Caso Renné Senna

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O caso Renné Senna diz respeito às circunstâncias que envolveram a morte do ex-lavrador Renné Senna (19532007), que ganhou 52 milhões de reais na Mega-Sena em julho de 2005 e foi assassinado no dia 7 de janeiro de 2007 com quatro tiros em um bar em Rio Bonito (RJ). A viúva, Adriana Almeida (a quem foi dada a alcunha pejorativa de “Égua Loura”) era 25 anos mais jovem que Senna e foi apontada pela polícia como a mandante do crime, supostamente motivada pela herança.[1]

Índice

[editar] Os antecedentes do crime

Renné Senna trabalhava desde criança como lavrador. Mais velho empregou-se num açougue, de onde saiu quando precisou amputar as pernas por complicações de diabetes. Sem emprego, contando apenas com a aposentadoria, vendia flores em cadeira de rodas à beira da estrada Rio-Santos. Foi abandonado pela primeira mulher, que levou sua única filha. A situação de Renné ficou tão complicada que ele nem sequer tinha onde morar.

Os amigos descrevem Renné como uma pessoa generosa mesmo nos tempos de dificuldades. Mesmo à beira da miséria, ele dava parte de sua pensão do INSS à filha, Renata, e ajudava como podia os seus onze irmãos. Vivia de favor numa casa no quintal de uma escola.

Foi nesta deprimente situação que ele conheceu Adriana Almeida, residente no mesmo bairro que ele em Rio Bonito, por quem se apaixonou. Segundo os amigos ele mantinha distância porque não se julgava à altura dela. Adriana tinha um salão de beleza e era cobiçada pelos homens do bairro, mas antes de casar com Renné, sua vida financeira não ia bem. Fechou o salão de cabeleireiro porque não tinha dinheiro para pagar o aluguel do imóvel e passou a atender clientes em casa.

Em julho de 2005 Renne Senna viu sua vida mudar ao ganhar 52 milhões de reais na Mega-Sena. Logo comprou um quadriciclo de 19 mil reais, e deu imóveis aos irmãos. Depois do prêmio, tentou mudar de bairro e foi para o Recreio dos Bandeirantes, bairro nobre no Rio de Janeiro. Não se adaptou e voltou para Rio Bonito, que dizia ser o melhor lugar do mundo para viver. Construiu para si uma casa de 9 milhões de reais, onde acompanhava de perto a criação das 846 cabeças de gado e dos 12 cavalos. Andava com seguranças porque tinha medo de sequestro, mas não mudou seus hábitos. Continuava bebendo nos bares de Rio Bonito e conversando com os antigos amigos. “O Renné era um santo. Tinha gente que se aproveitava disso”, disse Olívio Ferreira, comerciante do centro de Rio Bonito. Segundo ele, não era raro alguém, depois de uma conversa com Renné, sair com R$ 10 mil.[2]

Já Adriana mudou completamente depois do casamento com Renné, em 2006: parou de trabalhar e passou a circular em um automóvel Mercedes-Benz, sempre acompanhada por seguranças. Passava boa parte do tempo em uma academia de ginástica. Colocou silicone nos lábios, pintou os cabelos de louro e, quando foi presa, usava óculos imensos e se vestia como um clone de Daniella Cicarelli. Segundo um ex-funcionário da fazenda, Adriana obrigou Renné a demitir os trabalhadores e contratar outros seguranças. Parentes dela foram empregados com salários de R$ 5 mil para funções banais na fazenda. “Enquanto isso ela não deixava nem os parentes dele irem lá”, afirmou o ex-funcionário.

