Casablanca

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Casablanca
الدار البيضاء
—  Cidade  —
Selo de Casablanca
Selo
apelido/alcunha(s) Casa
Casablanca está localizado em: Marrocos
Casablanca
Localização de Casablanca no Marrocos
33° 34' 30" N 7° 36' 5" O
País  Marrocos
Região Grande Casablanca
Província Casablanca
Fundação Século VII
Fundador Berberes
Administração
 - Prefeito Mohammed Sajid (PAM)
Área
 - Total 600 km²
 - Metropóle 1615 km²
Altitude 58 m (190 pés)
População (2010 Estimativa)[1]
 - Total 5 550 000
    • Densidade 10 123,7/km2 
' - Metropóle' 7 631 061
Gentílico: bedawa
Código postal 20 000, 20 200, 20 300, 20 400, 20 500, 20 600.
Sítio www.casablanca.ma

Casablanca[nota 1] (em árabe: الدار البيضاء; transl.: ad-Dhar-al-Bayda) é a maior cidade de Marrocos, na costa atlântica do país, e uma das maiores do Norte de África. Tem cerca de 5,5 milhões de habitantes. É o maior porto e o maior centro industrial e comercial de Marrocos.

A cidade possui uma praça principal, da qual irradiam diversas avenidas. Na generalidade, os edifícios constituem uma versão francesa da arquitectura árabe-andaluza, brancos com linhas simples, sendo de especial interesse a área da Praça das Nações Unidas, onde se localizam as maiores infra-estruturas.

Foi completamente destruída pelo terramoto de 1755. Nessa época instalaram-se na cidade muitos mercadores espanhóis passando Casa Branca a ser conhecida como Casablanca. Foi ocupada em 1907 pelos franceses que promoveram o seu desenvolvimento.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em Janeiro de 1943, foi o palco de uma conferência entre o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

História[editar | editar código-fonte]

Antes do Protectorado Francês[editar | editar código-fonte]

A área que hoje Casablanca ocupa foi colonizada pelos berberes, por volta do século X a.C.[3] Foi utilizada como porto pelos fenícios e depois pelos romanos.[4] Um pequeno reino independente, na zona com o nome de Anfa, surgiu na zona em resposta aos árabes muçulmanos, e continuou a existir até à sua conquista pelos Almorávidas em 1068.

Durante o século XIV, sob os Merínidas, a cidade aumentou em importância como porto e, no início do século XV, tornou-se novamente independente. Surgiu como um porto seguro para os piratas, o que conduziu a ataques por parte dos portugueses, que a nomeavam Anafé, e que destruíram a cidade em 1468. Os portugueses usaram as ruínas para construir uma fortaleza militar em 1515. A povoação que cresceu em torno dela era, de acordo com algumas fontes, chamada "Casa Branca", e daí o nome actual. Anfa é hoje o nome um bairro a oeste no centro da cidade. Os portugueses abandonaram a zona definitivamente em 1755 na sequência do grande sismo que a destruiu, e o núcleo urbano foi reconstruído pelo sultão de Marrocos a partir de 1757.

A cidade e a medina de Casablanca como hoje existe foram fundadas em 1770 pelo sultão Mohammed ben Abdallah (1756-1790), neto de Moulay Ismail. A cidade tinha o nome de Dar el Beida (que significa "Casa Branca" em árabe) e Casa Blanca em castelhano.

No século XIX Casablanca tornou-se um dos principais fornecedores de para a indústria têxtil, então em expansão na Grã-Bretanha, e beneficiou do aumento do tráfego marítimo (os britânicos, em contrapartida, começaram a importar a agora famosa bebida nacional do Marrocos, o chá pólvora). Por volta de 1860 tinha cerca de 5 000 habitantes. A população cresceu para cerca de 10 000 no final da década de 1880[5] . Casablanca manteve uma dimensão do porto algo modesta, com a população a atingir cerca de 12 000 poucos anos após a conquista francesa e a chegada de colonos franceses, inicialmente administradores dentro de um sultanato soberano, em 1906. Até 1921 deu-se o grande aumento para 110 000 habitantes[5] em grande parte através do desenvolvimento de bairros de lata.

