Ceará

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Estado do Ceará
Bandeira do Ceará
Brasão do Ceará
(Bandeira) (Brasão)
Lema: Terra da Luz
Hino: Hino do Ceará
Gentílico: cearense

Localização do Ceará no Brasil

Localização
 - Região Nordeste
 - Estados limítrofes Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco
 - Mesorregiões 7
 - Microrregiões 33
 - Municípios 184
Capital Brasão de Fortaleza.svg Fortaleza
Governo
 - Governador(a) Cid Gomes (PROS)
 - Vice-governador(a) Domingos Gomes de Aguiar Filho (PROS)
 - Deputados federais 22
 - Deputados estaduais 46
 - Senadores Eunício Oliveira (PMDB)
Inácio Arruda (PC do B)
José Barroso Pimentel (PT)
Área  
 - Total 146 348 km² (17º) [1]
População 2013
 - Estimativa 8 778 575 hab. ()[2]
 - Densidade 59,98 hab./km² (11º)
Economia 2011[3]
 - PIB R$87,982 bilhões (13º)
 - PIB per capita R$10 314 (23º)
Indicadores 2010[4]
 - Esper. de vida 72,4 anos (14º)
 - Mort. infantil 19,7‰ nasc. (15º)
 - Analfabetismo 17,2% (22º)
 - IDH (2010) 0,682 (17º) – médio [5]
Fuso horário UTC−03:00
Clima tropical e semi-árido Bs'h
Cód. ISO 3166-2 BR-CE
Site governamental http://www.ceara.gov.br/

Mapa do Ceará

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O Ceará é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Nordeste e tem por limites o Oceano Atlântico a norte e nordeste, Rio Grande do Norte e Paraíba a leste, Pernambuco a sul e Piauí a oeste. Sua área total é de 148 920,472 km²,[6] ou 9,37% da área do Nordeste e 1,7% da superfície do Brasil. A população do estado estimada para o ano de 2008 foi de 8 450 527 habitantes, conferindo ao território a oitava colocação entre as unidades federativas mais populosas.

A capital e maior cidade é Fortaleza, sede da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Outras cidades importantes fora da RMF são: Juazeiro do Norte e Crato na Região Metropolitana do Cariri, Sobral na região noroeste, Itapipoca na região norte, Iguatu na região centro-sul, Aracati na região do Vale do Jaguaribe e Quixadá na região dos Sertões Cearenses.[7] Na RMF, cidades importantes como Eusébio, Horizonte, Maranguape, Maracanaú e São Gonçalo do Amarante, sede do Porto do Pecém, incrementam o PIB cearense. Ao todo são 184 municípios.

É atualmente o décimo terceiro estado mais rico do país, sendo o terceiro mais rico do Nordeste. A capital, Fortaleza, é o município com o maior PIB do Nordeste, e o 9º maior do país[8] . O Ceará apresentava, em 2010, a melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste segundo a FIRJAN.[9]

Abriga o maior parque aquático da América Latina, o Beach Park, na praia do Porto das Dunas, que recebe cerca de 1 milhão de visitantes por ano. O estado também abriga o quarto maior estádio de futebol do Brasil, o Estádio Governador Plácido Castelo (Castelão), que tem capacidade para 67 000 pessoas.

O estado é conhecido nacionalmente pela beleza de seu litoral, pela religiosidade popular e pela imagem de berço de talentos humorísticos. A jangada, ainda comum ao longo da costa, é considerada um dos maiores símbolos do povo e da cultura cearenses. O Ceará concentra 55% de toda caatinga do Brasil. Terra de José de Alencar, Rachel de Queiroz, Patativa do Assaré, Clóvis Beviláqua e Castelo Branco, o Ceará também revelou Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante, considerados os maiores humoristas do país; o "cearense do século" Padre Cícero;[10] atores e cineastas famosos como José Wilker, Gero Camilo, Luiza Tomé e Karim Aïnouz; além de nomes destacados das ciências exatas como Casimiro Montenegro Filho, Fernando de Mendonça, Maurício Peixoto, Cláudio Lenz Cesar; dentre muitos.

O Ceará é conhecido como "Terra da Luz", numa referência à grande quantidade de dias ensolarados, mas que também remonta ao fato de o estado ter sido o primeiro da federação a abolir a escravidão, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. Por esse fato, o jornalista José do Patrocínio considerou o estado como "a terra da luz".[11]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo Ceará tem vários significados, porém o mais conhecido e aceito significa, literalmente, canto da jandaia.[12] Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.[12]

História[editar | editar código-fonte]

Ceará a partir do mapa de 1629 por Albernaz I

Os fatos históricos sobre o território cearense, provavelmente começaram a ser registrados na história moderna a partir do século XVI. Os primeiros registros descrevem essa região do Brasil, já habitadas por diversos etnias indígenas, que viviam da extração de recursos naturais, pesca, agricultura e comércio com povos europeus.

A formação histórica do atual Ceará é o resultado de diversos fatores sociais, econômicos e de adaptação ao solo e natureza, tais como: a interação entre os povos nativos, os europeus e os africanos; a interação desses povos envolvidos (índios, europeus e africanos) com o fenômeno da seca.

O desenvolvimento independente do Ceará aconteceu apenas depois de sua desagregação de Pernambuco em 1799,[13] e sua história foi marcada por lutas políticas e movimentos armados. Essa instabilidade se prolongou durante o Império e a Primeira República, normalizando-se depois da reconstitucionalização do País em 1945.

Ceará pré-colonial[editar | editar código-fonte]

O Ceará era habitado ancestralmente por povos indígenas dos troncos Tupi (Tabajara, Potiguara, Tapeba, entre outros) e (Kariri, Inhamum, Jucá, Kanindé, Tremembé, Karatius entre outros), cujas tribos ainda hoje denominam vários topônimos no Ceará.[14] Estes povos já negociavam tatajuba, âmbar, algodão bravo e outros produtos com os estrangeiros que aportavam nas costas cearenses, antes que os portugueses chegassem em 1603 através do litoral. Os portugueses tentaram, já a partir de 1603, estabelecer-se nas terras cearenses, mas sem sucesso devido à intensa resistência dos nativos e à sua falta de conhecimento sobre como sobreviver às secas. Só a partir de 1654, com a saída dos holandeses e o enfraquecimento político dos povos indígenas locais, é que os portugueses começaram a ter sucesso na colonização desse território. Os esforços de povoamento pelos portugueses visavam principalmente a vencer a resistência indígena e garantir o domínio luso contra estrangeiros.

