Carvalho-português
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Nota: Este artigo é sobre árvores pertencentes à espécie Quercus faginea. Para outras árvores do mesmo género, veja Carvalho. Para outros significados, veja Carvalho (desambiguação).
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Quercus faginea
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| Quercus faginea
subspécie = Quercus faginea ssp. broteroi |
O carvalho-português, carvalho-cerquinho ou cerquinho (Quercus faginea ssp. broteroi) é um endemismo Português.
O coberto vegetal mais desenvolvido (climáxico) que outrora existia na região Centro-Litoral, entre Figueira da Foz e Sines, eram os bosques de Carvalho Cerquinho ou Português. Uma mata que era o culminar de um série vegetal progressiva, desde o arrelvado, ao mato rasteiro, mato alto, e por fim a mata mediterrânica com alguma influência atlântica, liderada pelo Cerquinho, em comunhão com outras árvores e arbustos como o Zambujeiro (Olea europaea sylvestris), o Sobreiro (Quercus suber), o Medronheiro (Arbutus unedo), o carrasco (Quercus coccifera), o folhado (Viburnum tinus), a Sorveira (Sorbus aucuparia) , a Aroeira (Pistacia lentiscus), o Aderno Bastardo (Rhamnus alaternus), o Loureiro (Laurus nobilis), o alecrim (Rosmarinus officinalis), entre muitos outros, não esquecendo as lianas como a salsaparrilha-bastarda (Smilax aspera), a aromática madressilva (Lonicera implexa) e a hera (Hedera helix). É uma mata muito rica e variada, a nível aromático e até florístico, destacando-se a rosa-albardeira (Paeonia broteroi) e nas zonas mais soalheiras, as orquidáceas, dos géneros Ophrys, Orquis e Serapias.
O nome latino Quercus parece vir do celta “quer” – que significa “belo” – ou “cuez” – que significa “árvore” – visto que, o carvalho é considerado o “rei das árvores”. A maioria das florestas autóctones do continente de Portugal (as que existiam antes da destruição provocada pelas actividades humanas) eram carvalhais. Daí a razão de existirem tantas terras com o nome de Carvalho(a), Carvalhal(ais), Carvalhosa, Carvalhedo(a), Carvalheiro(a), Carvalhinho(a), Carvalhido, Sobral, Sobreiro(a, os, as), Sobreiral, Sobreirinha(s), Sobro e até Cercal e Cerqueira que é onde há Carvalhos-Cerquinhos (Q. faginea).
Os Cerquinhos são árvores exclusivamente Portuguesas, o Quercus faginea subsp. broteroi é um endemismo nosso! A árvore que outrora predominava nesta região e que agora está reduzida a pequenos redutos na Arrábida e isoladamente ou em pequenos núcleos na zona Oeste de Portugal. Desta forma a sua extensão territorial é limitada, está entre os carvalhos de folha caduca do Norte e interior do País como o carvalho negral e o roble, e o sobreiro e a azinheira do sul, de folha perene. Assim, o cerquinho tem a folha marcescente, uma folha que não cai até nascerem novas folhas. Desta forma conseguimos distingir um cerquinho pela sua cor amarelada e acastanhada no Outono e Inverno e verde clara na Primavera. Uma das a características que mais se aprecia no cerquinho, é que como é uma fagácea, não tem desenvolvimento apical acentuado, isto é, o gomo apical não é dominante, como na maioria das árvores de crescimento rápido, onde o ramo cimeiro desenvolve substâncias que inibem o crescimento dos ramos inferiores e assim desenvolve-se mais, e a árvore apresenta uma forma colunar, piramidal, etc. No carvalho, todos os gomos crescem de forma similar o que origina ramos tortuosos que parece que serpenteiam e fazem formas tão bucólicas e belas. É uma árvore que permite a coexistência de outras espécies vegetais e um variado subcoberto que servem de abrigo e alimento a muitas espécies animais, daí que constitua um habitat protegido pela Directiva Habitats (Habitat 9240). Um carvalho pode viver centenas de anos, e serve de abrigo a muitas espécies de animais, as suas bolotas dão alimento a muitas espécies. Assim, os carvalhais eram o suporte de um ecossistema complexo e extenso que já não existe ou está reduzido a pequenos bosques relíquias. Nas sebes vivas que dividem os terrenos agrícolas e nas margens dos caminhos e estradas do centro do país, um olhar atento sempre descobre um ou outro Carvalho Cerquinho, e alguns terrenos abandonados que ainda preservam a fonte genética do cerquinho tendem a evoluir e a recuperar naturalmente, no entanto estes redutos são progressivamente destruídos pela ocupação humana e mais recentemente pela monocultura do eucalipto. A madeira do carvalho foi outrora muito utilizada para a construção naval e carpintaria, ainda é utilizada na construção de pipas e barris, visto que liberta muitas substâncias como os taninos e corantes naturais, o que, para além de dar uma melhor cor e aroma ao vinho, faz diminuir a graduação alcoólica.
Curiosidade: Tal como todos os Quercus, os frutos são as bolotas ou glande constituído pela semente que tem uma espécie de carapuça a que se chama cúpula e que está revestida por pequenas escamas. Não confundir com umas bolinhas que aparecem por vezes nos ramos ou folhas e que são as galhas ou os bugalhos. Estas bolinhas são resultado das picadas de insectos que depositam os ovos nos tecidos da planta. A planta reage e faz aquelas bolas onde o insecto se desenvolve.
Característica: Uma das a características que mais se aprecia no cerquinho, é que como é uma fagácea, não tem desenvolvimento apical acentuado, isto é, o gomo apical não é dominante, como na maioria das árvores de crescimento rápido, onde o ramo cimeiro desenvolve substâncias que inibem o crescimento dos ramos inferiores e assim desenvolve-se mais, e a árvore apresenta uma forma colunar, piramidal, etc. No carvalho, todos os gomos crescem de forma similar o que origina ramos tortuosos que parece que serpenteiam e fazem formas tão bucólicas e belas.