Protectorado Francês[editar | editar código-fonte]

Em Junho de 1907 os franceses tentaram construir uma linha de trem, próxima ao porto, que passava por um cemitério. Os habitantes da cidade atacaram os trabalhadores franceses, e seguiram-se violentos tumultos. Chegaram tropas francesas para restaurar a ordem pública e tomaram conta da cidade. Foi o início de um real processo de colonização, embora o controle francês de Casablanca só fosse formalizado em 1910. Foi especialmente durante o mandato do governador Hubert Lyautey que Casablanca se tornou o grande centro económico marroquino e o maior porto de África.

O filme Casablanca, de 1942, mostra o estatuto colonial da cidade naquela época, como centro de luta de poder entre as potências inimigas europeias, sem qualquer referência à população local, e com um vasto naipe de personagens cosmopolitas (americanos, franceses, alemães, checos e outros) mas nenhum árabe.

Após a independência[editar | editar código-fonte]

Boulevard de Paris, em Casablanca.

Marrocos obteve a independência de França em 2 de Março de 1956.

Em 16 de Maio de 2003, 33 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas quando a cidade foi atingida por múltiplos ataques suicidas executados por marroquinos possivelmente ligados à al-Qaida.

Economia[editar | editar código-fonte]

Casablanca possui um dos maiores portos artificiais do mundo, sendo um local importante de negócios e comércio. As principais indústrias são a pesqueira, a vidreira, a de mobiliário, a de materiais de construção e a do tabaco. Existem várias áreas de comércio, onde são vendidos vários tipos de produtos, nomeadamente o artesanato.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

O inverno como em todas as cidades do norte da África é com temperaturas não muito altas, mas também não baixas. Os verões não são muito quentes, mas muito secos.

O clima de Casablanca é comparável ao de San Francisco (Estados Unidos), de Santiago (Chile), de Melbourne (Austrália) ou da Cidade do Cabo (África do Sul).

Durante o verão, as chuvas e massas de calor são muito raras. O Clima da cidade é Mediterrânico

Nuvola apps kweather.svg Médias meteorológicas para Casablanca Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Média alta °C (°F) 17.1
(63)
18.8
(66)
19.7
(67)
21.3
(70)
22.2
(72)
24.4
(76)
26.2
(79)
26.7
(80)
25.5
(78)
22.1
(72)
19.8
(68)
19.7
(67)
21,95
(72)
Média diária °C (°F) 12.15
(54)
14.65
(58)
15.85
(61)
16.95
(63)
19.1
(66)
21.5
(71)
23.15
(74)
23.95
(75)
22.4
(72)
18.6
(65)
15.65
(60)
15.3
(60)
18,27
(65)
Média baixa °C (°F) 7.2
(45)
10.5
(51)
12.0
(54)
12.6
(55)
16.0
(61)
18.6
(65)
20.1
(68)
21.2
(70)
19.3
(67)
15.1
(59)
11.5
(53)
10.9
(52)
14,58
(58)
Precipitação cm (polegadas) 4.01
(1.6)
0.0
(0)
0.0
(0)
4.37
(1.7)
1.44
(0.6)
0.0
(0)
0.0
(0)
0.07
(0)
0.97
(0.4)
6.74
(2.7)
1.82
(0.7)
10.57
(4.2)
30
(11,8)
Média dia precipitação 6 0 0 12 5 0 0 2 4 5 8 12 54
Fonte: World Meteorological Organization (UN)[6]

Urbanismo[editar | editar código-fonte]

Infra-estruturas de transporte[editar | editar código-fonte]

Casablanca está dotada de uma via rápida urbana de 22 km que serve a cidade segundo um eixo este-oeste, bem como de uma auto-estrada que a contorna (a Périphérique de Casablanca, ou A5) com 33,5 km e que liga a três eixos rodoviários principais de Marrocos: as auto-estradas A3 (Casablanca-Rabat), A6 (Casablanca-El Jadida) e a A7 (Casablanca-Marraquexe). A cidade é o nó rodoviário mais importante de Marrocos.

