Catalunha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Espanha Catalunha
Cataluña
Catalunya
 
—  Comunidade autónoma  —
Bandeira de Catalunha
Bandeira
Brasão de armas de Catalunha
Brasão de armas
Locator map of Catalonia.png
hino Els segadors
Capital Barcelona
Administração
 - Presidente Artur Mas (Convergència i Unió)
Área
 - Total 32,114 § km²
População (2007)
 - Total 7,210,508
    • Densidade 223,9/km2 
Gentílico: catalão/catalã
Províncias Barcelona, Girona, Lérida, Tarragona
Idioma oficial Catalão, occitano e castelhano
Estatuto de autonomia 20 de Julho de 2006
ISO 3166-2 ES-CT
Congresso
Senado
47 assentos
7 assentos
Sítio Generalidade da Catalunha
§ 6,3% da área total de Espanha
15,96% da população total de Espanha
Cortes catalãs, séc. XV
A Coroa de Aragão no século XV

Catalunha (em catalão Catalunya; em castelhano Cataluña; em occitano Catalonha;) é uma comunidade autónoma da Espanha, situada a nordeste da península Ibérica. Ocupa um território de cerca de 32.000 km², limitada a norte pela França e por Andorra, a leste com o Mar Mediterrâneo, a sul com a Comunidade Valenciana e a oeste com Aragão. A capital da Catalunha é a cidade de Barcelona. A Catalunha é reconhecida como uma nacionalidade no seu Estatuto de Autonomia, enquanto o artigo segundo da Constituição Espanhola se refere a nacionalidade, reconhecendo e garantindo o direito à sua autonomia.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro povoamento da região é datada da época do Paleolítico Médio. Os vestígios mais antigos encontrados correspondem à mandíbula de um pré-Neandertal encontrada em Banyoles, com 25.000 anos.

A colonização na idade antiga deu-se em duas etapas. A primeira etapa deu-se com o início da colonização pelos Gregos e Cartagineses. A segunda etapa corresponde a romanização da Catalunha iniciada em 218 a.C.. O actual território catalão foi primeiro englobado na província chamada Hispânia Citerior, para formar parte desde o ano de 27 a.C. a Tarraconense, cuja capital foi Tarraco (atual Tarragona). Com a crise do século III que afectou o Império Romano, a Catalunha foi afectada gravemente com destruição e abandono das vilas romanas.


Idade Média[editar | editar código-fonte]

No século V com a invasão dos povos germânicos, os Visigodos instalaram-se em Tarraconense e em 475 o rei visigodo Eurico formou o Reino Visigodo de Tolosa. Os Visigodos dominaram a região até ao século VIII. Em 711, os Árabes iniciam a conquista da Península Ibérica, algumas batalhas tomaram conta de região principalmente em Tarragona. No último quarto do século VIII veio a reacção dos carolíngios, que conseguiram o domínio das actuais cidades de Girona e Barcelona. No final do século IX, Carlos II (ou Carlos, "o Calvo") nomeou Vifredo, o Veloso Conde de Barcelona e Gerunda. Somente no século seguinte houve independência em relação ao poder carolíngio. No século XI desenvolveu-se uma Catalunha feudal. Com o casamento do conde Ramón Berenguer IV (do Condado de Barcelona) com Petronila de Aragão (do Reino de Aragão) formou-se como confederação a Coroa Catalano-Aragonesa, mantendo cada um dos reinos as suas próprias instituições administrativas. A expansão da Coroa Catalano-Aragonesa (ou simplesmente Coroa de Aragão), teve início com a conquista das cidades de Lérida, Tortosa, Reino de Maiorca (nas Ilhas Baleares), Reino de Valência (que permaneceu com corte própria), Coroa da Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares), Sardenha (ilha italiana). Até às primeiras décadas do século XIV, a coroa teve o seu apogeu, que começou a mudar com o surgimento de catástrofes naturais, crises demográficas, recessão da economia catalã, o surgimento de tensões sociais e crise sucessora (o Rei Martin I não deixou sucessor nomeado). Em 1443, após a conquista do Reino de Nápoles a crise se agravou.


Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

Em 1469, o Rei Fernando II de Aragão casou-se com Isabel I (Rainha de Castela) o que conduziu a uma união dos dois reinos a a formação de uma monarquia espanhola.

Nos séculos XVI e XVII, a Catalunha viveu um período de decadência. Os catalães envolveram-se num conflito, a Guerra dos Segadores, de 1640 até 1652, contra o domínio hispânico do rei Felipe IV, ao mesmo tempo que Portugal também recupera a independência.

Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701 – 1713/1715), a Catalunha apoiou o pretendente austríaco (tal como Inglaterra, os Países Baixos e Portugal), assinando-se em 1713 a paz com o Tratado de Utrecht, deixando os catalães abandonados ao seu destino. Apesar de conseguirem resisitir e inclusive vencer as tropas borbónicas, tal como na Batalha de Talamanca, o avanço do exército real continua. O cerco de Barcelona culminou com a Batalha de 11 de Setembro de 1714. Apesar do heróico combate, acabou quase completamente com a oposição catalã, que se rendeu às tropas do pretendente francês a 18 de Setembro no último castelo a cair, o de Cardona. O novo rei, Filipe V de Espanha (conhecido como Filipe de Anjou, era neto do rei francês Luís XIV), anexou a Catalunha e proclamou o Decreto da Nova Planta. Com este Decreto, extremamente repressivo, a região deixou de ter um estado próprio (a Generalitat, o Consell de Cent (Conselho de Cem) e restantes instituições de autogoverno catalãs foram abolidas), perdeu os seus direitos e foi incorporada definitivamente no Reino de Espanha.


