Catedral de Barcelona

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Catedral de Santa Eulália de Barcelona

A Catedral de Barcelona[1] é a catedral católica de Barcelona, em Espanha. A catedral, em estilo gótico, foi construída do século XIII ao XV sobre a antiga catedral românica. Esta, por sua vez, foi edificada sobre uma igreja da época visigoda. A esta, precedeu uma basílica paleocristã, cujos restos podem ser vistos no subsolo, no Museu de História da Cidade. A fachada de estilo neogótico, entretanto, é muito mais moderna (século XIX).

Está dedicada à Santa Cruz (a cruz em que Jesus foi executado) e a santa Eulália, patrona da cidade de Barcelona, uma jovem donzela que, de acordo com a tradição católica, sofreu o martírio durante a época romana. A dedicação a santa Eulália data de 877,[2] quando o bispo Frodoí localizou os restos da santa e os levou solenemente para a catedral.[3] Uma das histórias relativas à santa conta que ela foi exposta nua no fórum da cidade e que, milagrosamente, pois já era primavera, caiu uma nevasca que cobriu sua nudez. As enfurecidas autoridades romanas a teriam, então, metido em um barril com vidros quebrados e cravos e lançado o barril costa abaixo (de acordo com a tradição, trata-se da rua Baixada de Santa Eulália, ou Costa de Santa Eulália).

Jardim do claustro

História[editar | editar código-fonte]

A igreja paleocristã[editar | editar código-fonte]

A catedral paleocristã está documentada desde o século VI,[2] , apesar de que se supõe que seja mais antiga, já que a existência dos bispos de Barcelona se conhece desde meados do século IV.[4] Entrando pelo sótão do Museu de História da Cidade, podem-se visitar restos da basílica e do baptistério (situado abaixo da catedral actual), com uma piscina octogonal.[2] Os restos encontrados da basílica, que são, basicamente, o pavimento e o arranque das colunas, fizeram pensar que correspondiam à primitiva catedral, de três naves (a planta típica das basílicas romanas) dispostas transversalmente à actual,[4] com a cabeceira ao norte-este e os pés situados abaixo as capelas do lado do Evangelho (norte) da catedral actual,[2] mas actualmente se sabe que esta aula basilical na realidade era uma sala de recepção do palácio episcopal, enquanto que a catedral devia de estar embaixo da catedral actual, e se não se encontrou restos é porque esta zona não foi escavada.[5] Esta catedral foi remodelada completamente antes do século IX[2] e foi destruída o 986 pela ràtzia de Almançor.[4]

Situação da catedral románica (em vermelho) com respeito à catedral gótica actual (em negro).[6]

A igreja românica[editar | editar código-fonte]

A catedral românica, consagrada em 1058 pelo arcebispo de Narbona, foi construída por impulso do bispo Guislabert e tinha a mesma orientação da catedral actual.

Bem mais pequena que a actual, de três naves com três absides e sem cruzeiro, tinha o campanário próximo de onde hoje está o claustro.[2] Sua localização coincide com a actual, com o presbitério e a cripta ao mesmo lugar. Tinha um atril, que ocupava a metade do espaço actual do coro e as naves chegavam só até o actual coração.[6] Localizou-se parte do basamento da porta principal, que também se pode ver entrando pelo Museu de História da Cidade, e se localizou em algumas pedras aproveitadas na construção dos fundamentos da catedral gótica. Parte da porta principal ou de uma porta lateral poderia ter sido reaproveitada na porta do claustro.[6]

A catedral gótica[editar | editar código-fonte]

As obras de construção da catedral gótica iniciaram-se em maio de 1298, reinando Jaime o Justo e baixo o mandato episcopal de Bernat Peregrino (1288-1300), começando pela cabeceira, desmontando ao mesmo tempo a antiga catedral románica e aproveitando algum elemento, sobretudo escultórico como possivelmente[6] as impostes da porta de Santo Iu, que é a mais antiga da catedral.

As obras não se propuseram como a construção de uma nova catedral senão antes como uma reforma e ampliação da catedral românica (…extensione te ampliatione nosso catedralis ecclesie…),[7] que se levou a cabo por fases sem enderrocar nunca completamente o templo e o seguindo usando para o culto durante toda a duração da obra, e inclusive algumas partes da catedral românica serviram de andaime para construir a gótica. Assim, a catedral gótica conserva o mesmo eixo que a românica e o deambulatório está construído ao redor do abside românico.[6]

À primeira etapa constrói-se a abside, as capelas radiais e a cripta do presbitério que foi terminada em 1338 sendo o mestre de obras Jaume Fabre, primeiro arquitecto de que se tem notícias, durante o mandato do bispo Ponç de Gualba (1303-1334). Em 23 de junho de 1317 assinava um contrato.

A fachada no ano 1880.

A segunda etapa é o prolongamento das três naves com suas capelas e finalmente o zimbório coberto com cassetonato de madeira, as capelas aos pés do templo e o muro com que se fechou em 1420, em espera de poder realizar a fachada, que já estava traçada por Carles Galtés de Ruan (denominado Carlí) o 27 de abril de 1408.[8]

Pode-se dizer que as obras da construção gótica duraram uns 150 anos e entre os mestres de obra que participaram há Bertran Riquer (1344), Bernat Rocha (1358), Arnau Bargués (1397), Jaume Solà (1401), Bartomeu Vau (1413) e Andreu Escudero (1442).

A fachada neogótica[editar | editar código-fonte]

Com motivo da Exposição Universal de 1888, após quase quatrocentos anos sem fazer grandes obras à catedral, graças ao promotor Manuel Girona e Agrafel e seus filhos, retomaram-se as obras, convocou-se o concurso para a edificação da fachada no ano 1882, estabelecendo como critério estilístico e a seguir o gótico. Foi adjudicado a Josep Oriol Mestres, arquitecto titular da catedral desde o ano 1855. Inspirou-se em traça-las realizadas no ano 1408 por Carles Galtés de Ruan.

Edifício[editar | editar código-fonte]

Planta da Catedral de Barcelona

O edifício é formado pelo templo e o claustro perfeitamente unidos por seu mesmo estilo gótico. As medidas da catedral são de 90 metros de longitude por 40 de largura e o jardim do claustro tem 25 metros por lado mais por seis de largura de cada galeria das quatro que o rodeiam.

Estrutura do templo[editar | editar código-fonte]

A catedral é formada por três naves da mesma altura, que desde o falso cruzeiro as naves circulares se unem em charola, passando por trás do presbitério e formando um arco semicircular, onde se alojam novas capelas; acima destas capelas têm grandes vitrais e um falso trifório desde onde se podem ver as chaves de volta a uma distância de uns três metros. A nave central tem o dobro de largura das laterais e além das capelas da cabeceira repartiu mais 17 em seu perímetro, às quais se tem que acrescentar as vinte capelas do claustro e a capela de Santa Lúcia com entrada a partir do exterior. A distribuição em três naves é corrente às grandes igrejas góticas, mas enquanto as catedrais francesas e as que seguem o estilo a presença de três naves serve dar luz à igreja, fazendo a nave central mais alta que as laterais e abrindo grandes finestrais às paredes da nave central (ver por exemplo a catedral de Reims) à de Barcelona se põe ênfase na unidade do espaço, levantando as três naves quase a mesma altura similarmente ao que se faz em outras igrejas do gótico catalão: por exemplo, a Santa Maria do Mar adopta-se aproximadamente a mesma solução, e nas igrejas mais pequenas como Santa Maria do Pino ou a do mosteiro de Pedralbes se traz a unidade do espaço até ao extremo fazendo a igreja de uma só nave.