Os navegadores espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe desembarcaram na costa cearense antes da viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.[15] Pinzón chegou a um cabo identificado como "Porto Formoso", que se acredita ser o Mucuripe, e Lepe, à barra do rio Ceará, em Fortaleza. Essas descobertas não puderam ser oficializadas devido ao Tratado de Tordesilhas (1494).[16]

As terras equivalentes à Capitania do Ceará foram doadas a Antônio Cardoso de Barros na segunda metade do século XVI, porém ele não se interessou em colonizá-las.[17] Os franceses, que já negociavam âmbar-gris, as tatajubas, a pimenta e o algodão nativo com os povos indígenas, foram os primeiros europeus a se estabelecerem no Ceará. Em 1590 eles fundaram a Feitoria da Ibiapaba.

Os holandeses também já negociavam com os nativos cearenses, a exemplo do capitão Jean Baptista Sijens, que esteve no Mucuripe, em 1600.[18] [19]

Em 1597/98, um ramo da etnia Potyguara que habitava a região ao redor do Forte dos Reis Magos, migrou e fixou-se na região entre as margens do rio Cocó e rio Ceará e os sopés nortes das serras de Pacatuba e Maranguape[18] .

Ceará Colonial[editar | editar código-fonte]

Graças ao contatos mantidos entre os índios Potyguara e portugueses, estes últimos planejaram chegar ao Ceará e estabelecer um ponto de apoio na jornada para os Maranhão. Desta forma a primeira tentativa efetiva de colonização portuguesa ocorreu com Pero Coelho de Sousa em 1603, que na sua fundou o Forte de São Tiago na Barra do Ceará. Em 1605, porém, sobreveio a primeira seca registrada na história cearense, fazendo que Pero Coelho e sua família abandonasse o Ceará.

Depois da partida de Pero Coelho, os padres jesuítas Francisco Pinto e Luís Figueira chegaram ao Ceará com o intuito de evangelizar os silvícolas. Avançaram até a Chapada da Ibiapaba, onde ficaram até a morte do padre Francisco Pinto em outubro do mesmo ano. O padre Pereira Figueira retornou a Pernambuco em 1608, sem grandes sucessos.[20]

Em 1612, nova expedição portuguesa foi enviada como parte dos esforços de conquista do Maranhão, então dominado pelos franceses. Fazia parte desta jornada Martim Soares Moreno, que funda o Fortim de São Sebastião, também na Barra do Ceará. Ao retornar, em 1621, encontrou o forte destruído, mas lançou as bases para o início da exploração econômica pelos portugueses e a convivência com os nativos.[21] [22]

Os holandeses, já estabelecidos em Pernambuco desde 1630, tentaram invadir o Ceará já em 1631, atendendo ao pedido das nações indígenas cearenses. Sendo que a primeira tentativa de conquista holandesa fracassou.

Em 1637, o território foi tomado pelos holandeses, graças um trabalho conjunto com os índios nativos, no qual os portugueses foram feitos prisioneiros e levados para Recife. Os holandeses estabeleceram-se e também chegaram usar o Ceará com ponto de apoio a conquista holandesa do Maranhão, em 1641.

Nesta época de ocupação holandesa (1637-1644), o forte da Barra do Ceará foi reformado, foi construído um forte em Camocim, as pesquisas para a exploração das salinas foram feitas e em 1639, George Marcgraf vem ao Ceará numa expedição. Uma expedição que se deu partindo do Fortim de São Sebastião percorreu o oeste cearense até a região dos Inhamuns.[23]

Os holandeses ficaram no Ceará até 1644, quando Gedeon Morris e sua tropa, que retornavam das batalhas no Maranhão, foram mortos numa emboscada organizada pelos próprios índios. Com a emboscada de 1644, o Fortim de São Sebastião também foi destruído.

Entre 1644 até 1649, o Ceará ficou sendo administrado pelas etnias então existentes. A presença européia só retorna em 1649, depois de contatos e negociações feitas entres os nativos e Antônio Paraupaba em 1648.[24]

Com a chegada de Matias Beck, em 1649, o Siará Grande entrou num novo período histórico: na embocadura do riacho Pajeú, o Forte Schoonenborch foi construído, os trabalhos de busca das supostas minas de prata foram iniciadas e os holandeses procuraram mais uma vez se estabelecer na região em parceria com os indígenas.[25]

Após a capitulação holandesa em Pernambuco, o forte foi entregue aos portugueses, restabelecendo-se assim o poderio português, rebatizando-o de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.[26] Neste período muitas das nações indígenas que apoiaram os holandeses, que não estavam protegidas pelo Tratado de Taborda, fugiram para o Ceará, procurando refúgio das retaliações lusas.[27] Desta forma, o Ceará acabou sendo o centro de batalhas na Guerra dos Bárbaros.

Na continuação da colonização pelos portugueses[21] a influência dos jesuítas foi determinante, resultando na criação de aldeamentos (Porangaba, Paupina, Viçosa e outros), muitos deles fortemente militarizados, onde os indígenas eram concentrados para serem catequizados e assimilados à cultura lusitana. Tribos tupis aliadas dos portugueses também vieram se instalar em vilas militarizadas na capitania. Dessas reduções surgiram às primeiras cidades da capitania, como Aquiraz e Crato. O processo de aculturação, no entanto, não se deu sem grandes influências de crenças e produtos nativos. A intensa resistência levou a episódios sangrentos, destacando-se a Guerra dos Bárbaros, ao longo de várias décadas do século XVIII]], que resultou na fuga dos habitantes da capital Aquiraz, em 1726, para Fortaleza, que passou a ser a capital.[28]

Primeiro mapa de Fortaleza de 1730

Outras frentes colonizadoras surgiram com a instalação da pecuária na capitania através dos "sertões de dentro" e "sertões de fora", com levas oriundas respectivamente da Bahia e de Pernambuco.[29] Vilas como Icó, Aracati, Sobral e outras surgiram do encontro de rotas do gado tangerino, que era levado até as feiras ou fregueses. Mais tarde, o custoso transporte do gado perdeu importância para a produção da carne de charque que, no final do século XVIII, se disseminou também para a Região Sul do Brasil. Nas regiões serranas, houve grande afluxo de pessoas que se dedicaram à agricultura policultora, o que veio a caracterizá-las pela maior diversificação da produção e pela estrutura menos latifundiária que a do sertão. O vale do Cariri assentou-se menos na pecuária e mais na cultura da cana-de-açúcar, propiciando a entrada de maiores levas de escravos africanos. O litoral, refúgio de muitos indígenas e negros livres ou fugitivos, povoou-se de vários vilarejos de pescadores.

