Casa de Pensão

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Casa de Pensão é um livro de estilo naturalista escrito por Aluísio Azevedo em 1884.

A obra[editar | editar código-fonte]

Narrado em terceira pessoa, Casa de Pensão inicia com a chegada do jovem maranhense Amâncio ao Rio De Janeiro, que para ali se muda no intuito de estudar medicina na Corte. Chegando à cidade, Amâncio procura o Sr. Luís Campos, comerciante, amigo de seu pai, que lhe oferece pouso no interior. O Sr. Campos era casado com D. Maria Hortênsia, que não se mostra muito a vontade com a chegada do menino à sua casa, mas que acaba aceitando a decisão do marido.

Embora fosse mais econômico, Amâncio não se mostra muito satisfeito com o fato de se hospedar na casa da família, pois ele fora para a Capital com o sonho de também viver a noite, as mulheres, de viver plenamente os seus 20 anos.

Sobre a trajetória de Amâncio, ele apanhava do pai na infância e tinha uma aparência frágil. Na escola, ele parecia soltar todos a repressão de casa. Até que um dia ele bate num menino. O seu professor bate em Amâncio, em contrapartida, e ainda diz para o menino que apanhara também bater no seu algoz. Amâncio não aceita a vingança e discute com o professor, dando-lhe uma bofetada. Além de apanhar na escola, ao chegar em casa, ele também apanha do pai. Este acontecimento faz com que Amâncio se torne medroso, apesar das carícias, cuidados e proteção da mãe, D. Ângela (ou talvez por isso mesmo).

Então, no Rio de Janeiro, Amâncio sentia-se só, até encontrar um colega (nem tão íntimo) do Maranhão, Paiva Rocha. Eles se encontram na rua, e Amâncio o convida para almoçar. No caminho do Hotel dos príncipes, os dois encontram dois amigos de Paiva Rocha, Salustiano Simões e João Coqueiro. Os quatro vão almoçar. Amâncio mostra-se maravilhado com a vida na Corte, com o almoço, com o cardápio em francês. E não economiza neste primeiro almoço, pagando a conta para todos. João Coqueiro, ao fim da refeição, convida Amâncio para visitá-lo. Entretanto, ele é levado, já bêbado, por Paiva Rocha (que também lhe pede dinheiro) para a sua república, onde Amâncio vomita e passa a noite. No dia seguinte, o ambiente degradado marca o jovem maranhense. Ao sair ele encontra uma empregada e tenta agarrá-la, sendo repelido.

Amâncio mostra-se confuso, pois não queria permanecer na prisão da casa de Campos, mas como sentia-se atraído por D. Hortênsia, pensava em ficar por lá. Amâncio, ao chegar na casa da família, encontra uma carta de João Coqueiro, convidando-o a visitá-lo. Ele vai.

João Coqueiro era filho de uma rica senhora que se casara com um homem devasso e desregrado, que batia em João Coqueiro, fazia-o comer e até mesmo beber, para torná-lo homem de verdade (!). Com a morte do pai, a mãe abre uma casa de pensão, mas ela também morre em seguida. João Coqueiro e Amélia, sua irmã, vão morar, então, com uma amiga da família, Madame Brizard, mulher de 50 anos. Com a convivência, João Coqueiro e Mme. Brizard decidem se casar e reabrir a casa de pensão que fora da mãe do moço.

João Coqueiro, após conhecer Amâncio, comenta com a esposa que possivelmente encontrara um marido para a irmã, já com 23 anos. A menina, informada por Mme. Brizard, concorda com a possibilidade.

Assim, Amâncio vai à casa de João Coqueiro. Lá, ele conhece a família, mais os filhos de Mme. Brizard, o menino César e Nini, mulher com problemas mentais; e os moradores da pensão, tendo destaque o casal Lúcia e Pereira. João Coqueiro mostra as vantagens de viver ali: comida, lanches, carinho. Amâncio decide aceitar a oferta e, já naquela noite, dorme ali. Ao acordar, ele agarra o braço de uma menina que trabalhava ali. Enquanto isso, Mme. Brizard combinava a estratégia de Amélia: ela tinha que parecer tímida ao rapaz.

Desconfia de todo aquele que se arreceia da verdade.

Seriam onze horas da manhã.

O Campos, segundo o costume, acabava de descer do almoço e, a pena atrás da orelha, o lenço por dentro do colarinho, dispunha-se a prosseguir no trabalho interrompido pouco antes. Entrou no seu escritório e foi sentar-se à secretária.

Defronte dele, com uma gravidade oficial, empilhavam-se grandes livros de escrituração mercantil. Ao lado, uma prensa de copiar, um copo d água, sujo de pó, e um pincel chato; mais adiante, sobre um mocho de madeira preta, muito alto, via-se o Diário deitado de costas e aberto de par em par.

Tratava-se de fazer a correspondência para o Norte. Mal, porém, dava começo a uma nova carta, lançando cuidadosamente no papel a sua bonita letra, desenhada e grande, quando foi interrompido por um rapaz, que da porta do escritório lhe perguntou se podia falar com o Sr. Luís Batista de Campos.

- Tenha a bondade de entrar, disse este.

