Castelo de Castelo Branco

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Castelo de Castelo Branco
Pt-cb-castelo-miradouro.jpg
Castelo de Castelo Branco, Portugal: vista das muralhas a partir do parque da cidade.
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção D. Afonso II (1214)
Estilo Românico
Conservação Mau
Homologação
(IGESPAR)
VC
Aberto ao público Y
Site IHRU, SIPA 2495
Site IGESPAR 71175

O Castelo de Castelo Branco, também conhecido localmente como Castelo dos Templários, localiza-se na cidade, freguesia, concelho e distrito de Castelo Branco, em Portugal.

Integrava, na Idade Média, a chamada Linha da Raia ou Linha do Tejo. Severamente danificado ao longo dos séculos, o Castelo Branco dos Templários portugueses permanece como o mais importante registro histórico-militar da cidade.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que primitiva ocupação humana de seu sítio tenha sido um castro pré-histórico, no alto do monte, em cujas encostas se registrou a ocupação romana, sucedida por Suevos, Visigodos e Muçulmanos.

O Castelo Branco[editar | editar código-fonte]

À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, a região foi tomada aos muçulmanos desde 1165, sendo doada por D. Afonso Henriques (1112-1185) à Ordem dos Templários para que a povoasse e defendesse.

A área da actual Castelo Branco integrava a propriedade régia conhecida como Herdade da Cardosa, destacada do termo do Concelho da Covilhã no foral de 1186, no início do reinado de D. Sancho I (1185-1211).

Ainda no reinado deste soberano, a doação aos templários foi revista (1198), ficando a metade do território nos domínios de Fernando Sanches, que se acredita seja o próprio infante D. Fernando, terceiro filho de D. Sancho I. Este Senhor aí teria constituído a Vila Franca da Cardosa (1211).

Em 1214, Fernando Sanches cedeu a vila e seus domínios à Ordem do Templo, sendo seu Mestre em Portugal Pedro Alvites, com reserva de metade dos rendimentos e sob a condição de promoverem o seu povoamento e nela erigirem castelo para a defesa das suas gentes, doação confirmada por bula do Papa Inocêncio III (1245), quando se refere, pela primeira vez, a toponímia Castelo Branco.

É nesta fase, entre 1214 e 1230, que é edificada a primeira muralha, integrando, juntamente com o Castelo de Almourol, o Castelo de Monsanto, o Castelo de Pombal, o Castelo de Tomar e o Castelo do Zêzere, a defesa denominada como Linha da Raia ou Linha do Tejo. Também é neste período que D. Simão Mendes, Mestre da Ordem, determina a construção do chamado Palácio dos Comendadores (1229).

Desenvolvendo-se extra-muros, sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), a Ordem de Cristo sucedeu a do Templo, época em que o soberano determinou a ereção da Torre de Menagem de planta poligonal, no extremo Noroeste do perímetro (hoje desaparecida). Nesta fase, ao final do século XIII, os muros eram rasgados por quatro portas: a Porta do Ouro, a Porta de Santiago, a Porta do Pelame e a Porta da Traição.

O rei D. Afonso IV (1325-1347), ordenou que as vilas de Castelo Branco e de Nisa erguessem novas muralhas, sendo as obras custeadas com o produto da sisa sobre os cereais, vinhos, carne, sobras dos fundos dos hospitais, gafarias e dos resíduos dos testamentos, tudo da Ordem, até ao montante de 600 libras. Inicia-se assim, a partir de 1343, uma segunda cinta de muralhas envolvendo a vila, quando a alcáçova passou a contar com sete portas. Iniciaram-se ainda as obras da Torre de Menagem, adossada à muralha.

Quando da doação da vila e seus domínios a Martim Lourenço de Figueiredo, é feita menção a um alcaide-mor do castelo (1 de Outubro de 1357).

Sob o reinado de João I de Portugal, a edificação do palácio é descrita como possuindo três câmaras, uma torre e duas cavalariças, estando-lhe anexas uma cozinha, uma vacaria, um celeiro e uma casa para guardar a prata (1408). Ainda no século XV é erguida a barbacã.

No reinado de D. Manuel I (1495-1521), encontra-se figurado por Duarte de Armas em seu Livro das Fortalezas (c. 1509): o castelo ao alto, em posição dominante sobre a povoação na encosta destacando-se a sua torre de menagem; a cerca da vila, dupla, ameada, na qual se inscreviam cinco torres (uma delas a Torre do Relógio, já referida como tal), rasgada por oito portas: a Porta do Ouro, a Porta de Santiago, a Porta da Traição, a Porta do Espírito Santo, a Porta do Relógio, a Porta da Vila, a Porta do Esteval e a Porta de Santarém. Figura ainda o Palácio dos Comendadores, integrado por uma capela, um pátio interno e um pomar, e do qual nos restou a torre.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

Reprodução em azulejo do Castelo (autor desconhecido) conforme consta no Livro das Fortalezas. Encontra-se à entrada do Jardim do Paço.
Castelo de Castelo Branco: o chamado Arco do Bispo, na Casa do Arco do Bispo. Aqui teria existido uma das antigas portas da cidade, a Porta dos Pelames.

