Carlson Gracie

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Carlson Gracie (13 de agosto de 19321 de fevereiro de 2006) foi um mestre de Jiu-Jítsu brasileiro, primogênito do introdutor da arte marcial no Brasil, Carlos Gracie. [2]

Carlson iniciou sua carreira como lutador profissional aos dezesseis anos de idade em um evento contra Waldemar Santana. O oponente Waldemar possuía pouco mais de 90 quilos e havia derrotado seu tio Hélio, que era 30 quilos mais leve, em um épico combate de três horas e quarenta minutos, realizado em 1954.

Seis meses depois, após a derrota do tio, Carlson subiria ao ringue para vingar sua família em um combate que duraria quarenta minutos, e que a imprensa da época batizou de "um massacre". Essa foi a primeira das quatro lutas travadas contra Waldemar (duas vitórias, dois empates) no cartel de Carlson, que ao todo teve dezenove lutas profissionais e apenas uma derrota.

Carlson Gracie, juntamente com seu colega de treino Pedro Hemetério, defendeu por muitos anos o nome da Academia Gracie e deu continuidade à série de desafios que a família Gracie fazia contra praticantes de outras artes marciais. Esses desafios tinham como objetivo firmar o Jiu-Jítsu brasileiro como a mais efetiva forma de combate e autodefesa.

Após se aposentar do vale-tudo, Carlson se dedicou ao ensino do Jiu-Jítsu e sua extinta equipe, a "Arrebentação", reteve a hegemonia nos campeonatos de meados da década de 1970 a meados da década de 1990. Carlson formou vários faixas-pretas renomados, como: Sérgio Iris, o "Serginho de Niterói", Gutenberg Melo, Fernando Pinduka, Crezio de Souza, Cleiton Chavez (O Bubina), Banni Cavalcante, Cássio Cardoso, Élcio Figueiredo, Peixotinho, Luiz Cláudio Isaías de Sousa, Ricardo de La Riva, Murilo Bustamante, Amaury Bitetti, Vitor Belfort, Vauvenargues "Marinho" Vicentini, Ricardo Libório, Zé Mario Sperry, Wallid Ismail, Guigo Villanueva, Fábio Fernandes, Victor Vargas Viana, Carlos Alexandre "Penão", Edson "Baiano" Carvalho e Ilídio Cavalcante, entre muitos outros.

Dotado de uma personalidade polêmica, de fala alta, sempre gesticulando, o Gracie aficionado por lutas que íam desde desafios no Jiu-Jítsu e vale-tudo até rinhas de galo. Carlson possuía uma habilidade ímpar para treinar lutadores, conseguia dizer após poucos minutos de contato se um praticante seria ou não campeão. Muitos achavam estranha essa facilidade em identificar campeões de maneira tão simples, mas suas expectativas acabavam se concretizando e sua academia conquistava cada vez mais novos adeptos e os tranformava em campeões.

Seu gosto era exótico, gostava de música francesa, era fluente em francês e possuía uma memória capaz de gravar centenas de verbetes do dicionário. Curiosamente, mesmo radicado por muitos anos nos Estados Unidos, negou-se a aprender a língua do país em que morava.

Mestre Carlson, como assim era chamado por alunos e praticantes de Jiu-Jítsu que o conheciam, sempre foi um grande treinador mas não possuía habilidade para lidar com negócios. Essa falta de aptidão comercial, somada á paixão por ensinar seus alunos, lhe fez treinar muitos jovens vindos de famílias de baixa renda sem cobrar por isso. O acordo não oficial era que esses jovens devolvessem o investimento que lhes era feito, doando ao mestre parte das premiações ganhas nos eventos que participassem.

Como o valor dessas premiações começaram a se tornar maiores e mais expressivas e não havia um contrato que obrigasse esses atletas a cederem parte de suas bolsas, muitos de seus alunos deixaram sua célebre academia da rua Figueiredo Magalhães, número 414, em Copacabana, no ano de 1999, e deram origem à famosa Brazilian Top Team e, futuramente, à equipe de MMA noteamericana American Top Team.

Alguns escudeiros, no entanto, acompanharam o professor até o final, como Osvaldo Paquetá, Wallid Ismail, Luis Carlos Matheus, "Manimal", Crezio de Souza, Cleiton Chavez (Bubina), Ari Fernando, Ari Galo, Alan Moraes e Marcelo Saporito.

Carlson foi condecorado como faixa vermelha 9º grau pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu, mesmo não dando muita importância para isso, uma vez que sempre usou uma faixa preta lisa e sem graus para amarrar o kimono com o qual dava aulas.

O Gracie faleceu no dia 1 de fevereiro de 2006, vítima de parada cardíaca, após infecção generalizada provocada por cálculo renal, no hospital Lincoln Park, em Chicago, onde mantinha uma academia de Jiu-Jítsu.

Seus ensinamentos, legado e história são lembrados por seus alunos e praticantes de Jiu-Jítsu que procuram entender um pouco mais da filosofia da "arte-suave" e quem foram os mestres que a fizeram popular em todo o mundo.

Referências