Caverna de Gargas

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Mãos em negativo da caverna de Gargas

A caverna de Gargas é uma das mais célebres cavernas decoradas do Paleolítico superior da Europa.

Situação e história[editar | editar código-fonte]

Esta caverna fica no comuna de Aventignan (Hautes-Pyrénées, França), no limite com o Haute-Garonne, muito perto de Saint-Bertrand-de-Comminges.

A caverna foi objeto de pesquisas científicas desde fins do século XIX, com destaque para as escavações de Émile Cartailhac e Henri Breuil. As mãos pintadas foram advertidas, pela primeira vez, a 11 de Junho de 1906, pelo investigador Félix Régnault.[1] Foi declarada Monumento histórico francês em 1910.

Vista do interior da caverna (antes de 1908)
Caverna de Gargas

Ocupação pré-histórica[editar | editar código-fonte]

Gargas tem mostrado indícios de ocupação (ossamentas, indústria lítica, arte móvel) que vão do Musteriense até à Idade Média, mas é célebre especialmente pelas suas pinturas e gravuras do Paleolítico superior.

Mãos em negativo[editar | editar código-fonte]

As pinturas são sobretudo numerosas mãos negativas realizadas com a técnica do estêncil (a silhueta inicial da figura é logo recheada de cor). São de cores vermelhas (ocre), negras (óxido de manganês, carvão vegetal), e, uma pelo menos, branca (talco). Em quase a metade das mãos (47,3 %) só há uma falange (sem contar o polegar), e só 15,5 % são mãos completas,[2] o qual tem gerado inúmeras hipóteses para explicar a causa: doenças, congelamentos, amputações rituais… Atualmente numerosos investigadores preferem uma explicação de significado simbólico, de modo a que as diferentes imagens das mãos obter-se-iam dobrando uma ou mais falanges dos dedos. As mãos pertencem a indivíduos de ambos os sexos e a todos os trechos de idade, desde crianças a adultos.[2] Pesquisas minuciosas mostram que as paredes e lugares onde se representaram mãos foram eleitos e preparados cuidadosamente.[2]

Representações figuradas[editar | editar código-fonte]

Há também numerosas gravuras e pinturas de tipo figurativo, que aparecem em outras partes da cavidade, acompanhadas por signos. Os animais mais freqüentemente representados são o cavalo, o bisão, o auroque, o íbex e o mamute.

Datação[editar | editar código-fonte]

Uma datação pelo método do carbono-14 foi efetuada a partir de uma farpa de urso fincada numa fenda de uma das paredes decoradas com mãos negativas. Embora não dá diretamente a idade das pinturas, estas devem estar próximas no tempo da data obtida: - 26.860 +- 460 anos AP, o que indica que a caverna era freqüentada no Gravettense antigo. As mãos impressas datam muito provavelmente de esse período o que as torna contemporâneas das mãos de Cosquer.[3]

Outros[editar | editar código-fonte]

A caverna de Gargas está aberta ao público.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Foucher Pascal, San Juan-Foucher Crisina, Rumeau Yoan, La grotte de Gargas. Un siècle de découvertes, Édition Communautés de Communes du Canton de Saint-Laurent-de-Neste, 2007, 128 pages.

Notas e referências

  1. Regnault, Félix 1906 « Empreintes de mains humaines dans la grotte de Gargas (Hautes-Pyrénées) », Bulletin et Mémoires de la Société d’anthropologie de Paris, t. VII, 5esérie : 331-332.
  2. a b c Web oficial da caverna de Gargas gargas.free.fr/PAGE_7.html
  3. [1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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