Castelo

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Castelo de Guimarães (Portugal), exemplo de castelo medieval.
Castelo de Guimarães (Portugal), exemplo de castelo medieval.
Castelo de Windsor (Inglaterra), exemplo do castelo apalaçado.
Castelo de Windsor (Inglaterra), exemplo do castelo apalaçado.
Schloss Neuschwanstein (Alemanha), exemplo do castelo romântico.
Schloss Neuschwanstein (Alemanha), exemplo do castelo romântico.

Um castelo (diminutivo de castro) é uma estrutura arquitectónica de fortificação, com funções defensiva e residencial. De tipo permanente, era geralmente erguido em posição dominante no terreno, próximo a vias de comunicação (terrestres, fluviais ou marítimas), o que facilitava o registo visual das tropas inimigas e as comunicações a grandes distâncias.

Índice

[editar] História

Embora os castelos sejam popularmente associados à Idade Média europeia, estruturas com funções semelhantes vêm sendo empregadas pela Humanidade desde a Idade da Pedra por todo o planeta. Como exemplos mais recentes temos os castelos do Japão e as fortalezas de pedra dos Incas.

[editar] Antecedentes na Europa

As origens mais remotas dos castelos no continente europeu são os castros proto-históricos, que à época da expansão romana evoluíram para um reduto ("castellum"), dominado por uma torre de vigilância, cercado por um fosso ("fossa") e por uma muralha ("vallum").

Ver artigo principal: Castros

[editar] Os castelos medievais europeus

Castelo de Almourol (Portugal), exemplo típico da arquitectura medieval européia.
Castelo de Almourol (Portugal), exemplo típico da arquitectura medieval européia.

Os castelos, na sua forma clássica, começaram a surgir no século IX, quer em resposta às incursões vikings, quer à guerra da Reconquista (na península Ibérica), mas de forma geral como uma manifestação do poder político descentralizado dos senhores feudais. Do século IX ao século XV, milhares de castelos foram construídos pelo continente. Em 1905, um censo na França identificou mais de 10.000 castelos somente naquele país.[carece de fontes?]

Um exemplo do ritmo de fortificação da Europa é a região francesa do Poitou: ali existiam apenas três castelos, antes das incursões vikings no século IX; no século XI, já eram trinta e nove. Esse padrão observou-se por toda a Europa, uma vez que castelos podiam ser erguidos com relativa rapidez. Até ao surgimento do canhão, os defensores dos castelos conservavam uma grande vantagem sobre os seus atacantes. Por essa razão, a difusão da construção de castelos e a manutenção de grandes corpos de soldados para a sua defesa resultou não em paz e defesa mútua contra invasores, mas em incessantes hostilidades no continente.

Durante este período os senhores feudais eram a lei e as suas torres, e depois castelos, a garantia da segurança e da ordem para as populações locais, suas colheitas e seu gado.

O óbvio valor defensivo do castelo obscurece o fato de que ele era principalmente um instrumento ofensivo, funcionando como uma base para soldados profissionais, principalmente cavalaria, os quais controlavam as áreas próximas. Em um tempo em que a autoridade centralizada dos reis era fraca por várias razões, uma rede de castelos e forças militares mantida por eles gerava uma relativa estabilidade política.

[editar] As torres defensivas

Na transição da Alta para a Baixa Idade Média, difundiu-se o emprego de torres defensivas, erguidas em pontos elevados e/ou de fácil defesa sobre o terreno, empregando os materiais mais abundantes em cada região: madeira, taipa e, posteriormente, pedra, aparelhada com menor ou maior perfeição.

Com planta circular ou quadrangular, divididas internamente em até três pavimentos comunicando-se entre si por escadas. De forma geral, o pavimento inferior não apresentava portas, janelas ou quaisquer aberturas, sendo utilizado como depósito, cisterna ou prisão. Em época posterior, este pavimento inferior passou a abrigar o corpo da guarda. O pavimento intermediário conservou a função social e o superior passou a ser utilizado para a vida privada. No topo, o terraço manteve a função defensiva.

Ao abrigo e ao redor destas torres, que combinavam as funções de atalaia, aviso, depósito de víveres e residência senhorial, os habitantes da região iam erguendo as suas residências.

