Carmen Miranda

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Carmen Miranda
Carmen Miranda no filme Entre a Loura e a Morena, 1943
Nome completo Maria do Carmo Miranda da Cunha
Apelido(s) Pequena Notável
Brazilian Bombshell
Ditadora Risonha do Samba
Nascimento 9 de fevereiro de 1909
Marco de Canaveses, Distrito do Porto,  Portugal
Morte 5 de agosto de 1955 (46 anos)
Beverly Hills,  Estados Unidos
Ocupação atriz e cantora
Atividade 1928-1955


Maria do Carmo Miranda da Cunha GOIH (Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909Los Angeles, 5 de agosto de 1955), mais conhecida como Carmen Miranda, foi uma cantora e atriz luso-brasileira.[1] [nota 1] Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão.[2]

O primeiro grande sucesso foi Ta-hi!, de Joubert de Carvalho lançada em 1930 e que foi recorde de vendas, ultrapassando a marca de 36 mil cópias[3] , a música alcançou uma popularidade tão grande que, em menos de seis meses, Carmen Miranda já era a cantora mais famosa do Brasil. No ano seguinte, ela viajou para o exterior pela primeira vez como uma artista renomada, quando foi para a Argentina com os cantores Francisco Alves, Mário Reis e com o bandolinista Luperce Miranda. Ela retornou à Argentina mais oito vezes, entre os anos de 1933 e 1938.[4] Carmen se tornou a primeira artista de rádio a assinar contrato com uma emissora, quando na época todos recebiam somente cachês.[5]

Quando estava em temporada no Cassino da Urca, foi contratada pelo o magnata do show business Lee Shubert, para ser uma das atrações do seu espetáculo “The Streets of Paris”, que estrearia na Broadway. Este foi o episódio que transformou a vida de quem mais tarde viria a ser conhecida como "The Brazilian Bombshell".[6]

Em 1940, Carmen fez sua estreia no cinema dos Estados Unidos no filme Serenata Tropical, com Don Ameche e Betty Grable, suas roupas exóticas e sotaque latino tornou-se sua marca registrada.[7] No mesmo ano, ela foi eleita a terceira personalidade mais popular nos Estados Unidos, e foi convidada para se apresentar junto com seu grupo, o "Bando da Lua", para o presidente Franklin Roosevelt na Casa Branca.[8] Carmen Miranda é conhecida pelos penduricalhos ao pescoço e às frutas tropicais que lhe ornamentavam a cabeça.[9]

Em junho de 1946, o Tesouro americano divulgou suas arrecadações do ano fiscal de 1945, referentes aos ganhos dos contribuintes em 1944. Com os $201.458 dólares que lhe tinham sido pagos pela Fox “em salários, bônus e outras compensações”, Carmen Miranda fora a mulher que mais ganhara dinheiro nos Estados Unidos - talvez no mundo - aquele ano.[10]

Fez um total de catorze filmes em Hollywood entre 1940 e 1953. Embora aclamada como uma artista talentosa, sua popularidade diminuiu até o final da Segunda Guerra Mundial. O seu talento como cantora e performer, porém, muitas vezes foi ofuscado pelo caráter exótico de suas apresentações. Carmen tentou reconstruir sua identidade e fugir do enquadramento que seus produtores e a indústria tentavam lhe impor, mas sem conseguir grandes avanços. De fato, por todos os estereótipos que enfrentou ao longo de sua carreira, suas performances fizeram grandes avanços na popularização da música brasileira, ao mesmo tempo, abrindo o caminho para o aumento da consciência de toda a cultura Latina.[11]

Carmen Miranda foi a primeira "estrela" latino-americana a ser convidada a imprimir suas mãos e pés no pátio do Grauman's Chinese Theatre, em 1941. Ela também se tornou a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama.[12] Carmen é considerada a precursora do Tropicalismo no Brasil, movimento cultural da década de 1960.[13]

Em 20 anos de carreira deixou sua voz registrada em 279 gravações no Brasil e mais 34 nos EUA, num total de 313 gravações. Um museu foi construído mais tarde, no Rio de Janeiro, em sua homenagem.[14] Em 1995 ela foi tema do aclamado documentário Carmen Miranda: Bananas Is My Business, dirigido por Helena Solberg,[15] uma interseção no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive em frente ao Teatro Chinês em Hollywood foi oficialmente nomeada "Carmen Miranda Square", em setembro de 1998.[16] Até hoje, nenhum artista brasileiro teve tanta projeção internacional como ela.[17]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

Travessa do Comércio, Praça 15, Centro do Rio. No início do século XX, a Travessa já era um dos mais importantes núcleos de imigrantes portugueses do Rio. No sobrado de n° 13 funcionava a pensão e residência de D.Maria, mãe de Carmen Miranda. Ali Carmen e sua família viveram seis anos.[18]

Carmen Miranda foi batizada com o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha na igreja da freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, concelho de Marco de Canaveses.[19] Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto da Cunha (Marco de Canaveses, Várzea da Ovelha e Aliviada, 17 de Fevereiro de 1887 - 21 de Junho de 1938) e de sua mulher, Maria Emília Miranda (Marco de Canaveses, Várzea da Ovelha e Aliviada, 10 de Março de 1886 - Rio de Janeiro, 9 de Novembro de 1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu tio Amaro tinha por óperas.

A emigração da família para o Brasil já estava marcada. Entretanto, ao ver-se grávida, a mãe de Carmen preferiu aguardar. Pouco depois de seu nascimento, seu pai, José Maria, emigrou para o Brasil,[20] onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda, e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade.[21] [20] Carmen nunca voltou ao país onde nascera. A câmara municipal de Marco de Canaveses deu seu nome ao museu municipal.

