandre Seton, Lorde Fyvie, amigo de seu pai.[4]

Em 1604, Carlos tinha três anos e meio e conseguia andar uma boa parte do grande salão do Palácio de Dunfermline sem ajuda; foi decidido que ele agora era forte o bastante para fazer a jornada até a Inglaterra e ser reunido com a família. Em julho ele partiu de Dunfermline para a Inglaterra, onde passaria o resto de sua vida.[5] Lá, Carlos foi colocado aos cuidados de Isabel Carey, esposa do cortesão sir Roberto Carey, que o colocou em botas feitas de couro e latão espanhol para fortalecer seus tornozelos fracos.[6] Sua fala se desenvolveu lentamente e ele manteve uma gagueira, ou uma fala hesitante, pelo resto da vida.[7]

Em janeiro de 1605, Carlos foi feito Duque de Iorque e também um Cavaleiro do Banho.[8] Tomás Murray, um presbiteriano escocês, foi nomeado como seu tutor.[9] Carlos aprendeu os assuntos clássicos, línguas, matemática e religião.[10] Ele foi feito um Cavaleiro da Jarreteira em 1611.[11]

Carlos como Duque de Iorque e Albany, c. 1610, por Robert Peake, o Velho. Na Galeria Nacional da Escócia.

Eventualmente, Carlos aparentemente superou sua enfermidade física,[11] que pode ter sido causada por raquitismo,[6] e cresceu até possuir 1,63 m de altura.[7] Ele se tornou um hábil cavaleiro e atirador, também aprendendo esgrima.[10] Mesmo assim, Carlos não era tão valorizado quanto seu irmão mais forte e mais alto Henrique Frederico, Príncipe de Gales, quem ele adorava e tentava emular.[12] Porém, duas semanas antes do 12º aniversário de Carlos em novembro de 1612, Henrique Frederico morreu aos dezoito anos do que se suspeita ter sido febre tifóide (ou possivelmente porfiria),[13] transformando Carlos no herdeiro aparente de Jaime. Como filho mais velho, ele automaticamente ganhou vários títulos, incluindo Duque de Rothesay e Duque da Cornualha). Quatro anos depois, foi feito Príncipe de Gales e Conde de Chester.[14]

Herdeiro aparente[editar | editar código-fonte]

Sua irmã Isabel casou-se com Frederico V, Eleitor Palatino, em 1613, indo morar em Heidelberg.[15] Em 1617, o arquiduque Fernando da Áustria, um católico da Casa de Habsburgo, foi eleito Rei da Boêmia. Um ano depois, os boêmios se rebelaram denefrestando os governantes católicos. Em agosto de 1619, o regime boêmio escolheu Frederico V, líder da União Protestante, como seu monarca enquanto Fernando foi eleito Sacro Impererador Romano-Germânico. A aceitação de Frederico da coroa boêmia em desafio ao imperador marcou o início de um tumulto que se desenvolveria na Guerra dos Trinta Anos, que o parlamento inglês e o público rapidamente viu como uma luta continental entre católicos e protestantes.[16] Porém, Jaime queria casar Carlos com a sobrinha de Fernando, a princesa Maria Ana de Espanha, e começou a ver um casamento espanhol como um possível meio diplomático de alcançar a paz na Europa.[17]

Infelizmente para Jaime, as negociações com a Espanha foram impopulares entre o público e sua corte.[18] O parlamento inglês era bem hostil à Espanha e os católicos e dessa forma, quando Jaime o convocou em 1621, os membros esperavam uma aplicação das leis de não-conformidade, uma campanha naval contra a Espanha e um casamento protestante para o Príncipe de Gales.[19] Os ataques parlamentares aos monopolistas pelo abuso dos preços levaram a culpabilização de Francisco Bacon, Lorde Chanceler de Jaime,[20] seguido por seu impeachment na Câmara dos Lordes. O impeachment ocorreu com um bill of attainder e foi o primeiro desde 1459 sem a aprovação do rei. O incidente criou um importante precedente ja que o processo de impeachment posteriormente seria usado contra Carlos e seus apoiadores: Jorge Villiers, 1.° Duque de Buckingham, o arcebispo Guilherme Laud e Tomás Wentworth, 1.º Conde de Strafford. Jaime insistia que a Câmara dos Comuns se preocupasse apenas com assuntos internos, porém seus membros afirmavan que possuiam o direito de liberdade de expressão dentro da câmara e exigiam uma guerra contra a Espanha e uma Princesa de Gales protestante.[21] Carlos, como o pai, considerava a discussão de seu casamento na Câmara dos Comuns como impertinente e uma violação da prerrogativa real.[22] Jaime dissolveu o parlamento em janeiro de 1622, nervoso pela imprudência e intransigência dos membros.[23]

Carlos como Príncipe de Gales, c. 1623, por Daniël Mijtens. Na Royal Collection.

A Guerra dos Trinta Anos, originalmente confinada a Boêmia, espalhou pela Europa. Frederico V foi derrotado na Batalha da Montanha Branca em 1620, e suas terras no Eleitorado do Palatinado foram invadidas por uma força Habsburgo vinda dos Países Baixos Espanhóis.[24]

Carlos e Jorge Villiers, favorito de Jaime e que exercia grande influência no príncipe,[25] viajaram secretamente para a Espanha em fevereiro de 1623 para tentarem chegar a um acordo sobre o casamento espanhol.[26] Entretanto, a viagem foi um fracasso vergonhoso.[27] A princesa Maria Ana achou que Carlos era um infiel e os espanhóis exigiam sua conversão ao catolicismo como condição para o casamento.[28] Os espanhóis insistiram na tolerância religiosa para católicos na Inglaterra, a anulação das leis penais (algo que Carlos sabia que o parlamento nunca concordaria) e que Maria Ana ficasse na Espanha até um ano depois do casamento para garantir que a Inglaterra cumprisse os termos do acordo.[29] Uma briga pessoal começou entre Villiers e Gaspar de Guzmán, Conde-Duque de Olivares, o ministro chefe espanhol, e assim Carlos conduziu as inúteis negociações pessoalmente.[30] Ao vontarem para Londres em outubro sem uma noiva e sendo recebidos com êxtase a alívio público,[31] os dois pressionaram Jaime a declarar guerra contra a Espanha.[32]

Encorajado por seus conselheiros protestantes, Jaime chamou o parlamento em 1624 para poder pedir subsídios para uma guerra. Carlos e Villiers apoiaram o impeachment de Lionel Cranfield, 1.º Conde de Middlesex, Lorde do Tesouro, que era contra a guerra e rapidamente caiu da mesma maneira que Francisco Bacon.[33] Jaime disse a Villiers que ele era um tolo, e profeticamente avisou seu filho que se arrependeria de ter revivido o impeachment como instrumento parlamentar.[34] Um exército improvisado e sub-financiado liderado por Ernesto von Mansfeld partiu para recuperar o Palatinado, porém estava tão mal equipado que nunca avançou além da costa holandesa.[35]

Jaime estava cada vez mais doente em 1624 e assim tinha grandes dificuldades em controlar o parlamento. Quando o rei morreu em 27 de março de 1625, Carlos e Villiers já tinha assumido o verdadeiro controle do reino.[36]

Início de reinado[editar | editar código-fonte]

Carlos em 1628 por Gerrit van Honthorst. Na National Portrait Gallery.