Progressivamente, durante a Baixa Idade Média, este tipo de estrutura foi complementado por uma cerca dos mesmos materiais, normalmente de planta ovalada, adaptada ao terreno, e, mais tarde ainda, por fossos. As defesas foram progressivamente sendo aperfeiçoadas e dotadas, externamente, de barbacãs e torres albarrãs, e internamente, de cisternas e poços. O topo dos muros e das torres, também progressivamente, foi recebendo caminhos de ronda (adarves), ameias e merlões, seteiras e troneiras, palanques defensivos e balcões com matacães.

[editar] Classificação dos castelos europeus

Quanto à localização, essas estruturas podem ser classificadas em:

  • Castelos de Vale, Planície ou Meseta – caracterizados pela adoção de formas geométricas quando permitido pelo terreno;
  • Castelos de Montanha ou Roqueiros – adaptados orgânicamente aos cabeços rochosos em que se erguiam.

[editar] Os castelos nas Idades Moderna e Contemporânea

Na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, muitos castelos conservaram apenas a função de palácios, tendência que se acentuou na passagem para a Idade Contemporânea, quando a evolução dos meios ofensivos conduziu à perda do seu valor estratégico, substituídos pelas fortalezas abaluartadas, melhor adaptadas aos tiros da artilharia.

[editar] Os castelos "motte and bailey"

Maquete de um castelo "motte and bailey".
Maquete de um castelo "motte and bailey".

Os primeiros castelos na região da actual Grã-Bretanha eram de um tipo conhecido como "motte and bailey". O chamado "Motte" constituía-se em um monte de terra, largo e nivelado, normalmente com 50 pés de altura. Uma larga torre de madeira era construída em cima do monte. Abaixo do monte havia um terreno cercado com uma paliçada também de madeira, chamada de bailey. Nesse terreno cercado eram construídos depósitos, galinheiros e choupanas. Tanto o monte quanto a paliçada eram uma pequena ilha cercada por um fosso cheio d'água, escavado para a construção do monte. Uma ponte e um caminho íngreme e estreito conectavam as duas partes do castelo. Em tempos de perigo, as forças defensivas recuavam para a torre caso a paliçada não pudesse ser defendida.

No século XI, a madeira e a terra começaram a ser substituídas pela pedra na construção de castelos. A torre de madeira em cima do monte foi substituída por uma fortificação circular de pedra. Essa, por sua vez, se transformaria em um torreão ou torre de menagem. Uma muralha de pedra substituiu a primitiva paliçada e, a torre de menagem por sua vez, foi cercada por uma vala ou fosso. Um único portão fortificado, protegido por ponte e uma porta levadiças,dava acesso ao castelo. O exemplo mais conhecido do modelo básico de torre de menagem é a primitiva Torre de Londres, construída por Guilherme, o Conquistador. Essa grande estrutura quadrada foi caiada para chamar a atenção. Reis posteriores melhoraram esse castelo com muros e outras melhorias vistas hoje.

A arquitectura dos castelos avançou à época das Cruzadas, quando os nobres retornaram do Oriente com informações sobre fortificações e peças de artilharia que tinham conhecido durante as suas viagens. Castelos concêntricos foram então projetados para que uma torre de menagem central fosse cercada por dois ou mais anéis de muralhas. As muralhas foram reforçadas com torres quadradas e, posteriormente, com torres circulares, uma vez que os cantos angulosos nas torres quadradas eram fáceis de serem demolidos, tornando a sua estrutura muito frágil. Ameias foram colocadas em cima das torres e muralhas para tornar a luta lá em cima mais eficiente.

O surgimento do canhão na Europa, no começo do século XIV, veio a alterar radicalmente esse tipo de estrutura defensiva nos séculos seguintes. Até à metade do século XV, a artilharia de cerco não era efetiva. A planta dos castelos mudou em resposta ao poder de fogo e à precisão dos canhões: as altas muralhas perpendiculares foram substituídas por pequenas muralhas inclinadas.