As principais vilas da capitania da época charqueana eram Aracati, Crato, Icó, e Sobral. A que mais ganhou destaque foi Aracati, devido ao comércio de couro e carne de charque. Entre os anos de 1750 a 1800, Aracati viveu seu apogeu,[30] mas com uma grande seca na região entre os anos de 1790 até 1793, os rebanhos bovinos morreram e a produção de charque transferiu-se para o Rio Grande do Sul, que assumiu a posição de abastecedor principal das outras regiões.

Capitania do Siará Grande[editar | editar código-fonte]

Mapa do Ceará feito por Mariano Gregório do Amaral em 1800

Em 1799 o Ceará adquiriu independência em relação à Pernambuco, e Bernardo Manuel de Vasconcelos foi nomeado seu primeiro governador, sendo o responsável pelo início da urbanização de Fortaleza.[13] No final do século XVIII, especialmente com a Guerra de Independência norte-americana, o algodão foi tomando relevante papel na pauta de exportações do Ceará. Com o declínio do charque, cuja distribuição era centrada em Aracati, Fortaleza se tornou a principal cidade cearense devido à sua condição de destino dos produtos agrícolas cultivados nas diversas serras que se elevam nas vizinhanças do município.

Em 1812 foi nomeado governador do Ceará o português Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire, o qual reuniu os literatos no palácio do governo e deu incentivo às artes e à urbanização da capital por meio dos projetos de Silva Paulet. No começo do século XIX o Ceará passou por movimentos rebeldes, como a República do Crato, em 1813, e também influências da Revolução Pernambucana de 1817, movimentos de cunho republicano-liberal liderados pela família cratense dos Alencar. Tais movimentos foram reprimidos com dureza pelo governador provincial do Ceará, Inácio de Sampaio.[31]

Ceará no Império[editar | editar código-fonte]

Em 1825 o Ceará tomou parte na Confederação do Equador, com o liberal Tristão Gonçalves aplicando um golpe e tornando-se chefe do governo.[32] A Confederação foi frustrada pela forças imperiais, e Tristão morreu durante os combates contra as forças legalistas do Império. O ciclo de conflitos terminou com a Insurreição de Pinto Madeira, "coronel" de Jardim, que visava ao retorno da monarquia absolutista e representava interesses regionais opostos aos da cidade do Crato, de inspiração marcantemente liberal.

Em meados de 1860, devido à Guerra de Secessão norte-americana, houve um surto de crescimento da produção do algodão. Tal florescimento não durou muito tempo, mas deu grande impulso à modernização da infra-estrutura da Província como exemplo a Estrada de Ferro de Baturité, inaugurada em 1873. Em 1877, tem início a chamada Grande Seca de 1877-1879, um dos mais severos períodos de seca prolongada da história cearense, levando à morte milhares de pessoas e acarretando emigração maciça de retirantes. Fortaleza recebeu uma população de fugitivos da seca quatro vezes maior que a sua própria.[33]

Jornal abolicionista "Libertador"[34] de 25 de março de 1884

Logo após, a produção da borracha explode na Amazônia, e muitos cearenses vítimas da seca migram para esta região.[35]

A gravidade dessa estiagem chamou a atenção do governo central e mesmo de cientistas, havendo então a produção de textos científicos e propostas de melhoramento da situação da população cearense,[36] cuja maior parte não foi posta em prática ou se relevou ineficaz. Por outro lado, houve um aceleramento nas obras do Açude do Cedro, em Quixadá, o primeiro do Nordeste, que só ficou pronto em 1906.[37] A Grande Seca e as estiagens seguintes impulsionaram o surgimento da indústria da seca e geraram uma tradição migratória no estado.[38] Entre 1869 e 1900, 300 mil cearenses abandonaram sua terra, 85% deles indo para a Amazônia.[39]

Anos antes da proclamação da República notabilizou-se a campanha abolicionista no Ceará, que logrou abolir a escravidão no estado em 25 de março de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. O movimento contou com a participação de várias sociedades libertárias, inclusive a maçonaria, mas o maior destaque ficou com Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, jangadeiro que impulsionou o abolicionismo ao comandar seus companheiros, em 1881, numa total recusa a transportar escravos para dentro ou fora da província.[11] A primeira cidade brasileira a abolir a escravatura foi Acarape, atual Redenção, em 1º de janeiro de 1883. Devido a isso, o Ceará recebeu a alcunha de Terra da Luz, de início por José do Patrocínio. A escravidão, que jamais fora dominante no estado, estava praticamente extinta nos anos de 1880, de forma que não houve resistência à abolição mesmo por parte da elite agrícola.

Primeira República e Estado Novo[editar | editar código-fonte]

Soldados das forças juazeirenses

No início da Primeira República, apesar das estiagens que assolaram o Ceará, Fortaleza continuou a desenvolver-se econômica e politicamente, ao contrário do resto do estado. Ocorre nas primeiras décadas do século XX um afluxo de imigrantes, embora pequeno em relação ao de outras regiões, consistindo principalmente de portugueses e sírio-libaneses.[40] Os descendentes destes, em particular, ganharam grande destaque no comércio, como mascates, e, futuramente, na política cearenses.[41]

Começou a ganhar destaque a atividade dos cangaceiros, que, agindo em grupos organizados e promovendo saques em cidades e propriedades rurais, desestabilizaram o interior do Nordeste por décadas. A forte religiosidade popular e a grande miséria estimulavam uma profusão de líderes messiânicos e formas de fanatismo religioso. O cearense Antônio Conselheiro, de Quixeramobim, chegou a formar, na Bahia, o arraial de Canudos, cuja forte atração populacional e ideológica, contrária aos interesses da elite fundiária, deflagrou a Guerra de Canudos.[42] Isso, porém, não extinguiu a influência dos líderes religiosos.

Entre 1896 e 1912, a hegemonia política foi concentrada nas mãos do comendador Nogueira Accioly e de sua família, que estabeleceram uma poderosa oligarquia que comandava a maior parte dos escalões do poder estadual. Em 1912, Accioly apontara como seu candidato Domingos Carneiro, contra Franco Rabelo, representante da política do salvacionismo do presidente Hermes da Fonseca, gerando uma conturbada campanha eleitoral. A dura repressão policial a uma passeata de crianças em favor de Rabelo, que causou a morte de algumas delas e feriu outras, desencadeou uma revolta de três dias da população fortalezense, forçando o governador Accioly a renunciar, evento conhecido como Sedição de Fortaleza. Franco Rabelo passou a governar o Ceará.[43]

A Rede de Viação Cearense surgiu em 1909 e foi federalizada em 1915 para ajudar no combate à seca

No fim do século XIX]] o carismático Padre Cícero passou a atrair milhares de sertanejos para um pequeno distrito do Crato, que se tornaria Juazeiro do Norte em 1911, persuadidos pela sua fama de milagreiro, atribuída à suposta transformação em sangue da hóstia recebida do padre pela beata Maria de Araújo. Mesmo após a perda de sua ordenação, em virtude de controvérsias sobre o milagre, o Padre Cícero tornou-se cada vez mais conhecido e, apesar de seu caráter messiânico, foi hábil em evitar grandes conflitos com a elite local, tornando-se ele próprio um poderoso chefe político. Em 1914 irrompeu a Sedição de Juazeiro, opondo o governador interventor Franco Rabelo e o Padre Cícero, que havia conquistado os postos de prefeito de Juazeiro do Norte e vice-governador.[44] Rabelo iniciou uma perseguição ao líder religioso. Com isso, liderados por Floro Bartolomeu, os sertanejos fiéis ao Padim Ciço reuniram-se para lutar contra as tropas estaduais, conseguindo derrotá-las em sua cidade e fazê-las recuar até Fortaleza, onde, vencendo, destituíram o governador. Estabeleceu-se um relativo equilíbrio entre as oligarquias cearenses, que durou até a Revolução de 30.