Com o fracasso do casamento espanhol, Carlos e Villiers viraram suas atenções para a França.[37] Em 1 de maio de 1625, Carlos se casou por procuração com a princesa francesa Henriqueta Maria, então com quinze anos, na porta de entrada da Catedral de Notre-Dame.[38] Ele havia visto Henriqueta em Paris enquanto viajava para a Espanha.[39] Os dois se casaram pessoalmente em 13 de junho de 1625 na Cantuária. Carlos adiou a abertura de seu primeiro parlamento até depois da segunda cerimônia para evitar qualquer oposição.[40] Muitos membros da Câmara dos Comuns eram contra o casamento do rei com uma católica, temendo que ele retirasse restrições contra os não-conformistas católicos e minasse a instituição oficial da reformada Igreja Anglicana. Apesar de ter afirmado ao parlamento que não iria relaxar as restrições religiosas, Carlos prometeu fazer exatametne isso em uma secreto tratado de casamento com Luís XIII de França.[41] Além disso, o tratado colocava uma força naval inglesa sob comando francês que seria usada para suprimir os protestantes huguenote em La Rochelle. Carlos foi coroado em 2 de fevereiro de 1626 na Abadia de Westminster, porém sem a presença da esposa que se recusou a participar de uma cerimônia religiosa protestante.[42]

Desconfiança sobre as políticas religiosas de Carlos cresceram com seu apoio a Ricardo Montagu, um controverso eclesiástico anti-calvinista que estava com má reputação entre os puritanos.[43] Em seu panfleto A New Gag for an Old Goose de 1624, uma resposta ao panfleto católico A New Gag for the New Gospel, Montagu discutia contra a predestinação calvinista e a doutrina que a salvação e condenação eram predeterminadas por Deus. Os anti-calvinistas, conhecidos como arminianos, acreditavam que os seres humanos poderiam influenciar seu próprio destino através do livre arbítrio.[44] Teólogos arminianos foram uma das poucas fontes de apoio à proposta de casamento espanhol para Carlos.[45] Montagu produziu outro panfleto em 1625 pouco antes da morte de Jaime e com seu apoio, chamado Apello Caesarem. Para protegê-lo dos membros puritanos do parlamento, Carlos transformou Montagu em um de seus capelões, aumentando as suspeitas de muitos puritanos que o novo rei favorecia os arminianos como uma tentativa clandestina de ajudar na volta do catolicismo.[46]

Ao invés de um envolvimento na guerra terrestre europeia, o parlamento inglês preferia um ataque naval relativamente barato nas colônias espanholas nas Américas, esperando capturar importantes frotas espanholas. O parlamento aprovou um subsídio de 140 mil libras esterlinas, que não era suficiente para os planos de guerra de Carlos.[47] Além disso, a Câmara dos Comuns limitava sua autorização para o recolhimento real de duas variedades de direitos aduaneiros em um período de um ano, apesar de monarcas anteriores como Henrique VI terem recebido o direito por toda vida.[48] Desta maneira o parlamento podia adiar a aprovação das taxas até após uma revisão em grande escala das receitas aduaneiras.[49] O projeto de lei não progrediu muito na Câmara dos Lordes depois de sua primeira leitura.[50] Apesar de nenhum decreto parlamentar para a imposição das receitas aduaneiras ter sido obtido, Carlos continuou a cobrar os direitos.[51]

Uma expedição naval liderada por Villiers contra a Espanha, mal planejada e executada, fracassou e a Câmara dos Comuns começou procedimentos para seu impeachment.[52] Em maio de 1626, Carlos nomeou Villiers como Chanceler da Universidade de Cambridge para mostrar seu apoio,[53] e Dudley Digges e sir João Eliot – os dois membros que falaram abertamente contra o duque – foram presos na câmara. Os comuns ficaram indignados e ambos foram soltos depois de uma semana.[54] Em 16 de junho, os comuns lançaram um protesto direto atacando Villiers, afirmando: "Protestamos ante sua Majestade e todo o mundo que até essa grande pessoa seja removida da intermediação dos grandes assuntos do estado, estamos sem esperanças de sucessos; e tememos que qualquer dinheiro que deve ou pode dar vontade, através de seu mau uso, ser transformado em dor e prejuízo deste seu reino do que outra coisa, como pela experiência lamentável que encontramos as grandes fontes de antigamente entregues".[55] Apesar dos protestos, Carlos se recusou a mandar seu amigo embora e suspendeu o parlamento.[56]

Carlos em 1631 por Daniël Mijtens. Na National Portrait Gallery.

Enquanto isso, as brigas domésticas entre Carlos e Henriqueta Maria estavam minando os primeiros anos de casamento. Disputas sobre o dote, nomeações para a criadagem dela e a prática do catolicismo culminaram com o rei expulsando em agosto de 1626 a maioria dos criados franceses.[57] Apesar de Carlos ter combinado entregar navios ingleses aos franceses como condição para o casamento, ele lançou um ataque mal sucedido contra a costa francesa em 1627 para defender os huguenote de La Rochelle.[58] Liderada por Villiers, a ação criou uma cunha entre as duas coroas que não foi superada durante toda Guerra dos Trinta Anos. O fracasso de Villiers em proteger os huguenote e sua retirada de Saint-Martin-de-Ré estimulou o Cerco de La Rochelle por Luís XIII, além de aumentar o ódio contra ele.[59]

Carlos provocou mais agitações ao tentar arrecadar dinheiro para a guerra através de um "empréstimo forçado": um imposto cobrado sem o consentimento parlamentar. Em novembro de 1627, um caso de teste no King's Bench afirmou que o rei tinha a prerrogativa de aprisonar sem julgamento aqueles que se recusavam a pagar o empréstimo forçado.[60] Em 26 de maio, o parlamento adotou uma Petição de Direito, chamando o rei para reconhecer que não podia impor impostos sem o consentimento parlamentar, impor lei marcial em civis e aprisioná-los sem o devido processo.[61] Carlos consentiu com a petição em 7 de junho,[62] porém suspendeu o parlamento no final do mês e reafirmou seu direito de recolher direitos aduaneiros sem a autorização parlamentar.[63]

Em 23 de agosto de 1628, Villiers foi assassinado.[64] Carlos ficou profundamente angustiado, jogando-se "em sua cama, lamentando com tanta paixão e com lágrimas abundantes".[65] Ele continuou lamentando em seus aposentos por dois dias.[66] Em contraste, o público encheu-se de alegria, acentuando o abismo entre a corte e a nação e entre a coroa e os comuns.[67] Apesar da morte de Villiers ter efetivamente terminado a guerra contra a Espanha e eliminado a questão de sua liderança, não encerrou os conflitos entre o rei e o parlamento.[68] Ela acabou coincidindo com uma melhora no relacionamento de Carlos com sua esposa, com todas as brigas terminadas em novembro de 1628.[69] É possível que as ligações emocionais de Carlos foram transferidas de Villiers para Henriqueta Maria;[70] ela engravidou pela primeira vez e os laços entre o casal ficaram mais fortes.[71] Juntos simbolizavam a imagem de virtude e vida familiar, com sua corte se transformando no modelo de formalidade e moralidade.[72]

Reinado pessoal[editar | editar código-fonte]

Suspensão do parlamento[editar | editar código-fonte]

Carlos retratado como um vitorioso e cavalheiresco São Jorge por Peter Paul Rubens, c. 1629–30.[nota 1] Na Royal Collection.

Em janeiro de 1629, Carlos abriu a segunda sessão do parlamento inglês, que havia sido suspenso em junho do ano anterior, fazendo um discurso moderado sobre as questões aduaneiras.[76] Os membros da Câmara dos Comuns começaram a verbalizar sua oposição às políticas de Carlos após o caso de João Rolle, um parlamentar cujos bens foram confiscados por não pagar as taxas aduaneiras.[77] Muitos viam a imposição das taxas como uma quebra do Direito de Petição. Quando o rei ordenou uma interrupção parlamentar em 2 de março,[78] membros mantiveram o presidente sir João Finch sentado em sua cadeira para adiar o fim da sessão até que resoluções contra os católicos, arminianos e aduaneiras fossem lidas na câmara e aclamadas.[79] A provocação foi grande demais para Carlos; ele dissolveu o parlamento e aprisionou os nove lideres, incluindo sir João Eliot,[80] assim transformando os homens em martíres[81] e dando causa popular para seu protesto.[82]

Pouco depois da suspensão, sem a influência de Villiers e os meios no futuro próximo de arrecadar fundos do parlamento para uma guerra europeia, Carlos fez a paz com a França e a Espanha.[83] Nos onze anos seguintes ele reinou a Inglaterra sem um parlamento, período chamado de reinado pessoal ou os "onze anos de tirania".[84] Governar sem parlamento não era algo excepcional e era apoiado por precedentes.[nota 2] Entretanto, apenas o parlamento podia legalmente aumentar os impostos, e sem isso a capacidade de Carlos de adquirir fundos para seu tesouro era limitada aos seus direitos consuetudinários e prerrogativas.[86]

Finanças[editar | editar código-fonte]

Moeda sixpence de Carlos I.

