Carneiro no buraco

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Carneiro no buraco é um prato típico de Campo Mourão, tendo sido inspirado em um filme exibido no início da década de 1960, onde vaqueiros preparavam carne dentro de buracos em cima de brasas.[carece de fontes?]

A forma inusitada de preparo da comida chamou a atenção de um grupo de pioneiros da cidade que resolveu fazer o prato introduzindo uma série de inovações. Da primeira receita utilizada à atual, foram realizadas muitas experiências e adaptações para aprimorar a iguaria, que ao longo de muitos anos foi servida esporadicamente em encontros de amigos.

Então em 1991 foi realizada a primeira Festa Nacional do Carneiro do Buraco. A festa crescia a cada ano que se passava, tomou grandes proporções e hoje é conhecida nacional e internacionalmente. Recebe, por ano, cerca de 150 mil visitantes que apreciam o prato símbolo de Campo Mourão.

História[editar | editar código-fonte]

A História do "Carneiro no Buraco" começa por volta de 1580 com a chegada dos jesuítas ao continente sul-americano. Através do contato entre conquistadores e índios, houve o intercâmbio de costumes.

Com isso os castelhanos adquiriram o hábito de cozinhar carnes embrulhadas em folhas de bananeiras. O fogo era feito num buraco escavado no chão, o que evitava o risco de incêndios e permitia que a carne fosse conservada por dois ou três dias.

O Carneiro no Buraco foi inspirado num filme de faroeste assistido no Cine Mourão, na década de 1960, que mostrava o preparo culinário de carne e legumes num buraco escavado no solo, onde se queimava antecipadamente certa quantidade de lenha.

Inspirado na cena, os pioneiros - que mostramos nas fotos seguintes - que assistiram ao filme, partiram para a prática com o preparo da carne de carneiro inicialmente extremamente envolvente em suas diversas etapas, que exigiam 12 horas de trabalho.

Com o decorrer do tempo esse envolvimento foi provocando adaptações e então, o fotógrafo e artista plástico, Tony Nishimura apaixonado pelas lides culinárias, lá pelos idos de 1970, começou a preparar essa iguaria como entretenimento entre seus amigos e com muita dedicação e esmero, delineado pela sua têmpera, foi aperfeiçoando a composição desse petisco, até chegar à receita que hoje é sucesso, culminando com a oficialização, em 1991, da Festa do “Carneiro no Buraco” por ele coordenada, tornando-se um evento gastronômico de repercussão Nacional divulgando Campo Mourão, atraindo anualmente milhares de pessoas de todos os recantos da Nação e até do exterior.

m 1995 na quinta edição da Festa, Tony, então coordenador técnico, idealizou e implantou o sistema de cozinha única, (que hoje merecidamente leva seu nome) com o objetivo de atingir um padrão esmerado do prato típico, até então preparado isoladamente pelas barracas das entidades participantes do evento.

A prática na feitura do “Carneiro no Buraco”, fez também com que o Tony criasse uma série de equipamentos para eficiência e agilidade no preparo e na melhoria da qualidade dessa saborosa iguaria.

Foi ele o idealizador das tampas utilizadas para o cozimento, réchaud, ganchos para descida e retirado do tacho, garras para o seu transporte e até uma máquina apropriada para o preparo do pirão.

Folclore[editar | editar código-fonte]

Tony Nishimura, o incrementador do CARNEIRO NO BURACO de Campo Mourão, dedicou grande parte de seu tempo viajando pelo Brasil no preparo desse delicado e apetitoso prato, percorreu nove estados brasileiros e viajou também ao exterior preparando essa comida fina, prato típico de Campo Mourão. Serviu autoridades e pessoas famosas, como presidentes da República, ministros de Estado, governadores, artistas, empresários e esportistas. Em 1977, chegou a percorrer mais de 70 mil quilômetros preparando o carneiro em dezenas de cidades.

E dessa sua larga experiência, sempre em contato com pessoas que se reuniam, com paladar apurado, para degustar a substância alimentícia preparada com esmero, dedicação e responsabilidade, o Tony criou uma tradição para servir o CARNEIRO NO BURACO: os convidados devem seguir em fila, acompanhando o dono da festa, ao som do berrante, para o ritual da retirada do tacho, fortalecendo o envolvimento de confraternização dos convivas.

Desenterrado o tacho, para separar o caldo para preparo do pirão, é necessário o apoio do dono da festa ajudando no envasilhamento, para atrair bons fruídos a todos os participantes do evento.

Receita[editar | editar código-fonte]

Ingredientes[editar | editar código-fonte]

27 kg de carne de carneiro de média idade,
2 kg de tomates miúdos,
3 kg de batata doce,
3 kg de mandioquinha salsa,
2 kg de chuchu,
2 kg de cenoura,
½ kg de pimentão,
1 kg de vagem,
1,5 kg de maçãs vermelhas miúdas,
2 kg de abobrinha,
2 kg de cebolas miúdas.

Temperos[editar | editar código-fonte]

815 g de sal,
10 g de pimenta do reino,
300 ml de óleo de soja,
1,2 l de vinagre de vinho,
100 g de glutamato monossódico,
2 maços de salsinha,
2 maços de cebolinha,
300 g de alho,
250 ml de molho de soja.

Preparo[editar | editar código-fonte]

O prato típico de Campo Mourão é cozido em um buraco de 1,50 metros de profundidade e abertura de 1,05 metros, com dois metros cúbicos de lenha seca e um tacho de 30 polegadas, com tampa metálica. Os ingredientes do tempero são batidos no liquidificador, a carne cortada em pedaços pequenos, a qual deve permanecer por três horas na vinha. No tacho untado, a primeira camada é sempre de chuchu e abobrinha. Em seguida, alternam-se as camadas de carne e legumes.

No final, colocam-se por cima os tomates, as cebolas e maçãs, inteiros. O restante do tempero que sobrou da vinha é despejado no tacho por cima de todos os legumes. Após a queima de dois metros de lenha no buraco, por um período de seis horas, é descido o tacho, que fica sobre as brasas e coberto com uma tampa metálica e vedado com terra.

Ganchos especiais são usados na colocação e retirada do tacho. Após seis horas, a iguaria está pronta. O pirão é preparado com caldo retirado do tacho e farinha de mandioca torrada, além de cheiro verde e pimenta a gosto. O Carneiro no Buraco é servido acompanhado ainda de arroz branco e salada de almeirão. Pode ser acompanhado de vinho, cerveja ou refrigerante. Um tacho dá para cerca de 60 pessoas.

Tempo de preparação: aproximadamente 12 horas.

Fonte: Clube da Panela – responsável pela Cozinha Única “Tony Nishimori”.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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