Catharanthus roseus

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Catharanthus roseus

Catharanthus roseus
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Angiospermae
Classe: Asterids
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Género: Catharanthus
Espécie: C. roseus
Nome binomial
Catharanthus roseus
L.
Sinónimos
Ammocallis rosea (Pequeno)
Lochnera rosea (Rchb.)
Vinca rosea (Basiônimo)

Catharanthus roseus ou vinca-de-madagáscar, também conhecida como vinca-de-gato, simplesmente como vinca, também boa-noite, beijo da mulata e maria-sem-vergonha é uma pequena planta endêmica de Madagáscar.[1] Na natureza selvagem esta espécie encontra-se em processo de extinção, isso deve-se ao processo de destruição do habitat pela queima com objetivo de aumentar áreas para agricultura. Mesmo assim, a vinca-de-madagáscar é cultivada em muitas regiões que apresentam clima tropical e subtropical, ocorrendo um processo de naturalização a estes novos lugares.[2]

C. roseus é uma planta muito estudada pela medicina, devido ao fato de esta planta conter alcalóides bisindólicos, que acumulam-se nas folhas da planta e que são usados para tratamento de vários tipos de cânceres, diabetes e também possui propriedades anti-inflamatórias. Ela é considerada uma planta tóxica e por isso não deve ser consumida.[3]

De floração anual, a espécie é perene. Suas flores zigomórfas possuem cinco pétalas, de variadas cores. As folhas são opostas, brilhantes e ovalóides, medindo cerca de 2.5 a 9 centímetros de comprimento e 1 a 3.5 cm de largura. Os frutos são pares de folículos de 2 a 4 cm de comprimento e 3 milímetros (mm) de largura. C. roseus é uma planta que gosta de calor e luz solar direta, sendo muito resistente a seca, por um período menor de um ano. [4]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Ilustração da C. roseus (G. Don).
Frutos e sementes - MHNT

C. roseus foi descoberta primeiramente pelos europeus, sendo denominada errôneamente de vinca ou mirta. Esse erro foi corrigido, e C. roseus foi reclassificada para gênero Catharanthus.[5] A correta descrição e colocação taxonômica deve-se a G. Don, pesquisador que a coletou, estudou e tirou as conclusões que se tratava de uma espécie do gênero Catharanthus.[6] C. roseus possui vários sinôminos entre eles Vinca roseua (Basinômino), Lochnera rosea e Ammocallis rosea. Pela produção de carpelos (flores e frutos completos), é considerada uma Angiosperma.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A C. roseus é uma planta perene, geralmente cultivada em canteiros ou jardins de flores. Em um clima frio, a vinca-de-Madagáscar desenvolve um caule lenhoso, podendo crescer até um metro de altura. As folhas são brilhantes, e medem de 5 a 7 centímetros (cm) de comprimento. As cinco pétalas de flores são tipicamente rosa, mas podem ser encontradas em cores vermelho, roxo e branco. Florescem melhor no verão, e como a maioria dos membros da família das Apocynaceae, esta planta pode exudar um tipo de látex leitoso. Existem várias subclassificações usadas para dividir Catharanthus roseus, sendo tais:

  • Cooler - Ou resfriada crescem compactadas de formato arredondado, as pétalas são sobrepostas, ou seja, uma sobre a outra formando uma especié de pastel[4]
  • Carpetes - Inclui Catharanthus roseus que medem de 7 a 10 cm de altura e espalha-se a 60 cm pelo chão. São ótimas plantas para decorações.[4]
  • Pretty - Ou coisa bonita, assim como as de Cooler, as Pretty são compactas e possuem muitas flores numa só planta, medem cerca de 30,5 cm de altura.[4]
  • Névoa da manhã - Possui grandes flores brancas com o centro rosa.[4]
  • Guarda-sol - Tem grandes flores que medem 5 cm de largura, são brancas com centro rosa. A planta mede cerca de 60 cm de altura.[4]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

C. roseus é endêmica da ilha de Madagáscar, no Oceano Índico. A vinca-de-Madagáscar pode ser encontrada em quase todos os países tropicais e subtropicais do mundo. Pelo seu grande uso medicinal, C. roseus é cultivada comercialmente na Austrália, África, Índia e sul da Europa.[7]

C. roseus tem sido cultivada em todo o mundo por ser uma interessante opção para decorações internas de imóveis, jardins e outros. Em Madagáscar, C. roseus encontra-se classificada como vulnerável por sua área natural e selvagem ter decaído por causa da instalação da agricultura e da queima nas florestas.[2] Com sua naturalização em outros países a vinca-de-madagáscar talvez não seja ameaçada, porém em Madagáscar ela está vulnerável, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Descoberta da Vimblastina[editar | editar código-fonte]