Contrafortes interiores[editar | editar código-fonte]

As capelas de São Bernardo (esquerda) e da Virgem de Roser (direita)

A galeria sobre as capelas está coberta com duas voltas de creueria.]] As paredes das fachadas exteriores não se situam aos lados das naves laterais, senão que se deslocam enfora deixando os contrafortes ao interior do edifício, quando habitualmente ficam ao exterior. Isto aumenta aparente a catedral, com a impressão de acrescentar uma nave mais à cada banda, mas como o espaço entre nos contrafortes não se cobre com uma volta de creueria senão com duas, a impressão é que se acrescentaram duas naves à cada lado e que a catedral tem sete naves em vez de três. Isto tem efeitos sobre a iluminação do interior e sobre a disposição das capelas.

Efeitos sobre a iluminação[editar | editar código-fonte]

Ao ter ampliado o espaço, os vitrais ficam bem mais longe do centro, e ademais a chegada fica obstaculizada pelos contrafortes e pelos arcos que sustentam as voltas entre os contrafortes. A parte da catedral em que este enfoscamento se dá menos é a abside, que é a única parte em que os contrafortes se deixam ao exterior e os vitrais se situam ao lado da nave lateral.

Efeitos sobre as capelas[editar | editar código-fonte]

Quando os contrafortes se situam ao exterior, entre eles se situam as cercos que fazem de teto às capelas e que têm uma alçada proporcionada a sua medida, como a igreja de Santa Maria do Mar). À catedral de Barcelona, em mudança, a alçada do teto entre os contrafortes é excessiva para formar o espaço recolhido que convém às capelas, pelo que as capelas (duas à cada espaço entre contrafortes) estão cobertas por voltas mais baixas que deixam uma galeria em cima. A intenção original devia de ser de construir mais capelas em cima da galeria, e de facto chegaram-se a fazer quatro capelas sobre a galeria do lado do Evangelho tocando à porta de Santo Iu, que ainda se podem ver, mas a oferta de capelas devia de ser excessiva porque não se chegou a construir mais.[9]

Exterior[editar | editar código-fonte]

Fachada principal e zimbório[editar | editar código-fonte]

A fachada neogótica, projectada pelo arquitecto Josep Oriol Mestres no ano 1882, tem 40 metros de largura, consta da portada flanqueada por duas torres com altos pináculos e está ornamentada com todo tipo de elementos de estilo gótico de linhas verticais e com grande profusão de imagens de anjos e santos. À fachada são visíveis oito vitrais, a maioria modernistas, mas também renascentistas como a famosa Noli me tangere desenhada por Bartolomé Bermejo à parte esquerda inferior. O zimbório, desenhado pelo arquitecto August Font e Carreiras tem uma altura de 70 metros, levou-se a cabo entre os anos 1906 e 1913. O coroamento exterior do zimbório conclui com a imagem de Santa Elena, mãe de Constantino, que se chama foi a que reencontrou a Vera Cruz, advocação da catedral junto com a de Santa Eulália, esta escultura foi realizada pelo artista Eduard Alentorn. Nas terminações das cresterias há imagens de anjos alados.

Portas[editar | editar código-fonte]

1- Porta principal. 2- Portal de Santo Iu. 3- Porta da Piedade. 4- Porta de Santa Eulália. 5- Porta de Santa Lúcia.
Portal de Santo Iu
Porta da Piedade
Porta de Santa Eulália

Cinco são as portas da Catedral de Barcelona:

