Casimiro de Abreu (Rio de Janeiro)

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Município de Casimiro de Abreu
Portal de entrada da cidade

Portal de entrada da cidade
Bandeira de Casimiro de Abreu
Brasão de Casimiro de Abreu
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 15 de setembro de 1859 (154 anos)
Gentílico casimirense
Prefeito(a) Antônio Marcos de Lemos Machado (PSC)
(2013–2016)
Localização
Localização de Casimiro de Abreu
Localização de Casimiro de Abreu no Rio de Janeiro
Casimiro de Abreu está localizado em: Brasil
Casimiro de Abreu
Localização de Casimiro de Abreu no Brasil
22° 28' 51" S 42° 12' 14" O22° 28' 51" S 42° 12' 14" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Baixadas IBGE/2008 [1]
Microrregião Bacia de São João IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Cabo Frio, Macaé, Nova Friburgo, Rio Bonito, Rio das Ostras e Silva Jardim
Distância até a capital 127 km
Características geográficas
Área 460,843 km² [2]
População 35 373 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 76,76 hab./km²
Altitude 17 m
Clima Quente e úmido com chuvas concentradas entre Outubro e Março
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,726 (29º) – alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 1 435 588,326 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 48 156,33 IBGE/2008[5]
Página oficial

Casimiro de Abreu é um município do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Está a uma altitude de 17 metros. Sua população estimada em 2008 era de 29 811 habitantes. Município litorâneo, Casimiro de Abreu é um polo de turismo ecológico e rural: rios, cachoeiras e mar são suas grandes atrações, principalmente no distrito de Barra de São João.

Reparte, com o município vizinho de Silva Jardim, a Reserva Biológica Poço das Antas, que abriga vários animais ameaçados, entre eles o mico-leão-dourado. O nome do município vem de seu ilustre filho, o poeta romântico Casimiro de Abreu (1839-1860). Sua população estimada em 2005 era de 26 243 habitantes, possuindo uma área de 462,98 km².

A sede do município localiza-se às margens da rodovia BR-101, principal rodovia do norte do Estado do Rio de Janeiro. Antes de ser elevada à categoria de cidade, abrigou a fazenda Indaiaçu, pertencente ao pai do poeta Casimiro de Abreu. Na parte serrana do município, encontram-se os povoados de Barra do Sana, Cascata e São Romão, subindo pela rodovia RJ-142, bem como Quartéis ou Aldeia Velha, situada a 8 km da BR-101 e da portaria da Reserva Biológica Poço das Antas por uma estrada não pavimentada.

História[editar | editar código-fonte]

Terminal rodoviário de Casimiro de Abreu, às margens da BR-101.

Até a chegada dos colonizadores de origem portuguesa, no século 17, a região era habitada pela tribo saraçu, um ramo dos índios goitacás. Aos poucos, os goitacás foram sendo exterminados pelos colonizadores de origem portuguesa. No século 18, existia, na região, a aldeia Indaiaçu, de índios guarulhos (outro ramo dos goitacás), que havia sido fundada pelo capuchinho italiano Francisco Maria Tali e que viria a dar origem à atual cidade de Casimiro de Abreu.[6]

A primeira capela, dedicada à Sacra Família, foi erguida em 1748. Em 1761, passou a constituir a freguesia de Sacra Família de Ipuca. Frequentes epidemias obrigaram a transferência da freguesia para junto do rio São João, onde foi construída uma igreja dedicada ao santo homônimo. Em 1800, foi criada a freguesia de "Barra de São João", subordinada ao município de Macaé. Em 19 de maio de 1846, a freguesia foi elevada à categoria de vila, separando-se de Macaé. Em 1890, foi elevada à categoria de cidade e o distrito de Indaiassu foi anexado.

Em 1901, a sede do município transferiu-se de Barra de São João para Indaiassu, e o nome do município também mudou de "Barra de São João" para "Indaiassu". Em 1904, ambas as alterações foram revertidas. Em 1925, a sede do município transferiu-se novamente para Indaiassu, que alterou seu nome para "Casimiro de Abreu", em homenagem ao famoso poeta nascido no município. Em 1938, o município inteiro passou a denominar-se "Casimiro de Abreu".[7]

Casimiro de Abreu[editar | editar código-fonte]

Casimiro de Abreu (Casimiro José Marques de Abreu), poeta, nasceu em Barra de São João, RJ, em 4 de janeiro de 1839, e faleceu em Nova Friburgo, RJ, em 18 de outubro de 1860. É o patrono da Cadeira n. 6 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Teixeira de Melo.