Sobreviventes do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, um dos eventos mais cruéis da história cearense

Em 1915 o Ceará sofreu com uma gravíssima seca levando a novo êxodo da população para a Amazônia, região que, devido à intermitente mas significativa emigração, recebeu grande influência de cearenses. A gravidade da seca inspirou a escritora Rachel de Queiroz em sua famosa obra O Quinze. O sertão sofreu mais uma estiagem em 1932, e o governo estadual não pôde dispor mais da Amazônia como refúgio para os flagelados.

Diante disso, os campos de Concentração no Ceará que já foram usados na estiagem de 1915, foram recriados.[45] [46] Conhecidos como Currais do Governo,[47] tinham como objetivo, impedir que os retirantes que fugiam da seca e da fome, chegassem às grandes cidades. A instabilidade política e social foi crescendo no Estado. Nos anos 1930, surgiu no Crato o movimento messiânico do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, liderado pelo beato José Lourenço.[48] Igualitária e agrária, a comunidade do Caldeirão perseguia a auto-suficiência, passando a ser vista pelo governo e pelos fazendeiros poderosos da região como uma má influência. Em 1937 o Caldeirão foi invadido e alvo de bombardeio aéreo, resultando no massacre de aproximadamente 400 indivíduos.

Após a Revolução de 1930, o Ceará passou a ser governado por interventores do Governo Federal.[49] Ascenderam duas organizações políticas que dominaram o cenário estadual: a Legião Cearense do Trabalho, com nítida influência fascista, e a Liga Eleitoral Católica, fortemente religiosa, representante da elite tradicional e de grande apelo popular. Nos anos 1940 mais uma seca (1943) assolou o Ceará, e, com a Segunda Guerra Mundial e os Acordos de Washington, o governo de Getúlio Vargas incluiu o Ceará no seu projeto político. A instalação de uma base norte-americana em Fortaleza trouxe ideais democráticos e antifascistas que passaram a ser defendidos em várias manifestações. Sob uma forte propaganda governamental de migração (SEMTA), cerca de 30 mil cearenses tornaram-se Soldados da Borracha, produzindo esse produto na Amazônia para abastecer os exércitos aliados.[50]

República Nova[editar | editar código-fonte]

Vista da atual sede do Banco do Nordeste, instalado em Fortaleza em 1954

A República Nova no Ceará tem início com a nomeação sucessiva de seis interventores até as eleições de 1947, seguindo-se a eleição de Faustino de Albuquerque pela UDN. Durante seu governo, nas eleições presidenciais de 1950, o candidato udenista Eduardo Gomes obteve a maior votação, e Getúlio Vargas ficou na 3ª colocação no estado.[51] Para a direção do governo estadual é eleito Raul Barbosa. Durante seu governo houve a instalação do Banco do Nordeste do Brasil (1952) em Fortaleza. No mesmo ano o governo federal inaugurou oficialmente o Porto do Mucuripe, em cujo entorno foram instaladas várias usinas termoelétricas.

Durante a década de 1950 surgiram ou se consolidaram vários dos maiores grupos econômicos do Ceará, como Deib Otoch, J. Macêdo, M. Dias Branco, Edson Queiroz e Jereissati. Paulo Sarasate foi o terceiro governador eleito no período. Ainda nessa década tem início uma nova onda migratória para vários estados e regiões. Entre as décadas de 1950 e 1960, a população cearense passou de 5,1% para 4,5% do total da população brasileira.[52] Em 1958 foi eleito Parsifal Barroso que teve a ajuda do governo federal para combater as mazelas decorrentes da seca daquele ano, sendo a principal obra o Açude Orós, inaugurado em 1961. Em Fortaleza o Grupo Severiano Ribeiro inaugurou o Cine São Luis. Em 1962, foi criado o Banco do Estado do Ceará (BEC).[53]

Em 1963 Virgílio Távora foi eleito governador do Ceará, exercendo o mandato até 1966, mesmo com o surgimento da ditadura militar em 1964. Seu governo foi marcado pela criação do "PLAMEG I" - Plano de Metas do Governo - que visou à modernização da estrutura do estado com a ampliação do porto do Mucuripe e a transmissão da energia de Paulo Afonso para a capital.[54] Foram criados ou instalados, também, o Distrito Industrial de Maracanaú, a CODEC e a Companhia DOCAS do Ceará. Com o AI-2, Virgílio aderiu à ARENA, e seu vice Figueiredo Correia ao MDB.

Governo militar[editar | editar código-fonte]

Vista do litoral de Fortaleza na década de 1980 vendo-se o monumento ao Interceptor oceânico

Plácido Castelo foi eleito pela Assembleia Legislativa em 1966. Durante seu governo houve perseguição política a deputados e várias manifestações, acarretando a prisão e tortura de estudantes e trabalhadores, assim como atentados a bomba em Fortaleza.[55] Foi criado o Banco de Desenvolvimento do Ceará (BANDECE) e pavimentada a rodovia CE-060, a "estrada do algodão". Também tiveram início as obras do estádio Castelão.

Durante o governo de César Cals (1971-1975) se sucedeu o auge da repressão militar. Vários cearenses de esquerda estiveram envolvidos na Guerrilha do Araguaia.[56] Cals procurou governar tecnocraticamente, formando sua própria facção política e rompendo com Virgílio Távora. Seu sucessor, Adauto Bezerra (mandato de 1975 a 1978) não acontecem grandes mudanças. Adauto volta-se politicamente para o interior com a criação de uma secretaria de assuntos municipais. Renuncia seu mandato para se eleger deputado federal. O vice-governador Waldemar Alcântara toma posse e termina o mandato.