O descobridor da substancia vimblastina foi o Dr. Robert Laing Noble da Universidade de Toronto, em 1934. A descoberta da vimblastina esteve ligada ao tratamento de diabete. No ano de 1952, o Dr. Noble recebeu de seu irmão, Dr. Clark Noble, um envelope que continha 25 folhas de C. roseus. Esse envelope de origem jamaicana, enviado por um paciente de Dr. Clark, o qual explanava que na falta da insula para diabéticos, o chá da vinca-de-Madagáscar era utilizado como substituto. Percebeu-se que as folhas tinham poucos efeitos na diminuição da glicose no sangue, mas a diminuição dos glóbulos brancos no sangue foi o que chamou a atenção do Dr. Noble, o que sugeriu na possível cura para a leucemia.[8]

No ano de 1954 o Dr. Beer e a equipe do Dr. Noble conseguiram identificar, separar e purificar um alcaloide (que veio a ser chamado de vimblastina) que impede a multiplicação dos glóbulos brancos, o que veio a combater a leucemia. Até hoje a vimblastina é usada para o combate da leucemia, e também mistura-se com outras substância anticancerígenas, podendo a vir ser utilizada como tratamento a outros tipos de cânceres.[8]

Utilidades[editar | editar código-fonte]

Esquema químico da vimblastina.
Esquema químico da vimblastina.
Esquema químico da vimcristina.
Esquema químico da vimcristina.

C. roseus é uma das plantas mais estudadas, isso deve-se a suas propriedades fitoterapêuticas. Esses estudos revelaram que as folhas de C. roseus contêm o alcalóide vimblastina, que é muito eficaz no tratamento de alguns cânceres - combatendo principalmente a leucemia.[8] [9]

Uso para a farmacologia[editar | editar código-fonte]

Já foram encontrados mais de setenta tipos diferentes de alcalóides em C. roseus. Outro alcalóide é a vincristina (extraído das flores da planta) que também é usado no tratamento de cânceres, como linfomas, Doença de Hodgkin, câncer de mama, leucemia linfocítica aguda, sarcomas de tecidos moles, Mieloma múltiplo, Neuroblastoma. A extração e purificação da vimblastina e da vincristina são controladas devido a sua toxidade. Embora a vimblastina e a vincristina são semelhantes em estrutura, as duas substância produzem efeitos diferentes. A vincristina é considerada um pouco superior à vimblastina no tratamento do linfossacaroma. A raíz de C. roseus contém outro alcalóide - alstonina, que tem um efeito calmante e que é capaz de reduzir a pressão arterial.[7] [9]

Uso para a medicina alternativa[editar | editar código-fonte]

C. roseus é muito usado na medicina alternativa de vários países do mundo. Na medicina tradicional chinesa, a espécie tem sido usada para o tratamento de diversas doenças, além de planta ornamental. Na medicina tradicional chinesa, extratos da planta têm sido usados para tratar alguns tipos de doenças, incluindo diabetes, malária e a doença de Hodgkin. Na Índia suas folhas eram utilizadas para tratamento de picadas de vespa. No Havaí, esta planta era fervida em água, dando origem a um cataplasma que era utilizada na paralisação de hemorragias. [10]

Proibições de uso[editar | editar código-fonte]

Os conflitos históricos de indígenas, o uso como alucinógeno, uso recente da vinca-de-madagáscar como patente sobre medicamentos derivados por empresas de fabricação de medicamentos levou a acusações de biopirataria.[11] Como a vinca-de-madagáscar pode ser perigosa se consumida por via oral e também ter um grande poder alucinógeno foi-se proibida o cultivo, a posse e a venda no estado americano da Luisiana segundo a lei estadual de nº159.

Conservação[editar | editar código-fonte]

Como são necessários mais de um tonelada de exemplares da vinca-de-madagascar para se obter uma pequena quantidade de alcaloides a vinca-de-madagáscar vem sendo comunamente observada. Por causa do desmatamento e a fragilidade a doenças a vinca-de-madagáscar foi classificada como vulnerável pela IUCN.[2] [12] Um estudo feito pela Botanic Gardens Conservation International provou que 50% dos medicamentos químicos naturais são provindos das plantas medicinais das quais estão em perigo de desaparecerem da terra, entre elas esta a vinca-de-madagáscar.[13]

Cultivos[editar | editar código-fonte]

Catharanthus roseus cultivada no Brasil.