Os reinados de Isabel I e Jaime VI & I geraram um grande déficit fiscal.[87] Não obstante as campanhas militares de Villiers contra a Espanha e França, na realidade havia pouca capacidade econômica para Carlos travar guerras. Durante seu reinado ele foi obrigado a contar primariamente com forças voluntárias para defesa e esforços diplomáticos para apoiar sua irmã, Isabel, em seu objetivo de política externa para restaurar o Palatinado.[88] A Inglaterra ainda era o país com os impostos mais baixos da Europa, com nenhum imposto especial sobre o consumo ou impostos regulares diretos.[89] Para aumentar a renda sem reunir o parlamento, Carlos ressucitou uma lei esquecida chamada "Arresto de Cavalaria", em suspenso durante mais de um século, que requeria que todos que ganhassem mais de quarenta libras de terra todo o ano se apresentassem na coroação do rei para serem condecorados. A partir desse estatuto, Carlos multou aqueles que não compareceram a sua coroação em 1626.[nota 3] [91]

O principal imposto cobrado por Carlos era uma taxa feudal conhecida como dinheiro de navio,[92] que mostrou-se mais impopular e lucrativa do que os impostos aduaneiros. Anteriormente, a cobrança de dinheiro de navio era autorizada apenas nas regiões costais durante guerras. Entretanto, Carlos afirmava que não havia nenhuma restrição legal para cobrar o imposto para defesa durante tempos de paz e em todo o reino. O dinheiro de navio, pago diretamente ao Tesouro da Marinha, arrecadava por volta de £150.000 a £200.000 anualmente entre 1634 e 1638, em seguida o rendimento diminuiu.[93] A aposição ao dinheiro de navio cresceu constantemente, porém os doze juízes comuns da Inglaterra declararam que o imposto estava dentro da prerrogativa do rei, apesar de alguns terem certas ressalvas.[94] A acusação de João Hampden em 1637–38 por não pagar serviu de plataforma para protestos populares, com os juízes dando ganho de causa favorável ao rei pela pequena margem de sete votos contra cinco.[95]

O rei também ganhava dinheiro garantindo monopólios, mesmo existindo um estatuto proibindo tal ação,[nota 4] que mesmo sendo algo ineficiente arrecadou por volta de cem mil libras por ano no final da década de 1630.[97] Carlos também arrecadou fundos da nobreza escocesa, ao preço de acrimônia considerável, com o Decreto de Revogação de 1625, onde todas as terras presenteadas pela realeza ou pela igreja para a nobreza desde 1540 estavam revogadas, com a posse contínua sendo sujeita a uma aluguel anual.[98] Além disso, as fronteiras das florestas reais da Inglaterra foram aumentadas para seus antigos limites como parte de um esquema para maximizar a renda ao explorar a terra e multar por invasão usuários dentro dos limites alargados.[99]

Conflitos religiosos[editar | editar código-fonte]

Carlos I com o Senhor de Saint Antoine por Antoon van Dyck, 1633. Na Royal Collection

Durante o reinado de Carlos, a questão sobre quanto a Reforma Inglesa deveria progredir foi constantemente levada para o primeiro plano do debate político. A teologia arminiana enfatizava a autoridade clerical e a habilidade individual de rejeitar ou aceitar a salvação, sendo consequentemente vista pelos oponentes calvinistas como herética e um veículo em potencial para a reintrodução do catolicismo romano. A simpatia de Carlos para os ensinamentos arminianos, e especialmente seu desejo de levar a Igreja Anglicana para longe do calvinismo em uma direção mais tradicional e sacramental, foi vista pelos puritanos como tendências irreligiosas.[100] Além disso, os súditos de Carlos estavam acompanhando as notícias da guerra europeia[101] e ficaram cada vez mais abismados pelo diplomacia do rei com a Espanha e seu fracasso ao apoiar a causa protestante.[102]

Carlos nomeou Guilherme Laud como Arcebispo da Cantuária em 1633.[103] Juntos começaram uma série de reformas anti-calvinistas que tentaram garantir uma uniformidade religiosa ao restringir pregadores não-conformistas, insistindo que a liturgia fosse celebrada como descrita no Livro de Oração Comum, organizando a arquitetura interna das igrejas inglesas para enfatizar o sacramento do altar e relançando a Declaração dos Escoceses de Jaime, que permitia atividades seculares no sabbath.[104] Os Feudatários para Impropriações, uma organização que comprava benefícios eclesiásticos e patronagens para que os puritanos pudessem nomeá-los, foi dissolvida.[105] Para processar aqueles que eram contra suas reformas, Laud usou os tribunais mais temidos e poderosos do país, o Tribunal da Alta Comissão e o Tribunal da Câmara da Estrela.[106] Os tribunais ficaram populares entre as classes proprietárias por infligir castigos degradantes em cavalheiros.[107] Por exemplo, em 1637 Guilherme Prynne, Henrique Burton e João Bastwick foram levados ao pelourinho, açoitados, suas orelhas cortadas e aprisionados por tempo indeterminado por publicaram panfletos anti-episcopais.[108]

Carlos I em Três Posições por Antoon van Dyck, c. 1635–36. Na Royal Collection.

Quando Carlos tentou impor suas políticas religiosas na Escócia, acabou enfrentando diversas dificuldades. Mesmo tendo nascido escocês, ele se distanciou de seu reino do norte; sua primeira visita a Escócia depois de sua infância foi para sua coroação em 1633.[109] Para o desalento dos escoceses, que haviam removido muitos rituais tradicionais de sua prática litúrgica, Carlos insistiu que a coroação fosse realizada no rito anglicano.[110] Em 1637, sem consultar a igreja ou o parlamento escocês, o rei ordenou o uso de um novo livro de oração na Escócia que era praticamente idêntico ao livro inglês.[111] Apesar de ter sido escrito por bispos esoceses, sob a direção de Carlos, ele foi resistido por muitos que o viam como um veículo para introduzir o anglicanismo na Escócia.[112] Em 23 de julho, tumultos estouraram em Edimburgo logo no primeiro domingo em que o livro foi usado, com as inquietações se espalhando por toda a Igreja da Escócia. O povo começou a se mobilizar na reafirmação do Pacto Nacional, cujos signatários comprometeram-se a defender a religião reformada da Escócia e rejeitar qualquer inovação não autorizada pelo parlamento ou clero.[113] Quando a Assembleia Geral da Igreja da Escócia se reuniu em novembro de 1638, ela condenou o novo livro, aboliu o episcopado dos bispos e adotou um governo presbiteriano por anciãos e diáconos.[114]

Guerras dos Bispos[editar | editar código-fonte]

Carlos via a agitação na Escócia como uma rebelião contra sua autoridade, precipitando a Primeira Guerra dos Bispos em 1639.[115] O rei não procurou subsídios do parlamento para travar a guerra, porém mobilizou o exército sem o concentimento parlamentar e marchou até a fronteira escocesa em Berwick-upon-Tweed.[116] Seu exército não enfrentou os covenanters porque Carlos temia que suas forças fossem derrotadas, já que acreditava que estava em menor número que os escoceses.[117] O rei reconquistou a custódia de seus castelos escoceses no Tratado de Berwick e garantiu a dissolução do governo interino dos covenanters, apesar da concessão que o Parlamento da Escócia e a Assembleia Geral da Igreja da Escócia fossem convocados.[118]

Seu fracasso militar na Primeira Guerra dos Bispos causou uma crise financeira e diplomática para Carlos, aumentados quando seus esforços para obter financiamento da Espanha, enquanto simultaneamente continuava a apoiar seus parentes palatinos, leveram a humilhação pública na Batalha das Dunas, quando a esquadra holandesa destruiu uma frota espanhola cheia de ouro perto da costa de Kent, à vista da impotente marinha inglesa.[119]