Casablanca é igualmente servida por um aeroporto, que é o mais importante em volume de passageiros não apenas do país mas de toda a região do Maghreb, o Aeroporto Internacional Mohammed V, a cerca de 30 km do centro da cidade. Trata-se de um verdadeiro hub para a linha aérea nacional, a Royal Air Maroc, com três terminais capacitados para 16,4 milhões de passageiros/ano, servido por 45 companhias aéreas e ligado a 70 destinos internacionais. O aeroporto serviu mais de 6,2 milhões de passageiros em 2008. Conta igualmente com dois terminais de carga com capacidade para 150 000 ton/ano.

Casablanca é servida pelo Al Bidaoui, uma rede ferroviária com oito estações.

O plano de mobilidade urbano, terminado em 2006, previa, no quadro do projecto Casa 2010, o desenvolvimento de uma rede de transporte colectivo de metropolitano com duas linhas (o Metropolitano de Casablanca), três linhas de elétrico (bonde) e uma nova linha férrea. Esta última poderá vir a ser construída em 2011.

O porto de Casablanca detém 54% do tráfego portuário marroquino e é o quarto mais movimentado de toda a África. Cada ano movimenta mais de 20 milhões de toneladas de mercadorias e 500 000 contentores.

A cidade de Casablanca dispõe de duas estações ferroviárias principais: a Casa-Port e a Casa-Voyageurs que são utilizadas por mais de 8 milhões de passageiros por ano.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Parque da liga árabe.

Casablanca é a terceira maior cidade turística de Marrocos[7] , sendo principalmente uma cidade de negócios por ser a capital económica do país. Mesmo sendo menos visitada que Marraquexe e Agadir, a cidade ambiciona prolongar a estadia dos visitantes que em média é de dois dias.

Lugares a visitar[editar | editar código-fonte]

  • Parque da Liga Árabe e Parque Yasmina;
  • Museu da Villa des Arts;
  • Bairro dos Habbous (الحبوس) ou Nova Medina com lojas de artesanato;
  • Praça Mohammed V: em redor da praça desenvolve-se a wilaya de Casablanca com o campanário de inspiração toscana e o Palácio da Justiça de inspiração árabe-andaluza e uma grande fonte ;
  • A grande Mesquita Hassan II, construída entre 1986 e 1993. Célebre pelo grande minarete de 200 m, e, depois das mesquitas de Meca e de Medina, a terceira maior do mundo;
  • A antiga Catedral do Sagrado Coração de Casablanca;
  • A antiga medina (Bab Marrakech);
  • As numerosas fachadas « Art déco », em especial ao longo da avenida Mohammed V, boulevard 11 janvier, etc.;
  • O mercado central;
  • A estrada marginal e as praias (Aïn Diab);
  • O marabout de Sidi Abderrahman;
  • Derb Ghallef: uma grande feira da ladra, uma espécie de mercado que lembra as histórias de Ali Baba, ao ar livre;
  • Twin Center Casablanca : duas torres gémeas de 28 pisos com 115 m de altura e com um centro comercial de 130 lojas em 3 pisos, em pleno Maarif, o bairro comercial de Casablanca;
  • Megarama:, complexo de cinemas;
  • Festival du Boulevard des jeunes musiciens: festival de musique anual à Casablanca;
  • Festival de Casablanca: festival anual organizado pelo município.

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Cidades irmãs[editar | editar código-fonte]

Cidades Parceiras[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Em Topónimos e Gentílicos, o professor e linguista Ivo Xavier Fernandes defende o uso da forma vernácula Casabranca em português, com uso muito reduzido na língua.[2]

Referências

  1. Título não preenchido, favor adicionar.
  2. Fernandes, Ivo Xavier. Topónimos e Gentílicos. Porto: Editora Educação Nacional, Lda., 1941. vol. I.
  3. Casablanca Jewish Virtual Library.
  4. LexicOrient.
  5. a b Pennel, CR: Morocco from Empire to Independence, Oneworld, Oxford, 2003, p 121
  6. http://www.worldweather.org/045/c00179.htm
  7. Jeune Afrique:Ville de passage (em francês).
  8. Kuala Lumpur fact file Asian-Pacific City Summit. Página visitada em 21 de julho de 2008.
  9. Agência de Notícias Brasil - Árabe (ANBA). Rio e Casablanca são cidades irmãs. Página visitada em 8 de setembro de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Casablanca