Uma outra razão para o declínio dessas estruturas foi a centralização do poder monárquico, que se registrou no mesmo período. No século XI, Guilherme, o Conquistador, já havia reinvindicado a propriedade de todos os castelos na Inglaterra, visando tirá-los das mãos da nobreza. No século XIII era necessário pedir a autorização do soberano para erguer um castelo ou reforçar um já existente. Os reis trabalhavam para desmilitarizar os castelos a fim de diminuir sua utilidade para potenciais rebeldes. Oa castelos perderam a função de alojamento para nobres e cairam em ruínas. Ao mesmo tempo, as cidades, espaços por excelência da burguesia em ascensão, passavam a ser fortificadas.

[editar] A construção de um castelo

Construção de uma larga torre mostrando o trabalho dos andaimes e dos pedreiros.
Construção de uma larga torre mostrando o trabalho dos andaimes e dos pedreiros.
O maciço Castelo de Conway.
O maciço Castelo de Conway.
Castelo Beaumaris.
Castelo Beaumaris.

A construção de um castelo poderia demorar de menos de um ano até mais de vinte anos para ser terminada. Por vários séculos, a construção de castelos constitui-se em uma importante atividade económica. Existia uma grande demanda por mestres-de-obras e grupos de construtores de castelos mudavam-se freqüentemente. Cidades que queriam construir catedrais tinham que competir por trabalhadores especializados com os nobres que queriam construir castelos.

Um exemplo foi a construção do Castelo Beaumaris, no norte de Gales, que começou em 1295. O projeto era simétrico, sem pontos fracos. No auge de sua construção, foram necessários o esforço de 30 ferreiros, 400 pedreiros e 2000 trabalhadores. Os trabalhadores faziam a maior parte das escavações, transportes, levantamento e quebra de pedras. Esse castelo em particular nunca foi terminado. O sólido Castelo de Conway, construído em Gales por Eduardo I da Inglaterra, precisou de quarenta meses para ser construído.

As muralhas dos castelos eram uma armação de alvenaria preenchida com pedra britada e pederneira misturados com almofariz. A largura das muralhas era de 6 a 16 pés.

[editar] Os castelos e a organização do território

Pode-se afirmar que um castelo é a estrutura mais emblemática da Idade Média, pois com a localização das estruturas castelares ao longo da sua própria evolução, possuímos dados para estabelecer toda uma perspectiva administrativa e habitacional de um território.

Na Idade Média dizia-se fazer vila o acto de cercar de muralhas uma povoação; ainda hoje, em Castelo de Vide, distinguem-se a vila da aldeia pelo sítio da antiga muralha. Há em Portugal um castelo no centro da povoação, o Castelo de Évora Monte, mas a sua construção efectuou-se em tempo de paz, e dois séculos depois da muralha. A organização defensiva do castelo era semelhante à da vila e tinha comandamento sobre ela devido à posição mais alta e às muralhas mais fortes.

[editar] Elementos de um castelo

Castelo de Pierrefonds, França, e suas estruturas defensivas.
Castelo de Pierrefonds, França, e suas estruturas defensivas.

O castelo compunha-se de um pátio central, onde se recolhiam os refugiados da vila, e era rodeado pelas casas da guarnição, encostadas às muralhas, donde recebiam luz através de aberturas estreitas, as seteiras ou troneiras. Na parte superior da muralha corria o adarve ou caminho da ronda, defendido por um muro ameado, cuja largura variava de um a quatro metros. O castelo, em princípio, tinha apenas duas portas: uma para a povoação (a "porta da vila"); a outra, menor, para o terreno exterior (a "porta da traição"). A população da vila concorria para a defesa das muralhas, em caso de ataque, e a guarnição prestava serviço permanente. Em tempos mais modernos a povoação cresceu para fora das muralhas passou a chamar-se castelo toda a cerca envolvente da antiga vila.

A filosofia envolvida no projeto de um castelo era a de maximizar os riscos da guerra a quaisquer atacantes, minimizando-os para os defensores. Um castelo bem projetado deveria poder ser defendido eficazmente por uma pequena força, permitindo-lhe resistir por um período relativamente longo, até que os sitiantes necessitassem retirar-se por fome, doenças ou baixas, ou sendo expulsos por reforçosos aliados.

Entre os principais elementos defensivos compreendem-se:

[editar] Torres

Nos vértices e, por vezes, em intervalos ao longo de uma muralha, eram erguidas torres como pontos fortes. Um portão também poderia ser protegido por torres em cada lado. As torres se prolongavam além do plano vertical da face da muralha, permitindo aos seus defensores atirar ao longo da muralha. Alguns castelos começavam como uma simples torre e evoluiam para um grande complexo de muralhas, uma torre de menagem interior e torre adicionais.

