Carmen Mayrink Veiga

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Carmen Mayrink Veiga
Nome completo Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga
Nascimento 24 de abril de 1929 (84 anos)
Pirajuí,  Brasil
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Socialite

Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga (Pirajuí, São Paulo, 24 de abril de 1929), mais conhecida como Carmen Mayrink Veiga, é uma famosa socialite brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de Maria de Lourdes de Lacerda Guimarães e Enéas Solbiati,[1] , nasceu numa tradicional família do sudeste brasileiro, sendo sua irmã, Nerina Roseli Solbiati Lara Campos. Pelo lado materno, é neta do barão de Arari e sobrinha-neta do barão de Araras, sendo sua mãe prima-irmã de Ana Paulina de Lacerda Guimarães, esta, casada com Antônio Álvares Leite Penteado, depois titulado pela Santa Sé, na pessoa do papa Pio X, como o conde de Álvares Penteado, sendo os últimos, pais de Armando Álvares Penteado, cuja metade da herança, como o mesmo manifestou no seu testamento, seria utilizada para a construção duma fundação. A instituição, quando fundada, foi escolhida chamar-se Fundação Armando Álvares Penteado, cujo acrônimo é FAAP. Também, sua mãe vem a ser prima-irmã do senador Antônio de Lacerda Franco, também banqueiro e fazendeiro.

Por via paterna, Carmen é descendente de elementos duma rica família de Milão, àquela época cidade pertencente ao Reino Lombardo-Vêneto (a partir de 1861 capital do Reino de Itália), que estabeleceram-se em território brasileiro no início do segundo reinado (1831-1889) do Império do Brasil (1822-1889), atuando na produção cafeeira e no sistema bancário da província de São Paulo. Seu pai foi cônsul honorário do Reino da Itália na localidade e financista no interior paulista.

Carmen, já famosa no mundo da moda, freqüentadora assídua dos desfiles da alta costura francesa, atraiu a imprensa especializada como a Paris Match quando casou-se, à 25 de junho de 1956, com o empresário Antônio Alfredo Mayrink Veiga, filho do senador Antenor Mayrink Veiga e herdeiro duma fortuna multimilionária proveniente da empresa Casa Mayrink Veiga. Eles tem dois filhos: Antenor e Tereza Antônia.

A empresa Casa Mayrink Veiga foi a representante de fornecedores de armamentos para o exército brasileiro e guarda nacional, desde a época do Império do Brasil (1822-1889), até os anos 1980 da atual República brasileira, sendo, após essa data, a própria fabricante dos armamentos. Acumulando uma vultosa fortuna com a guerra do Paraguai (1864-1870), e entre outros negócios que era dona, estão a rádio Mayrink Veiga, que foi fechada após o golpe militar de 1964.

O casal, considerado por Truman Capote, Diana Vreeland e Anna Wintour, na revista Vogue estadunidense, como "as pessoas mais chiques da América do Sul", participou de diversos eventos do jet set internacional, entre caçadas com nobres europeus, e festas com multimilionários de diversos países, inclusive costumava fazer muitas festas na sua residência e transportava convidados à bordo de supersônicos Concorde para temporadas de caça na Inglaterra, França e Áustria. Foi retratada por artistas como Portinari, Pablo Picasso, Romero Britto, Andy Warhol e Di Cavalcanti, e fotografada por Francesco Scavullo, Richard Avedon, Mario Testino, Bob Wolfenson, Miró, Tuca Reinés e outros. Recebeu muitas homenagens de artistas, sendo uma das mais polêmicas o videoclipe da música "Imitation of life" da banda R.E.M., que mostra caricaturas inspiradas em Carmen, Madonna e Demi Moore. Quando o videoclipe estava para ser produzido, Carmen causou admiração quando, depois de comparecer à entrega do Óscar, demorou 20 minutos para desembarcar de uma limusine para o jantar oferecido por Madonna e Demi Moore em Los Angeles. A demora foi devido ao tamanho do vestido de Carmen, que entrou no salão ao lado de Madonna. Carmen faz parte das listas das mulheres mais elegantes do Brasil e, em 1981, entrou para a seleta lista das pessoas mais bem vestidas do mundo, da revista Vanity Fair.[2] É, também, a única brasileira citada na biografia oficial de Yves Saint Laurent e listada nos registros de clientes da alta costura de Paris desde adolescente.

No entanto, o casal esteve em delicada situação financeira em 1996, junto a outros banqueiros brasileiros, por isso, a revista Veja publicou uma entrevista com Carmen que causou tanto furor no Brasil quanto em outros países. O negócio da Casa Mayrink Veiga começou a enfrentar dificuldades quando a empresa, de representante, passou a fabricante de armamentos, em 1982. Na década de 1990, entrou em crise. Segundo Antônio Alfredo (Tony), os problemas começaram com o Plano Collor (1991-1993) e o bloqueio de contas bancárias, além da falência da empresa britânica Ferranti, de um de seus sócios. Para pagar as dívidas, os Mayrink Veiga tiveram que se livrar dos bens, inclusive o retrato de Carmen, pintado por Cândido Portinari, em 1959. "Não sinto falta dessas coisas. Aproveitei bastante e não me arrependo de nada", diz Carmen. "Mas vou ficar com saudade de meu Portinari", completa. O casal leiloou centenas de obras de arte, tapeçarias persas exclusivas para realezas do século XVIII, um serviço de porcelana Imari para 200 pessoas, jatos Gulfstream, carros de luxo, incluindo seu Rolls-Royce 1951, e jóias pessoais, além de algumas propriedades rurais e urbanas, tudo para saldar dívidas. Com o leilão realizado em 2008 as dívidas foram quitadas e o casal permanece em seu mega-apartamento de quase 1.000 metros quadrados de frente para o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, repleto de preciosidades, como o retrato de Carmen pintado por Portinari que, por decisão de Carmen, foi comprado pelo próprio casal no leilão.

Carmen escreveu o livro ABC de Carmen, publicado pela Editora Globo em 1997, sobre etiqueta e seu estilo pessoal. Foi convidada para atualizar e comentar, para a América do Sul, o O Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt, publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira.

Em 2003, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Rio de Janeiro, organizou uma exposição com 67 de seus mais de 400 vestidos de alta costura - uma coleção considerada rara pelos especialistas em arte e alta moda. A iniciativa ajudou estudantes, consumidores e amantes da moda a verem de perto uma moda tão exclusiva.[3]

O casal Carmen e Antônio (Tony) Mayrink Veiga, já idoso, também enfrenta problemas de saúde. Tony teve um infarto e Carmen sofre de Paraparesia Espástica Tropical, doença que limita seus movimentos; então, tornou-se ativista pela causa dos cadeirantes, conseguindo que rampas de acesso e outras facilidades que são indispensáveis para deficientes físicos fossem instaladas em grandes hotéis como o Copacabana Palace, restaurantes e em patrimônios tombados como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que ganhou um elevador panorâmico específico para cadeirantes, que Carmen inaugurou.[4] [5] [6] Carmen também é conhecida por ser expert em porcelanas orientais, arte e gemas preciosas e, principalmente, conhecida por sua paixão por gatos, incentivando a castração e adoção de gatos de rua que não são mais 'vira-latas', Carmen conseguiu criar a raça "Gato Brasileiro Tigrado Pêlo Curto" para os gatos que antes não tinham raça definida, considerados 'vira-lata'.

Referências

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