Castelo

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Castelo de Neuschwanstein (Alemanha), exemplo do castelo romântico.
Palácio de Schwerin, Alemanha.
Castelo de Windsor (Inglaterra), exemplo do castelo apalaçado.
Castelo de Osaka (Japão), É um dos castelos mais famosos do país, tendo desempenhado um importante papel nas lutas de unificação durante o Período Azuchi-Momoyama, no século XVI.

Um castelo (diminutivo de castro) é uma estrutura arquitectónica de fortificação, com funções defensivas e em alguns casos residencial (muitos castelos serviam apenas como postos de vigia, por exemplo o Castelo de Almourol). De tipo permanente, era geralmente erguido em posição dominante no terreno, próximo a vias de comunicação (terrestres, fluviais ou marítimas), o que facilitava o registo visual das forças inimigas e as comunicações a grandes distâncias.

Chama-se castelete a um castelo pequeno e diz-se acastelado um edifício com aspecto de castelo [1] .

História[editar | editar código-fonte]

Embora sejam popularmente associados à Idade Média europeia, estruturas com funções semelhantes vêm sendo empregadas desde a Idade da Pedra por todo o planeta. Como exemplos mais recentes temos os castelos do Japão e as fortificações dos Incas.

Antecedentes na Europa[editar | editar código-fonte]

As origens mais remotas de castelos no continente europeu são os castros proto-históricos, que à época da expansão romana evoluíram para um reduto ("castellum"), dominado por uma torre de vigilância, cercado por um fosso ("fossa") e por uma muralha ("vallum").

Os castelos medievais europeus[editar | editar código-fonte]

Castelo de Almourol (Portugal), exemplo típico da arquitectura medieval européia.

Os castelos, em sua concepção clássica, começaram a surgir no século IX, quer em resposta às incursões Normandas e Magiares ao Norte e ao Centro, quer às lutas da Reconquista cristã na península Ibérica, mas de forma geral como uma manifestação do poder político descentralizado dos senhores feudais. Do século IX ao século XV, milhares de castelos foram erguidos pelo continente.[2] Durante este período os senhores feudais eram a lei e as suas torres, e depois castelos, a garantia da segurança e da ordem para as populações locais, as suas colheitas e o seu gado. Essa situação manteve-se até ao surgimento da artilharia.

As torres defensivas[editar | editar código-fonte]

Na transição da Alta para a Baixa Idade Média, difundiu-se o emprego de torres defensivas, erguidas em pontos elevados e/ou de fácil defesa sobre o terreno, empregando os materiais mais abundantes em cada região: madeira, taipa e, posteriormente, pedra, em aparelho de menor ou maior perfeição.

Tipicamente, estas torres apresentavam planta circular ou quadrangular, divididas internamente em até três pavimentos que se comunicavam entre si por escadas. De forma geral, o pavimento inferior não apresentava portas, janelas ou quaisquer aberturas, sendo utilizado como depósito, cisterna ou prisão. Em época posterior, este pavimento inferior passou a abrigar o corpo da guarda. O pavimento intermediário conservou a função social e o superior passou a ser utilizado para a vida privada. No topo, o terraço manteve a função defensiva.

Ao abrigo e ao redor destas torres, que combinavam as funções de atalaia, aviso, depósito de víveres e residência senhorial, os habitantes da região iam erguendo as suas residências.

Progressivamente, durante a Baixa Idade Média, este tipo de estrutura foi complementado por uma cerca dos mesmos materiais, normalmente de planta ovalada, adaptada ao terreno, e, mais tarde ainda, por fossos. As defesas foram progressivamente sendo aperfeiçoadas e dotadas, externamente, de barbacãs e torres albarrãs, e internamente, de cisternas e poços. O topo dos muros e das torres, também progressivamente, foi recebendo caminhos de ronda (adarves), ameias e merlões, seteiras e troneiras, palanques defensivos e balcões com matacães.

Os castelos "motte and bailey"[editar | editar código-fonte]


Os primeiros castelos na região da atual Grã-Bretanha eram de um tipo conhecido como "motte and bailey". O chamado "motte" constituía-se em um monte de terra, largo e nivelado, normalmente com 50 pés de altura, em cujo topo uma larga torre de madeira era erguida. Abaixo do monte dispunha-se uma área cercada com uma paliçada, também de madeira, envolvida por um fosso inundado, chamada de "bailey". Ao abrigo dessa cerca eram erguidos depósitos, currais e choupanas. Uma ponte dava acesso ao recinto e um estreito caminho dava acesso à torre no alto do monte, último reduto defensivo em caso de ataque.

A partir do século XI, a torre de madeira deu lugar a uma torre (ou torreão) de planta circular, em alvenaria de pedra,[3] e a cerca de madeira, a uma muralha também de alvenaria de pedra, ainda envolvida por um fosso inundado. A entrada passou a ser defendida por um portão e uma ponte levadiça.

As Cruzadas[editar | editar código-fonte]

A experiência adquirida à época das Cruzadas conduziu à evolução do traçado dos castelos europeus. As estruturas passaram a desenvolver-se de forma concêntrica, onde uma torre de menagem passava a ser cercada por dois ou mais anéis concêntricos de muralhas.

Castelos concêntricos foram então projetados para que uma torre de menagem central fosse cercada por dois ou mais anéis de muralhas. As muralhas passaram a ser reforçadas por torres quadradas e, posteriormente, circulares, menos vulneráveis. Ameias foram dispostas no alto das torres e dos muros, visando a proteção dos defensores.

Os castelos nas Idades Moderna e Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Palacete Baruel, castelo construído no século XIX em estilo normando; cravado no Alto de Santana, cidade de São Paulo.