Idade Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Nos finais do século XIX nasceu o movimento chamado em catalão "Renaixença", que foi o início das reivindicações do catalanismo político. Um representante do catalanismo político foi Francesc Cambó.

Em 1914, formou-se a Mancomunitat, primeiro organismo administrativo de Catalunha reconhecido pelo Estado Espanhol desde a Guerra de Sucessão Espanhola. Foi dissolvida pela ditadura de Primo de Rivera no ano de 1923.

Com a proclamação da II República Espanhola, em 1931, reconheceu-se a Comunidade Autónoma da Catalunha, não obstante se ter chegado a proclamar unilateralmente a República da Catalunha. Depois de prolongadas negociações aprovou-se o seu Estatuto no ano de 1932, tendo sido eleito Presidente da Generalitat Francesc Macià.

Com a derrota dos Republicanos na Guerra Civil (1936-1939), a Catalunha perdeu novamente a sua autonomia, todas as instituições de autogoverno catalãs foram banidas, e sofreu uma importante e pesada repressão cultural e linguística (com a abolição e proibição do uso do catalão), por parte do Estado Nacionalista Espanhol, totalitário e de inspiração fascista.

Em 1975, com a morte do ditador Francisco Franco e o fim da ditadura, recuperou outra vez a sua autonomia e língua.

Actualmente a Generalitat de Catalunya conta com cinco delegações no estrangeiro (Paris, Londres, Berlim, Bruxelas e Nova Iorque), tem diversas competências, e trabalha para que o Estatuto da Catalunha, aprovado por referendo popular e no Parlamento catalão, possa ser totalmente vigente e aceite pelo governo central espanhol.


Referendo sobre a independência da Catalunha em 2014[editar | editar código-fonte]

À revelia da Contituição Nacional e do Tribunal Constitucional, o Presidente da Generalitat, Artur Mas (CiU, primeira força política na região), anunciou no dia 12 de Dezembro de 2013[1] , que convocará um referendo sobre a independência da catalunha. Os partidos mais radicais da região manifestaram o seu apoio à decisão. ERC, Esquerda Republicana (segunda força política mais votada), ICV, Iniciativa pela Catalunha (quinta força política), UDC, União Democrática da Catalunha (parceiros de coligação da CiU), EUiA, Esquerda Unida e Alternativa, (parceiros políticos de coligação com ICV), CUP, Candidatura de Unidade Popular, (nona força política), são a favor da consulta. Os partidos PSC, Partido Socialista Catalão, ( terceira força politica mais votada), PPC Partido Popular Catalão (quarta força politica mais votada) e C´s, Ciutadans ( sexta força politica mais votada) estão contra este referendo. Os partidos favoráveis ao referendo somam 88 deputados dos dos 135 do Parlamento catalão O referendo que se pretende realizar a 9 de Novembro de 2014 tem um formato binomial: "Quer que a Catalunha seja um Estado?"; "Se sim, quer que este Estado seja independente?". A Constituição, o Parlamento Nacional, o Tribunal Constitucional e o Governo central, presidido por Mariano Rajoy (Partido Popular) não permitem este referendo.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Limites Geográficos[editar | editar código-fonte]

Limita a norte com Andorra e França, ao sul com a Comunidade Valenciana, e a leste com o mar Mediterrâneo.

Relevo[editar | editar código-fonte]

O território está dividido em três unidades morfo-estruturais gerais:

  • Pirenéus: ao norte, é uma unidade montanhosa, com o Pica d'Estats, de 3.143 metros de altura, o ponto mais elevado da Catalunha.
Vista do maciço de Montserrat
  • Sistema Mediterráneo Catalão: alterna terras baixas ou planas e serras ou cordilheiras. Sistema que se estende em todo litoral. As principais montanhas costeiras são: Montnegre, Tibidabo, Montserrat e Montseny.
  • Depressão Central Catalã: derivam da erosão do rio Ebro e seus afluentes.

Bacia Hidrografica[editar | editar código-fonte]

Principais rios que banham a Catalunha:

Clima[editar | editar código-fonte]

Clima mediterrânico e Clima temperado com altas temperaturas no Verão e invernos húmidos. As zonas montanhosas próximas ao Pirenéus apresentam Invernos com temperaturas abaixo de zero e neve abundante e Verões menos quentes do que no resto da região.

Demografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com dados estatísticos oficiais, a população da Catalunha em finais de 2006 era de 7.134.697 habitantes, constituindo 16% do total da população de Espanha.

Em 2012, segundo o Instituto de Estatística da Catalunha (INDESCAT) [2] , a população desta região soma 7.570.908 habitantes.

