Carnaval de Caicó

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Carnaval de Caicó
Complexo Turístico Ilha de Sant'Ana, onde é montado o palco noturno do Carnaval.
Período de a(c)tividade Desde o século XIX até os dias atuais
Local(is) Caicó, Rio Grande do Norte
 Brasil
Data(s) Início na quarta-feira anterior à terça-feira de Carnaval

O Carnaval de Caicó é o carnaval mais tradicional do estado brasileiro do Rio Grande do Norte. O evento realiza-se anualmente na cidade de Caicó, no interior do estado, à 256 km da capital. Considerado o terceiro maior carnaval da Região Nordeste,[1] [2] (atrás de Salvador e Recife/Olinda), Caicó atrai turistas devido à tranquilidade e animação,[3] [4] aliada a sua maior atração: o Bloco Ala Ursa ou como é apelidado, bloco do Magão, a cidade viu ser invadida por foliões de todo o nordeste.[5] [6] [7]

O Carnaval na cidade de Caicó destaca-se por ser multi-cultural, pois aprecia os principais ritmos carnavalescos, como o frevo, axé, marchinhas e forró-elétrico. O bloco Ala Ursa, sempre sai as ruas acompanhada de sua orquestra,[8] onde toca apenas frevo, algumas músicas de axé (em ritmo de frevo) e marchinhas. Já a festa noturna realizada no complexo Ilha de Santana dá preferência aos ritmos atuais, como axé e forró-elétrico.[9]

Apesar de ser um carnaval que preza pela manutenção das tradições dos antigos carnavais, o mesmo tem sido o preferido pelo jovens da região, principalmente universitários da capital do estado e de outros estados,[10] [11] [12] que acabam incorporando novos hábitos à festa.[13] [14]

Em 2014, o Carnaval de Caicó reuniu uma média de 70 mil pessoas nas ruas.[15] [16] [17]

Programação[editar | editar código-fonte]

O Carnaval de rua de Caicó geralmente se inicia uma semana antes do carnaval, onde possui uma programação fixa, porém sujeita a alterações.

  • Quarta-feira - Camburão na folia: destinado aos profissionais que trabalham durante o período carnavalesco, como policiais, bombeiros e profissionais da saúde.
  • Quinta-feira - Psicofolia: destinado ao trabalho de inclusão social dos portadores de transtornos mentais, usuários do Hospital Psiquiátrico de Caicó.
  • Sexta-feira - O dia das Virgens: dia da brincadeira onde os homens vão travestidos de mulher, e as mulheres fantasiadas de homem.
  • Sábado - O bloco do Magão.
  • Domingo - Dia destinado aos papangus e burrinhas.
  • Segunda-feira - Dia dedicado aos foliões da melhor idade.
  • Terça-feira - O bloco do Magão.
  • Quarta-feira - Novamente o Camburão na folia.

Todos os dias o carnaval é acompanhado pela orquestra do Ala Ursa, assim como diariamente acontece a brincadeira do mela-mela. Apesar de possuir dias temáticos qualquer folião pode participar do bloco. O Ala Ursa é bem democrático, pois apesar do mesmo possuir uma camiseta própria, não é necessária sua compra para brincar no bloco.

O Carnaval noturno ocorre na Ilha de Santana,com palco fixo e estrutura de camarotes e banheiros químicos. Na Ilha, dá-se preferência aos ritmos jovens e atuais. Lá os blocos estacionam seus caixotes e viram a madrugada.

História[editar | editar código-fonte]

Entrudo[editar | editar código-fonte]

Até meados do fim do século XIX, o carnaval caicoense se dava nos moldes do antigo entrudo português, onde no qual os foliões saíam às ruas, jogando água e farinha nas pessoas.

Com a entrada do século XX, o carnaval se caracterizou por ser um evento elitista, realizado apenas em clubes exclusivos da elite caicoense,onde era impedido a entrada de pobres e negros. Até que em 1930, surgia o Caicó Esporte Clube, mais conhecido de "Sede dos Morenos", nesse clube os excluídos da sociedade poderiam brincar o carnaval.

Em meados dos anos 1960, grupos de amigos começaram a se reunir em agremiações, conhecidas hoje como blocos, onde possuíam sua própria programação; que consistia em banhos em açudes e balneários e de um desfile em automóveis pelas avenidas da cidade, sempre fantasiados, fazendo batucada e cantando marchinhas.

Carnaval de Rua[editar | editar código-fonte]

Sua primeira manifestação foi na década de 1930, com a criação do "Bloco do Lixo", chamado assim, num sentido pejorativo, por se utilizarem de instrumentos de lata, pedras e paus; e se vestirem com fantasias sem luxo. Nessa época já havia as "burrinhas de padre", que saiam as ruas todos os dias do período carnavalesco.

Em 1942, um pernambucano chega à cidade, e introduz um urso ao bloco, que passa então a ser chamado de "Ala Ursa". O mesmo pernambucano trouxe de seu estado o costume dos papangus e das virgens, homens mascarados travestidos de mulher e mulheres travestidas de homem, que passaram também a acompanhar o bloco.

Ala Ursa[editar | editar código-fonte]

Com o passar dos anos, vários bairros passaram a ter seu próprio "Ala Ursa", como os bairros Paraíba, João XXIII e Boa Passagem.

Porém o "Ala Ursa" que obteve maior popularização foi o "Ala Ursa do Poço de Santana", apelidado de Bloco do Magão; fundado por amigos e coordenado por Ronaldo Batista de Sales, o Magão. O bloco surgiu com a finalidade de chamar a atenção da comunidade para o poço de Santana, o lendário poço ligado a origem da cidade, denunciando assim a poluição que o mesmo vinha a sofrer.