No Rio de Janeiro, seu pai abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, número 70, em sociedade com um conterrâneo. A família estabeleceu-se no sobrado acima do salão. Mais tarde mudaram-se para a rua Joaquim Silva, número 53, na Lapa.

No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro (1911), Cecília (1913-2011), Aurora (1915 - 2005) e Oscar (1916).[20]

Carmen estudou na escola de freiras Santa Teresa, na rua da Lapa, número 24. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas, e depois numa chapelaria. Contam que foi despedida por passar o tempo cantando, mas o seu biógrafo Ruy Castro diz que ela cantava por influência de sua irmã mais velha, Olinda, e que assim atraía clientes[22] .

Nesta época, a sua família deixou a Lapa e passou a residir num sobrado na Travessa do Comércio, número 13. Em 1925, Olinda, acometida de tuberculose, voltou a Portugal para tratamento, onde permaneceu até sua morte em 1931. Para complementar a renda familiar, sua mãe passou a administrar uma pensão doméstica que servia refeições para empregados de comércio.

Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita em uma fotografia na sessão de cinema do jornalista Pedro Lima da revista Selecta. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que encantado com seu talento passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano, gravou na editora alemã Brunswick, os primeiros discos com o samba Não Vá Sim'bora e o choro Se O Samba é Moda. Pela gravadora Victor, gravou Triste Jandaya (grafia original) e Dona Balbina ou "Buenas Tardes muchachos".[22]

Carreira[editar | editar código-fonte]

O início da carreira artística e consagração[editar | editar código-fonte]

Alô... Alô?
Interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, gravado em 1934

Chegou a Hora da Fogueira
Interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, gravado em 1933

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No estúdio da Rádio Mayrink Veiga, 1932, o jovem Manuel de Nóbrega, aos 19 anos (2º em pé da esq para dir) Carmen e Aurora Miranda (sentadas) segurando a flauta Pixinguinha.

Em 1928, o deputado baiano Aníbal Duarte, que almoçava na pensão dirigida por Maria Emília Miranda, apresentou Carmen a Josué de Barros. Josué trabalhava na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto e levou Carmen para atuar na emissora. Ele queria ouvir sua voz em disco, então a apresentou ao diretor da Brunswick e em 1929, ela gravou sua primeira música - o samba "Não vá simbora", com autoria de Josué. Carmen foi então apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor, onde ela iniciou sua carreira gravando "Dona Balbina" e "Triste Jandaia". Meses depois foram lançadas as musicas "Barucuntum" e "Iaiá Ioiô".[23]

O famoso compositor e médico Joubert de Carvalho escutou em disco Carmen cantar a música Triste Jandaia enquanto passava pela Rua Gonçalves Dias, ponto de encontro de músicos e compositores, e insistiu que alguém o apresentasse à cantora. Feitas as apresentações, Joubert revelou que queria escrever algo especial para ela. Ele compôs a música Taí com a marcha-canção Pra Você Gostar de Mim. A música foi um sucesso e o disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde para a época, Carmen era então aclamada pela crítica como a maior cantora do Brasil.[24]

Em 1933 ajudou a lançar a irmã Aurora na carreira artística. No mesmo ano, assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga para ganhar dois contos de réis por mês. Foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando a praxe era o cachê por participação. Logo recebeu o apelido de "Cantora do It".[nota 2]

Carmen Miranda, estampa a capa da revista "A Scena Muda" em fevereiro de 1935.

Apesar de Carmen não ser especificamente uma sambista (apesar de lhe terem atribuído esse título), chegou a gravar mais de vinte canções entre Tangos (um de seus gêneros favoritos), Foxtrote, Marchas de carnaval e Lundu; dos mais populares autores brasileiros, como Ary Barroso, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e Assis Valente. A carreira seguiria de vento em popa, Carmen excursionou por todos os estados do Brasil e logo começou a fazer sucesso nos países da América Latina.[25] Em 30 de outubro de 1933, realizou sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires[22] . Voltou à Argentina no ano seguinte para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano. Também passou a estrelar vários filmes na época, ao todo ela fez sete filmes no Brasil – a maioria, perdidos. Ela passou a ser chamada de "A Pequena Notável" - por causa da estatura baixa.

Em dezembro de 1936, Carmen deixou a Mayrink Veiga e assinou com a Tupi, ganhando semanalmente 1 conto de réis.

Carmen une-se posteriormente ao Bando da Lua, e com eles começa a fazer turnês pelo Brasil, apresentando-se e acompanhada pelo conjunto Diabos do Céu, de Pixinguinha grava canções como "Anoiteceu" e "Tempo perdido".[26]

Em novembro de 1937, findo o primeiro contrato de Carmen com a Tupi, a Mayrink a chamou de volta por seis contos de réis mensais, reafirmando sua condição de a artista mais bem paga do rádio brasileiro - muito à frente de Francisco Alves, com quatro contos, e de Sylvio Caldas, com três, ambos na Mayrink.[27]

Dois anos depois de ingressar na Odeon, ela já era o mais popular e bem pago nome da música brasileira. Foi então que assumiu a condição de estrela principal do Cassino da Urca.[28]

Carreira cinematográfica no Brasil[editar | editar código-fonte]

Com Mesquitinha e Barbosa Júnior no filme Estudantes, 1935.