A espécie é muito cultivada pela medicina alternativa e também com planta alternativa. A vinca-de-madagáscar é uma planta muito rústica e pouco exigente, por esses motivos pode ser cultivada em quase todo o mundo onde se apresenta um clima tropical e subtropical. O cultivo deve ser feito em um solo fértil e deve ser regado constantemente. Embora a vinca-de-madagáscar seja bem resistente a seca e aguentar até um ano com pouca água. A vinca-de-madagáscar é geralmente usada nas decorações de jardins, em maciços, em vasos, em bordaduras, em jardineiros e vasos. O período de aparecimento das flores estende-se por todo o ano.[14] [1] Apesar de ser um bela planta, a vinca-de-madagáscar é geralmente trocada por períodos de dois anos, isso é feito porque a vinca-de-madagáscar perde sua beleza com o passar dos anos.[14]

Parasitas[editar | editar código-fonte]

Sintoma de infecção numa muda de C. roseus parasitada por fitoplasmas.

Os Rhizoctonia compreende uma família de fungos geralmente parasitas que habitam os solos de quase todo o mundo. Especificamente a espécie Rhizoctonia solani tem causado preocupação quando relacionado a vinca-de-madagáscar. Esse parasita que habita solos férteis que tenham muita umidade ataca geralmente plantas ornamentais como a vinca-de-madagáscar causando sintomas conhecidos como Tombamento (em inglês: Damping off). O sintoma grave é o escurecimento e amolecimento das sementes. Isso pode fazer com que a nova planta proveniente de uma semente infectada morra antes mesmo de sair do solo. Se caso a planta vir a nascer, logo depois ela entra em um estado de apodrecimento e morre.[15]

Além da catharanthus roseus, o R. solani infecta várias outras plantas ornamentais causando o efeito damping off o que faz com que o caule da planta apodreça e se desmanche causando a morte da planta. O R. solani tem um período de vida de mais de três anos nos sementes infectadas. Seu grande período de vida seja ele no solo ou nos restos dos vegetais faz com que o combate a esse fungo seja dificil.[15] Uma pesquisa no ano de 2002 feita pela Universidade Federal da Bahia no estado da Bahia no Brasil provou a existência de fungos parasitas na vinca-de-madagáscar,[15] são eles:

Outros pesquisadores também apontam o R. solani como o causador do apodrecimento da base da haste de gladíolo, sibipiruna e de algumas estacas de Azaléia[16]

Referências

  1. a b Raquel Patro (2007). Vinca (Catharanthus roseus) jardineiro.net. Página visitada em 19 de Março de 2011.
  2. a b c efloras (2007). Flora de Madagascar efloras.org. Página visitada em 19 de Março de 2011.
  3. Anderson Adriano Martins MeloI & Amauri Alves de Alvarenga (2006). Ciência e Agrotecnologia Scielo.br. Página visitada em 24 de Março de 2011.
  4. a b c d e f Steve Christman (2000). Floridata: Catharanthus roseus floridata.com. Página visitada em 24 de Março de 2011.
  5. Uma rápida revisão de botânica por Eric Yarnell. (2004). Catharanthus roseus: Um Natural antineoplásicos e anti-diabéticos heronbotanicals.com. Página visitada em 5 de Abril de 2011.
  6. Catharanthus roseus: Estrutura física e química (DOC) cancercure.co.za. Página visitada em 6 de Abril de 2011.
  7. a b Catharanthus roseus Linn. G.Donn. G. Donn.. Origem e características botânicas (PDF) (em inglês) tnsmpb.tn.gov.in. Página visitada em 28 de Março de 2011.
  8. a b c Luís Mafra & Ana Rodriguês. Vimblastina dq.fct.unl.pt. Página visitada em 26 de Março de 2011.
  9. a b National Tropical Botanical Garden. Catharanthus roseus (Apocynaceae) ntbg.org. Página visitada em 28 de Março de 2011.
  10. Susana Regina Monteiro Marinho (2001). Função dos Alcalóides Indóiicos Monoterpenóides de Catharanthus roseus Catharanthus roseus (L.) G. Don (em Português). Página visitada em 16 de Abril de 2011.
  11. Karasov, C.. Quem colhe os benéficios da Biodiversidade? Saúde Ambiental. Página visitada em 4 de Abril de 2011.
  12. BGCI. CITES e Estudo de Plantas Medicinais: um resumo das conclusões bgci.org. Página visitada em 5 de Abril de 2011.
  13. Conservação Internacional de Jardins Botânicos. Milagres de Cura em perigo de extinção bgci.org. Página visitada em 5 de Abril de 2011.
  14. a b Cultivando. Vinca; Boa noite (em inglês) cultivando.com.br. Página visitada em 4 de Abril de 2011.
  15. a b c CLAUDIA MARIA OLIVEIRA LONGA, Universidade Federal da Bahia (Outubro 2002). OCORRÊNCIA, PATOGENICIDADE E CONTROLE ALTERNATIVO DE Rhizoctonia solani KÜHN EM BOA-NOITE (Catharanthus roseus G. DON.) PELO USO DE Trichoderma spp. E COMPOSTO ORGÂNICO (PDF) ufba.br. Página visitada em 4 de Abril de 2011.
  16. Pitta et al. (1990)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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