Virgilio Távora retorna ao governo em 1979, sendo o último eleito indiretamente, e resgata seu primeiro governo com a criação do PLAMEG II. Estabelece o Fundo de Desenvolvimento Industrial para complementar o sistema de incentivos regionais à indústria, impulsionando uma industrialização muito concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza.[57] Criou-se o PROMOVALE (projetos de irrigação), e sua esposa, Luiza Távora, programou projetos sociais como a Central de Artesanato do Ceará. Seu governo foi marcado pela ausência, quase que total, de oposição na Assembleia, nomeações aproximadas de 16.000 pessoas para cargos públicos e várias greves. Em 1983, Gonzaga Mota foi eleito pelo voto popular, rompendo com os coronéis anteriores para criar seu próprio grupo político. Seu rompimento rendeu-lhe ataques do regime militar com a suspensão de verbas federais.

Nova República[editar | editar código-fonte]

Tasso Jereissati foi governador por três vezes e liderou o chamado "Governo das Mudanças" no Ceará.

A Nova República coincide no Ceará com a eleição de Maria Luiza para o cargo de prefeita de Fortaleza em 1985. Foi a primeira prefeita de capital estadual eleita pelo Partido dos Trabalhadores e a primeira mulher a ser eleita para esse cargo após o regime militar. A insatisfação com a política praticada durante a ditadura militar e o movimento de redemocratização impulsionaram as transformações no poder político, com a decadência da hegemonia tradicional do coronelismo.[58]

Gonzaga Mota deixou o governo com pagamentos atrasados ao funcionalismo e descontrole nas contas públicas.[59] Rompido com os antigos aliados, Mota, junto com partidos de esquerda e o PMDB, apóia a candidatura oposicionista liderada pelo jovem empresário Tasso Jereissati, que conseguiu se eleger com a promessa de modernizar a administração pública e as finanças, combater o clientelismo dos governos anteriores, moralizar a administração pública e desenvolver a economia estadual. A nova gestão se autodenominou como "Governo das Mudanças".[60] Nas duas décadas seguintes, o projeto avançou com a eleição de Ciro Gomes, seguida de um segundo mandato de Tasso Jereissati. Com a instituição da reeleição no país, Tasso ainda governou o Estado pela terceira vez, tornando-se o primeiro político a conseguir tal fato em mais de 100 anos de história republicana.[58] Nas duas décadas seguintes, Jereissati e seus aliados passaram a deter a hegemonia política no Estado, e rapidamente perdem a aliança com partidos mais à esquerda.[58] Ciro Gomes, então prefeito de Fortaleza, se candidatou e foi eleito em 1990 para o cargo de governador, apoiado por Tasso.

Os "Governos das Mudanças" priorizaram o aumento das receitas, visando a investimentos públicos e privados em infra-estrutura e nos setores industrial e de serviços, enquanto o agropecuário permanece à margem. Politicamente, há uma relativa diminuição de poder dos "coronéis", com ampliação do poder do grande empresariado. O saneamento das contas estaduais - atingido, em parte, pelo propósito de diminuir as despesas através de reformas administrativa e financeira, bem como de demissões e achatamento salarial no funcionalismo público - garantiu superávits entre 1988 e 1994, mas com a consolidação do Plano Real volta-se a uma predominância de déficits.[59]

Tasso foi eleito novamente em 1994 e reeleito em 1998, concentrando os esforços governamentais em grandes obras, como o Porto do Pecém, o novo Aeroporto Internacional de Fortaleza, o Açude Castanhão, o Centro Cultural Dragão do Mar e o Canal da Integração. O terceiro "Governo das Mudanças" (1994-1997) se caracterizou pela privatização de algumas empresas estatais e extinção de órgãos, enxugando a máquina, reformando a Previdência estadual e dando maior racionalidade aos gastos públicos.[59] Lúcio Alcântara, eleito com o apoio de Tasso, continuou, em linhas gerais, o modelo político anterior, mas não conseguiu se reeleger em 2006, quando rompeu com o PSDB, posteriormente mudando para o Partido da República. Cid Gomes, do PSB, ex-prefeito de Sobral e aliado histórico de Tasso, venceu a disputa, com o apoio do PT, que em Fortaleza, já havia vencido com Luizianne Lins, eleita em 2004 mesmo sem apoio real do partido, o qual, devido às alianças partidárias nacionais, apoiou o candidato Inácio Arruda, do PC do B.[61] Em 2008, Luizianne Lins foi reeleita.

O Estado se beneficiou também da guerra fiscal, que então se iniciava, o que, somada à mão-de-obra barata, atraiu várias indústrias, as quais se concentraram em algumas poucas cidades. O crescimento médio do PIB, de 4,6%, foi superior à média nacional e nordestina nos anos 1990, continuando a tendência iniciada na década de 1970.[62] As ações do governo, aliado aos esforços do empresariado local, e os incentivos de instituições de grande importância na história econômica recente do Ceará, como o BNB e a Sudene, foram determinantes para tal desempenho.

O forró eletrônico se popularizou na década de 1990, e o Ceará começou a despontar, seguindo a tendência do litoral nordestino, como grande polo de turismo. Ao longo dessa década, com ações como o Programa de Saúde da Família (PSF), o Estado também realizou grandes avanços na redução da mortalidade infantil. A migração em direção a Fortaleza segue forte.[63] A segurança pública tornou-se muito mais problemática entre 1990 e 2003, com a taxa de homicídios subindo de 8,86 para 20,15 por 100 mil habitantes.[64]

Apesar de vários avanços na saúde e educação básicas e do crescimento econômico estável, a chamada Era Tasso não alterou a estrutura socioeconômica problemática do Ceará, em especial a concentração de renda,[58] que piorou entre 1991 e 2000,[65] a má distribuição fundiária e a enorme disparidade regional (sobretudo entre a capital e o interior). Em 1999, segundo o Banco Mundial, metade dos cearenses viviam abaixo da linha de pobreza.[59] No início do século XXI]], consolidou-se a tendência de queda na tradicional emigração de cearenses, que, no período 2001-2006, reverte-se para um saldo positivo de 38,3 mil pessoas, o que se atribui à melhoria das condições de vida e à maior estabilidade proporcionada por programas sociais, que permitiram a fixação do pobre em sua terra e o retorno de parte dos emigrantes.[66]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista da Chapada do Araripe a partir do seu sopé no Crato

O Ceará é cercado por formações de relevo relativamente altas: chapadas e cuestas: a oeste é delimitado pela Serra da Ibiapaba; a leste, parcialmente; pela Chapada do Apodi; ao sul pela Chapada do Araripe; e ao Norte pelo Oceano Atlântico. Daí o nome de Depressão Sertaneja à área central.[67]

O estado está no domínio da caatinga, com período chuvoso restrito a cerca de quatro meses do ano e alta biodiversidade adaptada.[68] A sazonalidade característica desse bioma se reflete em uma fauna e flora adaptadas às condições semiáridas. Consequentemente, há grande número de espécies endêmicas,[69] sobretudo nos brejos e serras, isolados pela caatinga e refúgios da flora e fauna de matas tropicais úmidas.[70] Na Serra de Baturité, por exemplo, 10% das espécies de aves são endêmicas.[71] O soldadinho-do-araripe foi descoberto em 1996 na Chapada do Araripe e só é encontrado nessa região. Dentre as aves, são ainda característicos o uirapuru-laranja e a jandaia. Destacam-se, na flora cearense, a carnaúba, considerada um dos símbolos do estado e também importante fonte econômica e a zephyranthes sylvestris,[72] flor original do habitat cearense.

