Cavalhadas

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Rei Cristão e cavaleiros, nas Cavalhadas de Pirenópolis.

Cavalhadas é uma celebração portuguesa tradicional que teve origem nos torneios medievais, onde os aristocratas exibiam em espetáculos públicos a sua destreza e valentia, e frequentemente envolvia temas do período da Reconquista. Era um "torneio que servia como exercício militar nos intervalos das guerras e onde nobres e guerreiros cultivavam a praxe da galantaria"

Nas cavalhadas as alcanzias, bolas de barro ocas cheias de flores e cinzas, eram jogadas no campo de batalha.

As cavalhadas recriam os torneios medievais e as batalhas entre cristãos e mouros, algumas vezes com enredo baseado no livro Carlos Magno e Os Doze Pares da França, uma coletânea de histórias fantásticas sobre esse rei. No Brasil, registram-se desde o século XVII e as cavalhadas acontecem durante a Festa do Divino, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

O folguedo[editar | editar código-fonte]

Cavalhadas pelo Brasil[editar | editar código-fonte]

Mascarados de Pirenopolis, Goiás.
  • ''As Cavalhadas de Pirenópolis do município de Pirenópolis, em Goiás, onde a festa inclui também personagens Mascarados (folclore) que representam o povo. ''
  • Cavalhada de Santo Amaro - No dia 15 de janeiro é realizada no distrito de Santo Amaro, em Campos dos Goytacazes a festa em homenagem a Santo Amaro, padroeiro do distrito. Além das atividades religiosas, como missas e procissão a principal atração é a Cavalhada, feita no Brasil há 327 anos. A cada ano a festa cresce atraindo maior público, no ano de 2012 reuniu cerca de 40 mil pessoas, contribuindo para a manutenção de um dos principais patrimônios históricos da cidade. A cavalhada representa a luta entre Cristãos e Mouros, constituída há 1500 anos. O duelo acontece por causa do amor que o Rei Mouro sentia pela filha do Rei Cristão. Este não aceitava que sua filha se unisse a um homem que não tivesse a fé cristã. No combate, os Cristãos saem vencedores, demonstrando lealdade e bravura, pois eles de orgulham de terem lutado contra as invasões islâmicas na Península Ibérica, durante o século VIII. A primeira Cavalhada em Santo Amaro aconteceu no dia 15 de janeiro de 1736, sendo hoje uma das poucas a serem realizadas no Brasil, segundo registro encontrado no Arquivo Público de Campos, instalado no Solar do Colégio, próximo da localidade de Tocos. A encenação foi trazida para Campos pelos monges beneditinos e permanece, ainda, com as mesmas características. Participam da cavalhada, seguindo a tradição, 24 cavaleiros posicionados de um lado do poente. Os 12 cavaleiros que representam os Cristãos são vestidos de azul e os 12 representando os Mouros se vestem de vermelho. Além das roupas também há o cuidado como os cavalos, que tem suas patas pintadas, além de usarem plumas na cabeça e metais polidos. Durante o desenvolvimento da luta, os cavaleiros mostram sua destreza na montaria. E são várias as provas, como a da argola e dos potes de barro pendurados num travessão. Depois da “luta”, em sua representação simbólica, os cavaleiros se confraternizam em nome da tradição. Antes, há o cerimonial das bandeiras e as benções dos participantes pelo pároco da Igreja de Santo Amaro. A cavalhada é tombada como patrimônio imaterial pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal. Fonte: Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal - Campos dos Goytacazes - RJ

Cavalhadas[editar | editar código-fonte]

  • A cavalhada de Poconé e realizada no município de Poconé no més de junho e uma das maiores manifestação articitas e cultural do Estado de Mato Grosso.
  • Realizadas em Guarapuava no Paraná, as cavalhadas dramatizam a luta entre cristãos e mouros e os torneios medievais. Os cavaleiros dividem-se em dois grupos montados, vestidos com bonitos trajes azuis ou vermelhos. Após vários diálogos (encontro das embaixadas), simulam lutas mostrando sua perícia, portando revólveres, espadas e lanças. De lados opostos do campo estão os redutos dos reis cristãos e mouros. No final há paz, com a conversão dos mouros. Os cavaleiros se entregam a uma série de competições eqüestres (sortes), oferecendo os troféus às suas "damas". Duas bandas de música acompanham o espetáculo: a de "pancadaria" ou "infernal" apupa os faltosos e a outra toca em louvor dos vencedores. Apesar de tudo as cavalhadas são apenas festas folclóricas conhecidas por sua magia.
  • No Rio Grande do Sul são conhecidas as cavalhadas realizadas principalmente em Cazuza Ferreira, distrito de São Francisco de Paula, Vacaria, Mostardas, Santo Antonio da Patrulha e Caçapava do Sul, festejos que já foram o objeto de estudos históricos do conhecido folclorista e pesquisador gaúcho João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes.

Foi rodado, dia 08 de junho de 2013, na cidade de Caçapava do Sul, o documentário "A Semi Lua e a Estrela". O projeto, que é uma produção da TV OVO de Santa Maria/RS e tem financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-Audivisual) da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, registra a história da corrida de cavalhadas da cidade. Foram gravadas cenas da encenação da guerra, no Forte Dom Pedro II, e entrevistas com antigos corredores e envolvidos no folguedo. O documentário deverá ser finalizado até o final de 2013.