Caso Bianca Consoli

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"Caso Bianca Consoli"
Local do crime São Paulo,  São Paulo,  Brasil
Vítimas Bianca Ribeiro Consoli
Réus Sandro Dota
Advogado de defesa Ricardo Martins de São José Junior (destituido pelo réu em 25/07/2013)
Promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior e Assistente de Acusação = Cristiano Medina da Rocha
Juiz Fernanda Afonso de Almeida
Situação primeiro julgamento cancelado no ultimo dia de juri em 25/07/2013; remarcado para 18/09/2013; o réu foi condenado pelos crimes de estupro e homicídio triplamente qualificado a 31 anos de reclusão, por unanimidade de votos.

O Caso Bianca Consoli (Assis, 29 de fevereiro de 1992 - São Paulo, 13 de setembro de 2011) refere-se à morte da estudante Bianca Ribeiro Consoli no dia 13 de setembro de 2011 no Parque São Rafael, na capital de São Paulo. A jovem de 19 anos foi encontrada morta pela mãe dentro da própria casa. O cunhado da vítima, Sandro Dota, foi preso e indiciado pelo homicídio.[1] [2]

Caso[editar | editar código-fonte]

Crime[editar | editar código-fonte]

A estudante Bianca Ribeiro Consoli foi encontrada morta dentro de sua casa[1] no Parque São Rafael, zona leste de São Paulo no dia 13 de setembro de 2011. Os pais da jovem estavam trabalhando e ela estava sozinha em casa quando foi assassinada.[3]

Ao chegar em casa, a mãe de Bianca pediu para um primo da jovem pular o portão e destrancá-lo por dentro, pois ela estava sem as chaves.[4] Após entrar ela encontrou o corpo da jovem na sala, próximo a uma porta que dá acesso à sacada.

Bianca apresentava ferimentos no pescoço e alguns moveis da casa estavam revirados, mas nada foi roubado.[5] O Corpo de Bombeiros foi acionado e chegou a tentar reanimá-la, mas não foi possível. Bianca já estava morta.

Investigações[editar | editar código-fonte]

A Polícia científica encontrou sinais de luta na casa. Além dos peritos confirmarem que os móveis de um dos cômodos da casa estavam revirados, eles também encontraram marcas no abdômen da jovem, indicando que Consoli pode ter sido agarrada por trás, de surpresa.

Oficialmente, só três pessoas tinham a chave da casa: a mãe, Marta — que naquele dia esquecera a chave —, o padrasto e a própria Bianca.[5] Na residência, os peritos recolheram digitais, mechas de cabelo, uma tesoura — que os parentes afirmaram não estar na casa antes do crime — e o computador da jovem.

Versão da polícia[editar | editar código-fonte]

Segundo as investigações, Bianca foi atacada quando acabara de tomar banho e preparava-se para ir à academia.[5] Na cama, os peritos encontraram uma toalha usada pela jovem, ainda molhada. Bianca teria reagido e iniciado intensa luta corporal, em que ela e o criminoso teriam descido as escadas.[5] Os investigadores encontraram mechas de cabelo nos degraus.[5] Os dois chegaram à sala e objetos foram quebrados e derrubados. Os policiais também encontraram móveis fora do lugar. Neste momento, o criminoso terminou de enforcar a vítima e pôs um saco plástico em sua boca.[5]

Para os familiares, Bianca lutou muito para evitar uma possível violência sexual.[5] Eles ainda afirmaram acreditar que o criminoso conhecia Bianca e que teve acesso à chave da casa.[5]

Depoimentos[editar | editar código-fonte]

Além da mãe e da irmã de Bianca, o padrasto e o ex-namorado da vítima foram ouvidos pela Polícia Civil. Uma balconista da academia que Consoli frequentava também foi chamada pela polícia para depor. O cunhado de Bianca, Sandro Dota, também prestou depoimento e, segundo informações, falou sobre os últimos dias de vida da jovem e do relacionamento dela com a família. Após as declarações, Sandro foi encaminhado para o Instituto Médico Legal. Como apresentava alguns ferimentos no corpo, foi submetido a exame de corpo de delito. Ele afirmou que os machucados ocorreram após uma queda.