Os dados do mesmo ano revelam que 1.443.480 pessoas são imigrantes de outras zonas do estado espanhol (sendo a maioria de Andaluzia), e 1.342.271 são provenientes de outras zonas da Europa e do mundo, sendo os marroquinos, romenos e equadorenhos, por esta ordem de grandeza decrescente, os mais representados.

Economia[editar | editar código-fonte]

La Caixa, na Av. Diagonal, em Barcelona

Os principais sectores da economia da Catalunha são o turismo, a indústria (de transformação, têxtil, química, agro-industrial) e os serviços. Os principais produtos agrícolas são: azeitonas, vinhos e espumantes (cava), cereais, milho e fruta doce e, na pecuária, o suíno e o bovino.

A Catalunha é o primeiro destino turístico da Espanha. Os principais destinos na Catalunha são: Barcelona (que ganhou grande projecção internacional após sediar os Jogos Olímpicos de 1992), as praias da Costa Brava e Costa Dourada, estações de esqui nos Pirenéus e ainda turismo histórico (em Tarragona, com monumentos romanos classificados Património da Humanidade pela UNESCO em 2000), turismo cultural (Figueras pelo Teatro-Museu Dalí, Barcelona pelo Museu Pablo Picasso, Fundação Joan Miró e Antoni Tàpies, além do conjunto de obras do arquitecto Antoní Gaudi.

Do ponto de vista financeiro, a Catalunha possui instituições com grande poder, como a La Caixa, ou o Banco Sabadell. Em termos industriais, a Catalunha é a comunidade que tem maior participação no PIB industrial do território espanhol, com 25%.

Política e Administração[editar | editar código-fonte]

Parlamento da Catalunha, situado no Parque da Cidadela, Barcelona
Províncias da Catalunha

O governo da Catalunha é conhecido como Generalitat de Catalunya e consiste de um parlamento, um presidente e um conselho executivo.

Províncias[editar | editar código-fonte]

Catalunha está dividida administrativamente em quatro províncias:

Comarcas[editar | editar código-fonte]

Possui 41 comarcas que se originaram do decreto Generalitat de Catalunya de 1936. E 946 municípios.

Transportes[editar | editar código-fonte]

  • Portos: os de maior volume são o de Barcelona e Tarragona, que são também dois dos principais portos do território espanhol e do Mar Mediterrâneo.

Língua[editar | editar código-fonte]

Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento do Catalão (Catalan).
  • O catalão é uma língua românica falada por cerca de sete milhões e meio de pessoas na Catalunha, Ilhas Baleares e Andorra. De acordo com o Estatuto de Autonomia, o catalão é a língua oficial da Catalunha juntamente com o castelhano, língua oficial do Reino de Espanha. O Aranês, variedade da língua occitana é própria e oficial do Vale de Arão (Vall d' Aran). A Generalitat de Catalunya tem desenvolvido legislação que promove e protege e impõe o uso social do catalão, de acordo com o defendido pelo Estatuto de Autonomia.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Catedral de Santa Eulália de Barcelona
Obra de Gaudí: Casa Batlló em Barcelona
  • Artes Plásticas: os pintores catalães de grande nome internacional são Salvador Dalí, Joan Miró e Antoni Tàpies. O malaguenho Pablo Ruiz Picasso viveu sua juventude na Catalunha onde iniciou o cubismo. Existem na região importantes espaços museológicos como o Teatro-Museu Dalí (em Figueras, Figueres em catalão), e em Barcelona o Museu Picasso, Fundação Joan Miró, Fundação Antoni Tàpies, CaixaFòrum, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC), Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), ou o conjunto arqueológico de Tarragona, considerado Património da Humanidade pela UNESCO em 2000, são alguns dos mais importantes.
  • Popular: Joan Manuel Serrat, Maria del Mar Bonet, Lluís Llach, Francesc Pi de La Serra. A rumba catalã, outro género popular, foi divulgada na cidade de Barcelona pela mão das comunidades ciganas nos anos 1950. São conhecidos Los Manolos, Els Batak, La Pegatina, Dijous Paella, entre outros.
  • Rock (em catalão): Els Pets, Gossos, Lax'n Busto, Antònia Font, Sopa de Cabra, Glaucs, Brams, são referências.
  • Festivais de música rock, eletrónica e experimental: têm sucesso internacional o Sonar, Primavera Sound e Summercase.
  • Castellers: Torres humanas feitas sobre os ombros uns dos outros, costume que nasceu na zona de Tarragona e se estendeu a toda a Catalunha.
  • Sardana: Dança tradiconal da Catalunha, em grupo, onde os participantes formam um círculo de mãos dadas.
  • Dia de Sant Jordi (São Jorge): Celebrado a 23 de Abril, é considerado o patrono da Catalunha. Nesta festividade, também conhecida como o dia dos namorados na Catalunha (em vez de S. Valentim), oferecem-se tradicionalmente rosas e livros.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Commons Imagens e media no Commons

Referências

  1. Jornal Público acedido a 13/12/2013
  2. INDESCAT acedido em 26/09/2013

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre a Catalunha é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.