Em 1926, apareceu como figurante no filme A Esposa do Solteiro, e quatro anos depois assinou contrato para Degraos da Vida, que não chegou a ser rodado. Os filmes estrelados por Carmen Miranda são uma marca na sua carreira. O primeiro, O Carnaval Cantado, estreou em 1932, dirigido por Adhemar Gonzaga, que também assinou a direção do segundo longa, A Voz do Carnaval, no ano seguinte.[29]

Em 1933, canta as marchas "Good-Bye Boy" e "Moleque Indigesto", documentário nos moldes de Carnaval Cantado. Em 1934, canta duas músicas no filme "Alô, Alô, Brasil", tendo a ela sido concedida a última apresentação do filme, geralmente dada ao artista principal.

Com o sucesso do filme, é convidada para participar, em 1935 do filme "Estudantes", pela primeira vez como protagonista. O êxito do filme levou a Cinédia a chamá-la para um novo filme: "Bonequinha de Seda". Esta, por algum motivo não elucidado - provavelmente viagem à Argentina - não aceitou o papel, que foi dado a Gilda de Abreu.

Em 20 de janeiro de 1936, estreou o filme Alô, Alô Carnaval com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam "Cantoras do Rádio". Neste mesmo celulóide, canta uma música sozinha no palco. No mesmo ano, as duas irmãs passaram a integrar o elenco do Cassino da Urca de propriedade de Joaquim Rolla. A partir de então as duas irmãs se dividiram entre o palco do cassino e excursões frequentes pelo Brasil e Argentina.[2]

Quase todos os musicais tiveram como tema o Brasil e o carnaval, mas foi o último filme, Banana da Terra, de 1939, que instaurou o estilo que consagrou Carmen Miranda no mundo todo. Ela apareceu interpretando O Que é que a Baiana Tem?, usando as famosas roupas de baiana, turbantes, as altíssimas sandálias de plataforma e os inúmeros colares e pulseiras.[30]

No total, Carmen Miranda fez 19 filmes, sendo que 5 no Brasil e 14 nos Estados Unidos. Entre um filme e outro, em 1933, sua irmã mais nova, Aurora, passou a se apresentar ao seu lado, também como cantora. O apelido de "Pequena Notável", estimulado pelo 1,53 metro de altura, foi dado nessa época, pelo radialista César Ladeira, com quem trabalhou na Rádio Mayrink Veiga.[31]

Depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power em 1938, aventou-se a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos. Carmen recebia o fabuloso salário de 30 contos de réis mensais no Cassino da Urca e não se interessou pela ideia.

Quando se apresentava na Urca, nos dias que antecederam o carnaval de 1939, vestida de baiana e cantando O que é que a Baiana Tem?, acompanhada pelo Bando da Lua, Carmen chama a atenção de Lee Shubert, grande produtor norte-americano, dono da Select Operating Corporation, que administrava metade dos teatros da Broadway, o empresário ficou impressionado com o seu talento e a contrata para seu espetáculo “The Streets of Paris”.[32] A execução do contrato não foi imediata, pois a cantora fazia questão de levar o grupo musical Bando da Lua para a acompanhar, mas o Shubert estava apenas interessado em Carmen[2] . O impasse foi resolvido graças à intervenção de Alzira Vargas, que garantiu o embarque dos integrantes do Bando da Lua.[33] Carmen partiu no navio SS Uruguay em 4 de maio de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A carreira nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Com Abbott & Costello em Streets of Paris, 1939.
"Carmen Miranda é a mulher mais bem paga", diz a manchete do jornal The Age em junho de 1946.

Protagonista de uma carreira meteórica, Carmen conseguiu uma projeção internacional como nenhuma outra artista do país, primeiro na Argentina e outros países da América Latina e depois nos Estados Unidos, Europa e em todo o mundo. Nos Estados Unidos, a carreira de Carmen Miranda e sua imagem ganharam novas conotações. Carmen foi inicialmente contratada para trabalhar na Broadway fazendo performances musicais em grandes teatros e casas de entretenimento, já em 1940 começa a atuar também na indústria cinematográfica. Sempre acompanhada nos palcos e nos filmes do Bando da Lua. Com os filmes hollywoodianos Carmen sedimentou sua popularidade no país e se tornou uma estrela internacional.[34]

Em 29 de maio de 1939, estrelou a revista musical The Streets of Paris com a dupla de comediantes Abbott & Costello (de quem logo roubaria a cena),[35] em Boston e em seguida na Broadway,[36] [37] com êxito estrondoso de público e crítica. As suas participações teatrais tornaram-se cada vez mais famosas. Em 5 de março de 1940, fez uma apresentação perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.[38] Neste mesmo ano ela fez sua primeira aparição no cinema norte-americano; foi em Serenata Tropical, da 20th Century-Fox, em que Carmen apenas canta. O filme estreou em outubro daquele ano e bateu recordes de bilheteria.