  • 'A porta principal, situada ao centro da fachada da praça da Catedral. Projectada pelo arquitecto Josep Oriol Mestres, é do século XIX de estilo neogótico com um grande arco gótico com arquivoltas, presidido o seu mainel por uma escultura de Cristo, obra do escultor Agapit Vallmitjana e Barbany, e a ambos lados da porta as imagens dos apóstolos. Ao portal há esculturas de anjos, profetas e reis num total de 76 figuras, que junto com a carpintaria da porta foram realizadas pelo escultor Joan Roig e Solé. A cara interior, em mudança, é do século XV, e encontramos os medalhões gravados em pedra ao trasdós do arco da entrada são do artista Antoni Claperós, representando o Ascensão e a Pentecostes.
  • Portal de Santo Iu: é esta a mais antiga e, durante quinhentos anos, foi o acesso principal da catedral, pelo cruzeiro do lado do Evangelho. Sua advocação deve-se dos edifício que tem diante, que durante muitos anos foi dos advogados, o patrono dos quais é Santo Iu. Realizada em mármore e pedra da montanha de Montjuic, é um das primeiras tentativas de arco ogival do gótico catalão (1298), e contém alguns elementos bastante originais dentro do gótico e que se consideram uma mostra dos dubitatius inícios deste estilo. Assim, em cima dos pilares há anjos músicos sacando a cabeça pela extradorso do arco, como se quisessem sair da parede, e as arcuações de em cima da porta estão separadas por uns elementos que representam báculos, com o extremo superior corbat, em vez de pilarons, como é mais comum (vejais por exemplo, a fachada de Santa Maria do Pino, de composição muito parecida).[10] Ao tímpano há uma imagem de Santa Eulália atribuída à escola de Jaume Cascalls de finais do século XIV, à cada banda, dentro do tímpano, há uma pequena declara, meramente ornamental.
À cada lado da portada há relevos de mármore fazendo de impostes, três de cada lado, representando dois temas: a luta do homem contra as feras e a interpretação da natureza em chave religiosa e simbólica, na linha dos bestiari medievais.[6]
De esquerda a direita encontramos:
  • Um grifo que captura um cordeiro entre as garras, e que simboliza o demónio que agarra a alma do pecador
  • Um homem selvagem, com o corpo coberto de cabelos e vestido só um tipo de calças curtos. Representa os impulsos concupiscentes do homem e à mão traz uma arma que poderia ser um pau ou uma maça, mas não se pode saber porque se perdeu um troço. Faz o gesto de colpejar algo que fica fora do relevo, que também não sabemos que é, mas parece muito improvável que seja o grifo do relevo do lado. De facto, tendo em conta o ambiente florestal ao que pertenceria o homem selvagem, alguns autores supuseram que poderia ter sido pensado originalmente para ir junto ao relevos do outro lado (o gamo e a leoa), que uniriam com o mesmo palco.
  • A luta de um homem, ataviado de soldado, com um grifo, simbolizando a luta contra o demónio. Não fica claro quem ganhará, mas mais eficaz que a espada, que o grifo está a pegar pela folha, parece que é o escudo, com uma grande cruz gravada.
  • Um homem vestido com túnica e lutando com um leão, ao que lhe finca uma adaga. Supõe-se que representa Sansão, por seu parecido com de outras representações contemporâneas, apesar de que teria que estar a matar o leão com as mãos e não com uma adaga.
  • Um gamo, que simboliza o anseio do alma para se acercar a Deus. Ao detrás tem uma árvore com três capçades e dois pequenos mocho-galegos em cima, que poderiam ter intenção só decorativa.
  • Uma leoa amamentando dois dos seus cachorros e protegendo um terceiro entre as patas, de interpretação incerta.
Alguns autores atribuem estes relevos à antiga catedral românica, enquanto de outras lhes cruzam realizados por artistas italianos ao século XIV.[2] Apesar de que os disparos estilísticos denotam que saíram de uma mesma mão ou de uma mesma oficina, os relevos não parecem concebidos com um programa unitário nem têm relação entre eles, e inclusive alguns autores supuseram que sua disposição não é a prevista pelo autor.[6]
  • Porta da Piedade: é uma das entradas exteriores ao claustro, com um arco conopial flanquejados por uns altos pináculos lavrados com grande finor. Ao tímpano há um relevo de madeira com a representação da Piedade (ou seja, a representação da dor de Maria com Jesus morto à saia) rodeada com símbolos da Paixão, obra do escultor alemão Michael Lochner, estabelecido em Barcelona desde o ano 1483; ao rincão inferior direito do tímpano e em medida pequena representou o canonge Berenguer Vila, que foi o doador que financiou o relevo.[10] Esta porta facilita a entrada ao templo já que está de lado com a entrada ao cruzeiro do lado do Epístola.
  • Porta de Santa Eulália: encontra-se situada à rua do Bispo e a entrada é pelo claustro, de forma similar à porta da Piedade, está construída com um arco conopial e ao tímpano há uma escultura de Santa Eulália, reprodução do original dos escultores Claperós que se guarda ao museu da catedral. Aos lados da imagem estão cortados os escudos do bispo Francesc Climent Sapera que foi o que pagou a galeria de palestrante do claustro. As arquivoltas estão lavradas com finas fullatges.
  • Porta de Santa Lúcia: É a entrada à capela exterior desta santa, sendo a terceira porta de acesso ao claustro. A porta é románica com arquivoltas semicirculares, sustentadas por três pilares quadrangulares adosados e duas finas colunas exentas circulares de fust linos em ambos lados da porta, e capiteis esculpidos com figuras de animais e personagens, acompanhados de trinta plantas pertencentes a seis espécies comuns que se repartem pelas impostes e as arquivoltas: folhas de carvalho, de Anemone sp., d'agrimònia e de Potentilla sp., frondes de polipodi (uma pteridophyta) e uma gramínia indeterminada. Estas plantas estão representadas com um realismo suficiente para identificá-las, que faz patente que o escultor tinha as plantas por perto, e sua presença se relacionou com a moda, aparecida ao norte de França a princípios do século XIII, consistente ao abandonar os acants idealizados que o románico tinha herdado do ordem coríntia da arquitectura clássica os substituindo por representações naturalistas da flora local.[11] Além dos motivos vegetais, em algumas arquivoltas e à faixa superior das impostes encontramos motivos geométricos.
Dos quatro capitéis das colunas, os dois interiores só têm motivos vegetais, o exterior direito esculpidos tem dois quadrúpedes (um à cada cara, mas compartilhando a mesma boca, o que se assinalou como uma mostra da não demasiado boa qualidade da escultura desta porta) e ao exterior esquerdo se representam as cenas da anunciação e a visitação.[6]
Parte da ornamentação da porta teve que ser reconstruida em 1842 pela queda de uma bomba, e o tímpano, que é liso, tem pinturas não muito bem conservadas de princípios do século XX.[6]

Torres-campanar[editar | editar código-fonte]

As torres e o zimbório alçam-se sobre os terraços da Cidade Velha

De finais do século XIII são as duas torres campanárias, de inícios da construção gótica, a situação da qual corresponde aos extremos do cruzeiro. Ambas são vuitavades e de 53 metros de altura. Uma das torres dita das horas ou relógio, sustenta-se sobre a entrada de Santo Iu.[12] Encontram-se nesta torre o sino Eulália, que é a maior, de 3 toneladas de peso, e é a que toca as horas, e a que leva o nome o nome de Honorata e dá os quartos. A estrutura superior é de ferro magnificamente ornamentada e foi construída no final do século XIX de estilo modernista.

A outra torre é a encarregada das horas eclesiásticas. Nesta há dez sinos, todas com nomes femininos.[13]

Gárgulas[editar | editar código-fonte]

Como a maioria das catedrais góticas, também a de Barcelona tem gárgulas, por onde se aboca a água da chuva dos telhados. As gárgulas mais antigas da catedral são as do abside junto à porta de Santo Iu, que devem de ser de princípios do século XIV, e representam um homem cofat com uma gorra que recorda uma barretina, um cavaleiro armado a cavalo, um unicornio e um elefante. A do elefante traz às costas uma estrutura em forma de castelo, do estilo das que se usam a oriente pela cacera ou a guerra e que os elefantes trazem com freqüência às representações medievais; a trompa, que vemos de uma cor diferente, é fruto de um reparo posterior. A gárgula do cavaleiro, ataviado ostensivamente com capacete, couraça, escudo e esporas, e o cavalo com brida, relacionou-se com a cofradía dos freners ou dos esteves (pela advocação de Santo Esteve), que agrupava os freners e oficios afines, que faziam arreus, armas e couraça e ocupavam esta parte da cidade, conhecida como bairro da Freneria (há um troço de rua que ainda conserva este nome) que se estendia até a praça de Santo Justo; nesta mesma zona da catedral, numa das osseres sitas entre os primeiros contrafortes do abside, ainda se pode ler uma inscrição do 1740 com o nome da cofradía. As outras gárgulas da abside representam animais correntes, como um boi, um cordeiro, um porco e um cão com colar, e aos contrafortes inferiores ovelhas, cães e lobos. Acompanham-lhes um leão, uma águia e um animal monstruoso.[14]

As gárgulas do claustro já são do século XV, e as quatro das esquinas representam os símbolos dos evangelistas.[14]

Segundo uma tradição popular, as gárgulas são bruixotes que, quando passava a procissão do Corpus Christi, cuspiam, sendo castigadas a ficar petrificadas como figuras monstruosas, com a missão de cuspir a água dos telhados da catedral.

Capela de Santa Lúcia[editar | editar código-fonte]

Situação da capela de Santa Lúcia.

A capela de Santa Lúcia ou das Onze Mil Vírgens[4] [15] é situada a um ângulo do claustro com entrada exterior.

Construiu-se entre os anos 1257 e 1268 de estilo románico tardio, sob o mandato do bispo Arnau de Gurb (1252-1284) como capela do palácio episcopal, com o que estava unida, e ao princípio sem relação com a catedral, que naquele tempo era mais pequena e não chegava (a capela se acabou de construir trinta anos antes de que se iniciasse a catedral gótica).[4]

De planta rectangular, com uma sozinha nave com volta de canhão apontada e de dimensões muito reduzidas, está edificada com dovelles muito regulares, a sua fachada tem porta com arco semicircular com arquivoltes e duas colunas à cada banda com capiteis esculpidos com figuras geométricas e de animais; sobre o centro de sua fachada alça-se uma pequena espadanya de dois vazios (acrescentada posteriormente).[15]

Pela porta da capela, veja a secção deste mesmo artigo sobre as portas da catedral.