Carlos continuou as negociações de paz com o escoceses em uma tentativa de ganhar tempo antes de lançar uma nova ofensiva militar. Por causa de sua fraqueza financeira, ele foi obrigado a convocar uma sessão do parlamento para tentar angariar fundos.[120] Os parlamentos inglês e irlandês foram chamados nos primeiros meses de 1640. Em março, o parlamento irlandês aprovou um subsídio de £180.000 com a promessa de levantar um exército de nove mil homens até o final de maio.[121] Porém, nas eleições gerais ingleses em março, os candidatos judiciais se sairam mal[122] e as relações de Carlos com o parlamento rapidamente chegaram a um impasse em abril.[123] Os condes de Northumberland e Strafford, Algernon Percy e Tomás Wentworth, tentaram intermediar um acordo onde o rei abriria mão do dinheiro de navio em troca de £650.000 (apesar do custo da guerra ter sido estimado em um milhão de libras).[124] Mesmo assim, isso não foi suficiente para produzir um consenso na Câmara dos Comuns.[125] Os pedidos dos parlamentares por reformas foram ignorados pelo rei, que ainda mantinha o apoio da Câmara dos Lordes. Apesar dos protestos de Percy,[126] o Parlamento Curto (como ficou conhecido) foi dissolvido em maio de 1640, menos de um mês depois de ter se reunido.[127]

Tomás Wentworth e Guilherme Laud, dois dos conselheiros mais influentes de Carlos durante seu reinado pessoal.[128]

Nesse estágio, Wentworth, Senhor Adjunto da Irlanda desde 1632,[129] emergiu como o braço direito de Carlos e, junto com Laud, perseguiu a política da "Completude" que queria fazer a autoridade real central mais eficiente e efetiva aos custos dos interesses anti-governo.[130] Apesar de originalmente um crítico do rei, Wentworth desertou para o serviço real em 1628 (em parte pela persuasão de Jorge Villiers)[131] e desde então havia se transformado junto com Laud em um dos ministros mais influentes de Carlos.[132]

Impulsionados pelo fracasso do parlamento inglês, o parlamento escocês se declarou capaz de governar sem o concentimento do rei e, em agosto de 1640, o exército covenanter entrou no condado inglês de Northumberland.[133] Após o adoecimento de Algernon Percy, que era o comandante do rei, Carlos e Wentworth foram para o norte para comandar as forças inglesas, mesmo o próprio Wentworth estando doente com uma combinação de gota e disenteria.[134] Os soldados escoceses, muitos veteranos da Guerra dos Trinta Anos,[135] tinham uma moral mais alta e treinamento do que as contrapartes inglesas, avançando praticamente sem resistência até alcançarem Newcastle upon Tyne onde, na Batalha de Newburn, derrotaram o exército inglês e ocuparam a cidade junto com condado vizinho de Durham.[136]

Enquanto as exigências do parlamento escocês cresciam,[137] Carlos fez o incomum e convocou um grande conselho de pariatos, o Magnum Concilium. Quando ele se reuniu, em 24 de setembro em Iorque, o rei havia resolvido seguir o conselho quase universal de chamar um parlamento inglês. Depois de informar os pariatos que um parlamento seria reunido em novembro, ele pediu para que eles considerassem um modo de levantar fundos para manter seu exército contra os escoceses. Eles recomendaram um acordo de paz.[138] Um cessar fogo, apesar de não ser uma solução definitiva, foi negociado no humilhante Tratado de Ripon, assinado em 1640.[139] O tratado afirmava que os escoceses continuariam a ocupar Northumberland e Durham e receberiam 850 libras diariamente para pagar as forças escocesas, isso até a paz ser restaurada.[140]

Consequentemente, Carlos convocou em novembro aquilo que seria conhecido como o Parlamento Curto. Mais uma vez, os apoiadores do rei foram mal nas urnas. Dos 493 membros da Câmara dos Comuns, mais de 350 eram contra ele.[141]

Parlamento Longo[editar | editar código-fonte]

Tensões aumentam[editar | editar código-fonte]

O Parlamento Longo mostrou-se tão difícil para Carlos quanto o Parlamento Curto. Ele foi reunido em 3 de novembro de 1640 e rapidamente começou procedimentos para o impeachment dos principais conselheiros do rei por alta traição.[142] Wentworth foi preso em 10 de novembro; Laud recebeu seu impeachment em 18 de dezembro e João Finch no dia seguinte, consequentemente fugindo para Haia em 21 de dezembro com a permissão de Carlos.[143] Para impedir que o rei dissolvesse o parlamento por sua prórpria vontade, foi aprovado o Decreto Trienal, que forçava o parlamento ser chamado pelo menos uma vez a cada três anos e permitia que o Lorde Guardião do Grande Selo e outros doze pariatos convocassem o parlamento se o rei não o fizesse.[144] O decreto foi acoplado por um projeto de lei de subsídio, e para garantir o segundo, Carlos concedeu a contragosto seu Consentimento Real em fevereiro de 1641.[145]

Carlos c. 1635-36, por Antoon van Dyck. Na National Portrait Gallery.

Wentworth tornou-se o principal alvo dos parlamentares, particularmente João Pym, sendo julgado por alta traição em 22 de março de 1641.[146] Porém, o caso ruiu em 10 de abril quando não foi corroborada a alegação de sir Henrique Vane que Wentworth havia ameaçado usar o exército irlandês para subjulgar a Inglaterra.[147] Pym e seus aliados imediatamente lançaram um bill of attainder, que simplesmente declarava Wentworth culpado e pronunciava sua sentença como morte.[148]

Carlos garantiu a Wentworth que "com a palavra de um rei você não deve sofrer na vida, honra ou fortuna",[149] e o bill of attainder não poderia passar se ele retivesse o consentimento.[150] Além disso, muitos membros e a maioria dos pariatos eram contra o attainder por não quererem, nas palavras de um deles, "cometer-se a assassinato com a espada da justiça".[151] Entretanto, as tensões cresceram e uma tentativa de golpe dos oficiais militares realistas em apoio a Wentworth e com o envolvimento do rei começou a influenciar a questão.[152] Os comuns aprovaram o attainder em 20 de abril por uma grande margem (204 a favor, 59 contra, 230 abstenções) e os lordes consentiram em maio (26 a favor, 19 contra, 79 abstenções).[153] Carlos, temendo pela segurança da família e diante de distúrbios, consentiu relutantemente em 9 de maio depois de consultar bispos e juízes.[154] Wentworth foi decapitado três dias depois.[155]

Em 3 de maio, parte do parlamento atacou os "conselheiros perversos" do "governo tirânico e arbitrário" de Carlos; enquanto alguns assinaram uma petição para defender a "pessoa, honra e estado" do rei, eles também juraram preservar "a verdadeira religião reformada", parlamento e "direitos e liberdades dos súditos".[156] Em uma semana, Carlos consentiu com um decreto que proíbia a dissolução do parlamento sem o consentimento do próprio.[157] Dinheiro de navio, multas em penhora de cavalaria e impostos sem o consentimento parlamentar foram declarados ilegais nos meses seguintes, com as cortes da Câmara da Estrela e da Alta Comissão abolidas.[158] Todas as formas de tributação foram legalizadas e regulamentadas por decreto.[159] Os comuns também lançaram vários projetos atacando bispos e episcopado, porém não foram aprovados pelos lordes.[160]

Carlos havia feito importantes concessões na Inglaterra, temporariamente melhorando sua posição na Escócia ao visitar o país entre agosto e novembro de 1641, período em que concedeu o estabelecimento oficial do presbiterianismo.[161] Porém, a credibilidade do rei na Escócia foi minada significativamente após uma tentativa de golpe realista conhecida como "O Incidente".[162]

Rebelião irlandesa[editar | editar código-fonte]

