Caso Marcos Kitano

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"Caso Marcos Kitano"
Caso yoki 02.jpg

O CEO da Yoki desce para buscar uma pizza às 19h00min, são as últimas imagens do empresário vivo
Local do crime Vila Leopoldina, São Paulo
Data entre 19 e 20 de maio de 2012
desconhecida
Tipo de crime homicídio, esquartejamento e ocultação de cadáver
Arma(s) pistola .380
Vítimas Marcos Kitano Matsunaga
Réus Elize Kitano Matsunaga

Caso Marcos Kitano ou caso Yoki se refere ao homicídio do empresário brasileiro Marcos Kitano Matsunaga, que ocorreu em 19 de maio de 2012, quando o então CEO da empresa alimentícia Yoki tinha 42 anos de idade. O crime foi cometido por sua esposa, Elize Araújo Kitano Matsunaga, quando tinha 30 anos, que confessou tê-lo assassinado com um tiro na cabeça de pistola .380 e esquartejado o seu corpo.[1] A motivação do crime teria sido, segundo ela, a descoberta de uma relação extraconjugal de seu marido. Segundo Elize, somente ela teria sido responsável pelo crime, descartando a participação de outra pessoa. O caso está atualmente em julgamento. Elize será indiciada por homicídio qualificado, previsto no artigo 121 do Código Penal brasileiro.[2]

O crime[editar | editar código-fonte]

Elize sai sozinha do prédio, às 11h32min, levando três mochilas, nelas estão o corpo de Marcos Kitano

Após prestar depoimento de aproximadamente oito horas de Elize, a polícia especializada em homicídios fez a reconstituição do crime no dia 6 de junho de 2012. Elize foi levada até o edifício em que o crime ocorreu e onde ela morava com a filha e o marido, onde auxiliou os peritos a refazer as ações que tivera na noite de 20 de maio. As imagens de câmeras de segurança existentes no edifício ajudaram a polícia a desvendar o crime. O casal chegou ao prédio no sábado dia 19 às 18h30min acompanhado da filha do casal, então com um ano de idade, e da babá. A babá é dispensada instantes depois. Uma hora depois, por volta das 19h30min, o CEO da Yoki desce até o térreo para buscar uma pizza, ele aparece nas imagens falando ao celular. Segundo a polícia, Marcos Kitano estava falando com o seu pai. Essas são as últimas imagens do empresário vivo. No outro dia, domingo 20, às 5h00min, outra babá chega ao prédio. Elize desce por volta das 11h30min levando três mochilas, segundo Eliza, ali estaria o corpo do marido esquartejado. A mulher do executivo volta cerca de 12 horas depois, dessa vez, sem as mochilas.[3] [4] Análises no apartamento mostraram que Marcos Kitano foi morto com um tiro na cabeça de uma pistola .380 e que seu corpo foi arrastado, dentro do apartamento, por 15 metros. Trinta armas foram apreendidas no apartamento, segundo Elize, a utilizada no crime fora dada como presente a ela pelo marido. Ela o esquartejou utilizando uma faca de 30cm no quarto da empregada cerca de 12 horas depois do homicídio, o que explica a falta de sangue.

Durante o trajeto para abandonar o corpo, a mulher foi parada pela Polícia Rodoviária Federal por estar com a documentação irregular. O corpo de Marcos se encontrava dentro das mochilas, que estavam no porta-malas do carro e não foram revistadas pelos agentes. Elize se encontrava na região de Capão Bonito, São Paulo, quando foi multada, ela seguia em direção ao Paraná, porém, mudou de trajetória voltando em direção a São Paulo.[5] O corpo de Kitano foi encontrado dentro de sacos plásticos em Cotia, na Grande São Paulo. Com informações da operadora de celular de Elize, foi possível saber que ela esteve no mesmo lugar horas antes, fazendo um percurso de 40km para abandonar o corpo.[4]

Elize Matsunaga[editar | editar código-fonte]

A autora confessa do crime, Elize Araújo Kitano Matsunaga, nasceu no dia 29 de novembro de 1981 em uma família pobre na cidade de Chopinzinho, no interior do Paraná com pouco mais de 20 mil habitantes.[6] Criada pela mãe solteira empregada doméstica, passou a infância na cidade e estudou em colégios públicos, onde era tida como boa aluna e não teve problemas de comportamento. Aos 18 anos, Elize se muda para Curitiba, a 400 quilômetros da sua cidade natal, onde vai fazer um curso técnico de enfermagem e passa a trabalhar em um hospital. Pouco tempo depois, se mudou para São Paulo, onde tornou-se uma prostituta, oferencendo seus serviços por um site de relacionamentos. Foi dessa forma que Elize conheceu Marcos Kitano, enquanto ele ainda era casado.[7]

Marcos Kitano[editar | editar código-fonte]

Marcos Kitano, a vítima do crime, nasceu na cidade de São Paulo e passou sua infância no bairro de Parque Continental. Estudou nos melhores colégios da região, concluindo seus estudos normais em 1988 no colégio Santa Cruz, depois disso, Marcos foi estudar Administração na FGV. Sua família, que é herdeira da empresa alimentícia Yoki, fundada pelo avô de Marcos na década de 1960, passou para Marcos o controle da empresa depois de terminar os estudos. Alguns anos depois disso, e já casado, ele conhece Elize por um site de relacionamentos.[7]

Relacionamento[editar | editar código-fonte]

Encontro e brigas[editar | editar código-fonte]