Tem uma porta posterior que permite aceder ao claustro e tinha uma porta lateral que se abria à rua do Bispo, tapiada o 1821, da qual ainda se pode contemplar o tímpano com um Agnus Dei de transição do románico ao gótico.[15]

Ao interior há em dois arcades laterais, dois sepulcres. O do lado do Epístola (ou seja, entrando pela porta principal a mão direita) é o do bispo Arnau de Gurb, de estilo gótico, o qual tinha sido tapiat muitos anos até que o 1891 se vai redescobrir e restaurar, pelo que a disposição de alguns elementos poderia não ser o original,[10] e o do lado do Evangelho (entrando a mão esquerda) o do canonge Francesc de Santa Pomba, do século XIV, em cima o qual há um calvario cortado em pedra com o fundo de vidro azul, o mesmo canonge aparece representado agenollat junto à cruz,[4] que era uma forma habitual de representar ao doador (o que tinha pago a obra) parecendo a como aparece o canonge Vila ao tímpano da Porta da Piedade. (Vejais o sepulcre inteiro).

A dedicação original da capela foi à Mãe de Deus, a Santa Quitéria e a todas as santas vírgens, tendo um altar dedicado a santa Lúcia e outro a santa Àgata. A dedicação exclusiva a Santa Lúcia data do 1296 em que segundo a tradição, por intercessão milagrosa desta santa, uma menina nascida sem olhos lhes obteve (santa Llúcia é considerada protectora da vista).[4]

Interior[editar | editar código-fonte]

Altar mor da catedral de Barcelona.

Altar Mor[editar | editar código-fonte]

Consagrada no ano 1337 pelo bispo Ferrer Abeja (1335-1344), a agora de três metros de longitude é de mármore branco e está sustentada por dois capiteis do primitivo templo visigodos do século VI. Ao fundo e a altura média das colunas centrais pode-se ver a imagem da exaltação da Cruz rodeada por seis anjos, do escultor Frederic Marinho e Deulovol, realizada no ano 1976 e a sua parte inferior é situada a cátedra, tajada em meados de século XIV em alabastro, o respaldo de madeira é do ano 1967, e sobre ele há o escudo do cardeal arcebispo Ricard Maria Carles e Gordó (1990-2004).

Vitrais[editar | editar código-fonte]

Consideradas como uma das características da arte gótica, com a abertura de grãos finestrals para dar passo à luz exterior, após a época románica, que as construções eram de muros gruesos e sem aberturas ou se as tinha, poucas e muito estrechadas, com excepções como a da Catedral de Augsburg do ano 1100 com figuras precursoras das góticas.

Os vitrais góticos da catedral, todos são com o mesmo esquema de três ruas, o central com a imagem do titular e os laterais com decorações geométricas que enmarcam escudos reais, da cidade, anjos, etc. e coronamento trilobulado.

As épocas dos vitrais podem-se dividir em três partes: A primeira, datada nos anos 1317- 1334, pelo escudo do bispo Ponç de Gualba que se aprecia à cristaleira da Santa Cruz e Santa Eulália, compilação todos os vitrais da cabeceira, sobre as capelas radiais. Além desta, a de Santo Pere, a do papa Santo Silvestre onde aos laterais há chefas de santos bispos do autor dito Mestre de Santo Silvestre facto no ano 1386 e a de Santo Esteve.

A segunda etapa, ao redor no ano 1400, é a dos extremos da abside: Santo Andreu com os escudos do bispo Armengol do ano 1398/1408, e a de Santo Antoni Abate, realizada por Nicolau de Maraya nos anos 1405/1407.

A terceira etapa ou grupo são os realizados no século XV, como a cristaleira de Santo Miquel arcàngel e a principal, situada à capela do baptistério, do ano 1495, seu autor foi Gil de Fontanet com cartões desenhados de Bartolomé Bermejo. Tal como se pode ler na faixa inferior da cristaleira se trata do Noli me tangere.[16]

Realizadas ao século XX, são as que se encontram aos pés do templo: paga pela Diputación de Barcelona é a que representa a Santo Jaime, Santo Antoni Abate, Santo Alexandre e Santa Joaquima Vedruna; paga pelo Prefeitura de Barcelona com Santo Severo, Santo Josep Oriol, Santo Medir e Santo Vicenç Ferrer; A Mãe de Dez dos Anjos e Santo Bartomeu, sufragada por Bartomeu Barba, governador de Barcelona; A Mãe de Deus do Busto e Santo Gregorio, com o escudo do bispo Gregorio Modrego Casaus, etc.

Chaves de volta[editar | editar código-fonte]

O Pai Eterno cercado de anjinhos vermelhos.

A restauração levada a cabo no ano 1970, permitiu descobrir a policromia das chaves de volta que ao passo dos séculos tinha ido escurecendo. A catedral tem ao todo 215 chaves, sendo as da nave principal as maiores, de dois metros de diámetro e com um peso de 5 toneladas. As chaves da volta central começando pelo presbitério são:

  • Cristo crucificado entre a Virgen e Santo Joan com os símbolos do sozinho e a lua.
  • Santa Eulália com o escudo de Branca de Nápoles, esposa de Jaime II. Datada de 1320.
  • Virgem da Misericórdia, acolhendo a sua capa, a um lado, um papa, um rei,um cardeal, um bispo e um canonge, ao outro lado à rainha, uma religiosa e mais três figuras femininas. Data de 1379.
  • A Anunciação. A virgem com o arcanjo São Gabriel. Ano 1379.
  • Um bispo com diaques, acha-se que é o bispo Pere Planella (1371-1385), para estar seu escudo ao lateral da chave.
  • Pai Eterno rodeado de anjos, do escultor Pere Joan realizado no ano 1418.

Outra grande chave é a que se encontra na cripta de Santa Eulália, representando à santa com a Mãe de Deus e o Menino. Cerca da porta de Santo Iu, sua chave representa a Santo Pere, rodeada por outras quatro a mais pequenas de forma trilobulades, à porta da saída ao claustro, ao lado oposto, representa Santo Joan Baptista com o águia, também rodeada por outras quatro a mais pequenas.

Coração[editar | editar código-fonte]

Vista lateral do coração da catedral com as pinturas de Juan de Borgonya.

As obras do coração começaram sob o mandato do bispo Ramon de Escadas no ano 1390.

Os muros do coração foram feitos por Jordi de Deus com mènsules representando a profetas do Antigo Testamento, como também ao lateral esquerdo realizou a escada de acesso à trona com duas pequenas esculturas representando a Anunciação aos brancals da entrada à escada.

No ano 1394 encarregou-se a Pere Sanglada, escultor já consagrado, que realizasse o cadirat do coração, viajou por ordem do capítulo catedralicio, a Girona, Elna, Carcassona e finalmente a Bruges, onde comprou a madeira de roble para sua execução.

Rodeou-se de bons ajudantes como Pere Oller e Antoni Canet, começando a primeira fase do coração com o cadirat, aos medalhões dos braçais e às misericordias, é onde se concentram as mais importantes esculturas. De temas variados, os religiosos são os menos representados e são as cenas de dança, jogos e música entre outras as que chamam mais a atenção.