Em pouco tempo fez participações em programas de grande audiência, cantando músicas como Mamãe Eu Quero, Tico-tico no Fubá, O que é que a Baiana Tem? e South American Way, tornando-se um fenômeno também nos EUA. Em 1945 era a mulher mais bem paga de Hollywood, segundo o Departamento do Tesouro Americano ganhando mais de 200 mil dólares no ano (2,2 milhões de dólares em 2010 ajustados pela inflação)[39] [40] [41]

Fabricada pelos filmes da 20th Century Fox sua imagem acabou criando um inconveniente para si própria: ela percebeu que estaria aprisionada a imagem da The Brazilian Bombshell para sempre. O seu talento como cantora e performer, porém, muitas vezes foi ofuscado pelo caráter exótico de suas apresentações. Como contratada da Fox, ela era obrigada a forçar um sotaque latino caricato, mesmo falando inglês perfeitamente. Seu inglês foi considerado como um demonstrativo de sua ignorância, o que foi imortalizado pela expressão "Bananas is my business".[42] Destemida, Carmen comprou seu contrato com a Fox por 75 mil dólares em 1946. Ela estava disposta a romper com o estereótipo da Brazilian Bombshell afim de mudar sua imagem e assumir papéis diferentes no cinema.[43] Entre os atores com quem contracenou, estão nomes importantes da antiga Hollywood, como Alice Faye, Betty Grable, Jane Powell, Elizabeth Taylor, Vivian Blaine, Don Ameche, Dean Martin, John Payne e Cesar Romero. Seus filmes mais importantes foram Uma Noite no Rio (1941), Aconteceu em Havana (1941), Minha Secretária Brasileira (1942), Entre a Loura e a Morena (1943), Serenata Boêmia (1944), Alegria, Rapazes! (1944) e em 1947, com Groucho Marx, Copacabana.

Carmen Miranda em 1941.

De 1940 à 1953 atuou em 14 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos. A Política de Boa Vizinhança, implementada pelos Estados Unidos para buscar aliados na Segunda Guerra Mundial, incentivou a imigração de artistas latino-americanos. Apesar de Carmen ter obtido o sucesso nos EUA muito antes da implantação desta política (o personagem Zé Carioca de Walt Disney esta muito mais associado a isto), ela acabou se tornando o modelo mais bem sucedido do projeto.[2] . No fim dos anos 40 ela excursionou por toda a Europa, fez longa temporada no Teatro London Palladium em Londres, batendo recordes de público, e até chegou a receber simbolicamente as chaves da cidade de Estocolmo, capital da Suécia.[44] [45]

Ela se consagrou em 1941, ao ser a primeira e única luso-brasileira até hoje, a gravar as mãos e plataformas no cimento da calçada da fama do Teatro Chinês em Los Angeles. Em 8 de fevereiro de 1960 ganhou uma estrela póstuma na Calçada da Fama da Hollywood Boulevard.[46] Carmen era a principal atração do Copacabana Night Club, famosa boate nova-iorquina, fundada em 1940 e que existe até hoje em Manhattan. O cartaz do "The Copa" é desde aquela época uma gravura estilizada de Carmen, em homenagem a cantora.[47]

Carmen Miranda tornou-se um "hit" nos EUA. Ela apareceu em desenhos animados Tom & Jerry, Popeye e Looney Tunes[48] . Foi imitada e caricaturada por Lucille Ball, Bob Hope, Jerry Lewis, Mickey Rooney e Dean Martin. A imagem de Carmen era muito forte, cômica, engraçada, caricata. Acabou-se criando um verdadeiro estereótipo, o que nem sempre é positivo. Mesmo assim, ela foi sem dúvidas foi a artista latina mais bem sucedida nos EUA em Hollywood, e lá sua imagem ainda hoje é mais forte do que no Brasil.[49]

Crítica[editar | editar código-fonte]

O figurino extravagante e peculiar, inspirado nas roupas das tradicionais baianas, ganhou o apelido de Miranda Look em Hollywood, na década de 40,[50] seus turbantes e balangandãs foram copiados e expostos em vitrines de lojas,[51] como cantora vendeu mais de 10 milhões de discos no mundo todo, ficou conhecida como a "The Brazilian Bombshell" (A Explosão Brasileira)[nota 3] alusão ao frenesi que causava em suas apresentações.[52] [53] [54] [55]

A exótica baiana agradou aos norte-americanos, mas despertou polêmica entre os brasileiros, com suas vestes estilizada e o arranjo de frutas tropicais que carregava sobre a cabeça – marcas definitivas de sua imagem – Carmen Miranda, acabou por expor ao mundo uma visão caricata e estereotipada do Brasil. No auge da “política da boa vizinhança” entre os Estados Unidos e a América do Sul, sua imagem latina era explorada pelos estúdios à exaustão. Tal exposição internacional fez despertar na intelectualidade brasileira um certo sentimento de desprezo por sua figura.[56]

Cquote1.svg "Não é certo nem verdadeiro, que eu tenha afirmado nos Estados Unidos a minha nacionalidade, sou brasileira, porque aqui me encontro desde a idade de um ano; e nesta terra me eduquei e fiz minha carreira artística. É ao povo brasileiro — aos meus patrícios — que devo todo este incentivo, todo este aplauso, todas estas homenagens. E não ha, sequer, uma entrevista minha, em qualquer órgão de imprensa, em que não tivesse sempre reafirmado, categoricamente, este meu amor, este meu meu carinho, esta minha admiração pelo Brasil."[57] Cquote2.svg
Carmen Miranda fala para o Jornal do Brasil, após seu retorno dos Estados Unidos em julho de 1940.

Em uma apresentação no Cassino da Urca com a presença de políticos importantes do Estado Novo, foi apupada pelos que a consideravam "americanizada". Entre os seus críticos havia muitos que eram simpatizantes de correntes políticas contrárias aos Estados Unidos[22] .