[editar] Torre de menagem

A torre de menagem constituía-se num pequeno castelo dentro de um castelo. Era uma construção fortificada que muitas vezes servia como residência do senhor feudal. Se (e quando) as muralhas exteriores viessem a ruir, os defensores poderiam recuar para a torre de menagem como uma última defesa.

[editar] Muralhas

Primitivamente de madeira, serviam como proteção contra flechas e outros projéteis. Evoluiram para o emprego da pedra como material de construção, mais resistente ao fogo e a impactos. Um assaltante não podia escalar muralhas ingremes sem equipamentos como escadas ou torres de sítio. Defensores no topo da muralha podiam atirar para baixo ou arremessar objetos contra os sitiantes. A força e proteção das muralhas podiam ser aumentadas se construídas à beira de despenhadeiros e outras elevações. Portões e portas nas muralhas do castelo eram minimizadas e tinham proteção pesada.

[editar] Ameias

Corte de uma torre mostrando três níveis de ameias.
Corte de uma torre mostrando três níveis de ameias.

Muralhas e torres freqüentemente eram melhoradas para fornecerem proteção adicional para os seus defensores. Uma plataforma atrás do topo da muralha permitia que os defensores ficassem de pé e lutassem. Lacunas eram feitas na parte superior do muro para que os defensores pudessem atirar ou lutar, mantendo-se parcialmente protegidos. Essas aberturas podiam ter postigos de madeira como proteção adicional. Finas fendas podiam ser colocadas na parte superior da muralha para que os arqueiros pudessem atirar parcialmente protegidos.

Durante um ataque, plataformas de madeira ocultas eram estendidas do topo das muralhas ou do topo de torres. Elas permitiam que os defensores, protegidos, atirassem diretamente para baixo em inimigos sob a muralha, ou jogassem pedras ou líquidos ferventes nos mesmos. Colocava-se couro cru no topo das plataformas de madeira para prevenir fogo. Versões de pedra dessas plataformas, chamadas balestreiras, podiam ser construídas sobre portões ou outros pontos chaves.

[editar] Valas, fossos, e pontes levadiças

Fosso do Bodiam Castle.
Fosso do Bodiam Castle.

Para melhorar a vantagem dos muros, uma vala podia ser cavada ao longo da base do castelo. Quando possível, essa vala era cheia de água para formar um fosso inundado. Tanto o fosso quanto a vala tornavam os ataques contra muros mais difíceis. Homens com armaduras corriam o risco de se afogar se caíssem no fosso, mesmo que em águas relativamente rasas. O fosso tornava o ato de escavar por debaixo das muralhas do castelo difícil devido ao risco de o túnel desabar durante a construção e afogar os minadores. Em alguns casos, os atacantes tinham que primeiro drenar o fosso antes de prosseguir com o ataque. Depois da drenagem, a vala tinha que ser preenchida em alguns pontos para permitir a passagem de torres de sítio e escadas

Pontes levadiças ao longo do fosso ou vala permitiam que os ocupantes do castelo cruzassem os mesmos quando fosse necessário. Em tempos de perigo, a ponte era levantada, restabelecendo a vala e selando a muralha. As pontes eram levantadas por mecanismos dentro do castelo, protegidos dos atacantes.

[editar] Porta levadiça

Porta levadiça.
Porta levadiça.

A porta levadiça era uma forte grade que deslizava nos muros do corredor de entrada do castelo para bloquear a passagem. O portão do castelo localizava-se dentro de uma portaria, um ponto forte na defesa de um castelo. O corredor de acesso ao portão podia ser através de um túnel na portaria. O túnel era bloqueado pelo meio ou nas extremidades por uma ou mais portas levadiças. O mecanismo de içamento que levantava a porta localizava-se no topo da portaria e era fortemente guardado. A porta levadiça era, geralmente, uma grade de madeira pesada ou de ferro. Defensores e atacantes podiam atirar ou golpear através da grade.