Encarrega-se a Pere Sanglada a realização do púlpit, também de roble, de forma prismática, com um fundo arquitectónico de traceries e pináculos onde há quinze imagens representando entre outras a Jesus Cristo com Santo Pere e Santo Pau e outro painel da Virgem com Santa Eulália e Santa Caterina, à parte inferior do púlpit há arcuações com chaves de volta representando as da catedral. Finalizou-se em 1403.

Anos mais tarde continuou-se o coração com o cadirat de Matías Bonafè que cortou outros 48 cadeiras finalizando no ano 1459. Com esta obra, passou a de Pere Sanglada a ser o cadirat alto.

O alemão Michael Lochner foi o encarregado no ano 1483 das talhas dos dossers de forma de altos pináculos que por sua morte ao 1490, teve que continuar seu ajudante Johan Friederich Kassel, até o ano 1497.

No ano 1517, o escultor Bartolomé Ordóñez realizou os painéis para o acesso ao cadirat com cenas do Antigo Testamento e a Paixão.

Carles V, decide que a celebração do XIX capítulo do ordem do Toisó de Ouro esteja em Barcelona e manda habilitar o coração de sua catedral para a data do 5 de março de 1519. Joan de Borgonya foi o encarregado de pintar a correspondente heráldica aos 64 plafons dos cadirats, correspondentes a:

Rerecor[editar | editar código-fonte]

Se uma obra renascentista, realizada pelo burgalês Bartolomé Ordóñez, que se sabe que em 1519 trabalhava nesta obra, a projectando como uma columnata dórica, coroada com balustrada e que entre suas intercolumnis consta de quatro cenas em relevo da vida de Santa Eulália, duas à cada lado da porta e a seus extremos umas fornícules que contêm esculturas corporeas.

Não pôde completar a realização da obra, devido à sua morte prematura ocorrida em Carrara em 1520, onde se tinha deslocado para comprar mármore e ir realizando o encargo, acabado por seu discípulo Pere Villar de acordo com o projecto de seu mestre no ano 1564.

Os relevos que representam o Julgamento de Santa Eulália por Dacià e a Cremação de Santa Eulália junto com as figuras exentas de San Severo e Santa Eulália, pertencem a Bartolomé Ordoñez e as de Pere Villar correspondem à Flagel·lació de Santa Eulália e a Crucificação de Santa Eulália e as esculturas de Santo Oleguer e Santo Ramon de Penyafort.

Órgão[editar | editar código-fonte]

Órgão do Catedral de Barcelona.

Foi construído no ano 1537 e encontra-se abaixo do campanar da porta de Santo Iu.

Umas grandes portas fechavam sua caixa, pintadas por Pere Serafí "o Grego" no ano 1560. Estas pinturas, foram retiradas em 1950 e conservam-se ao Museu da Catedral.

Do tipo deste órgão, só há quatro na Europa, a Daroca, a Palma de Mallorca e a Perpiñán. Conserva de sua construção primitiva, o primeiro teclado e os registros junto com os 16 pés de madeira que fazem soar os tubos maiores.

Foi restaurado em várias ocasiões, dispondo de 61 registros e quatro teclados, o segundo é de trompeteria horizontal, tipicamente espanhola e dois motores para repartir o ar.

Além de acompanhar musicalmente os actos litúrgicos, celebram-se com frequência, à catedral, grandes concertos.

Cripta de Santa Eulália[editar | editar código-fonte]

Cripta de Santa Eulália.

A cripta é situada abaixo do presbitério e sua construção deve-se da Jaume Fabré, em princípios do século XIV.

A entrada por uma ampla escada abaixo de um arco quase plano, ornado ao centro com o retrato de um bispo, parece ser de Ponç de Gualba, sob o mandato do qual se construiu, e a seus custados grupos de pequenas cabeças de personagens da época, aos muros laterais da escada se encontram dois arcos com esculturas de declares humanas, que eram a entrada a duas capelas tapiades no ano 1779 por umas obras de remodelação para adiantar a escalinada para a altar maior.

A volta aplanada está dividida em doze arcos que vão todos a convergir a uma grande chave de volta central, que representa, a Mãe de Deus com o Menino Jesús que lhe coloca a diadema do martírio a Santa Eulália. Foi acabada no ano 1326, ainda que o translado dos restos da santa, não se fez até o 1339.

O novo sarcófago de alabastre, faz o escultor de Calca, Lupo dei Francesco, encontra-se exposto após a mesa do altar, ao centro da cripta, sustentado por oito colunas de estilos diferentes com capitells corintis dourados. A tampa e seus lados estão cortadas cenas do martírio de Santa Eulàlia, aos quatro ângulos superiores há anjos-luz e ao centro uma Virgen com Menino. Guarda-se à parede do fundo seu antigo sepulcre do século IX, junto com a inscrição do ano 877 do achado das reliquias a Santa Maria do Mar, dita às horas, Santa Maria das Areias. A transcripció das placas diz assim: Citação: Aqui repousa Santa Eulàlia mártir de Cristo, que sofreu na cidade de Barcelona, sob a presidência de Dacià, no dia segundo dos idos de fevereiro e foi encontrada pelo bispo Frodoí com seu clergat, na igreja de Santa Maria o (…) das calendes de novembro. A Deus obrigado

A presença de uma cripta não é habitual nas sedes góticas, mas se acha que em Barcelona se fez por tal de manter a organização da catedral románica, que tinha ao mesmo lugar a cripta com o sepulcre de santa Eulália.

Antiga Sala Capitular[editar | editar código-fonte]

Situação da antiga sala capitular.
Cristo de Lepant à Catedral de Barcelona.

Conhecida por capela de Santo Oleguer e do Santíssimo Sacramento, bem como também do Santo Cristo de Lepant, uma das imagens com mais devoção da catedral. A sala capitular foi construída por Arnau Bargués no ano 1407 com uma magnífica resolução arquitectónica de planta rectangular coberta com uma grande volta de creueria estrelada. A chave de volta central da capela, representa a Pentecostes e foi realizada por Joan Claperós ao 1454.

Ao ser canonizado o bispo de Barcelona Santo Oleguer, em 1676, decidiu-se destiná-la a seu mausoléu. Sobre a sagraria está colocado o sepulcre barroco com uma urna de vidro que permite ver desde o cambril o corpo incorrupto do santo, obra dos escultores Francesc Grau e Domènec Rovira; sobre esta obra pôs-se a estátua relativa ao bispo Oleguer que já tinha sido executada pelo escultor Pere Sanglada em 1406.

Sobre esta tumba encontra-se o Santo Cristo de Lepanto datado do século XVI, que até 1932 se tinha venerado na capela central da girola; aos pés do crucifixo há uma imagem de uma Piedade, reprodução de uma escultura de Ramon Amadeu e Grau. O Cristo de Lepanto, foi a cruz da galera de Joan de Áustria, o barco insígnia que lutou à batalha de Lepanto em 1571. O Cristo crucificado está desviado para a direita; a lenda diz que a figura se apartou para este lado para esquivar uma canhonada. Segundo a crença, isto foi um signo do deus dos cristãos que pressagiava a derrota otomana, finalmente acontecida.