Marcos conheceu Elize em 2004 por um site de relacionamentos em que ela se oferecia como prostituta, teria chamado a atenção do CEO da Yoki que, mesmo sendo casado, manteve encontros com a mulher. Elize viveu como amante do executivo por três anos, sem que a mulher de Marcos desconfiasse do caso. Ele resolveu se separar da sua esposa para se casar com Elize em outubro de 2009. A festa de casamento de Marcos e Elize teve cerca de 300 convidados e aconteceu no civil e no religioso, na Igreja Anglicana. Segundo depoimentos de famíliares e conhecidos aos investigadores, o casal tinha empatia e que não tiveram brigas até meados de 2010. O relacionamento passou a ficar conturbado quando Elize desconfiou estar sendo traída por Marcos. Segundo ex-funcionários do apartamento, desde esse período as brigas entre o casal se tornaram constantes. Em um dos relatos, um empregado disse que Elize obrigou Marcos a demitir uma secretária depois de desconfiar que ambos estariam tendo um caso. Tempos depois, Elize encontrou mensagens trocadas entre Marcos e uma outra mulher que tornaram mais fortes as suas desconfianças para com o marido. No final de 2010, Elize engravidou e depois do nascimento da filha do casal, as brigas foram amenizadas. A mulher voltara a desconfiar da fidelidade do marido nos últimos meses antes do crime, quando reclamava da apatia de Marcos e da falta de relacionamento entre os dois.[7]

Descoberta da traição[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2012, Elize resolveu contratar um detetive particular para descobrir se Marcos a estava traindo. Viajou para sua cidade natal no Paraná enquanto recebia as informações do detetive. Na mesma noite em que partita, no dia 17 de maio de 2012, Marcos encontrou-se com sua amante no hotel Mercure da Vila Olímpia, em São Paulo, os dois teriam ido jantar juntos no restaurante Alucci Alucci e em seguida retornado ao hotel. O detetive fez imagens das cenas e as enviou para Elize, que voltou para São Paulo no dia 19 de maio, quando cometeu o crime.[7] Nas semanas que seguiram o assassinato, houve uma verdadeira troca de espionagem, Marcos acusava a esposa de ter voltado a se prostituir e manter um outro amante com seu dinheiro, após descobrir fotos falsas que ela usava em outro site de acompanhantes, onde Elize se passava por Juliana ou Marielly.[8]

Filha do casal[editar | editar código-fonte]

Quando do ocorrido, a filha do casal Matsunaga tinha um ano de idade. Provisoriamente, a criança ficou sob a tutela da tia de Elize.[9] Segundo as duas famílias, uma disputa judicial pela guarda da filha, órfã de pai e com a mãe detida, está descartada. A família de Elize disse por meio de seu advogado, que não pretende pedir a guarda da criança. O representante da família do executivo, Matsunaga, também disse considerar desnecessária a disputa. Segundo as duas famílias, houve concordância de que a criança estaria bem assistida com a tia de Elize.[10]

Resultado[editar | editar código-fonte]

Prisão preventiva[editar | editar código-fonte]

Logo que o caso veio a público com o encontro e identificação dos restos mortais de Marcos Kitano, Elize confessou ser a autora do crime. Foi presa pela Polícia de São Paulo em 4 de junho de 2012. O advogado de Elize solicitou a revogação da prisão temporária um dia depois, pedido que foi negado pelo juiz da Vara Criminal de Cotia.[11] A prisão temporária venceria em 21 de maio, porém, o Ministério Público solicitou prisão preventiva de Elize até o julgamento do caso. Segundo o promotor José Carlos Cosenzo, o caso da mulher "se ajusta rigorosamente àquilo que é a prisão preventiva".[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Valmar Hupsel Filho (8 de junho de 2012). Filha do casal Matsunaga ficará sob a guarda da tia de Elize. Veja. Página visitada em 8 de junho de 2012.
  2. Valmar Hupsel Filho (6 de junho de 2012). Viúva confessa ter matado e esquartejado executivo da Yoki. Veja. Página visitada em 8 de junho de 2012.
  3. Valmar Hupsel Filho (7 de junho de 2012). Câmeras de segurança desvendam episódio, diz Polícia. Veja. Página visitada em 8 de junho de 2012.
  4. a b G1 (9 de junho de 2012). Polícia vai pedir que Elize Matsunaga fique presa até o julgamento. G1. Página visitada em 9 de junho de 2012.
  5. André Caramante (8 de junho de 2012). Elize foi parada pela polícia quando transportava o corpo do marido. Folha de S. Paulo. Página visitada em 9 de junho de 2012.
  6. Cassiane Seghatti (8 de junho de 2012). Histórico diz que Elize Matsunaga tem 30 anos e era boa aluna. G1. Página visitada em 22 de junho de 2012.
  7. a b c d Revista Veja. Edição 2273, 13 de junho de 2012. Páginas 84-90. ISSN 0100-7122.
  8. Marcos contratou em detetive para espionar Elize e vice-versa. helenas.com.br (2010-04-16).
  9. Valmar Hupsel Filho (8 de junho de 2012). Filha do casal Matsunaga ficará sob a guarda da tia de Elize. Veja. Página visitada em 9 de junho de 2012.
  10. Thais Arbex (8 de junho de 2012). Família de Elize não planeja pedir guarda da filha do casal. Veja. Página visitada em 9 de junho de 2012.
  11. Valmar Hupsel Filho (6 de junho de 2012). Justiça nega liberdade a Elize Matsunaga. Veja. Página visitada em 8 de junho de 2012.
  12. G1 (15 de junho de 2012). Promotor diz que situação de Elize se enquadra em prisão preventiva. G1. Página visitada em 15 de junho de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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