As regiões mais áridas se situam na Depressão Sertaneja, a oeste e sudeste. Próximo ao litoral, a influência dos ventos alísios propicia um clima subúmido, onde surge vegetação mais densa, com forte presença de carnaubais, os quais caracterizam trechos de mata dos cocais. O clima também se torna subúmido, com caatinga mais densa e maior pluviosidade, nas adjacências das chapadas e serras.[73]

Vista panorâmica na cidade serrana de Guaramiranga, no Maciço de Baturité

Enquanto as chapadas e cuestas são de origem sedimentar, as serras e os inselbergs que abundam em meio à Depressão Sertaneja são de formação cristalina. Dentre os relevos sedimentares, apenas a Chapada do Araripe (com altitudes que vão de 700 m até mais de 900 m) e a Serra da Ibiapaba (com altitude média de 750 m) possuem altura suficiente para permitir a ocorrência freqüente de chuvas orográficas, o que lhes confere maior pluviosidade. As pluviosidades, bem mais intensas do que na Depressão Sertaneja, variam de 1000 mm a mais de 2000 mm anuais.[74]

A carnaúba é a árvore símbolo do Ceará e ocupa grandes extensões no sertão.

Por outro lado, a altitude na Chapada do Apodi não ultrapassa os 300 m, de modo que as características semiáridas ainda predominam nela. Dentre as serras de origem cristalina, as que têm de 600m a 800m de altitude média (caso do Maciço de Baturité, da Serra da Meruoca e da Serra de Uruburetama) também são favorecidas pelas chuvas orográficas, surgindo aí vegetação tropical densa, chuvas mais frequentes e maior umidade, em especial na sua vertente de barlavento. Em Catunda, na Serra das Matas, encontra-se o ponto mais elevado do estado, o Pico da Serra Branca, com 1.154 metros.[75] Nas serras pouco elevadas, surge vegetação semelhante às das vertentes de sotavento das serras úmidas, isto é, uma vegetação similar à caatinga mas bastante mais densa e com distinções na fauna e flora, conhecida como mata seca.

Existe ainda o carrasco, vegetação xerófila peculiar, que surge no reverso da Chapada da Ibiapaba e do Araripe, áreas mais secas, caracterizando-se por uma flora arbustiva e arbórea predominantemente lenhosa, ao contrário da caatinga. O carrasco distingue-se ainda da caatinga pela quase inexistência de cactos e bromeliáceas. Alguns se referem a essa vegetação como uma espécie de transição entre o cerrado, a floresta tropical e a caatinga.[76]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O Rio Jaguaribe, com 633 km de extensão, é o principal rio cearense

O território cearense é dividido em sete bacias hidrográficas sendo a maior delas a do rio Jaguaribe. Sua bacia hidrográfica compreende mais de 50% do estado. O rio tem 610 km de extensão. Os dois maiores reservatórios de água do Ceará são barragens que represam o Jaguaribe: Açude Orós e Açude Castanhão com as respectivas capacidades de armazenamento 2,1 e 6,7 bilhões de metros cúbicos. Os afluentes mais importantes do rio Jaguaribe são os rios Salgado e Banabuiú.[77]

As outras bacias são: do rio Acaraú com um dos maiores reservatórios do estado, o açude Araras com capacidade para um bilhão de metros cúbicos;[78] do rio Coreaú; do rio Curu; do litoral, que drena boa parte do litoral norte oeste onde os principais rios são Aracatiaçu, Aracatimirim, Mundaú e Trairi; na região metropolitana onde os principais rios são Ceará, Cocó, Pacoti e Choró; e parte da bacia do rio Parnaíba.[79]

O estado encontra-se com 92,99% de seu território dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).[80]

Litoral[editar | editar código-fonte]

No litoral, que se estende por 573 km, predominam os mangues e restingas, vegetação litorânea típica, além de áreas sem vegetação recobertas por dunas.[81] Mesmo com altitudes muito pouco elevadas, as pluviosidades e a umidade são maiores que na Depressão Sertaneja. As temperaturas médias variam de 22 °C a 32 °C. A planície litorânea possui geografia diversificada, o que faz com que o estado possua praias com coqueirais, dunas, barreiras (também chamadas falésias por muitos) - paredões sedimentares que acompanham a faixa da costa e, em alguns trechos, possuem tons coloridos - e áreas alagadas de manguezal, onde há grande biodiversidade.

As praias mais famosas do Ceará são: a Praia de Jericoacoara, a Praia de Canoa Quebrada e a Praia de Porto das Dunas, dentre outras, as quais se destacam por alcançar fama internacional. Regionalmente, outras praias destacadas são: a Praia das Fontes, Morro Branco, Icaraí, Presídio, Baleia, Flecheiras, Cumbuco e Lagoinha. O litoral cearense é atravessado por duas rodovias, a Costa do Sol Nascente e a Costa do Sol Poente, que, a partir de Fortaleza, direcionam-se para o litoral leste e oeste, respectivamente.[82]

Proteção ao meio ambiente[editar | editar código-fonte]

A paisagem repleta de monólitos que caracteriza o sertão próximo a Quixadá.