[editar] Barbacã

Um castelo de maior porte tinha um portão externo e outro interno. Entre os dois, existia uma área aberta denominada barbacã. Ela era cercada de muros e projetada para ser uma armadilha para qualquer atacante que passasse do portão externo. Uma vez dentro da barbacã, os atacantes só podiam voltar para o portão externo ou lutar até chegar ao portão interno. Nesse meio tempo, eles seriam alvos de flechas e outros projéteis em campo aberto.

[editar] Defensores

Um pequeno número de defensores podia guardar um castelo em tempos de paz. De noite, qualquer ponte levadiça era levantada e as portas levadiças eram abaixadas, trancando efetivamente a passagem. Na iminência de um ataque, uma força muito maior era necessária para proteger o castelo.

Arqueiros e besteiros competentes eram necessários para atirar das muralhas e torres nos invasores atacando ou simplesmente se preparando para atacar, drenando o fosso ou aterrando a vala. Grandes baixas causadas por tiros de projéteis podiam fazer com que os atacantes desistissem do cerco.

Se os atacantes conseguissem efetivamente se aproximar para a luta corpo a corpo, uma poderosa força de espadachins era necessária para conter os invasores. Homens eram necessários para arremesar pedras ou despejar líquidos quentes. Também eram precisos defensores para reparar seções de muralha danificadas ou apagar incêndios causados por projéteis flamejantes. Uma agressiva defesa procurava oportunidades para sair do castelo e atacar o exército sitiante. Uma rápida incursão que queimasse uma torre de sítio ou um trabuco em construção retardava o ataque e baixava a moral dos atacantes.

Em tempos de guerra, camponeses eram convocados para ajudar na defesa. Apesar de não terem treinamente de soldado e não terem habilidade para manejar o arco ou a espada, eles podiam ajudar nas outras tarefas.

[editar] Sítio de castelos

[editar] Capturando castelos

Ataque a um castelo.
Ataque a um castelo.

Capturar ou defender fortalezas eram atividades militares comuns durante a Idade Média devido a proliferação de castelos e cidades fortificadas, com importância estratégica. Apesar de uma pequena força poder defender um castelo, era necessário uma grande força para tomar um. O atacante tinha que possuir um grande exército para controlar a região em volta do castelo, combater reforços, e atacar a fortaleza diretamente ou, pelo menos, manter um cerco fechado. Esse era um plano caro.

Quando um exército se aproximava do castelo, os habitantes geralmente recuavam, levando tudo que tivesse valor com eles, especialmente alimentos e armas. Se se presumisse que o cerco seria longo, entretanto, era recusada a entrada dos camponeses que não pudessem lutar para conservar a comida. Quando o rei inglês Henrique V sitiou a cidade de Rouen, os defensores expulsaram os fracos e pobres para conservar a comida. Os ingleses se recusaram a aceitar esses desafortunados em suas linhas. Velhos, mulheres e crianças amontoaram-se entre a cidade e o exército inglês por meses, lutando por sobras e morrendo por inanição até que a rendição foi negociada.

Com a aproximação de um exército, há a possibilidade de rendição e termos podiam ser negociados imediatamente, especialmente se o castelo ou a cidade estivesse com falta de pessoal. Os atacantes analisavam cudadosamente a possibilidade de atacar se uma negociação falhasse. Se um rápido ataque fosse considerado muito arriscado, os atacantes selavam o castelo e começavam um cerco. Uma vez que a artilharia de sítio tivesse atirado na cidade, o cerco estava oficialmente em andamento. Recuar sem uma boa razão era desenroso e inaceitável na maioria dos casos.

Um grande sítio assemelhava-se à um evento social. O cerco do século XV à Neuss durou somente alguns meses, mas os atacantes ergueram um grande campo com tavernas e quadras de tênis. Nobres que participavam do cerco se faziam confortáveis, freqüentemente levando suas esposas e familiares. Mercadores e artesãos de cidades vizinhas apressavam-se para montar lojas e fornecer serviços.