Na Irlanda, a população era dividida em três principais grupos socio-políticos: os irlandeses gaélicos, que eram católcios; os Velhos Ingleses, que descendiam dos normandos medievais e também eram predominantemente católicos; e os Novos Ingleses, que eram colonos protestantes da Inglaterra e Escócia aliados ao parlamento inglês e os Covenanters. A administração de Wentworth tinha melhorado a economia irlandesa e aumentou as receitas fiscais, porém isso ocorreu pela severa imposição de ordem.[163] Ele havia treinado um grande exército católico para apoiar o rei e também abrandado a autoridade do parlamento irlandês,[164] continuando a confiscar a terra de católicos para colonos protestantes ao mesmo tempo que promovia um tipo de anglicanismo que era anátema ao presbiterianismo.[165] Como resultado, todos os três grupos estavam insatisfeitos.[166] O impeachment de Wentworth forneceu um novo ponto de partida para a política irlandesa em que todos os lados se uniram para apresentar evidências contra ele.[167] Em uma maneira parecida ao parlamento inglês, os Velhos Ingleses membros do parlamento irlandês discutiram que apesar de contra Wentworth, eram a favor de Carlos. Eles afirmaram que o rei havia sido desviado por conselheiros malignos,[168] e que, além disso, um vice-rei como Wentworth poderia emergir como uma figura despótica ao invés de garantir que o rei estava diretamente envolvido no governo.[169] A queda de Wentworth enfraqueceu a influência da Carlos na Irlanda.[170] A dissolução do exército irlandês foi pedida três vezes sem sucesso pelos comuns ingleses durante o aprisionamento de Wentworth,[156] até Carlos ser eventualmente forçado a desmantelar o exército por falta de fundos ao final do julgamento.[171] As sementes da rebelião foram plantadas por disputas relacionadas a transferência de terras de católicos nativos para colonos protestantes,[172] particularmente o Plantation de Ulster,[173] junto com ressentimento dos movimentos para garantir que o parlamento irlandês fosse subordinado ao inglês.[174] Os Irlandeses Gaélicos entraram em conflito armado com os Novos Ingleses em outubro de 1641, e os Velhos Ingleses ficaram do lado dos gaélicos afirmando lealdade ao rei.[175]

A Câmara dos Comuns aprovou em novembro de 1641 a Grande Remonstrância, uma longa lista de queixas contra ações comitidas por ministros de Carlos desde o começo de seu reinado (que se afirmava serem parte de uma grande conspiração católica de que o rei era um membro involuntário),[176] porém foi em muitos aspectos um passo exagerado para Pym e foi aprovado por apenas onze votos – 159 a 148.[177] Além disso, a Remonstrância teve pouco apoio na Câmara dos Lordes.[178] A tensão aumentou pelas notícias da rebelião irlandesa junto com rumores incorretos da cumplicidade de Carlos.[179] Por todo o mês de novembro, uma série de panfletos alarmistas publicavam histórias de atrocidades na Irlanda,[180] entre as quais massacres de colonos Novos Ingleses por irlandeses que não queriam ser controlados pelos lordes Velhos Ingleses.[181] Rumores de conspirações "papistas" na Inglaterra circularam pelo reino,[182] e a opinião anti-católica inglesa foi fortalecida, danificando a reputação e autoridade de Carlos.[183]

Henriqueta Maria em 1632, por Antoon van Dyck. Na Royal Collection.

O parlamento inglês não confiou nas motivações de Carlos quando ele pediu dinheiro para acabar com a rebelião irlandesa; muitos membros do comuns suspeitavam que as forças mobilizadas pelo rei pudessem ser usadas mais tarde contra o parlamento.[184] O Projeto de Lei da Milíca de Pym tinha a intenção de limitar o controle do rei no exército, porém não teve apoio dos lordes e muito menos de Carlos.[185] Invés disso, os comuns aprovaram o projeto como um regulamento, que eles afirmavam que não necessitava do consentimento real.[186] O Regulamento da Milícia parece ter feito mais membros dos lordes apoiarem o rei.[187] Em uma tentativa para fortalecer sua posição, Carlos gerou grande antipatia em Londres, que já estava caindo rapidamente na anarquia, quando colocou a Torre de Londres sob o comando do coronel Tomás Lunsford, um oficial infâme mas eficiente.[188] Carlos decidiu tomar ações drásticas ao saber dos rumores que o parlamento estava planejando o impeachment de sua esposa por supostamente conspirar com os rebeldes irlandeses.[189]

Cinco membros[editar | editar código-fonte]

Carlos suspeitava, provavelmente corretamente, que alguns membros do parlamento inglês conspiraram com os escoceses invasores.[190] Ele ordenou ao parlamento em 3 de janeiro de 1642 que entregassem cinco membros dos comuns – Pym, João Hampden, Denzil Holles, Guilherme Strode e sir Artur Haselrig – e um dos lordes – Eduardo Montagu, Visconde Mandeville – sob acusação de alta traição.[191] Quando o parlamento se recusou, é possível que Henriqueta Maria tenha convencido Carlos a prender os cinco membros à força, que o rei pretendia fazer pessoalmente.[192] Porém, as notícias chegaram ao parlamento antes dele e os homens procurados fugiram de barco pouco antes de Carlos entrar na Câmara dos Comuns em 4 de janeiro com um guarda armado.[193] Depois de ter tirado Guilherme Lenthall, o presidente da câmara, de sua cadeira, o rei perguntou para onde os parlamentares haviam fugido.[194] Lenthall respondeu de joelhos: "Permita-me Vossa Majestade, eu não tenho nem olhos para ver, nem língua para falar neste lugar como a Câmara tem o prazer de me dirigir, de quem sou servo aqui".[195] Carlos então declarou que "todos os meus pássaros voaram", sem forçado a ir embora de mãos vazias.[196]

A fracassada tentativa de prisão foi politicamente desastrosa para Carlos.[197] Nenhum soberano havia entrado na Câmara dos Comuns e sua invasão sem precedentes para prender membros foi considerada uma grave quebra do privilégio parlamentar.[198] De uma só vez Carlos destruiu os esforços de seus apoiadores para representá-lo como uma defesa contra inovação e desordem.[199]

O parlamento rapidamente tomou Londres e Carlos fugiu para o Palácio de Hampton Court em 10 de janeiro,[200] indo para o Castelo de Windsor dois dias depois.[201] Depois de enviar em fevereiro sua esposa e filha mais velha para a segurança no exterior, ele viajou para o norte esperando tomar o arsenal militar em Kingston upon Hull.[202] Para seu desalento, o governador parlamentar sir João Hotham barrou sua entrada na cidade em abril e o rei foi forçado a se retirar.[203]

Guerra civil[editar | editar código-fonte]

Pintura de Charles Landseee mostrando Carlos (com uma faixa azul) antes da Batalha de Edge Hill. Na Walker Art Gallery.

Os dois lados começaram a se armar na metade de 1642. Carlos levantou um exército usando o modo medieval da comissão de disposição, e o parlamento chamou por voluntários para sua milícia.[204] Depois de negociações infrutíferas, o rei levantou o estanderte real em Nottingham no dia 22 de agosto de 1642.[205] No começo da Primeira Guerra Civil Inglesa, as forças de Carlos controlavam as Midlands, Gales, o Condado do Oeste e o norte da Inglaterra. Ele estabeleceu sua corte em Oxford. O parlamento controlava Londres, o sudeste e Anglia do Leste, além da Marinha Real.[206]

Depois de algumas escaramuças, os dois lados se encontraram seriamente em Edge Hill, no dia 23 de outubro. Ruperto do Reno, sobrinho de Carlos, divergiu sobre a estratégia de batalha com o comandante Roberto Bertie, 1.º Conde de Lindsey, e o rei ficou do lado do sobrinho. Bertie renunciou ao posto, deixando Carlos para assumir o controle total auxiliado por Patrício Ruthven, 1.º Conde de Forth.[207] A cavalaria de Ruperto conseguiu atravessar as fileiras parlamentares, mas acabou seguindo em frente para saquear o comboio de suprimentos ao invés de voltar para o campo.[208] Bertie, atuando como coronel, foi ferido e sangrou até a morte sem cuidados médicos. A batalha terminou de forma inconclusiva ao cair da noite.[209]

A experiência da batalha deixou Carlos, em suas próprias palavras, "muito e profundamente entristecido". Ele reagrupou em Oxford, recusando a sugestão de Ruperto para atacar Londres imediatamente. Depois de uma semana, ele foi para a capital em 3 de novembro, capturando Brentford no caminho enquanto simultaneamente negociava com delegações parlamentares e cívicas. Em Turnham Green, perto de Londres, o exército realista encontrou a milícia de resistência da cidade e Carlos ordenou uma retirada por estar com inferioridade numérica.[210] Ele passou o inverno em Oxford, fortalecendo as defesas da cidade e preparando para o próximo estágio da campanha. As conversas de paz entre os dois lados ruiram em abril de 1643.[211]

Carlos representado por Václav Hollar à frente de suas tropas. Na Thomas Fisher Rare Book Library.