Prisão[editar | editar código-fonte]

Sandro Dota, cunhado de Bianca, foi preso no dia 12 de dezembro de 2011.[4] O acusado negou que tenha cometido o homicídio. Segundo o promotor do caso, Antônio Nobre Folgado, um dos laudos apontou que o sangue que Bianca tinha debaixo das unhas era o mesmo que Sandro tinha na calça que usava no dia do crime.[6] [1] [7] A calça foi entregue pela mulher do suspeito.[2] Ele se recusou a fazer exame de DNA. Ele foi indiciado por homicídio triplamente qualificado.[6] A polícia acredita que o crime pode ter tido motivação sexual.[2]

Julgamento[editar | editar código-fonte]

No dia 22 de Julho de 2013 inicia-se o julgamento do réu, mas no dia 25 de Julho de 2013 provável dia em que o juri se encerraria Sandro Dota surpreendeu os presentes no tribunal do juri, alegando não confiar mais em seu defensor o destituiu, forçando assim, a juíza remarcar uma data posterior. A data prevista para novo juri é dia 18 de setembro de 2013, esta decisão do réu em destituir seu defensor causou muita revolta entre os amigos e familiares de Bianca Consoli. Sandro Dota confessou o assassinato em uma carta escrita por seu próprio punho no entanto, negando que estuprou a vítima.

Acidente e morte do ex-namorado[editar | editar código-fonte]

O ex-namorado de Bianca, André Neres Maciel, morreu na madrugada do dia 08/10/2011, vitima de um acidente de trânsito ocorrido em Santo André, na Grande São Paulo.

O acidente ocorreu quando ele voltava de uma festa com alguns amigos. O carro em que eles estavam se chocou contra uma coluna de proteção e ficou totalmente destruído. André morreu na hora.

Segundo relato da irmã de André, Priscila Neres Maciel, seu irmão teve um pressentimento ruim antes do acidente.

Bianca foi assassinada dia 13 de setembro de 2011, dia do Aniversário de André Neres. Na hora em que cortavam o bolo em uma festa em sua própria casa o telefone celular de André tocou, André não disse uma palavra apenas saiu desnorteado. A mãe perguntou : O que houve André? Ele respondeu: isso só pode ser um trote, uma brincadeira e ao confirmar o fato caiu em lágrimas. André namorou Bianca Consoli durante muitos anos e chegaram a ficar noivos, mas se separaram em janeiro deste ano. Maciel foi enterrado no mesmo cemitério que Bianca e, segundo a mãe dele, Márcia Neres Maciel, um jazigo será construído para que os dois corpos fiquem enterrados juntos.

Júri Sandro Dota: Acusação prova que Bianca Consoli foi Estuprada[editar | editar código-fonte]

O promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior começou por volta das 15h a réplica no julgamento de Sandro Dota, acusado de matar a universitária Bianca Consoli, em setembro de 2011, na zona leste de São Paulo. Enfático, ele refutou o que a defesa argumentou, no início dos debates, de que havia dúvidas no processo.

— Há prova, sim, de que Bianca foi estuprada naquele dia: as lesões constantes no laudo.

Ele destacou que a vítima, ao ser atacada, preparava-se para ir à academia, e que se a jovem apresentasse os ferimentos na região perianal antes do crime, ela não teria condições de treinar.

O representante do Ministério Público rebateu, mais uma vez, a tese de homicídio privilegiado, quando o autor comete o assassinato sob violenta emoção, logo após uma injusta provocação. Reiterou que se tratava de uma manobra para atenuar a pena do motoboy.

— Ele foi para matar. Ele tinha aquela sacolinha e introduziu na boca [ da vítima].

Pereira acrescentou:

— Cuidado, porque vem a defesa com discurso de que, na dúvida, se absolve. Cuidado, porque isso é uma fala para a impunidade... Hoje, a tese da defesa é rua. Ele matou, ele estuprou uma menina e a defesa quer rua.