[editar] Formalidades do cerco

A realidade da arte da guerra durante à época era de que castelos e cidades raramente eram capturados em ataques. Ataques geralmente eram um ato de desespero ou, obtinha-se resultados mais facilmente com atos de traição ou furtivos. à menos que a guarnição estivesse muito fraca, um ataque custava muitas vidas. Era muito mais comum orquestrar um cerco de acordo com as prevalecentes regras de guerra e honra, e tomar o castelo com relativamente poucas baixas. Seria traição para os defensores se renderem sem uma luta então o cerco era mantido e as muralhas do castelo eram danificadas. Se o dono do castelo não estivesse presente, seu delegado em cargo, denominado castelão ou condestável, poderia render o castelo com honra depois de tantos dias se reforços não houvessem chegado. Castelões freqüentemente requisitavam um contrato especificando exatamente quais eram suas obrigações e sob quais circunstâncias não seriam punidos por terem se rendido.

Nas raras situações em que a rendição não era uma opção, ou era uma opção desdenhada, era uma política aceitavel que pouca misericórdia fosse mostrada após um cerco vitorioso. Soldados comuns e até civis podiam ser massacrados e o castelo ou cidade era saqueado. cavaleiros capturados eram, usualmente, mantidos vivos e aprisionados para resgate. Todos os atacantes recebiam uma porção dos despojos. A aplicação prática dessa política era uma persuasão para que os defensores negociassem a rendição após um aceitável período de cerco. O rei Henrique V da Inglaterra tomou a cidade de Caen após um grande cerco em 1417. Ele, então, permitiu que seu exército saqueasse a cidade em castigo à determinada resistência dos defensores. Todo homem na cidade que não fosse padre foi morto. Em seu próximo passo, o Castelo de Bonneville, os defensores concordaram em entregar as chaves após sete dias sem reforços, apesar de os doi lados saberem que não havia expectativa de reforços.

O Krak des Chevaliers resiste impressivamente na moderna Síria.
O Krak des Chevaliers resiste impressivamente na moderna Síria.

O Krak des Chevaliers era o mais famoso dos castelos cruzados no Oriente Médio, e ainda encontra-se de pé na atual Síria. Ele era defendido pelos Cavaleiros Hospitalários durante a era das Cruzadas e resistiu à vários cercos e ataques durante 130 anos até cair para os árabes egípcios em 1271. A história da sua captura foi singular, porém típica no sentido em que os defensores não lutaram até a morte.

Desenho do Krak des Chevaliers.
Desenho do Krak des Chevaliers.

Os árabes desdenharam de um ataque ao portão principal do Krak des Chevaliers, pois ele levava à uma série de caminhos estreitos e mortais, assim como um ataque à um segundo portão, muito mais forte. Eles atacaram a muralha meridional minando a grande torre no canto sudoeste. Isso os fez ultrapassar a muralha exterior. Antes de atacar a torre de menagem central, entretanto, eles tentaram um ardil. Um pombo-correio foi mandado ao castelo com uma mensagem do grão-mestre dos Hospitalários ordenando que a guarnição capitulasse. Em desvantagem numérica e sem esperança de reforços, os defensores aceitaram o comando da mensagem, sabendo que era falso, e entregaram o castelo com honra.

[editar] Minas

O problema chave em tomar um castelo ou cidade fortificada era superar as muralhas que impediam a entrada e protegiam os defensores. Uma solução para esse problema era solapar uma seção da muralha para que ela desmoronasse. Isso só era possível antes que os castelos tivessem fossos ou depois que eles tivessem sido drenados. Não era possível minar quando a muralha era construída em rocha sólida.

Os mineiros cavavam um túnel até a muralha e, então, ao longo dela, abaixo de sua fundação. O túnel era sustentado por suportes de madeira os quais gradualmente iam suportando o peso da muralha, situada logo acima da terra, que era cavada e removida. Numa hora predeterminada, ateava-se fogo nas madeiras do túnel. À medida que a madeira queimava, os suportes para a muralha acima desapareciam gradualmente e uma seção da muralha desmoronava, se tudo corresse como planejado. A muralha em colapso criava uma entrada para um ataque direto de soldados contra o castelo.

As minas eram trabalhosas e consumiam muito tempo. Defensores que tomavam conhecimento da construção do túnel reforçavam a muralha ameaçada com uma muralha secundária para que o colapso não abrisse completamente as defesas. Os defensores também podiam contaminar, cavando seu próprio túnel abaixo da muralha para tentar interceptar o túnel inimigo. Quando os túneis se encontravam, começava uma luta de verdade no subsolo.