Em ambos lados do altar há a entrada ao cambril, ornado com mármores, portas cortadas e o teto cassetonado de madeira com uns painéis com pinturas, ao centro desta sala se venera os restos de Santo Ruf de Avinyó, morto no ano 1137.

Capelas interiores[editar | editar código-fonte]

Pela presença do gótico meridional, os contrafortes tinham projecção interior, o que permitia a criação de capelas dobros com grande profundidade entre elas, com voltadas de creueria e coroadas com chaves de voltas.

Por documentações, sabe-se que a princípios do século XV, já estavam quase todas proveídas de retábulo. Como costumava passar a quase todas as grandes catedrais, ao longo dos anos sofriam alterações tanto na substituição, por correntes de novas artes do momento, dos retábulos góticos por barrocos, como das advocações, por mudança de bem-feitores.

Capelas do lado do Epístola[editar | editar código-fonte]

Descrevemo-las ordenadas da porta principal para o altar:

  • Capelas de Santo Cosme e Santo Damià. Junto à antiga sala capitular, encontra-se esta capela, ao princípio dedicada às Santas Clara e Caterina, finalizada sobre o ano 1436 pelo maestro de obras Bartomeu Vau, foi sufragada por Sança Ximenis de Cabrera para realizar seu sepulcre, a realização do qual a faz Pere Oller, um escultor que também trabalhou no coração da catedral. A tumba está colocada dentro de um arcosoli com dois pequenos cães esculpits aos pés da figura jacent, à parte frontal estão representadas as figuras de plorants masculinos em dois grupos rodeando uma figura feminina com um livro na mão e com outras mulheres em oração. Sobre o sepulcre, pintada sobre o muro, encontra-se uma representação de l'elevatio animae (ou seja, a ascensió do alma da difunta ao Julgamento Final) do pintor Lluís Dalmau.
  • Capela de Santo Josep Oriol. Seu altar é de estilo modernista e diante encontra-se o mausoléu, realizado pelo escultor Josep Limón, do cardeal Salvador Casañas e Labrador (†1908), principal promotor da canonização do barcelonês Josep Oriol.
  • Capela de Santo Pancràs e Santo Roc. Possui um notável retábulo barroco policromat do século XVIII.
Tumba de Santo Ramon de Penyafort na Catedral de Barcelona.
  • Capela de Santo Ramon de Penyafort. Abaixo o altar desta capela encontra-se a escultura jacent de Santo Ramon com o sarcófago datado do século XIV, proveniente do antigo convento de Santa Caterina da ordem dominicana.
  • Capela de Santo Pau. O retábulo desta capela atribui-se a Domènec Talarn realizado no ano 1902.
  • Capela de Nossa Senhora de Pilar. retábulo barroco do século XVII. O mausoléu do arcebispo Gregorio Modrego Casaus (†1972), é do escultor Frederic Marinho e Deulovol do ano 1972.
  • Capela de Santo Pacià e Santo Francesc Xavier. O retábulo de Santo Pacià é barroco do ano 1688 realizado por Joan Roig (pare). A cena que representa o Último Cenar, o artista incorporou a imagem de Santo Ignácio entre os apóstolos. Ao retábulo de São Francisco Xavier, há cenas da vida do santo e medalhões com a vida de Jesus. Também se encontra uma imagem jazente de São Francisco Xavier realizada em 1687 por Andreu Sala. Na terra está a sepultura do bispo Joan Dimas Loris (†1598).

Capelas aos pés do templo[editar | editar código-fonte]

Capela do baptistério (em azul) e capela da Immaculada Concepção (em vermelho).

Em muitas grandes igrejas de três ou mais naves, à cada nave corresponde-lhe uma portalada à fachada principal. Não é este o caso da catedral de Barcelona, já que como em outros igrejas do gótico catalão se preferiu aproveitar o lado interior da fachada principal para situar mais capelas, uma à cada lado da porta:

  • Capela do Baptistério. A pila baptismal está realizada em mármore branco de Carrara, tajada pelo artista florentino Onofre Julià no ano 1433. Nesta capela encontra-se o vitral Noli me tangere, que representa Magdalena com Jesus Ressuscitado, de Gil de Fontanet segundo as traças do artista cordobês Bartolomé Bermejo, é de finais do século XV.
  • Capela da Immaculada Concepção. Sua imagem é recente e tem a suas mãos as chaves da cidade oferecidas pela prefeitura como ex-voto pela peste do ano 1651 que sofreu o município. À parede esquerda da capela encontra-se o mausoléu do ano 1899 do bispo de Barcelona, Francesc Climent Sapera († 1430).

Capelas do lado do Evangelho[editar | editar código-fonte]

Descreve-se a ordem, da porta principal para o altar:

  • Capela de San Severo. É a primeira que se encontra desde a porta principal (entrando a mão esquerda). O retábulo barroco é obra do escultor Francesc Santacruz e Artigas do ano 1693.
  • Capela de Santo Marc. Seu retábulo primitivo gótico foi sufragado pelo gremio de zapateros e realizou-se no ano 1346 por Arnau Bassa. Este retábulo foi substituído por outro de barroco e transladado a Col·legiata Basílica de Santa Maria de Manresa, onde se conserva à actualidade. O retábulo barroco se do artista Bernat Vilar do ano 1692. Aos dois lados da capela há pinturas de Francesc Tramulles Roig do século XVIII.
  • Capela de Santo Bernadí. A seu retábulo do ano 1705 podem-se ver as imagens de Santo Bernadí, Santo Miquel e Santo Antoni de Padua. Anteriormente tinha tido um retábulo de Jaume Huguet, que agora se conserva ao Museu da Catedral.
  • Capela da Virgen de Roser. Pode-se ver um retábulo do ano 1619 do autor de Terraza, Agustí Pujol está resolvido a base de relevos escultóricos dedicados à vida de Jesus e Maria.
  • Capela de Santo Bartomeu e Santa Isabel. Do pintor Guerau Janeiro, que foi aprendendo à oficina de Lluís Borrassà, é o retábulo desta capela do ano 1401.
  • Capela de San Sebastián e Santa Tecla. Tem um retábulo dos anos 1486/1498, realizado por Rafael Vergós e Pere Alemão do círculo de Jaume Huguet.
  • Capela de Nossa Senhora da Alegria e A Mãe de Deus de Montserrat'. Possuem retábulos, a primeira do escultor Camps e Arnau do ano 1945, e a segunda uma obra pictórica do ano 1940.

Capelas do deambulatório[editar | editar código-fonte]

Capelas do deambulatório.