Defesa de Sandro Dota vê falha em perícia e diz que não há provas de estupro

Voltado para os jurados, o promotor leu todos os quesitos que serão votados na sala secreta. Em uma lousa, ele indicava como cada questão deveria ser respondida. No final, fez um apelo:

— Não à impunidade, senhores. Justiça nesta data. Eu clamo pela punição pelos dois crimes. Do contrário, é a punição da família [da vítima]. É a pena de morte para a família, para a sociedade.

ATOR DO MAL

A segunda meia hora da réplica foi utilizada pelo assistente de acusação Cristiano Medina da Rocha. Em tom exaltado e transmitindo muita emoção ele ironizou, afirmando que Sandro Dota era “um ator do mal de fatos reais", contudo é um "péssimo roteirista”.

Ele começou a explanação prometendo “desmascarar o assassino e estuprador” e enfatizou que o motoboy era um “risco para todos nós”, e para a sociedade em geral. Ele acrescentou, alegando que Dota em liberdade era de “extrema periculosidade” e que voltará a delinquir. O acusado acompanhava tudo de cabeça baixa.

Medina em tom exaltado disse que Sandro — "É um mentiroso. Assassino frio e calculista." Tem que ficar muito tempo no presídio, pois caso contrário, outras pessoas poderão se tornar suas vítimas, assim como Marta (mãe de Bianca), Daiana (irmã da vítima e ex-esposa do réu) e outros da família da jovem assassinada, já que segundo testemunhas Sandro teria ameaçado de se vingar daqueles que lhe acusassem.

Na avaliação de Medina, se o réu sair do tribunal com a absolvição pelo crime de estupro e com a condenação por homicídio privilegiado além da impunidade será “um estimulo para que ele continue cometendo atrocidades”.

O advogado mostrou ainda aos jurados fotos das lesões da vítima, imagens da jovem, de uma lista de objetivos que ela tinha pregada em painel do quarto dela. Ele ainda leu um texto escrito por Bianca, no qual a universitária se descrevia como uma pessoa organizada e que procurava “viver em harmonia” e falava sobre os planos que tinha na vida, como fazer cursos, aprender idiomas, estudar, casar e ter filhos. O advogado lembrou que os sonhos dela foram interrompidos. Neste momento, o assistente de acusação comoveu a todos, tendo tirado lágrimas dos familiares, do público em geral que assistia indignados ao julgamento e até do Promotor Nelson que a todo tempo apoiava o assistente de acusação.

Apontando para o réu, Medina pediu aos jurados que dissessem não para Dota e sim para a família da vítima, para Bianca e para a Justiça.

— Esse assassino não pode sair com um voto favorável a ele. Preciso que os senhores se unam à família e digam não para Sandro Dota.

Por unanimidade de votos Sandro Dota foi condenado pelos crimes de estupro e homicídio triplamente qualificado, por motivo futil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A Juíza fixou a pena em 31 anos de reclusão em regime inicialmente fechado, tendo na sentença enfatizado que: - O réu é pessoa "dissimulada” e “manipuladora”; - Sandro Dota foi “maquiavélico” ao cometer os crimes e aproveitou a repercussão do crime para transformar o caso em um “circo” durante suas entrevistas concedidas para as inúmeras emissoras de televisão.


Referências

  1. a b c Irmã de Bianca Consoli diz que marido “nunca vai confessar” que matou jovem (html) (em português) R7 (19 de dezembro de 2011). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
  2. a b c Como a ciência contribuiu para desvendar a morte de Bianca e apontar o criminoso (html) (em português) R7 (18 de dezembro de 2011). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
  3. Parentes dizem que beleza de estudante pode ter motivado crime (html) (em português) R7 (16 de setembro de 2011). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
  4. a b Jovem encontrada morta é enterrada em Santo André (aspx) (em português) Diário do Grande ABC (15 de setembro de 2011). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
  5. a b c d e f g h Parentes de Bianca farão protesto no ABC contra morte da jovem (html) (em português) R7 (11 de novembro de 2011). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
  6. a b Tia de Bianca Consoli diz que sonhou que cunhado seria preso no dia 13 (html) (em português) R7 (13 de dezembro de 2011). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
  7. SP: suspeito de matar cunhada, motoboy é indiciado por falsidade (html) (em português) Terra (19 de janeiro de 2012). Página visitada em 28 de janeiro de 2012.
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