Caso Profumo

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O Caso Profumo consistiu num escândalo político no britânico com origem numa breve ligação sexual, em 1961, entre John Profumo, o Secretário de Estado da Guerra no governo conservador de Harold Macmillan, e Christine Keeler, uma futuro modelo de 19 anos de idade. Em Março de 1963, Profumo negou qualquer envolvimento no caso, numa declaração pessoal[nota 1] , no Parlamento britânico, mas foi forçado a admitir a verdade algumas semanas mais tarde. Profumo demitiu-se do governo e do Parlamento. As consequências do caso causaram sérios danos na confiança de Macmillan, e demitiu-se do cargo de primeiro-ministro, alegando problemas de saúde, em Outubro 1963. O seu partido conservador ficou afectado pelo escândalo, o que poderá ter contribuído para a sua derrota para o Partido Trabalhista nas eleições gerais de1964.

Quando o caso Profumo–Keeler foi revelado, o interesse público aumentou com os relatos de que Keeler poderá ter estado, em simultâneo, envolvida com o capitão Yevgeny Ivanov, um adido naval da soviético, potenciando, assim, o risco de segurança pública. Keeler conheceu Profumo e Ivanov através da sua amizade com Stephen Ward, um especialista em osteopatia e socialite, que a tinha acolhido. A exposição do caso deu origem a boatos sobre outros escândalos, como as actividade de Ward, que tinha sido acusado de ofensas à moral. Apercebendo-se de que o estão a querer tornar num bode expiatório pelos os actos de outros, Ward ingeriu uma dose letal de comprimidos para dormir durante a fase final do seu julgamento, que o considerou como culpado de se aproveitar das vidas imorais de Keeler e da sua amiga Mandy Rice-Davies.

Um inquérito realizado por um juiz superior, lorde Alfred Denning, concluiu que não houve quebras na segurança na ligaçao com Ivanov. Na sequência do caso, Profumo ofereceu-se para trabalhar como voluntário em Toynbee Hall, uma instituição de caridade na zona oriental de Londres. Em 1975, foi oficialmente reabilitado, embora não tenha regressado à vida pública. Morreu, com honra e respeito, em 2006. Keeler não conseguiu limpar a imagem negativa que os meios de comunicação, o julgamento e o parlamento, lhe construiram ao longo do caso Profumo. Em vários, e, por vezes, contraditórios, relatos, Keeler confrontou as conclusões de Denning em relação às questões sobre segurança. A condenação de Ward foi descrita por alguns analistas como um vingança do Establishment, e não como um serviço à justiça. Em Janeiro de 2014, o caso foi revisto pela Comissão de Revisão de Casos Criminais, com possibilidade de passar para o Tribunal de Apelação. O caso Profumo teve representações no cinema e no teatro.

Notas

  1. No parlamento do Reino Unido, uma "declaração pessoal" é um meio pelo qual um membro pode apresentar uma explicação de natureza pessoal, para corrigir um anterior engano, para confirmar ou negar algum boato, ou para se desculpar de qualquer ofensa proferida. De acordo com o jornalista político Wayland Young, como os membros do parlamento nunca são, por tradição, questionados sobre aqueles assuntos, estas são "ocasiões para transmitir uma mensagem de veracidade".[1]

Referências

  1. Young, p. 17

Bibliografia[editar | editar código-fonte]