Era filho natural do abastado comerciante e fazendeiro português José Joaquim Marques Abreu e de Luísa Joaquina das Neves. O pai nunca residiu com a mãe de modo permanente, acentuando, assim, o caráter ilegal de uma origem que pode ter causado bastante humilhação ao poeta. Passou a infância sobretudo na propriedade materna, Fazenda da Prata, em Correntezas. Recebeu apenas instrução primária, estudando dos 11 aos 13 anos no Instituto Freeze, em Nova Friburgo (1849-1852), onde foi colega de Pedro Luís, seu grande amigo para o resto da vida. Em 1852, foi para o Rio de Janeiro praticar o comércio, atividade que lhe desagradava, e a que se submeteu por vontade do pai, com o qual viajou para Portugal no ano seguinte. Em Lisboa, iniciou a atividade literária, publicando um conto e escrevendo a maior parte de suas poesias, exaltando as belezas do Brasil e cantando, com inocente ternura e sensibilidade quase infantil, suas saudades do país.

Lá, compôs também o drama Camões e o Jau, representado no teatro D. Fernando (1856). Ele só tinha dezessete anos, e já colaborava na imprensa portuguesa, ao lado de Alexandre Herculano, Rebelo da Silva e outros. Não escrevia apenas versos. No mesmo ano de 1856, o jornal O Progresso imprimiu o folhetim Carolina, e na revista Ilustração Luso-Brasileira saíram os primeiros capítulos de Camila, recriação ficcional de uma visita ao Minho, terra de seu pai.

Em 1857, voltou ao Rio, onde continuou residindo a pretexto de continuar os estudos comerciais. Animava-se em festas carnavalescas e bailes e freqüentava as rodas literárias, nas quais era bem relacionado. Colaborou em A Marmota, O Espelho, Revista Popular e no jornal Correio Mercantil, de Francisco Otaviano. Nesse jornal, trabalhavam dois moços igualmente brilhantes: o jornalista Manuel Antônio de Almeida e o revisor Machado de Assis, seus companheiros em rodas literárias. Publicou As primaveras em 1859. Em 1860, morreu o pai, que sempre o amparou e custeou de bom grado as despesas da sua vida literária, apesar das queixas românticas feitas contra a imposição da carreira. A paixão absorvente que consagrou à poesia justifica a reação contra a visão limitada com que o velho Abreu procurava encaminhá-lo na vida prática.

Doente de tuberculose, buscou alívio no clima de Nova Friburgo. Sem obter melhora, recolhe-se à fazenda de Indaiaçu, em São João, onde veio a falecer, seis meses depois do pai, faltando três meses para completar vinte e dois anos.

Em "As primaveras", acham-se os temas prediletos do poeta e que o identificam como lírico-romântico: a nostalgia da infância, a saudade da terra natal, o gosto da natureza, a religiosidade ingênua, o pressentimento da morte, a exaltação da juventude, a devoção pela pátria e a idealização da mulher amada. A sua visão do mundo externo está condicionada estreitamente pelo universo do burguês brasileiro da época imperial, das chácaras e jardins. Trata de uma natureza onde se caça passarinho quando criança, onde se arma a rede para o devaneio ou se vai namorar quando rapaz.

À simplicidade da matéria poética, corresponde amaneiramento paralelo da forma. Casimiro de Abreu desdenha o verso branco e o soneto, prefere a estrofe regular, que melhor transmite a cadência da inspiração "doce e meiga" e o ritmo mais cantante. Colocado entre os poetas da segunda geração romântica, expressa, através de um estilo espontâneo, emoções simples e ingênuas. Estão ausentes na sua poesia a surda paixão carnal de Junqueira Freire, ou os desejos irritados, macerados, do insone Álvares de Azevedo. Ele pôde sublimar em lânguida ternura a sensualidade robusta, embora quase sempre bem disfarçada, dos seus poemas essencialmente diurnos, nos quais não se sente a tensão das vigílias.

No poema "Violeta", configura a teoria do amor romântico, segundo a qual devem ficar subentendidos os aspectos sensuais mais diretos, devendo, ao contrário, ser manifestado, com o maior brilho e delicadeza possível, o que for idealização de conduta. O meu livro negro, em toda a sua obra, é o único momento de amargura violenta e rebeldia mais acentuada; noutros, o drama apenas se infiltra, menos compacto. Em sua poesia, talvez exagerada no sentimentalismo e repleta de amor pela natureza, pela mãe e pela irmã, as emoções se sucedem sem violência, envolvidas num misto de saudade e de tristeza.

Distritos de Casimiro de Abreu[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 29 de Julho de 2013..
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Portal da prefeitura de Casimiro de Abreu. Disponível em http://www.casimirodeabreu.rj.gov.br/historia.html. Acesso em 23 de novembro de 2013.
  7. CityBrazil. Disponível em http://www.citybrazil.com.br/rj/casimiroabreu/historia-da-cidade. Acesso em 23 de novembro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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