Na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, registraram-se novos e importantes progressos na arquitectura militar, devido nomeadamente:

  • à introdução da artilharia nos campos de batalha - à medida que o seu poder de fogo e precisão de tiro se aperfeiçoaram, as altas muralhas perpendiculares foram sendo substituídas por muralhas mais baixas e inclinadas;
  • à centralização do poder monárquico, que retirou parcelas de poder quer do clero quer da nobreza no período. Um dos caminhos foi o de desmilitarizar os antigos castelos feudais e, desse modo, já no século XIII era necessário pedir a autorização real para erguer um novo castelo ou reforçar um já existente. Ao mesmo tempo, as principais vilas e os burgos, espaços da burguesia em ascensão, passaram a ser fortificados.

Nesse período, muitos castelos foram adaptados às funções de palácios, tendência que se acentuou na passagem para a Idade Contemporânea, quando a evolução dos meios ofensivos conduziu à perda do seu valor estratégico, substituídos pelas fortalezas abaluartadas, melhor adaptadas aos tiros da artilharia.

A construção de um castelo[editar | editar código-fonte]

O Castelo Beaumaris.
O Castelo de Conway.

A construção de um castelo poderia demorar de menos de um ano até mais de vinte para ser concluída. A arquitectura de fortificações, por muitos séculos, constituiu-se em importante actividade económica, levando a uma grande demanda por mestres-de-obras e grupos de artífices especializados, que se mudavam frequentemente de região para região. Na Idade Média, as cidades que pretendiam erguer catedrais tinham que competir por essa mão-de-obra especializada com a nobreza que estava a construir castelos.

Um exemplo foi a construção do Castelo Beaumaris, no norte de Gales, iniciada em 1295 e jamais concluída. O projeto era simétrico, sem pontos fracos. Em seu auge os trabalhos ocuparam 30 ferreiros, 400 pedreiros e 2000 trabalhadores. O Castelo de Conway, também em Gales, erguido por determinação de Eduardo I de Inglaterra, levou quarenta meses para ser concluído.

Em sua concepção clássica, um castelo compunha-se de um pátio ou praça de armas, cercado pelas edificações, adossadas às muralhas. O topo das muralhas era percorrido por um adarve, protegido por ameias. O acesso era feito pelo Portão de Armas (principal), havendo ainda uma chamada "Porta Falsa", "Poterna" ou "Porta da Traição", prevendo uma eventual retirada dos defensores. Com o desenvolvimento de povoações ao abrigo dos muros do castelo, uma cerca passou a envolver o perímetro urbano.

Entre os seus principais elementos defensivos compreendem-se as muralhas, amparadas ou reforçadas por torres. Entre estas últimas, destacava-se a chamada torre de menagem, que se constituía em um pequeno castelo dentro do castelo. Muralhas e torres eram encimadas por matacães e ameias. A sua defesa era ampliada pela presença de barbacãs e pela abertura de fossos e valas, secos ou inundados, visando dificultar não apenas a aproximação dos atacantes, mas também as muralhas contra os trabalhos de sapa dos atacantes. Estes obstáculos eram transpostos, adiante dos portões, por pontes levadiças. Os portões, por sua vez, podiam ser defendidos por pesadas portas levadiças, uma grade que deslizava nas ombreiras do portão, bloqueando a passagem.

O assédio e o assalto a um castelo[editar | editar código-fonte]

A tarefa de captura de um castelo era normalmente difícil, demandando paciência e recursos para sustentar um cerco, o emprego de astúcia e mesmo de diplomacia.

Quando uma força inimiga se aproximava do castelo, normalmente os habitantes da região se abrigavam em seu interior com suas colheitas e criação.

Estabelecido o assédio, impunha-se ultrapassar as muralhas, que necessitavam ser rompidas. Uma variedade de técnicas e de meios foi desenvolvida, ao longo dos séculos, para esse fim:

  • Sapa - os trabalhos de sapa ou de minas consistiam em escavar túneis nas fundações das muralhas, escorados por traves de material, posteriormente incendiados para fazer desabar os túneis e as seções de muralhas acima.
  • Aparelhos de arremesso de projéteis (pedras, projéteis incendiados ou cadáveres de animais ou de pessoas), como por exemplo o trabuco ("trebuchet") e a manganela.
  • Aríetes
  • Escadas
  • Torres de cerco
  • Pavês

Os castelos na Península Ibérica[editar | editar código-fonte]

Esquema de um castelo português.

Na península Ibérica diversos castelos foram erguidos sobre os vestígios de castros pré-romanos, em locais sucessivamente ocupados até à época da invasão islâmica da península Ibérica.

No contexto da Reconquista cristã muitas dessas fortificações foram aproveitadas, sendo ampliadas e reforçadas. Neles residia uma escassa população, habitando a restante nos campos vizinhos e só recolhendo ao castelo em caso de iminente perigo. O castelo constituía-se na sede de um julgado e gozava de certos privilégios.

A estrutura arquitetónica dos castelos sofreu mutações ao longo dos séculos destacando-se, em meados do século XIV a passagem da neurobalística para a pirobalística. Em Portugal, embora já desde D. Fernando se utilizassem trons e os castelos já tivessem sofrido adaptações no sentido de comportar armas de fogo, tornou-se essencial introduzir mudanças, surgindo uma nova estrutura defensiva, a fortaleza.

Referências

  1. Lexico (em português)
  2. Na França, por exemplo, um censo de 1905 identificou mais de dez mil, apenas naquele país. Outro exemplo dessa dinâmica é dado pela região do Poitou onde, antes das incursões Vikings no século IX existiam apenas três castelos, e, no século XI, esse número ascendia a trinta e nove[carece de fontes?].
  3. Como exemplo, cita-se a primitiva Torre de Londres, erguida por iniciativa de Guilherme, o Conquistador.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]