No Ceará existem dois parques nacionais. O Parque Nacional de Ubajara criado em 30 de abril de 1959 e até recentemente era o menor parque em área, com 563 ha, passando a ter atualmente 6.299 ha. Abriga em seu interior a Gruta de Ubajara e um bonde de acesso à gruta, sua maior atração. O segundo é o Parque Nacional de Jericoacoara, criado em 2002 para preservar as praias e dunas da região, cujo principal atrativo é a Pedra furada. Outras áreas de preservação ambiental importantes são as florestas nacionais do Araripe (a primeira Floresta Nacional do Brasil, estabelecida em 1946) e de Sobral. Existe, ainda, a Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, com 10.000 km², que se estende por 38 municípios do Ceará, Pernambuco e Piauí.[83]

A Depressão Sertaneja

O Governo do Ceará mantém 13 áreas de conservação. O Parque Ecológico do Cocó e o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio são os únicos parques estaduais do Ceará, sendo o Parque do Cocó o primeiro a ser criado, em 1989, dentro da área urbana de Fortaleza, abrigando o bioma de mangue. Em todo o Ceará existem 58 áreas de proteção ambiental sendo 20 estaduais, 11 federais, 13 municipais e 14 particulares.[84]

Os ecossistemas do Estado estão profundamente danificados e muito pouco preservados.[85] As regiões de floresta tropical e cerrado, nas serras e chapadas de elevada altitude, possuem grande concentração demográfica, intenso uso para fins agropecuários e, comparativamente, pouca preservação e fiscalização ambiental. Os crimes ambientais são praticados constantemente em áreas como a APA Araripe - sobretudo as queimadas e retirada de lenha - e não podem ser reprimidos devido ao parco efetivo de fiscais, dentre outros motivos.[86] Atualmente a mata atlântica ocupa apenas 1,2% do território do Estado, tendo sido bem mais extensa no passado, mas 44% do restante está em áreas de preservação, o que, porém, não tem garantido sua total conservação.[87]

Em situação ainda mais grave está a extensa caatinga cearense, que conta com uma ínfimos 0,45% de preservação, embora represente, em suas variadas formas, 92% do território estadual.[88] 80% da caatinga cearense está devastada,[89] e muitas das áreas restantes, apesar de aparentemente conservadas, não passam de formas vegetais secundárias menos ricas e alteradas pela substituição de espécies vegetais, o que acarreta graves prejuízos para o solo e os já escassos recursos hídricos. A desertificação avança no Estado e atinge níveis preocupantes, sobretudo em Irauçuba.[90]

Clima[editar | editar código-fonte]

Gráfico climático para Viçosa do Ceará
J F M A M J J A S O N D
 
 
149
 
29
18
 
 
256
 
27
18
 
 
348
 
26
17
 
 
288
 
26
17
 
 
155
 
26
18
 
 
52
 
27
17
 
 
22
 
27
17
 
 
6
 
28
17
 
 
4
 
29
18
 
 
7
 
30
18
 
 
18
 
30
18
 
 
57
 
30
18
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: [91]

O clima é predominantemente semiárido, com pluviosidades que, em trechos da região dos Inhamuns, podem ser menor que 500 mm, mas também podem se aproximar de 1.000 mm em outras áreas caracterizadas pelo clima semiárido brando (presente, por exemplo, na área semiárida do Cariri e nas cidades relativamente próximas à faixa litorânea). A temperatura média é alta, com pequena amplitude anual de aproximadamente 5 °C,[92] girando entre meados de 20 °C no topo das serras a até 28 °C nos sertões mais quentes.[93] No interior, a amplitude térmica diária pode ser relativamente grande devido à menor umidade.[94]

Em todo o estado, os dias mais frios ocorrem geralmente em junho e julho e os mais quentes, entre outubro e fevereiro.[74] Nas áreas serranas, onde impera o clima tropical semi-úmido e, em altitudes mais elevadas, úmido, as temperaturas são mais baixas, com média de 20 °C a 25 °C,[74] podendo ter mínimas anuais entre 12 °C e 16 °C.[93] Surgem aí vegetações de cerradão e floresta tropical, e as pluviosidades são mais altas, superando os 1.000 mm. Essas áreas contêm mananciais que banham os sopés dessas regiões, tornando-os propícios à atividade agrícola. É nas serras e próximo a elas, assim como nas planícies aluviais, que se concentra a maior parte da população do interior cearense, com densidades superiores a 100 hab./km², por exemplo, em boa parte do Cariri cearense.[95]

No litoral, o clima tropical subúmido possui pluviosidades normalmente entre 1.000mm e 1.500mm. As temperaturas são bastante elevadas, com médias de 26 °C a 28 °C, mas a amplitude térmica é bastante pequena.[74] No geral, as temperaturas variam, durante o dia, de mínimas de 23 °C - 24 °C até máximas de 30º - 31 °C. É raro as temperaturas ultrapassarem os 35 °C na região litorânea, ao contrário do que ocorre no Sertão cearense.

Secas[editar | editar código-fonte]

O clima do Ceará é marcado pela aridez. As secas são periódicas, e, desde que a ocupação territorial foi consolidada, a população tenta resolver o problema da escassez de água. A Seca de 1606 foi a primeira a marcar a história da ocupação do território. Outras secas importantes foram as registradas em 1777 e 1778, responsáveis pelo enfraquecimento da indústria das charqueadas, que teve seu golpe final no período de grandes secas entre 1790 e 1794.[96]

Imagem da parede do Açude do Cedro

Durante as décadas seguintes, até 1877, o Ceará viveu relativa tranquilidade, sem estiagem, até que naquele ano e nos dois seguintes uma grande seca prejudicou fortemente a agropecuária no estado.[97] No início dessa, o senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil publicou o primeiro livro sobre esse problema climático, intitulado "O clima e secas no Ceará". Nessa época foi iniciada a construção do Açude do Cedro, em Quixadá, como medida para minimizar a falta de água, mas a obra só foi finalizada na Primeira República.

No começo do século XX foi criada a "Inspetoria de Obras Contra as Secas" que mais tarde passaria a ser o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, com sede em Fortaleza para realizar estudos, planejamentos e obras contra as estiagens, em 1909.[98] Várias barragens foram construídas em todos os estados do Nordeste. Na década de 1930, foi criado o Polígono das secas: quase a totalidade do território cearense está inserido nele.

Atualmente existem muitos órgãos do governo cearense voltados para a problemática do clima. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos juntamente com a Superintendência de Obras Hidráulicas são os órgãos que fazem a gerência de várias barragens e o planejamento de adutoras e canais. A Fundação Cearense de Meteorologia é a responsável pelo monitoramento climático. Finalmente o órgão central é a Secretaria dos Recursos Hídricos que faz toda a estruturação de metas e planos para combater a seca no Ceará.[99]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 721 686
1890 805 687 11,6%
1900 849 127 5,4%
1920 1 319 228 55,4%
1940 2 091 032 58,5%
1950 2 695 450 28,9%
1960 3 337 856 23,8%
1970 4 491 590 34,6%
1980 5 380 432 19,8%
1991 6 362 620 18,3%
2000 7 418 476 16,6%
2010 8 452 381 13,9%
Fonte: IBGE[100]

O povo cearense foi formado pela miscigenação de indígenas catequizados e aculturados após longa resistência, colonizadores europeus e negros que viviam como trabalhadores livres ou escravos.[101] O povoamento do território foi bastante influenciado pelo fenômeno natural da seca.