[editar] Sítio

Cerco de um castelo.
Cerco de um castelo.

O exército sitiante estabelecia-se em posições em volta do castelo para previnir fuga ou surtida dos soldados do castelo. As fazendas e aldeões próximos eram tomados pelos sitiantes. Patrulhas eram mandadas para trazerem notícias de qualquer exército de reforço se aproximando e para forragear comida. Os líderes dos atacantes examinavam a situação e decidiam simplesmente sitiar o castelo ou efetivamente atacá-lo. Se a decisão fosse por forçar a capitulação do castelo pela fome, os atacantes se concentravam em manter os defensores presos no castelo e em prevenir que reforços suspenessem o cerco. Escolher a melhor maneira de atacar um castelo poderia envolver algumas dessas opções:

  • Minar uma parte da muralha;
  • Selecionar uma seção da muralha para abrir uma brecha com o arremesso de pedras (ou com canhões, que, entretanto, não foram eram eficazes até mais ou menos 1450, perto do fim desse período);
  • Selecionar parte da vala (ou fosso, se presente) para aterrar.
  • Construir torrer de cerco e escadas para escalar as muralhas;
  • Escolher um portão ou outra seção da muralha para demolir com um aríete.

A velocidade do preparo do ataque era proporcional à urgência em tomar o castelo, às perspectivas de rendição e à força humana disponível. Se os atacantes dispusessem de amplo suprimento de comida, se reforços não fossem esperados, e se esperasse que os defensores capitulassem depois que sua honra fosse satisfeita, o trabalho na preparação do ataque poderia ser não muito mais que um show. Se os suprimentos dos atacantes fossem pequenos, reforços fossem esperados em qualquer dia ou se os atacantes estivessem obstinados, as preparações podiam durar dia e noite.

Quando a preperação terminasse, era dada uma última chance para que os defensores se rendessem antes do ataque.

[editar] Equipamentos de sítio

Equipamentos de cerco eram usados para ultrapassar as muralhas e outras defesas do castelo para que a força superior do exército atacante pudesse combater os defensores com um mínimo de disvantagem. A maior parte dos equipamentos era feita para derrubar ou fraturar as muralhas. Além da simples escada de escalar, os equipamentos de cerco mais comumente utilizados durante a Idade Média incluia o trabuco (trebuchet), a mangonel, a torre de cerco, o aríete e o pavês.

Assim que uma brecha fosse aberta ou que uma torre de cerco fosse posicionada, uma força se doldados voluntária liderava o ataque. Essa força ficou conhecida como "última esperança" por causa das baixas que eram esperadas. Os sobreviventes bem sucedidos dessa força eram, usualmente, os mais bem recompensados com promoções, títulos e pilhagens.

O trabuco era uma grande catapulta movida por um pesado contrapeso, geralmente uma grande caixa com pedras. O longo braço atirador era abaixado contra a massa do contrapeso e era carregado com ums grande pedra. Quando o braço era solto, o grande peso caía, puxando o braço para cima, lançando o grande projétil de pedra numa alta trajetória curva. Os projéteis arremessados por essa arma caiam repentinamente e eram melhores usados para despedaçar o topo de torres e ameias. Era difícil danificar muralhas totalmente verticais com o trabuco a não ser que os projéteis caíssem bem no topo da muralha. O trabuco era montado fora do alcance das flechas dos arcos e defendido contra possíveis surtidas dos defensores querendo queimar a arma. O trabuco era útil para quebrar tetos de madeira e, então, atear fogo no entulho com projéteis incendiários.

A mangonel era um tipo diferente de catapulta, a qual funcionava com cordas torcidas ou faixas de couro. Uma roda dentada torcia as cordas, criando tensão. Quando as cordas eram soltas, o braço era voava para frente. Quando o braço atingia uma pesada barra restringente, qualquer projétil na cesta na extremidade do braço era arremesado para frente. A barra restringente podia ser ajustada para modificar a trajetória do projétil. As mangonels apresentavam uma trajetória baixa em comparação com o trabuco, mas podia gerar a mesma força. Era preciso um grande número de tiros de mangonel para fazer um dano considerável numa muralha. Os projéteis arremessados e os pedaços da muralha quebrada ajudavam a aterrar o fosso, entretanto, criando uma pilha de entulho pela qual os atacantes podiam escalar.