Descrevemo-as ordenadas em sentido horário:

  • Capela dos Sants Inocentes Encontra-se situada após a porta de Santo Iu; a seu altar guarda-se uma arqueta de prata do século XVI com as reliquias que o doge de Veneza deu a João, o Grande com a condição que se conservassem à catedral de Barcelona. Ao muro há um arcosoli que contém um sarcófago do bispo Ramon de Escadas (1386-1398), obra do escultor Antoni Canet do ano 1409, extraordinária escultura gótica, tanto na magnífica estátua jacent do bispo como dos plorants abaixo arcuações góticas da parte frontal do sepulcre.
  • Capela do Sagrado Coração de Jesús Encontra-se uma imagem do escultor Vicenç Vilarrubias realizada no ano 1940.
  • Capela da Graça Compartilha esta capela a advocação com Santo Pere Nolasc. Tem um altar barroco do escultor Joan Roig (pare) do ano 1688. As imagens principais são a adoração do rei Jaume E à Virgem da Graça. Nesta mesma capela realizou o pintor Pasqual Bailon Savall no ano 1688 quatro telas: O primate de Pere, O papa San Silvestre administrando o baptismo a Constantino, A visão de Santo Pere Nolasc e A predicação de Santo Ramon à Catedral de Barcelona ante Jaume I.[17]
  • Capela de Santa Clara e Santa Caterina O retábulo do ano 1456, Foi pago por Sança Ximenis de Cabrera, que queria ser enterrada nesta capela ainda que ao final se efectuou à capela de Santo Cosme e Santo Damià foi realizado por Miquel Nadal e Pere Garcia de Benavarri. A seus muros laterais podem-se ver de Francesc Tramulles Roig, pinturas sobre a vida de Santo Esteve, antiga advocação da capela.
  • Capela de Santo Pere Tem pinturas aos muros laterais com cenas da vida de Santo Pere e o retábulo está dedicado a Santo Martí de Tours e a Santo Ambròs; foi realizado por Joan Matas no ano 1415, com marcado carácter franco-flamenco.
  • Capela de Santa Elena Nesta capela esteve até o ano 1932 o Santo Cristo de Lepanto. O retábulo que há na actualidade, antigamente colocado no claustro, está dedicado a Santo Gabriel e fooi construído entre os anos 1381 e 1390 de autor desconhecido.
  • Capela de Santo Joan Baptista Também este retábulo dedicado a Santo Joan é anónimo do ano 1577. Há uma imagem de Santo Josep do século XVIII.
  • Capela da Transfiguració Dita também de Santo Benet. O retábulo faz de Bernat Martorell, é uma das obras mais importantes da catedral, foi realizado nos anos 1445/1452, por encarrego do bispo Simó Salvador (†1445). Ao muro esquerdo há um arcosoli com o mausoléu do bispo Ponç de Gualba com um calvário que o coroa do artista Jaume Cascalls.
  • Capela da Visitació Foi o canonge Nadal Garcés quem encarregou o retábulo nos anos 1466/1475 de autor desconhecido. A sua esquerda há o mausoléu do bispo Berenguer de Palou, que possivelmente formava parto da antiga catedral románica.
  • Capela de Santo Antoni Abate Correspondia esta capela ao gremio dos carreters e o retábulo barroco do santo realizou-se no ano 1712. A seguir desta capela encontra-se a sacristia.

Sacristia e tesouro[editar | editar código-fonte]

A sacristia consta de três salas, ao muro primeiramente há elementos de cresteria de pedra coroados por uma cruz. A seu lado sonho os sepulcres dos condes de Barcelona, Ramon Berenguer E e Almodis sitos enlaire junto à parede sobre um fundo de pinturas do ano 1545 executadas pelo pintor português Enrique Ferrandis ou Fernandes. Em 1408 ampliou-se com a saleta do tesouro e no ano 1502 com a outra sala, onde se revestessen os sacerdotes.

Entre as peças para o culto que guarda destaca a custòdia processional, realizada em prata e ouro com aplicações de pedreria, é de arquitectura gótica com algum elemento renacentista. Trata-se de uma obra de finais do século XIV. O ostensorio com um viril de pedreira representa uma catedral gótica. Descansa sobre uma cadeira dada pelo rei Martí o Humano (1396-1410), segundo consta aos livros de inventario da sacristia. A cadeira é de prata dourada de estilo gótico flamenco, é portátil e desmontavel.

Peças importantes são também a cruz processional de Francesc Vilardell do ano 1383, de prata dourada com as imagens do Crucifixo e de Santa Eulália, ornada com esmaltes dos quatro evangelistas aos braços da cruz, e é de ressaltar a cruz do rei Martí do ano 1398 com seu Lignum Crucis.

E como digno de nota, aqui igualmente conserva-se a espada de Pedro de Coimbra, Condestável de Portugal e que é considerada uma das mais belas do mundo[18] .

Claustro[editar | editar código-fonte]

Claustro da Catedral de Barcelona.

Em tempo do bispo Frodoí ao século IX foi quando se vai instituir o colectivo de canonges, que se supõe associado à existência de um claustro. O actual claustro gótico está emplaçado à mesma banda que ocupava o primitivo românico, mais pequeno.

Sua construção data dos séculos XIV e XV e participaram grandes arquitectos como Andreu Escudero e escultores como os Claperós, pai e filho. Ao claustro acede-se pelas portas exteriores da Piedade e de Santa Eulàlia além da do interior da catedral sita no cruzeiro realizada em mármore branco com arquivoltas de finas colunas e um tímpano claramente gótico.

A porta do claustro
A chave de volta do templet do brollador com Santo Jordi e o dragão, dos escultores Claperós.

Esta porta que comunica a catedral com o claustro se faço ao extremo do cruzeiro, à banda oposta da porta de santo Iu. É de mármol itàlic alvo e factura románica, apesar de ser ligeiramente ogival, e actualmente acha-se que é uma das portas laterais da catedral románica, que se encontrava no mesmo lugar,[9] conquanto durante todo o século XX diferentes autores foram defendendo que era a porta principal (transladada e reduzida, para converter o arco de médio ponto em ogival) [4] ou que era uma obra importada de uma oficina italiana.[9] Tem arquivoltas decoradas com motivos geométricos, e sobre os capitel, as impostes e os àbacs há esculpidos temas do Antigo e o Novo Testamento e da luta do homem com as feras.[2] Em cima acrescentou uma cresteria gótica posterior que ajuda a integrar a porta ao conjunto da catedral.

Ao ângulo mais próximo à porta da Piedade pode-se ver um templet com a fonte do mestre de obras Escudero, ao centro do qual se encontra uma chave de volta com a cena de Santo Jordi lutando com o Dragão dos escultores Antoni e Joan Claperós do ano 1448 e outra escultura de Santo Jordi com cavalo ao centro do brollador de água da fonte, este é do escultor contemporâneo Emili Colom, realizada no ano 1970.

O ovo como dança é uma tradição do dia de Corpus, consistente a fazer dançar um ovo vazio sobre o raio do brollador da fonte do claustro, que se guarneix de flores,[19] conquanto é uma tradição que actualmente se realiza em outros fontes da cidade velha.

Aos relevos dos pilares dos arcos do claustro podem-se ver cenas da Antigo Testamento e às chaves de volta, do Novo Testamento, bem como aos relevos cortados à faixa a maneira de capitel que rodeia as colunas dos arcos ogivals podemos ver a lenda da Árvore da Santa Cruz.

Em três de suas galerias encontram-se capelas, que ao princípio estavam sob a advocação do patrono de alguma instituição ou gremio, bem como panteó de alguma familia. Todas as capelas são cobertas com voltadas de creureria (a maioria quatripartidas) com chaves de volta no ponto de união dos nervos.

