Catai

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Catai ou Cataio[1] é um nome alternativo para a China, originário da palavra khitan[2] (契丹, Qìdān), nome de um povo nomádico que fundou a dinastia Liao, que dominou a maior parte do norte da China de 907 a 1125, e que teve um Estado próprio (o canato de Kara-Khitan) centrado em torno do território correspondente ao atual Quirguistão, por mais um século.

Originalmente "Catai" foi o nome empregado por europeus e asiáticos ocidentais e centrais para o norte da China, ou seja a China propriamente dita onde começou a civilização chinesa e estão a etnia han. O termo difundiu-se rapidamente na Europa depois da publicação do livro de Marco Polo que se referia ao sul da China como Manji.

História[editar | editar código-fonte]

Uma forma do nome Cathai foi atestada num documento uigur maniqueu de cerca do ano 1000.[3] O nome rapidamente se tornou igualmente conhecido na Ásia Central islâmica; quando, em 1026, a corte gaznévida (em Gazna, no atual Afeganistão), foi visitada por enviados do soberano Liao, ele foi descrito como um "Qatā Khan", isto é, o soberano de Qatā; Qatā ou Qitā também aparece nos escritos de al-Biruni e Abu Said Gardezi nas décadas seguintes.[3] O acadêmico e administrador persa Nizam al-Mulk (1018–1092) menciona Khita e China em seu Livro sobre a Administração do Estado, aparentemente como dois países distintos,[3] (presumivelmente referindo-se ao impérios Liao e Song, respectivamente).

A forma do nome no mundo islâmico acabou sobrevivendo à substituição da dinastia Liao khitan pela dinastia Jin, de origem jurchen, no início do século XII. Ao descrever a queda do Império Jin para os mongóis (1234), a historiografia persa descreveu o país conquistado como Khitāy ou Djerdaj Khitāy(isto é, "a Catai jurchen").[3] Os próprios mongóis, em sua História Secreta (século XIII), falam tanto dos khitans como dos kara-khitans.[3]

À medida que viajantes europeus e árabes começaram a chegar até o Império Mongol, descreveram o norte da China, controlado pelos mongóis, como "Catai" (também "Cathay", e diversas outras variantes). O nome apareceu nos escritos de Giovanni da Pian del Carpine (c. 1180 - 1252) (como Kitaia), Guilherme de Rubruck (c. 1220 - c. 1293) (como Cataya ou Cathaia).[4] . Rashid al-Din, ibn Battuta e Marco Polo referiram-se ao norte da China como Catai, enquanto o sul do território era chamado de Mangi, Manzi, Chin, ou Sin.[4]

Em alguns idiomas, como notadamente o russo, Catai (Китай, Kitai) ainda é o nome moderno para a China.

Progressão etimológica[editar | editar código-fonte]

Esta é a progressão etimológica que o termo sofreu à medida que passou a ser usado em territórios a ocidente:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Também é mencionada na forma anglicizada, Cathay.
  2. "Cathay". Encyclopaedia Britannica Online. (2009). Encyclopaedia Britannica. Consultado em 23-6-2009. 
  3. a b c d e Wittfogel (1946), p. 1
  4. a b Wittfogel (1946), p. 2

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Wittfogel, Karl A. e Chia-Sheng, Feng . History of Chinese Society: Liao (907-1125). in Transactions of American Philosophical Society (vol. 36, Part 1, 1946). Disponível no Google Books.