À época da Guerra da Restauração, sofreu danos diante da ofensiva espanhola, em 1648 e por eles, novamente, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (22 de Maio de 1704), quando perdeu parte das muralhas. Quando da Guerra dos Sete Anos a vila e seu castelo foram invadidos e saqueados por tropas franco-espanholas (1762), sendo restituídos apenas em virtude da assinatura do Tratado de Paris (1763). Mais tarde, durante a Guerra Peninsular, a ofensiva francesa comandada por Jean-Andoche Junot (1807), causou severos danos ao castelo.

Diante da destruição causada pelas tropas napoleónicas, a partir de 1821, registrava-se a retirada das pedras do castelo pelos habitantes para construção das suas moradias. Através de portarias, o poder público autorizou, em:

  • 17 de Junho de 1835, a demolição dos arcos das muralhas para o emprego das suas pedras em obras de utilidade pública. Na ocasião foram demolidas a Porta da Vila, a Porta do Relógio e a Porta do Espírito Santo, sendo as pedras reutilizadas na construção da Ponte da Granja;
  • 1839, uma autorizando a venda de parte das pedras dos muros do castelo, telhas e madeiramentos do Palácio (9 de Março), e outra, autorizando a venda das telhas e do madeiramento (20 de Março).

Enfraquecida a estrutura, um violento temporal que se abateu na região fez desabar algumas das paredes da alcáçova e das muralhas (15 de Novembro de 1852). Ainda na segunda metade do século XIX, devido à iniciativa do Governador Civil Guilhermino de Barros, reconstroem-se alguns troços de muralhas e algumas das estruturas do Palácio. Em 1862, entretanto, é demolida a Porta do Postiguinho.

O processo de decadência prosseguiu no século XX, com o desabamento, em 1930, da última torre da muralha (interna / externa?), ao qual se seguiu, em Março de 1936, a da torre no ângulo nordeste, também devido a uma tempestade. Ainda neste mesmo ano foi solicitada à Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) uma vistoria no local, que realizou a reconstrução da torre (1940), recriando algumas estruturas, como por exemplo, as janelas neo-manuelinas. Novas intervenções se sucederam, em 1977 (prospecção arqueológica e limpeza, consolidação e reconstrução do troço da muralha ruída à altura da Rua Vaz Preto, expropriação e demolição pela Câmara Municipal de imóveis adossados à muralha), entre 1980 e 1982 (beneficiação do troço de muralhas à altura do mesmo logradouro). Em 2000 descobriu-se parte da muralha medieval, nomeadamente de um dos torreões, durante os trabalhos de demolição de duas edificações na mesma Rua Vaz Preto. No ano de 2002 previa-se a recuperação do troço da muralha a leste, que ligava a torre da alcáçova e a torre de menagem do antigo Palácio dos Comendadores.

O interesse despertado nos últimos anos por este património levou à definição da primeira proteção legal para o conjunto, hoje em vias de classificação. A igreja foi classificada pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público em 1978. Um funicular ligando o Largo da ao castelo está desde 2005 previsto para 2020.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

De características arquitectónicas semelhantes ao Chastel Blanc dos Cruzados na Síria (1171), ergue-se num maciço de granito, na cota de 470 metros acima do nível do mar.

A muralha interna do castelo apresentava planta com o formato de um pentágono irregular, reforçado por cinco torres, duas delas cobrindo a Cidade Velha e três para o exterior. Desse conjunto subsiste um troço da muralha, a leste, com adarve, ligando uma das torres da defesa da alcáçova e a torre do antigo Palácio dos Comendadores. A torre de defesa da alcáçova apresenta planta quadrangular e o seu interior é acedido por uma escadaria. As seteiras simples que subsistem indicam ter possuído primitivamente dois pavimentos. A torre do paço quinhentista (também denominada como Torre dos Templários, Torre de Menagem, Torre do Paço dos Alcaides ou Torre do Palácio dos Comendadores) apresenta planta retangular, encimada por ameias. A sua fachada a oeste encontra-se em ruínas, ao passo que a leste apresenta duas janelas de balcão em estilo neo-manuelino, uma no primeiro piso e outra no segundo, esta última geminada com arco em querena sobre moldura chanfrada, formato que lhe foi atribuído pela reconstrução da DGEMN. Na fachada voltada a norte, no segundo piso rasga-se uma janela com lintel reto e arco em querena.

Na praça de armas ergue-se a Igreja de Santa Maria do Castelo, em cujo adro se reuniram a assembleia dos homens-bons e as autoridades monástico-militares da vila até ao século XIV. Atrás da igreja, por um arco de volta perfeita acede-se o antigo terreiro da alcáçova, onde se abre a primitiva cisterna e se ergue a Torre do Palácio, que possuía primitivamente uma varanda alpendrada.

Na cerca medieval, resta-nos a chamada Porta dos Pelames. A atual Torre do Relógio também é a sobrevivência de uma antiga torre na qual se inscrevia uma das portas da muralha.

Referências

  1. Câmara Municipal de Castelo Branco: Valorizar a Memória: Intervir no Centro Histórico, documento online datado de 15 de Junho de 2005

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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