Por Adriana, Renné modificou seu testamento. Os onze irmãos e a filha, antes os únicos beneficiários, passaram a ter de dividir com ela a herança em caso de morte. Quatro dias antes do crime, Renné, em consulta habitual ao gerente do banco onde tinha tinha o dinheio depositado, descobriu que Adriana havia sacado R$ 300 mil da conta conjunta do casal para comprar uma cobertura em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio. Sem saber da negociação e desconfiado da infidelidade da mulher, Renné teria iniciado uma discussão, que resultou na saída da viúva de casa no dia seguinte. Ele teria avisado que retiraria o nome dela do testamento.[3]

[editar] O crime

Na manhã do dia 7 de janeiro de 2007, Renné estava no bar do Penco sem seguranças, próximo à fazenda, quando dois homens encapuzados chegaram numa moto e o carona atirou em Renné, matando-o instantaneamente. As balas acertaram a nuca, a têmpora esquerda, o olho esquerdo e o queixo do milionário.[4] A possibilidade de assalto foi descartada pela polícia, já que os assassinos deixaram o relógio e o anel de ouro que Renné levava. Sua pochete, porém, foi roubada pelos bandidos. No dia do crime, surgiram as primeiras acusações contra a viúva, vinda da família do morto: ela havia passado o réveillon com seu amante numa cobertura em Arraial do Cabo.

[editar] Acusações à viúva

Em 9 de janeiro de 2007, a filha do ex-açougueiro, Renata de Almeida Senna, disse à policia que o assassinato foi encomendado por Adriana Almeida, a viúva. Logo depois, a irmã de Renné Senna, Jocimar Conceição da Rocha, também disse acreditar ter sido Adriana a mandante do crime. “Ela era a única com interesse”, contou a dona de casa que também afirmou que Adriana afastou Renné dos irmãos.[5]

[editar] As investigações do crime

O inquerito policial foi encerrado no dia 26 de março de 2007, apontando Adriana Almeida como a mandante do crime.[6] As investigações policiais levaram à prisão de sete pessoas pelo assassinato do milionário: Adriana, a professora de educação física Janaína Oliveira, o motorista de van Robson de Andrade Oliveira e os ex-seguranças Ednei Gonçalves Pereira, Marco Antonio Vicente, Ronaldo Amaral e Anderson Souza. Teria sido Anderson o autor dos disparos que mataram o milionário.

Dois desses homens eram amantes de Adriana. Um deles, Robson de Andrade Oliveira, dono de uma van de transporte de passageiros, confessou o romance às autoridades. Em seu celular, os telefones de Adriana eram identificados com o apelido “Égua Loura”. Não satisfeito em tornar público um apelido íntimo, Robson apimentou ainda mais a história ao revelar que o milionário Renné Senna era impotente.[7]

A polícia afirmou que antes do assassinato Adriana vinha demonstrando um comportamento fora do padrão. No dia do crime, ela exigiu de um supermercado a nota fiscal, algo que nunca fazia. A polícia concluiu que ela queria usar o recibo como álibi. A viúva tinha comprado uma cobertura em Arraial do Cabo, na região dos Lagos, por R$ 300 mil. Lá costumava se encontrar com o amante. Adriana teve pressa para mobiliar o imóvel. Como a loja que vendeu os eletrodomésticos pediu uma semana para a entrega, ela alugou um caminhão e levou tudo no mesmo dia. Um dos irmãos de Renné, Alcimar Santos, disse que o milionário teria descoberto o romance e expulsado a viúva de casa, poucos dias antes de morrer. Por isso, ela estaria montando uma casa para morar. E de acordo com a polícia, poucos dias depois do assassinato do marido, ela voltou a frequentar motéis com os amantes.

Mas a polícia concluiu também que Adriana teria tramado com um de seus amantes, segurança de Renné, o sequestro do marido. Renné teria descoberto o plano e, por isso, sido assassinado. Esse amante, o ex-policial militar Anderson Silva Souza, também é suspeito no assassinato de David Vilhena, o segurança de maior confiança de Renné, em setembro. Segundo a polícia, Vilhena estava investigando os antecedentes de Anderson quando foi assassinado.

[editar] Prisão e soltura de Adriana Almeida

Adriana foi capturada no dia 29 de janeiro de 2007, acusada de planejar a morte do marido. Hostilizada em Rio Bonito, ela escapou duas vezes de ser linchada. Ganhou um habeas-corpus da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no dia 27 de junho de 2008, por conta do excesso de prazo da prisão temporária.[8]

[editar] Andamento do processo

Em 9 de julho de 2009, após mais de 72 horas de julgamento e o depoimento de dez testemunhas, o Tribunal do Júri de Rio Bonito condenou, por 4 votos a 3 dos jurados, dois ex-seguranças acusados da morte de René Senna a 18 anos de prisão em regime fechado, Anderson Silva Sousa e Ednei Gonçalves Pereira.

