Casa das Tias de Vitorino Nemésio

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Casa das tias de Vitorino Nemésio, Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores.
Busto de Vitorino Nemésio.

A Casa das Tias de Vitorino Nemésio é um edifício histórico localizado em frente à Igreja do Senhor Santo Cristo das Misericórdias, na freguesia de Santa Cruz, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores. Foi aqui que o escritor açoriano, Vitorino Nemésio, passou parte da sua infância e juventude.

História[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma construção que remonta ao século XVIII. Foi pertença de Ivo Mendes que, no século XIX, a vendeu à família de Vitorino Nemésio, na pessoa das irmãs e suas tias, D. Augusta e D. Júlia Mendes. Foi reconstruída após o terramoto de 1841.

Nesta casa residiram as tias de Nemésio, senhoras que lhe pagaram os estudos universitários visto os pais do jovem Nemésio serem de condição relativamente humilde e não terem poses para arcarem com esse ónus. O pai de Nemésio era funcionário público, lotado na Câmara Municipal da Praia da Vitória, tinha morada própria, era professor de música e chegou a ter um estabelecimento comercial.

A mãe de Nemésio, D. Maria da Glória, filha da D. Rita Mendes e irmã da D. Júlia e da D. Augusta, após a morte do marido e como se encontrava sozinha, visto o filho estar fora da ilha, recolheu-se à casa das irmãs, e para muitos estudiosos de Nemésio deve ser neste sentido que principalmente se deve entender que as "tias" ajudaram o autor de "Mau Tempo no Canal".

Já na posse das tias de Nemésio foi usada como moradia mas também, devido às suas dimensões, como ajuda à comunidade. Por alturas do Verão, as lojas do andar de baixo eram emprestadam a pescadores que, em Junho e Julho, vinham da ilha do Pico para Praia da Vitória a negócios.

Anos mais tarde, o pavimento térreo do solar sediou uma fábrica de pirulitos, a "Fábrica de Pirolitos Pinto".

Na década de 1960 o solar alojou uma escola primária que deixou de funcionar por volta de 1973-1974.

Já quase nos finais do século XX a edificação foi adquirida pela autarquia local que planeou ali instalar algo que dignificasse o imóvel. Isso só veio a materializar-se em Abril de 2009, após obras de restauro de grande vulto.

Actualmente o solar alberga a Biblioteca Pública Silvestre Ribeiro, no piso inferior, e a sede da Assembleia Municipal, na parte superior.

Em 1994, frente à Casa das Tias foi inaugurado um busto do escritor, da autoria do escultor Álvaro Raposo França.

A Biblioteca Pública Silvestre Ribeiro[editar | editar código-fonte]

Esta biblioteca foi criada em 1876 por José Silvestre Ribeiro, sob a égide das Bibliotecas Populares, tendo sido reorganizada em 1907 no contexto das comemorações do centenário do nascimento de seu criador.

Esteve instalada no edifício da praça Francisco Ornelas da Câmara até 2009. Nesse ano, no dia 22 de Abril, foram inauguradas as suas atuais instalações na Casa das Tias de Vitorino Nemésio.

O fundo bibliográfico da biblioteca é constituído por cerca de 25.000 obras, DVD's, CD's e fitas de VHS, além de 50 publicações periódicas recebidas mensalmente.

Características[editar | editar código-fonte]

O solar possui dois pisos e varanda de ferro forjado, com traça tradicional da Arquitectura do Ramo Grande.

O rés-do-chão possui duas salas de livre acesso da biblioteca, uma para adultos (leitura de periódicos, serviço de referência, serviço de emprestimo e acesso à Internet), e outra para o público infanto-juvenil (serviço de referência e serviço multimédia).

No primeiro piso, encontra-se um auditório denominado Assembléia Municipal, o depósito de reservados, o gabinete de coordenação, a sala de tratamento documental e uma sala de apoio.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Diário Insular, 22 de Abril de 2009.
  • Revista "Diário Insular", 10 de Maio de 2009.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]