Torre de sítio atuando no cerco de um castelo.
Torre de sítio atuando no cerco de um castelo.

As torres de sítio eram movidas para perto da muralha e, aí, uma prancha despencava da torre até o topo da muralha. Os soldados dentro da torre podiam então avançar através da prancha e atacar os defensores travando um combate corpo-a-corpo. Uma torre como essa geralmente era enorme. Precisava ser protegida por couro molhado para prevenir que fosse queimada. Era difícil de ser movida por causa de seu peso. Ela precisava ser empurrada ou puxada para frente com polias previamente montadas em suportes perto da base da muralha do castelo. O chão precisava ser previamente preparado, geralmente com uma pista de lisas pranchas de madeira sob terra fortemente compactada para facilitar o movimento da torre. Uma área de luta no topo da torre permitia que os arqueiros atirassem no castelo na medida em que a torre se aproximava do mesmo. Os soldados subiam as escadas de dentro da torre quando a mesma estivesse perto da muralha. Ataques de uma torre de sítio nunca eram uma surpresa para os defensores pois muita preparação precisava ser feita. Os defensores tomavam medidas para reconstruir a parte ameaçada da muralha ou prevenir que a prancha despencasse. Eles tentavam atacar a torre enquanto ela se aproximava e captura-la. Até o último momento do ataque, os engenhos de cerco atiravam na sessão da muralha a ser atingida para interromper as preparações dos defensores para receber o ataque. Se o primeiro grupo de atacantes da torre fosse vitorioso, um fluxo constante de homens atravessariam a prancha para completar a captura do castelo.

Aríetes atacando a muralha de um castelo.
Aríetes atacando a muralha de um castelo.

O aríete tinha uma grande estaca com cabeça de ferro a qual era fixada dentro de um compartimento móvel e arrastada até um portão ou sessão de muralha. A estaca, então, era balançada contra a muralha. A força dos golpes quebrava o tabual do portão ou a muralha de pedra, criando uma abertura para o ataque. O topo do aríete era coberto com couro úmido para prevenir incêndio. Operar o aríete era um trabalho perigoso. Os inimigos em cima jogavam pedras grandes, água fervente, ou gordura ardente no aríete a fim de destruí-lo ou matar os homens que o operam. Até quando um portão ou ponte levadiça era destruída, havia ainda várias portas levadiças e portarias para serem ultrapassadas. No cerco de Tyre durante o inverno de 1111-1112, os defensores árabes inventaram uma engenhosa defesa contra o aríete. Eles jogavam ganchos, agarravam o aríete, e o puxavam para longe da muralha. Várias vezes eles interromperam o uso de aríetes.

Os arqueiros e besteiros atacantes protegiam-se atrás de grandes escudos de madeira denominados pavês. Uma estreita abertura no topo do escudo permitia que o homem atrás do mesmo atirasse nos defensores. O rei da Inglaterra Ricardo I, o Coração de Leão, foi ferido mortalmente no ombro por uma seta de besta quando observava um grupo de pavês inimigos.

[editar] Os castelos na Península Ibérica

Na península Ibérica, diversos castelos estão erguidos sobre os vestígios de castros pré-romanos, em locais sucessivamente ocupados até à época da invasão islâmica. Quando da Reconquista cristã, foram aproveitadas muitas dessas fortificações, que foram alargadas e reforçadas: aí residia uma população escassa, habitando a restante nos campos vizinhos e só recolhendo ao castelo em caso de ataque. O castelo constituía-se na sede de um julgado e gozava de certos privilégios.

A estrutura arquitectónica do castelo sofre uma mutação ao longo dos tempos e Portugal não é excepção. Em meados do século XIV assistimos a uma difusão excessiva por parte de exércitos beligerantes de armas de fogos, tornando-se necessário efectuar modificações nos castelos, que, embora já desde D. Fernando utilizassem trons, e tivessem sofrido já adaptações no sentido de comportar armas de fogo, considera-se agora essencial criar um novo espaço defensivo, a fortaleza... É o dealbar dos tempos modernos que se aproxima e que virá a levar ao abandono da maioria dos castelos no território português.

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