Dois meses depois, Carmen voltaria ao mesmo palco e seria fartamente aplaudida por uma platéia mais afeita ao seu repertório, então já atualizado com respostas como "Disseram que Voltei Americanizada", especialmente composta por Vicente Paiva e Luiz Peixoto, no mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil.[58] Eles não podiam perceber que ela, a seu modo, resistia à americanização já anunciada em 1940, talvez o antiamericanismo de Carmen não estivesse em nenhuma grande manifestação pública de nacionalismo. Talvez a resistência sutil fosse a forma encontrada para suportar a máquina americana do show business.[59]

Vida amorosa e casamento[editar | editar código-fonte]

Carmen Miranda sorri com David Sebastian ao assinarem juntos sua certidão de casamento em Los Angeles, 1947.

Em 17 de março de 1947 casou-se com o americano David Alfred Sebastian, nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908. O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência moral e física. Seu marido, David, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se "empresário" de Carmen e conduzia mal seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e pode ter estimulado Carmen Miranda a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente. O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, por conta de ciúmes excessivos, brigas violentas e traições de David, mas Carmen Miranda não aceitava o desquite pois era uma católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu um aborto espontâneo depois de uma apresentação e não conseguiu mais engravidar, o que agravou suas crises depressivas e o abuso com bebidas e remédios sedativos.[60] [61]

Antes de partir para os Estados Unidos e antes de conhecer o marido, namorou o jovem Mário Cunha e o bon vivant Carlos da Rocha Faria, filho de uma tradicional família do Rio de Janeiro e também o músico Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.[22] Já nos EUA, manteve caso com o mexicano Arturo de Córdova, os americanos Dana Andrews, Harold Young e John Wayne, e o brasileiro Carlos Niemeyer.[62] [63]

Dependência de barbitúricos[editar | editar código-fonte]

Desde o início de sua carreira americana, Carmen fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda extenuante. Adquiria as drogas com receitas médicas pois, na época, elas eram receitadas pelos médicos sem muitas preocupações com efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, tornou-se dependente de vários outros remédios, tanto estimulantes quanto calmantes. Por conta do uso cada vez mais frequente, Carmen desenvolveu uma série de sintomas característicos do uso de drogas, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa (cansaço) por médicos americanos.

Foi numa tarde em 1942. A Igreja estava vazia, a não ser uma moça que rezava contritamente diante do altar de Nossa Senhora das Graças. Uma senhora havia me trazido uma criança para batizar, mas, por morar muito longe daqui, e não poder pagar as passagens para alguém vir, não trouxera madrinha para o filho. Aproximei-me, então, da moça que orava e perguntei-lhe se me faria aquele favor, de repetir, pela criança, as palavras do batismo. Ela concordou imediatamente, serviu como madrinha do bebê. Depois. mandou o seu carro branco buscar o resto da família da pobre senhora para uma festa de batizado na sua casa. Eu soube, então, que a moça era a estrela Carmen Miranda e sua simplicidade deixou-me uma profunda impressão, solidificada, depois, pelas suas constantes vindas à Igreja que se lhe tomou um segundo lar, dando-nos ela um altar novo para Nossa Senhora.
Palavras do padre Joseph na missa do funeral de Carmen Miranda, agosto de 1955

Em 3 de dezembro de 1954, Carmen retornou ao Brasil após uma ausência de 14 anos viajando e fazendo shows pelo mundo, além de estar morando nos EUA. Ela continuava casada e sofrendo com o marido, cada vez mais alcoólatra e violento. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento numa suíte do hotel Copacabana Palace. Carmen melhorou, embora não tenha abandonado completamente remédios. Os exames realizados no Brasil não constataram alterações de frequência cardíaca.

A morte nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Ligeiramente recuperada, retornou para os Estados Unidos em 4 de abril de 1955. Imediatamente começou com as apresentações. Fez uma turnê por Cuba e Las Vegas entre os meses de maio e agosto e voltou a usar barbitúricos, além de fumar e beber mais do que antes.

No início de agosto de 1955, Carmen gravou uma participação especial no programa televisivo do comediante Jimmy Durante. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e foi amparada por Durante. Recuperou-se e terminou o número. Aloísio de Oliveira, em seu livro autobiográfico intitulado "De Banda Pra Lua" (Editora Record, 1983), relatou o contexto em que Carmen Miranda, acompanhada pelo Bando da Lua, realizou essa histórica performance:

(...) Voltamos [Carmen Miranda e o Bando da Lua] a Los Angeles para os ensaios do programa de Jimmy Durante na televisão e que duraram uma semana. O chorinho [sic] Delicado, de Waldir Azevedo, fazia grande sucesso na época. Fiz uma letra para que a Carmen apresentasse no programa. (...) Enquanto cantava e dançava o número, houve mais um momento de preocupação quando ela caiu no chão como a implosão de um edifício. Foram alguns segundos de hesitação e pânico, mas ela retomou sua posição, terminou o número e continuou o programa até o fim. Indagamos mais um vez sobre a razão da queda e ela continuou dizendo que simplesmente havia perdido o equilíbrio.[64]

Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência em Beverly Hills, à Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, Carmen subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante a derrubou morta sobre o chão no dia 5 de agosto. Seu corpo foi encontrado pela mãe no dia seguinte, às 10h30 da manhã. Tinha 46 anos.

Funeral[editar | editar código-fonte]

Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do marido de Carmen Miranda avisando sobre o falecimento. Aurora se desesperou por completo e passou então a notícia para as emissoras de rádio e jornais. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte de Carmen em edição extraordinária do Repórter Esso. Todas as emissoras interromperam suas programações para darem em edição extra, o triste acontecimento.

