Castelo de Bran

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Castelo de Bran, Roménia: vista panorâmica.

O Castelo de Bran, localizado próximo de Bran (na vizinhança da cidade de Brașov, no condado com o mesmo nome), é um monumento nacional e marco histórico da Roménia. A fortaleza situa-se na fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia, pela estrada 73, encravado na floresta no sopé dos Cárpatos. Conhecido habitualmente como o "Castelo do Drácula", é promovido como a residência da personagem que dá título ao Drácula de Bram Stoker, obra que conduziu à persistência do mito de que este castelo terá servido, em tempos, de residência ao Príncipe Vlad Tepes, governador da Valáquia.

Actualmente, o castelo alberga um museu aberto ao público, exibindo peças de arte e mobiliário coleccionados pela Rainha Maria. Os turistas podem ver o interior em visitas livres ou guiadas. Ao fundo da colina situa-se um pequeno parque museu ao ar livre, o qual exibe estruturas camponesas tradicionais da Roménia, como cabanas e celeiros, representando todo o país.

História[editar | editar código-fonte]

Castelo de Bran, Roménia: vista dos muros.

Cerca de 1212, os cavaleiros da Ordem Teutônica construíram o castelo de madeira de Dietrichstein como uma posição fortificada na região de Ţara Bârsei, à entrada do vale pelo qual os mercadores haviam viajado por mais dum milénio, embora este edifício tenha sido destruído, em 1242, durante a Invasão mongol da Europa. O primeiro documento que menciona o Castelo de Bran é um acto emitido por Luís I da Hungria, datado de 19 de Novembro de 1377, pelo qual o rei concedia aos saxões de Kronstadt (Braşov) o privilégio de construir a cidadela de pedra; a instalação de Bran começou a desenvolver-se na vizinhança. O castelo começou por ser usado na defesa contra o Império Otomano em 1378, e mais tarde tornou-se um posto aduaneiro no passo de montanha entre a Transilvânia e a Valáquia. O castelo pertenceu, por um curto período, a Mircea I da Valáquia. O príncipe Vlad Tepes, apelidado de "o Empalador", que serviu como inspiração histórica para o personagem principal do romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker, utilizou em várias ocasiões este castelo com fins militares durante o seu reinado, no século XV. Acredita-se que Vlad Ţepeş tenha passado dias fechado nas masmorras enquanto os otomanos controlavam a Transilvânia. A associação a este governante, aliada às suas torres pontiagudas e à sua localização remota, tem rendido fama ao castelo, uma vez que o local constitui um cenário perfeito para um filme de terror.

Castelo de Bran, Roménia: vista interior do palácio.
Castelo de Bran, Roménia: vista geral.

A partir de 1920, o castelo tornou-se numa residência real do Reino da Roménia. Foi a residência principal da Rainha Maria da Roménia, sendo amplamente decorado com artefactos da sua época, incluindo mobiliário tradicional e tapeçarias que ela coleccionou para destacar o artesanato e as habilidades romenas. À sua morte, ocorrida em 1938, o castelo foi herdado pela sua filha, a Princesa Ileana da Roménia. Em 1948, já depois do final da Segunda Guerra Mundial e da expulsão da família real da Casa de Hohenzollern-Sigmaringen, o castelo foi ocupado e nacionalizado pelo regime comunista, tendo sido transformado em museu.

Castelo de Bran, Roménia: passagem secreta ligando o primeiro andar ao terceiro.

Em 2005, o governo romeno fez passar uma lei especial que permitia a restituição dos bens ocupados pelo governo comunista em 1948, como o Castelo de Bran, aos seus legítimos proprietários. No dia 26 de Maio de 2006, a Roménia, agora um estado membro da União Europeia, devolveu a posse do castelo ao Arquiduque Dominic da Áustria, Príncipe da Toscânia, conhecido como Dominic von Habsburg, um arquitecto a residir no Estado de Nova York e filho e herdeiro da Princesa Ileana.[1] [2] Conforme um acordo com o Ministério da Cultura romeno, o Castelo de Bran, o segundo edifício mais visitado pelos turistas do país, logo a seguir ao Castelo de Peles, deverá conservar as funções de museu até 2009.

Em 2007, Dominic von Habsburg colocou o castelo à venda (avaliado pela revista norte-americana Forbes em cento e quarenta milhões de dólares, que o considera como o segundo imóvel mais caro do mundo à venda no mercado), pelo preço de 40 milhões de libras (78 milhões de dólares).[3] No dia 2 de Julho de 2007, Michael Gardner, Presidente e Chefe Executivo da Baytree Capital, a firma de investimento nova-iorquina escolhida para criar um plano para o castelo e vendê-lo, previu que poderia vendê-lo por mais de 135 milhões de dólares, mas acrescentou que Dominic von Habsburg só o venderia a um comprador "que trate a propriedade e a sua história com o respeito apropriado".[4]

Em Setembro de 2007, um comité de investigação do Parlamento da Roménia declarou que a devolução do castelo a Dominic von Habsburg era ilegal, uma vez que violava o direito romeno de propriedade e sucessão.[5] No entanto, em Outubro do mesmo ano, o Tribunal Constitucional da Roménia rejeitou a petição parlamentar na matéria. Adicionalmente, uma comissão de investigação do governo romeno emitiu uma decisão, em Dezembro, reafirmando a validade e legalidade dos procedimentos de restituição, confirmando que a devolução era feita em total conformidade com a lei.[6] [7] [8] [9]

Notas

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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