Carlos Maria de Bourbon e Áustria-Este

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Carlos Maria de Bourbon
Infante de Espanha
Duque de Madrid
Cônjuge Margarida de Bourbon-Parma
Maria Berta de Rohan
Descendência
Branca
Jaime
Elvira
Beatriz
Alice
Nome completo
Carlos Maria das Dores João Isidoro José Francisco Quirino Antonio Miguel Gabriel Rafael de Bourbon e Áustria-Este
Casa Bourbon
Pai João Carlos de Bourbon
Mãe Beatriz de Áustria-Este
Nascimento 30 de Março de 1848
Liubliana, Eslovênia
Morte 18 de julho de 1909 (61 anos)
Varese, Reino de Itália

Carlos Maria das Dores João Isidoro José Francisco Quirino Antonio Miguel Gabriel Rafael de Bourbon e Áustria-Este (em espanhol Carlos María de los Dolores Juan Isidro José Francisco Quirín Antonio Miguel Gabriel Rafael de Borbón y Austria-Este) (Liubliana, 30 de março de 1848 - Varese, 18 de julho de 1909), auto intitulado Duque de Madrid e Conde de la Alcarria, foi infante de Espanha, pretendente carlista ao trono espanhol (como Carlos VII) e pretendente legitimista ao trono francês (como Carlos XI).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

Carlos era filho de João de Bourbon e Bragança, conde de Montizón, e de Maria Beatriz de Áustria-Este. Seus avós paternos foram Carlos de Bourbon, Conde de Molina, infante de Espanha (filho de Carlos IV de Espanha) e Maria Teresa de Bragança, infanta de Portugal (filha de João VI de Portugal e irmã de Pedro I do Brasil e IV de Portugal); enquanto seus avós maternos foram Francisco IV de Módena e Maria Beatriz Vitória de Sabóia, princesa da Sardenha.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Quando criança, Carlos viveu com seus pai em Londres, onde seu irmão Afonso nasceu. Depois que seu pai, liberal demais para o gosto dos carlistas, deixou sua mãe, os infantes acompanharam a princesa de volta à Módena, onde passaram a viver. O duque Francisco V, irmão de Beatriz, foi o grande responsável pela educação de Carlos e Afonso e foi a principal influência no início de suas vidas. Carlos logo demonstrou sua simpatia pelo conservadorismo, muito diferente de seu pai. Devido aos seus estudos, passou a adolescência entre Praga, Veneza e Viena.

Margarida de Bourbon-Parma e Carlos de Bourbon, Duque de Madrid.

Casamentos e filhos[editar | editar código-fonte]

Casou-se em 4 de fevereiro de 1867, no Castelo de Frohsdorf, em Lanzenkirchen, com a princesa Margarida de Bourbon-Parma, filha do duque Carlos III de Parma e de Luísa de França. O casal teve cinco filhos:

  • Jaime (1870-1931), Duque de Madrid, pretendente carlista ao trono espanhol (como Jaime III) e pretendente legitimista ao trono francês (como Jacques I). Não se casou.
  • Alice (1876-1975), infanta de Espanha, casada em primeiras núpcias com o príncipe Frederico de Schönburg-Waldenburg, com descendência. Casou-se em segundas núpcias, morganaticamente, com Lino del Prete, com descendência.
Carlos e Maria de Rohan.

Margarida morreu em 29 de janeiro de 1893. No ano seguinte, Carlos decidiu casar-se novamente e pediu o auxílio da mãe na procura de uma noiva. A princesa Beatriz sugeriu-lhe duas candidatas: a princesa Teresa de Liechtenstein (filha do príncipe Alfredo de Liechtenstein) e a princesa Maria Berta de Rohan (filha do príncipe Artur de Rohan). Após conhecer as duas pretendentes, Carlos escolheu a princesa Maria Berta.
O casamento foi celebrado em 28 de abril de 1894, pelo Cardeal Schönborn, em sua capela privativa em Praga.
A nova esposa do príncipe tinha uma personalidade forte e dominadora, o que tornou este casamento bastante impopular entre os carlistas. Conforme assinalou o historiador Jaime del Burgo: "Todos os autores concordam que este segundo casamento foi desastroso, não apenas para Dom Carlos e sua família, mas também para o Partido Carlista."

Atividade política[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1868, Carlos realizou uma reunião em Londres com as principais figuras do carlismo para relançar o movimento, aproveitando a crise do regime isabelino.

Em 3 de outubro desse mesmo ano, após a renúncia de seu pai, o príncipe se tornou pretendente carlista ao trono espanhol, embora seus partidários já o considerassem rei legítimo desde 1864, quando assim foi chamado pela Princesa da Beira em sua Carta a los españoles.

Em outubro de 1869, entregou o comando político e militar do movimento a Ramón Cabrera, que renunciou no ano seguinte devido a desentendimentos tanto com Carlos quanto com outras figuras importantes do movimento carlista.

No mês de abril, após a conferência carlista realizada em Vevey, Suíça, que criou um conselho central do partido para atuar legalmente na Espanha, Carlos decidiu assumir pessoalmente o comando do movimento.

A Comunhão Católico Monárquica, presidida pelo Marquês de Villadarias, mantinha representações locais nos municípios onde o carlismo já havia sido implantado. O ideário carlista passou a ser divulgado maciçamente em eventos organizados pelo partido. Tal estratégia rendeu aos carlistas a conquista de 50 cadeiras no Câmara dos Deputados, nas eleições de 1871.

A via militar acabou por prevalecer quando Carlos deu a ordem para que seus partidários iniciassem um levante armado, em 21 de abril de 1872, dando início à Terceira Guerra Carlista. Em 2 de maio, o líder carlista cruzou a fronteira francesa com a cidade de Bera e assumiu o comando dos revoltosos, mas em 4 de maio o general Domingo Moriones invadiu seu acampamento na cidade de Oroquieta, obrigando o pretendente a safar-se em território francês e encerrando, temporariamente, a insurreição no País Basco e em Navarra.

Em 16 de julho de 1873, Carlos cruzou novamente a fronteira, dessa vez por Zugarramurdi, e atravessou todo o País Basco e Navarra com seu exército, concentrando-se principalmente em Estella e Durango.

Entretanto, com a derrota definitiva das forças carlistas em 28 de fevereiro de 1876, Carlos voltou ao exílio.
Após uma breve estadia na França e no Reino Unido, foi para os Estados Unidos e México. Quando retornou à Europa, fixou-se em Paris, mas foi expulso em 1881 e acabou estabelecendo-se em Veneza.

Em 1879, nomeou Cândido Nocedal como seu representante na Espanha, mas sua política gerou desentendimentos e divisões entre os carlistas espanhóis, obrigando Carlos a assumir novamente a chefia do movimento após a morte de Cándido, em 1885, até 1890.

Morte[editar | editar código-fonte]

Carlos morreu em Varese, em 19 de julho de 1909, aos 61 anos de idade, sendo sucedido por seu filho Jaime. Seu corpo foi sepultado na Catedral de San Giusto, em Trieste.

O infante deu forma definitiva à ideologia conservadora, o que o tornou o pretendente mais significativo de toda a linha carlista.

Nota[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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