Edições extras de jornais ainda circularam no próprio dia 5, no sábado era manchete em todos os jornais do país e do mundo. O choque foi grande para a população brasileira. Somente na manhã do dia 12 de agosto, o avião Douglas DC-4 Skymaster da Real-Aerovias Brasil, em vôo especial, pousava no Aeroporto do Galeão, no Rio trazendo o corpo de Carmen Miranda.[65]

Em um caminhão aberto do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e envolto com a bandeira do Brasil, o ataúde de bronze, foi levado para o centro da cidade escoltado por batedores da Policia Especial em motocicletas, com sirenes abertas. Por todo o trajeto milhares de pessoas se despediram. Antes da saída do cortejo, o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Salomão Filho, falou dando o ultimo adeus, em nome da cidade, à artista.[66] Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal.

O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas[67] que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos. Foi a maior manifestação popular feita no Rio de Janeiro até hoje.

No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro Francisco Negrão de Lima assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, o qual somente foi inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.[68]

Hoje, uma herma em sua homenagem se localiza no Largo da Carioca, Rio de Janeiro.[69]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Por sua contribuição à indústria do entretenimento, Carmen Miranda tem uma estrela na Calçada da Fama.

As imagens de Carmen Miranda voltam à cena durante o movimento tropicalista. Ícone da cultura popular e do exagero estético, sua figura era evocada menos por sua importância musical na cena brasileira e mais pela sua vinculação a uma imagem estereotipada e “tropical” do Brasil. A cantora viria a ser assumida como um dos ícones tropicalistas, estando presente tanto nas letras de canções (como “Tropicália”, de Caetano Veloso), quanto nas imitações dos trejeitos da artista – o torcer das mãos e o revirar dos olhos – com que Caetano Veloso por mais de uma vez brindou/provocou a platéia.[70]

Em 1972, recebeu uma homenagem da Escola de Samba Império Serrano, com o tema "Alô, alô, Taí Carmen Miranda", carnaval desenvolvido pelo carnavalesco Fernando Pinto. A Escola de Samba Império Serrano sagrou-se campeã do principal concurso de escolas de samba nesse ano. Em 2008, homenageando Carmen Miranda, o Império Serrano se tornou campeão do Grupo de Acesso A e voltou em 2009 a desfilar no Grupo Especial.[71]

Em 18 de Julho de 1995 foi agraciada a título póstumo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Foi nomeada pelo American Film Institute como uma das 500 "grandes lendas do cinema".[72]

Em 1995, ela foi tema do aclamado documentário Carmen Miranda:Bananas is my Business, dirigido por Helena Solberg.

Em 25 de setembro de 1998, uma praça no distrito de Hollywood ganhou o nome de Carmen Miranda Square, em uma cerimônia liderada pelo antigo prefeito honorário de Hollywood, Johnny Grant, que também era um dos amigos pessoais da artista. A Praça Carmen Miranda é um dos doze cruzamentos em Los Angeles que foram nomeados em homenagem a artistas históricos, a praça está localizada no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive em frente ao Teatro Chinês. A localização é especialmente notável.[73]

Em 2001, Carmen foi revivida no musical "South American Way", superprodução orçada em R$ 1,2 milhão[74] e dirigida por Miguel Falabella.[75]

Em 2005, o escritor Ruy Castro lançou pela editora Companhia das Letras uma biografia de 600 páginas sobre a cantora, o livro é considerado a mais completa obra sobre a artista lançado até hoje.[76]

Em 2007, a BBC produziu Carmen Miranda - Beneath the Tutti Frutti Hat, um documentário de uma hora sobre a sua história de vida, mapeando sua notável ascensão de origem humilde para se tornar a mais famosa cantora do Brasil, antes de conquistar a Broadway e Hollywood. Apresentando entrevistas com seu biógrafo Ruy Castro, sua sobrinha Carminha Miranda e Mickey Rooney, que personificou-a no filme Babes on Broadway (1941).[77]

Uma escultura em tamanho natural seguindo as características da cantora foi criada pelo artista plástico Ulysses Rabelo, que estudou a máscara mortuária e a arcada dentária de Carmen para garantir a fidelidade da peça. A escultura faz parte do acervo do Museu Carmen Miranda.[78]

Carmen Miranda foi uma das homenageadas em uma série de selos vendidos nos Estados Unidos no ano de 2011, além da cantora, outros quatro "gigantes da música latina" aparecem nas imagens: Tito Puente, Celia Cruz, Selena e Carlos Gardel.[79]

Em 2009, no ano de seu centenário de nascimento, a artista foi homenageada pela Academia Brasileira de Letras, e declarada a mesma "Patrimônio da Cultura Brasileira".[80]

Foi a grande homenageada na edição de 2009 da São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda do Brasil, e o mais importante da America Latina, Carmen foi escolhida pela organização do evento por representar a alegria e o brasileirismo colocados como temática dos desfiles daquela edição.[81]

Uma estatua sua será feita pela escultora paulistana Christina Motta, a obra ficará na praça ao lado do Museu da República, no bairro do Catete, no Rio.[82]

Em 2009, a gravação de "O que é que a baiana tem?", de Dorival Caymmi, na voz de Carmen Miranda, em 1939, foi selecionada para preservação num arquivo sonoro especial da Biblioteca do Congresso dos EUA.[83]

Foi eleita a 15º maior voz e à 35º maior artista da música brasileira pela revista Rolling Stone.[84] [85]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

Todos os títulos em Português dos filmes estrangeiros referem-se a exibições no Brasil.[86]