A guerra continuou indecisivamente por 1643 e 1644, com Henriqueta Maria voltando para a Grã-Bretanha por dezessete meses a partir de fevereiro de 1643.[212] Depois de Ruperto ter sido capturado em Bristol no mês de julho, Carlos visitou a cidade e cercou Gloucester, mais adiante no rio Severn. Seu plano para enfraquecer as muralhas da cidade falhou por causa da chuva pesada; ele encerrou o cerco e fugiu para o Castelo de Sudeley quando uma força parlamentar se aproximou.[213] O exército parlamentar voltou para Londres e Carlos saiu em perseguição.[214] Em janeiro de 1644, Carlos chamou um parlamento em Oxford, que recebeu quarenta pariatos e 118 membros dos comuns. O Parlamento de Oxford, que se reuniu apenas em março de 1645, foi apoiado pela maioria dos pariatos e um terço dos comuns.[215] Carlos ficou desiludido pela ineficiência da assembleia, chamando-a de "mestiça" em cartas privadas a esposa.[216]

Carlos permaneceu no sul da Inglaterra em 1644 enquanto Ruperto foi para o norte a fim de socorrer Newark-on-Trent e Iorque, que estavam sob a ameaça dos exércitos parlamentar e escocês Covenanter. O rei foi vitorioso na Batalha de Cropredy Bridge no final de junho, porém os realistas no norte foram derrotados alguns dias depois na Batalha de Marston Moor.[217] Carlos continuou sua campanha no sul, cercando e desarmando a força parlamentar de Roberto Devereux, 3.º Conde de Essex.[218] Voltando para o norte até sua base em Oxford, ele lutou em Newbury outra vez antes da chegada do inverno, porém o confronto foi indecisivo.[219] Tentativas de negociar um acordo ocorreram no inverno, enquanto os dois lados se rearmavam e reorganizavam-se, mas novamente infrutíferas.[220]

Na Batalha de Naseby em 14 de junho de 1645, os cavaleiros de Ruperto novamente foram bem sucedidos contra o flanco do Exército Novo do parlamento, porém as tropas de Carlos no restante do campo foram repelidos e empurrados pelos opositores. Tentando incentivar seus homens, o rei cavalgou avante, porém Roberto Dalzell, 1.º Conde de Carnwath, tomou as rédeas do cavalo de Carlos e o puxou de volta temendo por sua segurança. A ação de Dalzell foi mal interpretada pelos soldados realistas como um sinal de retirada, ruindo sua posição.[221] O equilíbrio militar pendeu em favor do parlamento.[222] Seguiram-se uma série de derrotas para os realistas,[223] e então houve o Cerco de Oxford, que Carlos escapou em abril de 1646 disfarçado de servente.[224] Ele se entregou ao exército escocês presbiteriano cercando Newark, sendo levado para o norte até Newcastle.[225] Depois de nove meses de negociações os escoceses finalmente chegaram a um acordo com o parlamento inglês: os escoceses deixaram Newcastle e entregaram Carlos aos comissários do parlamento em janeiro de 1647 em troca de cem mil libras e a promeça de mais dinheiro no futuro.[nota 5] [227]

Cativeiro[editar | editar código-fonte]

O parlamento manteve Carlos em prisão domiciliar na Casa Holdenby, Northamptonshire, até Jorge Joyce tirá-lo à força em nome do Novo Exército em 3 de junho.[228] Desconfiança mútua desenvolveu-se entre o parlamento, que favorecia a desmobilização do exército e o presbiterianismo, e o Novo Exército, que era comandando principalmente por não-conformistas independentes que queriam maior participação política.[229] Carlos queria explorar as diferenças de opinião e aparentemente viu as ações de Joyce mais como uma oportunidade do que como ameaça.[230] Ele primeiramente foi levado a Newmarket, sua própria sugestão,[231] depois sendo transferido para Oatlands e então para Hampton Court, onde outras negociações infrutíferas ocorreram.[232] No início de novembro, o rei ficou determinado que era de seu melhor interesse escapar – para a França, Sul da Inglaterra ou Berwick-upon-Tweed, perto da fronteira escocesa.[233] Ele fugiu em 11 de novembro, contatando das margens do Southampton Water o coronel Roberto Hammond, governador parlamentar da Ilha de Wight, que aparentemente acreditou-se ser simpatizante.[234] Entretanto, Hammond prendeu Carlos no Castelo de Carisbrooke e informou o parlamento.[235]

De Carisbrooke, Carlos continuou a tentar barganhar com várias facções. Em contraste direto com seus conflitos anteriores com a Igreja da Escócia, ele assinou em 26 de dezembro de 1647 um tratado secreto com os escoceses. No acordo, chamado de "O Compromisso", os escoceses prometiam invadir a Inglaterra em nome de Carlos e restaurá-lo ao trono sob a condição do presbiterianismo ser estabelecido na Inglaterra por três anos.[236]

Os realistas se rebelaram em maio de 1648, iniciando a Segunda Guerra Civil, e os escoceses invadiram a Inglaterra. Levantes em Kent, Essex e Cumberland e rebeliões no Sul de Gales foram reprimidas pelo Exército Novo, com os realistas perdendo quaisquer chances de vencer depois da derrota dos escoceses na Batalha de Preston em agosto.[237]

A única opção restante de Carlos era voltar às negociações,[238] que foram realizadas em Newport na Ilha de Wight.[239] O parlamento votou em 5 de dezembro de 1648 por 129 votos a 83 continuar as negociações com o rei,[240] porém Oliver Cromwell e o exército eram contra mais conversas com um homem que viam como um tirano sangrento, tomando ações para consolidar seu poder.[241] Hammond fora substituído como governador em 27 de novembro e colocado sob a custódia do exército no dia seguinte.[242] No Purgo de Pride nos dias 6 e 7 de dezembro, os membros do parlamento contra os militares foram presos e excluídos pelo coronel Tomás Pride,[243] enquanto outros permaneceram longe voluntariamente.[244] Os membros restantes formaram o Parlamento das Ancas. Foi efetivamente um golpe militar.[245]

Julgamento[editar | editar código-fonte]

Carlos em seu julgamento, por Edward Bower. Ele deixou sua barba e cabelo crescerem pois o parlamento dispensou seu barbeiro e ele se recusava a deixar que qualquer um com uma lâmina se aproximasse.[246]
Carlos enfrentando o Alto Tribunal de Justiça.[247]

Carlos foi levado ao Castelo de Hurst no final de 1648 e depois para o Castelo de Windsor.[248] A Câmara dos Comuns o processou em janeiro de 1649 sob acusação de traição, porém isso foi rejeitado pela Câmara dos Lordes.[249] A ideia de julgar um rei era complicada.[250] Os três Juízes Chefes dos tribunais comuns da Inglaterra – Henrique Rolle, Oliver St John e João Wilde – eram contra o indiciamento como ilegal.[251] Os comuns declararam-se capazes de legislar sozinhos, passando um projeto de lei criando um tribunal separado para o julgamento de Carlos, declarando que não era necessário o consentimento real.[252] O Alto Tribunal de Justiça estabelecida por decreto era composta por 135 comissários, porém muitos recusaram-se a participar ou escolheram permanecerem longe.[253] Apenas 68 compareceram ao julgamento de Carlos pelas acusações de alta traição e "outros altos crimes", que começou em 20 de janeiro de 1649 no Palácio de Westminster.[254] João Bradshaw foi Presidente do Tribunal e a acusação foi feita por João Cook, Procurador-Geral.[255]