Depois de passarem mais de um ano presos, quatro dos suspeitos respondem ao processo em liberdade. Seguem presos Anderson de Souza, acusado de ser autor dos disparos, e Edney Gonçalves Pereira, que estaria na moto que foi usada no dia do crime.[3]

Adriana Almeida já teve quatro advogados diferentes ao longo do processo.[9] Além do apelido de "Égua Loira", também ficou conhecida como "a viúva da Mega-Sena".

[editar] Desdobramentos

Em 24 de fevereiro de 2010, na 119ª DP (Rio Bonito), Adriana Almeida registrou um roubo que teria ocorrido na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, que pertencia ao milionário Renné Senna. De acordo com o delegado Nilton Silva, Adriana registrou na delegacia que foram levados eletrodomésticos - incluindo uma geladeira, um freezer e um frigobar - além de uma TV, roupas e um quadriciclo que o milionário, que era deficiente físico, usava para se locomover. Ainda não há suspeitos do suposto crime. "Seria necessário um caminhão ou um carro bem grande para transportar o que ela relatou ter sido roubado”, disse o delegado.

Adriana disse à polícia que mora na fazenda, onde teria passado o carnaval, mas que não estava indo com frequência ao local porque haveria problemas de água.[10]

[editar] Julgamento

Após cinco dias de julgamento, a cabeleireira Adriana Almeida, que era acusada de planejar a morte do marido René Sena, ex-lavrador que ficou milionário após ganhar o prêmio da Mega-Sena em 2005, foi absolvida na madrugada deste sábado (3-12-2011). A sentença foi lida pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa, no Tribunal do Júri (TJ), no Fórum de Rio Bonito, na Baixada Litorânea do Rio de Janeiro. Outros três réus também foram absolvidos.[11]

Referências

  1. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Único acertador da Mega-Sena é morto em Rio Bonito. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  2. Época - NOTÍCIAS - "Égua Loura" - e fatal?. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  3. a b G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Viúva da Mega-Sena responde a perguntas de advogados dos demais réus. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  4. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Assassinato do milionário da Mega-Sena: mais de dez telefones têm sigilos quebrados. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  5. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Irmã de milionário da Mega-Sena acusa a viúva pelo assassinato. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  6. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Viúva planejou morte de milionário, aponta inquérito encerrado. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  7. MOREIRA, Gabriela. Adriana vai a júri popular. Jornal Extra. Rio de Janeiro: quarta-feira 17 out. 2007, p. 3.
  8. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Viúva da Mega-Sena sai da cadeia, diz governo do estado. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  9. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Acusados do caso da Mega-Sena serão julgados no dia 4 de setembro. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
  10. G1 > Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS - Viúva da Mega-Sena diz à polícia que fazenda foi roubada. Página visitada em 2 de Abril de 2010.A cabeleireira Adriana Almeida - viúva do milionário da Mega Sena Renné Senna - já está no Fórum de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, para ser ouvida no processo a que responde por falsidade ideológica. A audiência começou há pouco. Acompanhada do advogado, a acusada chegou ao Fórum usando óculos escuros e não falou com a imprensa. Adriana é acusada de ter comprado um apartamento sem informar seu estado civil, na época em que já era casada com Renné. Acusada também de planejar a morte do marido, Adriana aguarda o julgamento em liberdade. Ex-trabalhador rural, Renné Senna ganhou R$ 52 milhões num sorteio da Mega-Sena em 2005. Ele foi assassinado a tiros em janeiro de 2007 na porta de um bar em Rio Bonito, Região das Baixadas Litorâneas do Rio.02/02/2011
  11. http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/12/03/viuva-da-mega-sena-quer-que-investigacoes-do-crime-sejam-reabertas/
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