A agremiação sempre saía com suas burrinhas de padre, papangus, além do urso e dos bonecos gigantes de papel-machê. Em 1993, o bloco começou a receber patrocínio de comerciantes da cidade, em troca, da divulgação da marca de suas lojas estampadas nos bonecos. A partir daí, o bloco passou a ser mais valorizado, quando então se iniciou a formação da orquestra de frevo e da criação do hino do "Ala Ursa do Poço de Santana". O bloco passou a abrir o Carnaval de Caicó, juntamente com o Bloco das Virgens, e acompanhar a brincadeira do mela-mela, prática que passou a ocorrer durante todos os dias do Carnaval. Com o final dos anos 1990, o bloco cresceu tanto, que se tornou marco principal do Carnaval caicoense.

Carnaval Noturno[editar | editar código-fonte]

O primeiro marco do carnaval noturno caicoense foi o "Baile do Branco e Preto", realizado no Atlético Clube Corintíans. Nesse baile, os foliões só poderiam entrar se tivessem vestidos de branco e preto, referência as cores do principal time de futebol da cidade.

Nos anos 1990, houve um crescimento crescente do número de blocos formados por amigos. Nessa época já havia uma aglomeração dos blocos em frente do Hotel Vila do Príncipe. Em anos seguintes, o poder público decidiu não patrocinar o carnaval, pois estava afetando o faturamento dos carnavais nos clubes. Mas os blocos já estavam insatisfeitos com as festas nos clubes, pois os mesmos eram obrigados a pagar uma taxa chamada de "rolha", referente a cada litro ou grade de bebida que o bloco levasse ao clube. Com isso, os blocos começaram a evocar o carnaval na rua. A partir disso, iniciou a decadência do carnaval em clubes.

A partir de então, começou-se a montar a estrutura carnavalesca em frente ao Hotel Vila do Príncipe, mas o caráter elitista do carnaval permaneceu, pois as sacadas dos quartos do hotel funcionavam como camarotes. Nessa época, o carnaval caicoense dava seus primeiros passos de consolidação.
Em 2001, devido a transtornos gerados pela obstrução da BR 427, a festa foi transferida para a Praça Dom José Delgado. A partir daí seu crescimento não parou, até que em 2007, o carnaval foi novamente transferido, dessa vez para o recém construído Complexo Turístico Ilha de Santana, onde se mantém até os dias atuais.

Elementos do Carnaval Caicoense[editar | editar código-fonte]

Burrinhas-de-Padre[editar | editar código-fonte]

São pessoas com fantasias de madeira em formato de círculo e uma cabeça de burro, além de um sino no pescoço e uma cauda. O usuário da burrinha geralmente usa máscara de modo a não ser identificado. Essa fantasia tem origem em uma lenda ocorrida na cidade, estória semelhante a lenda da mula-sem-cabeça. Antigamente os foliões se utilizam dessa fantasia para bater em possíveis desafetos, uma vez que não eram reconhecidos. Atualmente as burrinhas só fazem assustar as crianças que as insultam.

Zé Pereira[editar | editar código-fonte]

Trata-se do boneco gigante que anuncia o domingo de Entrudo; em Caicó, essa data passou a ser chamada de Domingo de Zé Pereira.

Filhós[editar | editar código-fonte]

É costume na cidade, apenas no domingo de Zé Pereira, as pessoas mais velhas fazerem filhós, um bolinho frito à base de farinha de trigo com calda de mel de rapadura. Inclusive essa sobremesa se tornou uma das marcas da culinária seridoense.

Virgens[editar | editar código-fonte]

Trata-se do dia do contrário, onde os homens vão ao carnaval vestidos de mulher, e as mulheres vestidas com roupas masculinas. Trata-se de uma brincadeira saudável, onde foliões de todas as idades participam, inclusive casais de namorados. Geralmente isso ocorre na sexta-feira, antes do domingo de Carnaval.

Blocos[editar | editar código-fonte]

Formados por grupos de amigos que decidiram brincar o carnaval uniformizados. Geralmente são batizados com nomes irreverentes,atualmente são a cara do carnaval jovem caicoense. Os membros geralmente pagam uma mensalidade, para que seja preparada toda a infra-estrutura para o carnaval, como aluguel da sede, confecção de camisetas personalizadas, transporte e senhas para eventos nas cidades vizinhas e compra das bebidas para todo o período carnavalesco. Esse formato extrapolou o carnaval, e hoje é possível ver blocos em praticamente qualquer evento realizado na cidade.

Casas[editar | editar código-fonte]

Por se tratar de uma cidade pequena, Caicó possui um deficit na infraestrutura hoteleira. Devido a isso, blocos[18] [19] e agências de viagens[20] [21] costumam alugar casas e montar toda a estrutura para festas e hospedagem, além disso costuma-se realizar churrascos e festas privadas,[22] [23] na maioria das vezes com bebidas free. Neste caso, pode-se contratar tais serviços sem a necessidade de conhecer os outros hóspedes.

Caixotes[editar | editar código-fonte]

É onde são armazenadas as bebidas em plena festa. São confeccionados geralmente em madeira e revestidos internamente por isopor. Cada bloco personaliza seu caixote com sua marca e o carregam para onde forem. Inclusive o caixote se transforma em uma espécie de palco, onde os foliões dançam ao som do carnaval, seja carregando no Ala Ursa (Bloco do magão) ou estacionado como acontece à noite na Ilha de Santana.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]