Carlos foi acusado de traição contra a Inglaterra ao usar seu poder para perseguir objetivos pessoais ao invés do bem do país. A acusação afirmava que, "para a realização de seus tais projetos, e para a proteção de si mesmo e seus adeptos na sua e suas práticas perversas, os mesmos fins tem traiçoeiramente e maliciosamente cobrado guerra contra o atual parlamento e as pessoas nele representados", e que as "práticas, projetos e guerras perversas dele, o dito Carlos Stuart, foram e são realizadas para o avanço e defesa de um interesse pessoal de vontade, poder e fingida prerrogativa para si mesmo e sua família, contra o interesse público, direito comum, liberdade, justiça e paz do povo desta nação".[256] Refletindo o conceito moderno de responsabilidade de comando,[257] a acusação o considerou "culpado de todas as traições, assassinatos, estupros, incêndios, saques, desolações, danos e males para esta nação, realizadas e cometidas nas referidas guerras, ou causados por".[258] Estima-se que trezenta mil pessoas, ou 6% da população, morreram no conflito.[259]

Nos três primeiros dias de julgamento, Carlos se recusou a falar sempre que foi convidado a se defender,[260] afirmando sua objeção com as palavras: "Eu gostaria de saber por que poder sou chamado para cá, com que autoridade legal...?"[261] Ele afirmava que nenhum tribunal tinha jurisdição sobre um monarca,[250] que sua própria autoridade de governar havia lhe sido entregue por Deus e pelas tradicionais leis da Inglaterra, e que o poder mantido por aqueles que o julgavam era apenas a força das armas. Carlos insistiu que o julgamento era ilegal, explicando que:

Porém, o tribunal desafiava a doutrina da imunidade soberana e propunha que "o Rei da Inglaterra não era uma pessoa, mas um cargo em que cada ocupante lhe foi confiado um poder limitado para governar 'pelas e de acordo com as leis da terra e não o contrário'".[263]

Carlos foi retirado do tribunal ao final do terceiro dia,[264] então mais de trinta testemunhas contra o rei foram ouvidas em sua ausência por dois dias. Em 26 de janeiro ele foi condenado a morte. Foi levado a uma seção pública no dia seguinte, declarado culpado e sentenciado.[265] Cinquenta e nove comissários assinaram a sentença de morte.[266]

Execução[editar | editar código-fonte]

Ilustração contemporânea da decapitação de Carlos.

A decapitação foi marcada para 30 de janeiro de 1649. Dois de seus filhos permaneceram na Inglaterra sob o controle do parlamento: Isabel e Henrique. Ele receberam permissão para visitar o pai em 29 de janeiro, despedindo-se às lágrimas.[267] Na manhã seguinte, ele pediu duas camisas para impedir que o clima frio causasse quaisquer tremores notáveis que pudessem se confundir com medo:[268] [269]

Acompanhado por guardas, ele caminhou do Palácio de St. James, onde estava preso, até o Palácio de Whitehall, onde um cadafalso de execução foi erguido em frente da Banqueting House.[270] Carlos foi separado dos espectadores por grandes fileiras de soldados, com seu último discurso sendo audível apenas para aqueles próximos do cadafalso.[271] Ele culpou seu destino em seu fracasso de impedir a execução de seu fiel servidor Tomás Wentworth: "Uma sentença injusta que sofri para ter efeito, é punida agora por uma sentença injusta em mim".[272] Ele declarou que havia desejado a liberdade e independência do povo mais que ninguém, "porém devo dize-lhes que a liberdade e independência deles consiste em ter um governo ... Não é terem uma participação no governo; que nada pertence a eles. Um súdito e um soberano são coisas muito diferentes".[273] Continuou, "Partirei de uma Coroa corruptível para um incorruptível, onde nenhuma pertubação existirá".[274]

Por volta dàs 14h00min,[275] Carlos colocou sua cabeça no bloco após fazer uma oração e sinalizou ao carrasco que estava pronto esticando seus braços; ele então foi decapitado com um único golpe limpo.[276] De acordo com o observador Filipe Henrique, um gemido "como eu nunca ouvi antes e desejo que possa nunca ouvir novamente" saiu da multidão,[277] com algumas pessoas molhando seus lenços no sangue do rei como recordação.[278]

O carrasco estava mascarado e disfarçado e existem debates sobre sua identidade. Os comissários abordaram Ricardo Brandon, o carrasco de Londres, porém ele recusou, pelo menos primeiramente, apesar de receber a oferta de duzentas libras. É possível que ele tenha aceitado o serviço depois de ser ameaçado de morte, porém há outros que foram nomeados como possíveis candidatos, incluindo Jorge Joyce, Guilherme Hewlett e Hugo Peters.[279] O golpe limpo, confirmado pela examinação do corpo de Carlos em 1813,[280] sugere que a execução foi realizada por um carrasco experiente.[281]

Cromwell alegadamente visitou o caixão de Carlos cantando "Cruel Necessity!"[282]  Por Paul Delaroche, 1831. No Kunsthalle Hamburg.
Cromwell alegadamente visitou o caixão de Carlos cantando "Cruel Necessity!"[282] Por Paul Delaroche, 1831. No Kunsthalle Hamburg.
Carlos I Insultado pelos Soldados de Cromwell é uma alegoria da execução de Luís XVI e o zombamento de Jesus.[283]  Por Paul Delaroche, 1837.
Carlos I Insultado pelos Soldados de Cromwell é uma alegoria da execução de Luís XVI e o zombamento de Jesus.[283] Por Paul Delaroche, 1837.

Era uma prática comum levantadar a cabeça decapitada de um traidor e exibí-la ao público com as palavras "Vejam a cabeça do traidor!"[284] Apesar da cabeça de Carlos ter sido exibida,[285] as palavras não foram ditas, possivelmente porque o carrasco não queria que sua voz fosse reconhecida.[284] No dia seguinte, a cabeça do rei foi costurada de volta ao seu corpo, que então foi embalçamado e colocado em um caixão de chumbo.[286]

A comissão não permitiu que Carlos fosse enterrado na Abadia de Westminster, então seu corpo foi levado para Windsor na noite do dia 7 de fevereiro.[287] Ele foi enterrado na sepultura de Henrique VIII na Capela de São Jorge, Castelo de Windsor, em 9 de fevereiro.[288] Carlos II, seu filho, mais tarde planejou um elaborado mausoléu no Hyde Park, Londres, porém ele nunca foi erguido.[128]

Legado[editar | editar código-fonte]

Dez dias após sua execução, no dia de seu enterro, um livro de memórias supostamente escrito por Carlos apareceu no mercado.[286] Esse livro, Eikon Basilike ("Retrato Real"), continha uma apologia às políticas reais e mostrou-se uma eficiente peça de propaganda realista. John Milton escreveu uma réplica parlamentar, o Eikonoklastes ("Iconoclasta"), porém fez pouco progresso contra o páthos do livro realista.[289] Anglicanos e realistas criaram a imagem de martírio,[290] com Carlos sendo reconhecido como rei mártir por seus seguidores. A partir da segunda metade do século XVII, altos anglicanos passaram a comemorar seu martírio no aniversário de sua morte em igrejas como as de Falmouth e Royal Tunbridge Wells, fundadas em sua homenagem.[128]