Duas das capelas, têm sepulcres modernistas: as da familia Sanllehy, realizada pelo artista Josep Limón e Bruguera e a da família Girona, representando as três virtudes teologals (a fé, a esperança e a caridade) do escultor Manel Fuxà e Leal, o crucifixo é obra do escultor Eduard Alentorn do ano 1910.

Ao centro do claustro há um jardim renovado o 1877 com magnólias e grãos palmeras; até então, tinha sido plantado de laranjas, (também tinham tido pátios de laranjas a Casa da Cidade, a Palco e o Palau da Generalitat, mas só permanece o deste último).[4] As laranjas, junto com limoeiros e ciprestes já tinham em 1494, segundo a descrição que em feudo Jerònim Münzer, viajante alemão, e para os recordar o 1974 se voltou a plantar uma laranja.[20]

Ao safareig do claustro há treze oques brancas, número que a tradição relaciona com a idade de Santa Eulália e com o número de tormentos que padeceu.

Nova Sala Capitular e Museu Catedralicio[editar | editar código-fonte]

Situação da sala de capbrevació (em azul) e da sala capitular nova (em vermelho).

Situada com entrada pela galeria de tramuntana do claustro (a única que não tem capelas) junto à capela de Santa Lúcia. Consta de duas dependências, a da capbrevació (antigo comedor para os pobres) e a nova sala capitular, do século XVII com planta rectangular e coberta com volta de canhão com llunetes, totalmente decorada com pinturas; ao plafó central representa-se a Glorificação de Santa Eulália e Santo Oleguer, os laterais são pintados com figuras a o·legòriques com textos das Sagradas Escrituras com voos de anjinhos. É obra do pintor barcelonés Pau Delgado, façanhas do 1703 ao 1705.

A colecção de obras não é muito extensa, mas sim significativa. Do antigo templo románico, destaca a pia baptismal de forma trevolada do século XI.

A pintura, entre várias mesas góticas, destaca a obra de Bartolomé Bermejo, sufragada pelo canonge Lluís Desplà, A Piedade pintada sobre mesa no ano 1490.[21] Do pintor Jaume Huguet, o retábulo de Santo Bernadí e Àngel Custodi dos anos 1465/1470.

Expõem-se também magníficos frontais de altar bordados, representando cenas da vida de Jesus do século XV.

A imagem de terra cozida de Santa Eulália realizada por Antoni Claperós, é a que tinha sido colocada no tímpano da porta de Santa Eulália da Catedral, onde na actualidade há uma reprodução.

Outra peça importante, que se conserva ao Arquivo Diocesal da catedral, é o Missal de Santa Eulàlia, com miniaturas de Rafael Destorrents, filho do grande artista Ramon Destorrents.

Obras de restauração[editar | editar código-fonte]

Andaimes na fachada em maio de 2005.

A partir do ano 2005, começaram obras de reconstrução da fachada principal juntamente com as duas torres laterais e o zimbório.

Devido à dilatação que se produz pela mudança de temperatura e as filtrações de água dentro das pedras, que estão ancoradas por elementos de ferro, já oxidados, se rompiam com o perigo de desprendimentos.

Os arquitectos encarregados de sua restauração são Josep Fuses e Comalada e Mercè Zazurca e Codolà, seu orçamento inicial foi a mais de quatro milhões de euros, que junto com outros estudos posteriores de reforçamento do perímetro da catedral, ascende a uns sete milhões; terá que desmontar uma terceira parte da fachada e substituir as pedras destroçadas e os ancoradouro de ferro por outros de aço inoxidável ou titânio, em princípio a pedra será como a original de Montjuic, apesar de que a cantera já foi clausurada, a prefeitura tinha guardada a seus depósitos municipais, se não tivesse suficiente com estas reservas, iriam trazer uma similar de umas pedreiras da Escócia.[22]

Túmulos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Guia visual Folha de São Paulo - Barcelona e Catalunha. São Paulo. Publifolha. 2001, p. 56.
  2. a b c d e f g h CARABASSA, Lluïsa. Santa Creu e Santa Eulália de Barcelona, dentro de Guias Catalunha Romanica Vol. XIX. Barcelona, 2002. Ed. Enciclopédia Catalã. ISBN 84-412-0730-5
  3. AINAUD DE LASARTE, J.M. O bispo Frodoino restaurador da Catedral de Barcelona, dentro de Divulgação histórica de Barcelona Butlletí 639, Vol IX. Barcelona, 1957. Aymà editor.
  4. a b c d e f g h i DURAN, A. Barcelona e sua história. Vol I., pag. 327-381 A Catedral''. Barcelona, 1972. Ed. Curial.
  5. Do romano ao románico. História, arte e cultura da Tarraconense mediterrânea entre os séculos IV e X. Barcelona, 1999. Enciclopedia Catalã.
  6. a b c d e f g h i j Cataluña Románica. Ed. Enciclopedia Catalã
  7. Escrito em que o bispo Bernat Peregrino aplica os benefícios vagas da diócesis à construção da catedral. 7 de maio de 1298. Recolhido em Cataluña Románica. Ed. Enciclopedia Catalã
  8. segundo consta a um projecto em pergaminho , do arquivo capitular, o qual esteve exposto na exposição Millenium no ano 1989
  9. a b c BRACONS, J., TERRES, M.R. A Catedral de Barcelona dos de A Arte Gótico em Cataluña. Vol. 1. Barcelona, 2002. Ed. Enciclopedia Catalã. ISBN 84-412-0889-1
  10. a b c DURAN, A. A catedral de Barcelona. Barcelona, 1952. Aymà editores (em espanhol)
  11. DURAN, A. Barcelona e sua história. Vol III., pag. 207-210 |O portal da capela de Santa Lúcia. Barcelona, 1975. Ed. Curial. ISBN 84-7256-072-4
  12. Finalizaram-se as obras sob o mandato do bispo Ramon d'Escales (1386-1398).
  13. LLOP i BAYO, F. Catedral da Santa Cruz - BARCELONA (CATALUÑA) dentro de Inventario dos sinos das Catedrais de Espanha. Ministerio de Cultura, 2007. - Relatório sobre a torre e os sinos (em espanhol)
  14. a b DURAN, A. Barcelona e sua história. Vol III., pag. 305-309 As gàrgoles. Barcelona, 1975. Ed. Curial. ISBN 84-7256-072-4
  15. a b c CARABASSA, Lluïsa. Santa Lúcia (ou capela das Onze Mil Vírgens), dentro do Vol. XIX de Guias Cataluña Románica Barcelona, 2002. Ed. Enciclopédia Catalã
  16. NIETO, V. A profissão e oficio de vidreiro nos séculos XV e XVI: Oficinas, encargos e clientes (em espanhol)
  17. PDF Universidade de Girona
  18. La espada de la catedral de Barcelona, revista Gladius, Vol 3 (1964):5-11
  19. SOLER, J. Festas tradicionais de Cataluña Barcelona, 1978. Ed. Martín Casanovas
  20. PARÉS, M. Guia de natura de Barcelona. Bellaterra, 2006. Ed. Prefeitura de Barcelona e Lynx Edições. ISBN 84-96553-30-2
  21. Fotografia da Piedade de Desplà [1]
  22. Josep Fuses i Mercè Zazurca Obres Catedral de Barcelona