O rapaz aproximou-se das grades de cedro polido, que o separavam do comerciante. (…)

Casa de Pensão - 1884

Já na pensão, Amâncio também se torna um alvo de Lúcia, que também começava a pensar em seduzir o rapaz, visto que o ele tinha dinheiro e ela não sentia absolutamente nada por seu marido, Pereira. Com a convivência na pensão, Amâncio acaba se tornando relapso nos estudos e sentindo-se culpado por isso. Mas Amâncio cai doente: bexiga (varíola). Os hóspedes ficam com medo e começam a deixar a pensão, mas Lúcia mostra-se amiga do convalescente, para desespero de João Coqueiro e da esposa, que vêem nela uma concorrente à fortuna. Pensando em se livrar de Lúcia, o casal cobra o dinheiro devido, mas ela consegue com Amâncio a quantia solicitada. Amâncio quer transar com Lúcia, mas ela diz que só o faria se ele a tirasse de seu marido e a assumisse. Apesar de saldar a conta, Lúcia e seu marido saem da casa, após ela alertar Amâncio sobre a possível exploração que João Coqueiro planejava.

Neste ínterim, também Amélia cuida de Amâncio, mas a pensão começa a perder seus hóspedes devido à doença de Amâncio, e este começa a sustentar a casa. E quando ele pensa em sair da casa, Amélia diz amá-lo. Em função de sua doença, Amâncio acaba indo para Santa Teresa, com a sua nova família, é claro. Lá, ele passa a ter uma vida de homem casado com Amélia, com a conivência de João Coqueiro, que fingia não ver o que se passava. Este sentimento aumenta quando Amâncio perde seu pai e herda sua parte da herança. Aproveitando-se na ocasião, Amélia pede uma casa a Amâncio, que reluta, mas cede. Por esta época, Amâncio é aprovado nos testes do primeiro ano da faculdade, e numa festa em comemoração do fato, ele tenta agarrar D. Hortênsia, mas esta recua.

Como Amâncio não havia ainda visitado a mãe, D. Ângela lhe escreve, pedindo uma visita, mas Amélia se impõe e não o deixa partir, dizendo que ela poderia ir junto, após o casamento. Amâncio recua, a vida de homem casado o oprime. Por esta época, Amâncio escreve uma carta se declarando a D. Hortênsia, mas Amélia a encontra e mostra ao seu irmão. Durante uma discussão sobre a viagem, Amâncio chama a família de filantes e pensa em partir sem comunicá-los. Entretanto, João Coqueiro já havia se preparado para isto.

Certo dia, quando Amâncio partiria para o Maranhão, já no cais, ele é detido pela polícia, acusado por João Coqueiro de ter violentado sua irmã. Com o fato, o Sr. Campos pensa em defendê-lo, mas desiste ao receber a carta que Amâncio escrevera para sua esposa.

Apesar das testemunhas falsas, Amâncio é absolvido do crime. João Coqueiro, então, passa a ser chacoteado por estudantes, que o acusavam de exploração, de viver na casa que de Amâncio. Desesperado com a pressão de Mme. Brizard e humilhado com a situação, João Coqueiro procura Amâncio num quarto de hotel e o mata. Ironicamente, aqueles que apoiavam Amâncio durante o processo, automaticamente passam a simpatizar com a ação de João Coqueiro.

O romance acaba com a chegada de D. Ângela ao Rio de Janeiro e a descoberta por parte desta da morte de seu filho.

Observações importantes[editar | editar código-fonte]

Casa de Pensão é uma espécie de narrativa intermediária entre o romance de personagem(O Mulato) e o romance de espaço (O Cortiço). Como em O Mulato, todas as ações ainda estão vinculadas à trajetória do herói, nesse caso, Amâncio de Vasconcelos. Mas, como em O Cortiço, a conquista, ordenação e manutenção de um espaço é que impulsiona, motiva e ordena a ação. Espaço e personagem lutam, lado a lado, para evitar a degradação.

As teses naturalistas, especialmente o Determinismo, alicerçam a construção das personagens e das tramas.

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Amâncio: Jovem preguiçoso e mulherengo, sua vida se resumia em festas e badalações, e era muito rico;
  • Campos: marido de Hortênsia, descobre depois o relacionamento de Amâncio com sua mulher e fica contra ele (sempre esteve do lado de Amâncio);
  • Hortênsia: mulher de Campos, sofre assédio de Amâncio;
  • João Coqueiro: dono da pensão, quer que Amâncio se case com Amélia;
  • Amélia: irmã de João Coqueiro;
  • Mme. Brizard: esposa de João Coqueiro, apóia o romance de Amélia com Amâncio,pois ele é um garoto estudioso.
  • Lúcia e Pereira: hóspedes da casa de pensão; Lúcia também é uma das pessoas que querem tomar o dinheiro de Amâncio, e Pereira é seu marido, que não faz nada na vida;
  • Paiva e Simões: "amigos" de João Coqueiro que só se interessam por seu dinheiro.

Amâncio era um rapaz que não gostava de estudar. (Percebe-se isso na dificuldade que ele tiha em concentrar-se nos estudos)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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