Ano Filme Personagem Nota
1926 A Esposa do Solteiro (Como Extra)
1930 Degraos da Vida (Rodada apenas uma cena)
1932 O Carnaval Cantado de 1932
1933 A Voz do Carnaval Performasse: "Moleque Indigesto" e "Good-Bye"
1935 Alô, Alô, Brasil Performasse: "Primavera no Rio"
Estudantes Mimi
1936 Alô, Alô, Carnaval Performasse: "Cantores do Rádio" e "Querido Adão"
1939 Banana-da-Terra Performasse: O Que É que a Baiana Tem?" e "Pirulito"
1940 Laranja-da-China Performasse: O Que É que a Baiana Tem?
Serenata Tropical Ela mesma
1941 Uma Noite no Rio Carmen
Aconteceu em Havana Rosita Rivas
1942 Minha Secretária Brasileira Rosita Murphy
1943 Entre a Loura e a Morena Dorita
1944 Quatro Moças num Jipe Ela mesma
1944 Serenata Boêmia Princess Querida O'Toole
Alegria, Rapazes Chiquita Hart
1945 Sonhos de Estrela Chita Chula
1946 Se Eu Fosse Feliz Michelle O'Toole
1947 Copacabana Carmen Novarro / Mlle. Fifi
1948 O Príncipe Encantado Rosita Conchellas
1950 Romance Carioca Marina Rodrigues
1953 Morrendo de Medo Carmelita Castinha
1995 Carmen Miranda: Banana is My Business Ela mesma (Documentário)

Teatro[editar | editar código-fonte]

Ano Musical Nota
1939 a 1940 The Streets of Paris Com Bobby Clark, Luella Gear e Abbott & Costello[87]
1941 a 1943 Sons o' Fun Com Olsen & Johnson e Ella Logan[88]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Ano Série/Programa Nota
1949 The Ed Wynn Show 1º Temporada, Episódio #2
Texaco Star Theater 1º Temporada, Episódio #33
1950 3º Temporada, Episódio #10
1951 TV Club 1º Temporada, Episódio #25
Texaco Star Theater 4º Temporada, Episódio #8
What's My Line? Episódio de 18 de novembro de 1951
The Colgate Comedy Hour 2º Temporada, Episódio #16
Four Star Revue 1º Temporada, Episódio #25
1952 The Colgate Comedy Hour 2º Temporada, Episódios #25 e #26
Texaco Star Theater 5º Temporada, Episódio #2
1953 Four Star Revue 3º Temporada, Episódio #27
Toast of the Town 7º Temporada, Episódio #1
1955 The Jimmy Durante Show 2º Temporada, Episódio #2

Canções mais famosas[editar | editar código-fonte]

Será mantida a grafia original do lançamento

Legado[editar | editar código-fonte]

Carmen Miranda: a fantasia de baiana estilizada reinou durante muitos anos como emblema do traje típico brasileiro.[90]
Impressões de Carmen Miranda na Calçada da Fama do Teatro Chines.

Mesmo depois de sua morte, Carmen Miranda é lembrada por ser talvez a mais importante personalidade artística brasileira de todos os tempos, sendo considerada pelo American Film Institute, uma das "500 grandes lendas do Cinema".[91]

Ela está nas declarações de um dos maiores pensadores do século 20, o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein que descrevia os filmes de Carmen como "duchas que ele gostava de tomar depois de ensinar filosofia". Sua imagem também está no elogio do poeta Vinicius de Moraes que comentava que ela "tinha a essência da verve de uma artista".[92]

Para Caetano Veloso, que teve Carmen como uma de suas musas no Tropicalismo, ela "era mais uma ausência do que uma referência nas conversas sobre música popular no Brasil pós-bossa nova", escreveu o cantor e compositor em seu livro "Verdade Tropical" (1997). "O fato de ela ter se tornado (...) uma figura caricata de que a gente crescera sentindo um pouco de vergonha, fazia da mera menção de seu nome uma bomba de que os guerrilheiros tropicalistas fatalmente lançariam mão", continua Veloso, contando como Carmen chegou a ser resgatada no final dos anos 1960. "Ela criou um estilo e uma fantasia que sempre me lembram o Charles Chaplin. Para ele, era a cartola e a bengala, e para ela, foi realmente o traço estilizado da baiana."[93]

Para o crítico de cinema Dave Kehr do The New York Times, Carmen Miranda foi "uma das poucas artistas que atravessaram o espectro cultural, deixando sua marca absurda e pomposa na representação feminina."[94] E a compara como a precursora de Jerry Lewis, que "trouxe uma imprevisível anarquia ao sisudo mercado (norte-americano) de estúdios de filmagem".[95]

Em 1952, uma pesquisa realizada pela revista norte-americana “Variety” apontou Carmen como a mulher mais imitada dos Estados Unidos.[96] Em Hollywood, ela foi central no cenário estético e tecnológico dos anos 1940. Seus figurinos e coreografias participaram e contribuíram em tendências da moda e até mesmo no desenvolvimento da tecnologia da cor no cinema.[97]

Foi Carmen também quem ajudou a encurtar distâncias entre as Américas. É o que explica o historiador Antonio Pedro Tota. Em seu livro Imperialismo Sedutor, ele a considera o elo da então relação amigável entre Brasil e Estados Unidos, explicitada nas telas de cinema. A ideia de propagar a liberdade nas Américas e promover filmes e cinejornais sobre a terra do Tio Sam colocou Carmen Miranda no ápice do universo cinematográfico.[98] O seu primeiro Longa-metragem, Serenata Tropical "tirou" a 20th Century Fox do "vermelho". Mais do que isso: nas gravações, Carmen representou o Brasil e se consagrou justamente por ser uma artista completa - ela cantava, dançava e atuava.[99] “Carmen Miranda foi a maior embaixadora do Brasil nos EUA naquela época. Uma artista genuinamente brasileira, apesar da sua origem, que representava o país, beneficiado pela imagem dela, em vez de ser representado por uma americana forçadamente versada em latina“, diz João Batista de Almeida, professor de comunicação da Universidade de Ribeirão Preto.[100]