Parcialmente inspirado por sua visita a corte espanhola em 1623,[291] Carlos se tornou um grande colecionador de arte, reunindo uma das melhores coleções já montadas.[292] Seus principais cortesãos como Jorge Villiers e Tomás Howard partilhavam do interesse e foram chamados de o Grupo de Whitehall.[293] Na espanha, ele sentou para um desenho de Diego Velázquez e adquiriu trabalhos de Ticiano e Antonio da Correggio, entre outros.[294] Na Inglaterra, suas comissões incluiam o teto da Banqueting House por Peter Paul Rubens e pinturas por outros artitas dos Países Baixos como Gerrit van Honthorst, Daniël Mijtens e Antoon van Dyck.[295] Ele comprou toda a coleção de Vincenzo II Gonzaga, Duque de Mantua, em 1627 e 1628, incluindo trabalhos de Ticiano, Correggio, Rafael, Caravaggio, Andrea del Sarto e Andrea Mantegna.[296] A coleção cresceu para incluir Gian Lorenzo Bernini, Pieter Bruegel, o Velho, Leonardo da Vinci, Hans Holbein, o Jovem, Václav Hollar, Tintoretto e Paolo Veronese, além de auto-retratos de Albrecht Dürer e Rembrandt.[297] Existiam por volta de 1760 pinturas na época de sua morte.[298]

Com a monarquia deposta, a Inglaterra se tornou uma república ou "Comunidade". A Câmara dos Lordes foi abolida pelo Parlamento das Ancas, com o poder executivo sendo assumido por um Conselho de Estado.[299] Toda significante oposição militar na Grã-Bretanha e Irlanda foi extinguida pelas forças de Oliver Cromwell na Terceira Guerra Civil Inglesa e na Conquista da Irlanda.[300] Cromwell dissolveu o Parlamento das Ancas à força em 1653,[301] assim estabelecendo o Protetorado e se colocando como Lorde Protetor.[302] Ele foi brevemente sucedido por seu filho ineficiente Richard Cromwell após sua morte em 1658.[303] O parlamento foi reinstalado e a monarquia restaurada em 1660 com o filho mais velho de Carlos I, Carlos II.[304]

A Província da Carolina na América do Norte – mais tarde Carolina do Sul e do Norte – foi nomeada em homenagem a Carlos. Ao norte na Virgínia, Cabo Carlos, Condado do Rio Carlos e Condado da Cidade de Carlos também foram nomeados em sua homenagem. O rei pessoalmente nomeou o Rio Carlos.[305]

Avaliações[editar | editar código-fonte]

Nas palavras de John Philipps Kenyon, "Carlos Stuart é um homem de contradições e controvérsias".[306] Reverenciado por Altos Tories que o consideravam como um mártir santo,[128] foi condenado por historiadores Whigs, como Samuel Rawson Gardiner, que o consideravam dúbio e delirante.[307] Nas décadas recentes, a maioria dos historiadores o criticaram,[308] com a principal exceção sendo Kevin Sharpe que ofereceu uma visão mais simpática de Carlos que não foi amplamente adotada.[309] Apesar de Sharpe afirmar que o rei era um dinâmico homem de consciência, o professor Barry Coward achou que Carlos "foi o monarca mais incompetente da Inglaterra desde Henrique VI",[310] visão partilhada por Ronald Hutton, que o chamou de "o pior rei que tivemos desde a Idade Média".[311]

Guilherme Laud, decapitado pelo parlamento na guerra, descreveu Carlos como "Um príncipe leve e gracioso que não sabia como ser, ou como ser feito, grandioso".[312] Carlos era mais calmo e refinado que seu pai,[313] porém era intransigente e deliberadamente perseguiu políticas impopulares que no final acabaram lhe trazendo a ruína.[314] Tanto Carlos quanto Jaime defendiam o direito divino dos reis, porém enquanto as ambições de Jaime sobre a monarquia absoluta eram moderadas pelo compromisso e consenso com seus súditos, Carlos acreditava que não precisava se comprometer ou mesmo explicar suas ações.[315] Ele achava que respondia apenas a Deus. "Príncipes não são obrigados a prestar contas de suas ações", escreveu, "apenas para Deus".[316]

Títulos, estilos, honras e brasões[editar | editar código-fonte]

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

Estilo real de tratamento de
Carlos I de Inglaterra
Royal Monogram of King Charles I of Great Britain.svg

Monograma Real de Carlos

Estilo real Sua Majestade
Estilo alternativo Senhor
  • 23 de dezembro de 1600 – 27 de março de 1625: "Duque de Albany, Marquês de Ormonde e Lorde Ardmannoch"[317]
  • 6 de janeiro de 1605 – 27 de março de 1625: "Duque de Iorque"[317]
  • 6 de novembro de 1612 – 27 de março de 1625: "Duque da Cornualha e Rothesay"[317]
  • 4 de novembro de 1616 – 27 de março de 1625: "Príncipe de Gales e Conde de Chester"[317]
  • 27 de março de 1625 – 30 de janeiro de 1649: "Sua Majestade, o Rei"

Seu título oficial como rei era: "Carlos, pela Graça de Deus, Rei da Inglaterra, Escócia, França e Irlanda, Defensor da Fé, etc."[318] O título de "da França" era apenas nominal e foi usado por todos os monarcas de Eduardo III até Jorge III, não importando a real quantidade de território francês controlado.[319] Os autores de sua morte o chamaram de "Carlos Stuart, Rei da Inglaterra".[320]

Honras[editar | editar código-fonte]

Brasões[editar | editar código-fonte]

Como Duque de Iorque, Carlos usava o real brasão de armas diferenciado por um lambel argente de três pés, cada um contendo um roundel goles.[322] Como Príncipe de Gales, ele usava as armas reais com um lambel argente de três pés.[323] Como rei, Carlos usava o brasão real sem diferenciação: esquatrelado, I e IV esquatrelado, azure três flores-de-lis or (pela França) e goles três leões passant guardant em pala (pela Inglaterra); II or um leão rampant dentro de um treassure flory-contra-flory goles (pela Escócia); III azure, uma harpa or com cordas argente (pela Irlanda). Na Escócia, as armas escocesas eram colocadas nos quarteis I e IV enquanto as inglesas e francesas ficavam no II.[324]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Cinco Filhos Mais Velhos de Carlos I, por Antoon van Dyck em 1637. Esquerda para a direita: Maria, Jaime, Carlos, Isabel e Ana.
Nome Nascimento Morte Notas[325]
Carlos Jaime, Duque de Rothesay e Cornualha 13 de maio de 1629 Nasceu e morreu no mesmo dia. Enterrado como "Carlos, Príncipe de Gales".[326]
Carlos II de Inglaterra 29 de maio de 1630 6 de fevereiro de 1685 Casou-se com Catarina de Bragança, sem descendência.
Maria, Princesa Real 4 de novembro de 1631 24 de dezembro de 1660 Casou-se com Guilherme II, Príncipe de Orange, com descendência.
Jaime II de Inglaterra & VII da Escócia 14 de outubro de 1633 6 de setembro de 1701 Casou-se com Ana Hyde, com descendência.
Casou-se com Maria de Módena, com descendência.
Isabel 29 de dezembro de 1635 8 de setembro de 1650 Morreu jovem.
Ana 17 de março de 1637 5 de novembro de 1640 Morreu Jovem.
Catarina 29 de junho de 1639 Nasceu e morreu no mesmo dia.
Henrique, Duque de Gloucester 8 de julho de 1640 13 de setembro de 1660 Nunca se casou ou teve filhos.
Henriqueta Ana 16 de junho de 1644 30 de junho de 1670 Casou-se com Filipe I, Duque de Orleães, com descendência.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Rubens, que atuou como representante espanhol durante as negociações de paz em Londres, pintou Landscape with Saint George and the Dragon entre 1629 e 1630.[73] A paisagem é inspirada no Vale do Tâmisa e as figuras centrais de São Jorge (patrono da Inglaterra) e da donzela lembram o rei e a rainha consorte.[74] O dragão da guerra está morto sob o pé de Carlos.[75]
  2. Por exemplo, Jaime I reinou sem parlamento entre 1614 e 1621.[85]
  3. Por comparação, um típico trabalhador de fazenda ganhava oito pence por dia, ou dez libras por ano.[90]
  4. O estatuto proibia a entrega de monopólios para indivíduos, porém Carlos burlou a restrição entregando os monopólios para companhias.[96]
  5. Foram prometidas 400 mil libras em parcelas aos escoceses.[226]

Referências

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