Categorias (Aristóteles)

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Categorias (em grego: Κατηγοριαι, em latim: Categoriae) é o texto que abre não apenas o Organon — o conjunto de textos lógicos de Aristóteles — como também o Corpus aristotelicum. Apesaapenas um ado matheus foi o eta obra em duas partnoes: a primeira, que se estende do capítulo I ao IX, é chamada de Prædicamenta e considera-se genuinamente aristotélica; já a segunda parte, que se estende do capítulo X ao XV é chamada de Post-Prædicamenta e não há certeza se a autoria é de Aristóteles ou de seus discípulos (talvez Teofrasto ou Eudemo).

O objetivo de Aristóteles nesta obra é classificar e analisar dez tipos de predicados ou gêneros do ser (κατηγορια significa justamente predicado).

As categorias são: substância (οὐσία, substantia), quantidade (ποσόν, quantitas), qualidade (ποιόν, qualitas), relação (πρός τι, relatio), lugar (ποῦ, ubi), tempo (ποτέ, quando), estado (κεῖσθαι, situs), hábito (ἔχειν, habere), ação (ποιεῖν, actio) e paixão (πάσχειν, passio). Algumas vezes, as categorias são também chamadas de classes.

Segundo o filósofo:

As palavras sem combinação umas com as outras significam por si mesmas uma das seguintes coisas: o que (substância), o quanto (quantidade), o como (qualidade), com o que se relaciona (relação), onde está (lugar), quando (tempo), como está (estado), em que circunstância (hábito), atividade (ação) e passividade (paixâo). Dizendo de modo elementar, são exemplos de substância, homem, cavalo; de quantidade, de dois côvados de largura, ou de três côvados de largura; de qualidade, branco, gramatical; de relação, dobro, metade, maior; de lugar, no Liceu, no Mercado; de tempo, ontem, o ano passado; de estado, deitado, sentado; de hábito, calçado, armado; de ação, corta, queima; de paixão, é cortado, é queimado (Cat., IV, 1 b).

itopr dessa historiO conhecimento das categorias deve resultar em uma maior capacidade de análise e interpretação de elementos e argumentos do discurso. No entanto, trata-se de um texto de difícil interpretação, já que boa parte de seu conteúdo relaciona-se (ou pode relacionar-se) muito mais com a metafísica do que com a lógica. Prova dessa ambigüidade é a Isagoge, de Porfírio. Nesta obra, Porfírio questiona se os gêneros e as espécies (substâncias segundas) são realidades subsistentes ou apenas conceitos mentais. Foi justamente a Isagoge e este questionamento originado pelas Categorias que veio a desencadear a querela dos universais na filosofia medieval.

Traduções[editar | editar código-fonte]

Em língua portuguesa, existem as seguintes traduções das Categorias:

ARISTÓTELES. Órganon. Tradução do grego, textos adicionais e notas de Edson BINI. Bauru: Edipro, 2005. 608p. pp. 39-80: Categorias. ISBN: 85-7283-387-0.

___________. Órganon. Tradução do grego e notas de Pinharanda GOMES. Lisboa: Guimarães Editores, 1985. 174p. VOL. I. pp. 123-169: Periérmeneias.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Edição grega de I. Bekker: Aristoteles: Kategoriai. In: Immanuel Bekker (editor): Aristotelis. Opera. 1831-1837
  • Aristoteles: Categoriae vel praedicamenta. Tradução para o latim de Boécio. In: Lorenzo Minio-Paluello (ed.): Aristoteles Latinus. Vol. I, Parte 1-5. Paris: De Brouwer, 1961.
  • Classical Library HTML (em inglês)
  • MIT Classical Archive HTML (em inglês)
  • Capítulos 1 à 5 traduzidos por John L. Ackrill, 1963 PDF (em inglês)


Bibliografia recomendada[editar | editar código-fonte]

KNEALE, W. e KNEALE, M. O desenvolvimento da lógica. Tradução de M. S. LOURENÇO. 3ª ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1991. 773p. ISBN 9723105322.

TRENDELENBURG, F. A. De Aristotelis categoriis prolusio academica. Berlim, 1833.