Foi a primeira artista brasileira a lançar moda, inclusive nos EUA – o “Miranda look” foi adaptado e usado nas ruas em todo mundo ocidental e ainda hoje influencia muitos estilistas que nela buscam inspiração.[101] O sucesso foi tanto que as luxuosas lojas da Quinta Avenida, em Nova York, substituíam as criações de Dior e Chanel pelas suas fantasias de baiana, seus sapatos plataforma e turbantes.[102]

Na década de 90 a cantora foi requisitada pela moda no Brasil que estava se organizando e tentando estabelecer um calendário unificado para os desfiles. A imagem de Carmen Miranda tornou-se tão importante para esse setor que a artista foi resgatada durante todo o processo de estruturação do campo da moda no país.[103]

Em 1991, o jornalista e crítico Paulo Francis resumiu numa frase a alma do mito. "Sua personagem é uma criação tão inspirada quanto o Carlitos, de Charlie Chaplin". Não é à toa que ambos foram dois dos precursores do bom humor na arte que desfrutamos hoje.[104]

"Acredito que a visão em relação à figura de Carmen está mudando, as pessoas estão vendo com mais clareza o impacto que ela causou tanto na nossa cultura como na dos Estados Unidos. O legado dela está sendo mais valorizado, na época havia uma elite que não queria ver a imagem do país associada a Carmen e às músicas que cantava. Mas ela continua sendo um ícone tão forte que jamais envelheceu e segue despertando o interesse de diferentes gerações" comenta Helena Solberg que em 1995 dirigiu o filme Carmen Miranda: Bananas is my Business.[105] [106]

No mesmo ano, o Lincoln Center, de Nova York, promoveu espetáculo em lembrança do 40° aniversário de sua morte, com direção de Nelson Motta e participações de Bebel Gilberto, Aurora Miranda, Eduardo Dusek, Maria Alcina, Marília Pêra e outros.

O repertório de Carmen Miranda serviria de molde para cantoras muito posteriores como Gal Costa (Balancê), Elis Regina (Na batucada da vida), Paula Toller (E o mundo não se acabou), Marisa Monte (South American Way), Adriana Calcanhotto (Disseram que Voltei Americanizada), Daniela Mercury (O Que É que a Baiana Tem?) e Ivete Sangalo (Chica Chica Boom Chic).[107] [108] Isso porque, além de antecipar a era multimídia, inventar um molde fashion, prenunciar a atitude tropicalista e sacudir a embrionária cena do show business, Carmen ainda plantou sólidos alicerces da chamada linha evolutiva da MPB.[109]

"Nós tendemos a esquecer, mas nenhuma mulher brasileira nunca foi tão popular como Carmen Miranda - no Brasil ou em qualquer lugar." disse Ruy Castro a revista norte-americana Newsweek[110] , cuja biografia "Carmen" (Companhia das Letras) lançada em 2005, conquistou o Prêmio Jabuti de livro do ano de não-ficção em 2006.[111] [112] [113]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Apesar de ter morado quase toda a sua vida no Brasil e nos Estados Unidos, Carmen Miranda nunca adquiriu a nacionalidade de qualquer um destes países. Portanto, sempre manteve a nacionalidade portuguesa que tinha por ter nascido em Portugal, assim como sempre foi legalmente estrangeira no Brasil e nos Estados Unidos. Porém, em diversas entrevistas, declarou que se sentia brasileira.[carece de fontes?]
  2. O pronome da língua inglesa it era muito utilizado na época para significar um quê, um certo traço ou alguma coisa que fascina, encanta, atrai; charme, magnetismo (definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, edição on-line visitada em 6 de dezembro de 2008.
  3. Ao contrário de diversas traduções, "bombshell" não quer dizer "bomba" em português — na gíria americana, "bombshell" significa uma "explosão", mas no sentido de uma grande surpresa — então, a tradução certa seria "A Grande Surpresa Brasileira" ou "A Explosão Brasileira".

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  113. Luís Fernando Vianna (30 de novembro de 2005). Livro derruba mitos sobre Carmen Miranda Folha de São Paulo. Página visitada em 01 de abril de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Catro, Ruy. Carmen - Uma Biografia (em português). [S.l.]: Companhia das Letras, 2005. ISBN 978-85-359-0760-5
  • Garcia, Tânia da Costa. O "it verde e amarelo" de Carmen Miranda (em português). [S.l.]: Annablume, 2004. ISBN 978-85-741-9450-9
  • , Simone Pereira de. Baiana internacional: as mediações culturais de Carmen Miranda (em português). [S.l.]: MIS Editorial, 205p. il. Série Patrimônio Imaterial, 2002.
  • MENDONÇA, Ana Rita. Carmen Miranda foi a Washington (em português). [S.l.]: Editora Record, 209p., 1999. ISBN 978-85-010-5392-3
  • GIL-MONTERO, Martha. A pequena notável: uma biografia não autorizada de Carmen Miranda (em português). [S.l.]: Editora Record, 316p., 1989.
  • Shaw, Lisa. Carmen Miranda (em inglês). [S.l.]: Palgrave Macmillan Limited, 158p., 2013. ISBN 978-18-445-7432-2

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