Catedral de São Salvador de Saragoça

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A catedral de San Salvador de Saragoça é uma das duas catedrais metropolitanas de Saragoça, junto com a basílica e catedral do Pilar. Habitualmente chamada "a Seo"[1] em contraposição a "o Pilar".

Está construída na laje do antigo fórum romano de César Augusta e da mesquita maior de Saraqusta, de cujo minarete ainda perdura a impronta na torre actual. O edifício foi começado no século XII em estilo románico integrado na mesquita aljama e foi objecto de muitas reformas e ampliações até 1704 em que se coloca o chapitel barroco arrematando a torre.

Em seu estado actual A Seo é uma igreja de cinco naves e seis trechos cobertos por abóbadas de crucería da mesma altura, o que dá ao recinto aspecto de igreja de planta quadrangular de salão. Na cabeceira situam-se duas ábsides (dos cinco originais) e, no lado da epístola, sobre duas dos desaparecidos, colocou-se a sacristía. Ao extremo do lado do evangelho construiu-se a «Parroquieta» para albergar o sepulcro de Lope de Lua.

A estrutura das naves está apoiada em contrafortes característicos do gótico tardio (e não em arbotantes como é habitual no estilo gótico clássico) que se fecham com muros formando capelas interiores. Cobre o cruzeiro (que não destaca em planta) um cimborrio de feito mudéjar.

O material construtivo fundamental é o tijolo, habitual na arquitectura aragonesa. O conjunto da catedral, em seu aspecto exterior, não reflete a estrutura interna devido ao fechamento com muros de vários espaços circundantes como dependências ou residências dos membros do cabildo.

O acesso principal realiza-se pelo lado ocidental, onde se levantou na segunda metade do século XVIII uma fachada barroca clasicista que substituiu ao portal mudéjar do século XIV de cujo chão ainda se conservam restos. Completam o conjunto da catedral o campanario barroco externo e a casa e arco do Deán, que conecta a catedral com um edifício exterior salvando a rua.

Estilos principais[editar | editar código-fonte]

Fachada, zimbório e torre campanário.

Dos diversos estilos que a compõem, os elementos mais importantes são os seguintes:

  • Gótico: do século XIV e factura gótico-mudéjar, sobretudo nos corpos superiores do ábside e na capela funeraria de são Miguel ou «Parroquieta», que aloja o sepulcro do arcebispo dom Lope Fernández de Lua, assim mesmo gótico. As naves e cobertas do templo também mantêm este estilo ao longo de diversas ampliações desde o século XIV ao XVI. Do século XV data a sillería do coro e o magnífico retábulo maior de alabastro polícromo realizado por Pere Johan e Hans de Suabia, que está considerado como uma obra capital do gótico final europeu. O museu de tapices flamencos alberga telas dos séculos XIV ao XVIII, e está considerada como uma das três melhores colecções do mundo.
  • Mudéjar: está presente nos ábsides, no muro exterior da Parroquieta e em sua textura de madeira dourada. De bela factura e boas proporções é o actual cimborrio, que coroa o cruzeiro da catedral e alumia o presbitério, realizado no século XVI, a cavalo entre as postrimerías do gótico-mudéjar e o incipiente estilo Renacentista. O mudéjar aragonés foi declarado Património da Humanidade.
  • Renascentista: cabe destacar o trascoro com suas capelas, bem como a Capela de São Bernardo, esculpida em alabastro, a dos Arcángeles e a de San Pedro Arbués, todas elas em estilo Reis Católicos. As reformas auspiciadas por Hernando de Aragón converteram à Seo numa igreja de planta de salão ou Hallenkirche, formada por cinco naves de igual altura, cobertas por sugerentes abóbadas de crucería, que vão desde a abóbada de crucería simples, passando pelos telefonemas de terceletes, até as de crucería estrelada, fruto do chamado gótico flamígero ou final. As abóbadas descansam sobre esbeltos pilares fasciculados, coroados com capiteles com ornamentação vegetal os mais antigos e com motivos heráldicos os dos pés da catedral que já foram realizados no século XVI.
  • Barroco: o campanario da Seo, que foi projectado pelo arquitecto italiano Giovanni Battista Contini. A fachada junto à torre, que actualmente é considerada a principal do templo, ainda que em realidade corresponda ao acesso de um braço do transepto, mostra um estilo barroco com influência neoclásica. Também há que destacar a decoração de algumas capelas e sobretudo as portadas interiores das mesmas.

Referências

  1. Foi sempre costume em Aragão e Catalunha chamar seo à catedral