Segundo estimativas do IBGE (2008), a população cearense é de aproximadamente 8.778.575 habitantes, o que confere ao estado uma densidade de 58,99 hab./km².[2] Há forte concentração populacional na microrregião de Fortaleza (que inclui municípios da Região Metropolitana de Fortaleza), com 3.255.701 habitantes; na do Cariri, com 519.055 habitantes; e na de Pacajus, com 98.390 habitantes. Somadas, possuem 7.875,767 km² (5,3% do total) e 3.873.146 habitantes (46% do total) o que lhes confere uma densidade populacional de 491,78 hab./km².[2]

As cidades mais povoadas do Estado estão nessas regiões: Fortaleza (8.001,4 hab./km²), Maracanaú (1.908,2), Juazeiro do Norte (1.005,1) e Pacatuba (542,5), respectivamente.[102] Entre 1998 e 2008, persistiu a concentração da população na Região Metropolitana de Fortaleza, que cresce a ritmo mais acelerado que a média estadual (1,75% contra 1,25%, respectivamente).[103]

A transição demográfica tem ocorrido rapidamente no estado: a taxa de natalidade, que nos anos 1970 era bastante alta, caiu para 17,96‰ em 2008, e a taxa de mortalidade nesse ano estava em 6,41‰. A taxa de fecundidade em 2009 foi de 2,15 filhos por mulher, ligeiramente acima da taxa de reposição da população, o que representou um aumento em relação a 2008, fazendo o Ceará apresentar uma taxa superior à média nordestina.[4] A taxa de crescimento demográfico caiu de uma média de 2,6% na década de 1950 para 1,73% durante os anos 1990. Com a transição demográfica em curso, a proporção de idosos no conjunto da população aumentou de 2,4% em 1950 para 6,72% em 2004, e já em 2009 10,5% dos cearenses possuíam 60 anos ou mais.[4] Em sentido contrário, os jovens de 0-14 anos passaram de 45,7% em 1950 para 28,9% em 2006.[104]

Praça Matriz de Itapipoca

A taxa de urbanização, que em 1940 era de 22,7%, foi estimada em 2006 em 76,4%, tendo se acelerado muitíssimo nas últimas décadas (só em 1980 a população urbana passou a ser majoritária, com 53,1%).[104]

A religião é muito importante para a maior parte da população cearense. O estado é o terceiro mais católico do País, em termos proporcionais, com 86,7% da população seguindo o catolicismo. Em seguida, vêm os protestantes, somando 9,01%; os que não possuem nenhuma religião, com apenas 2,82%; e os fiéis de outras religiões, com 1,34%.[105]

Quixadá é uma das principais cidades do interior semi-árido do Ceará.

A expectativa de vida do cearense foi de 71,0 anos em 2009, com uma das maiores diferenças do País entre os homens (66,8 anos, 0,1 ano a menos que a média nordestina) e as mulheres (75,4 anos, 1,3 ano a mais que a média nordestina). O valor atual representa uma melhora de 5,3% em relação à de 1999 (67,4 anos). Assim, o estado acompanhou e até superou o aumento geral da esperança de vida do brasileiro, que foi de 4,4% (passando de 70,0 para 73,1 anos no mesmo período). Ainda assim, está muito inferior à maior expectativa de vida do País, que é a do Distrito Federal (75,8 anos).[4]

O Ceará foi o estado que mais diminuiu a mortalidade infantil de 1980 a 2006, atingindo 30,8 por mil a partir da altíssima taxa de 111,5 por mil de 1980. Houve, portanto, uma redução de 72,4%. Ainda assim, o Ceará em 2008 estava acima da taxa de mortalidade nacional de 24,9 por mil. Por outro lado, dentre os estados nordestinos, só perde para o Piauí (29,3 mortes por mil nascimentos). Seu desenvolvimento humano, contudo, ainda é muito incipiente, embora tenha gradualmente avançado: de um IDH de 0,604 em 1991, passou a 0,723 em 2005. O componente do IDH que mais avançou foi o da Educação, que passou de 0,604 para 0,808 no mesmo período, sobretudo devido ao grande aumento da matrícula de jovens.[106]

Em 2008, o Ceará atingira índices sociais mais altos que a média do Nordeste em diversos aspectos, como a expectativa de vida, escolaridade média e analfabetismo funcional, e apresentava tendência à diminuição de sua disparidade com relação à média do Brasil, superando já o índice nacional no tocante ao desemprego, ao índice de Gini e à razão entre os 10% mais ricos e os 50% mais pobres da população, denotando uma desigualdade de renda que, outrora maior que a brasileira, tornou-se ligeiramente menor a partir de 2006.[103] Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de 2011, o Ceará em 2009 havia se tornado o Estado com mais alto desenvolvimento da Região Nordeste e o 12º do Brasil, com índice 0,7129.[107]



Etnias[editar | editar código-fonte]

Mapa indicando a presença indígena contemporânea no Ceará

Em 2008, a distribuição da população cearense por cor era a seguinte: 33,05% se autodeclaravam brancos, acima dos 30,02% verificados na contagem de 1998; 3,03% se diziam negros, muito acima dos 1,22% em 1998; e a proporção de pardos diminuiu, contabilizando 63,39% a partir dos 68,69% de 1998. Em proporção, o Ceará tem mais brancos e menos negros que a média nordestina, embora a proporção de pessoas que se autodeclaram negras tenha aumentado bastante.[103]

Etnias Indígenas Pessoas[108]
Tremembé 3024
Anacé 1282
Tapeba 6439
Pitaguary 3857
Jenipapo-Kanindé 303
Kanindé 713
Kariri 116
Tupinambá 40
Potiguara 3531
Tabajara 2982
Kalabaça 229
Tubiba-Tapuia 105
Gavião 60
Total 22579

Devido às características econômicas que sempre predominaram no Ceará (a pecuária, atividade bastante móvel, e a cotonicultura) e aos aspectos naturais da terra (como o regime periódico de secas, que gerava graves situações de escassez de alimentos em várias áreas sertanejas), a escravidão africana não vicejou no Estado. Dessa forma, a população negra cearense sempre foi relativamente pequena. Vários negros, contudo, migraram para o Ceará como homens livres, aí fincando raízes.[109] Estudos indicam que a maior parte dos negros cearenses tinham origem em povos bantus e do Benim.[110]

Em 1864, havia apenas 36 mil cearenses escravos, número que, em 1887, reduzira-se para apenas 108 (observe-se que, em 1872, a população total estava em 721 686 habitantes[111] ). Em 1813, os escravos representavam 11,5% dos cearenses, dos quais 63% eram negros.[112] Comparando-se com estados escravistas próximos, constata-se quão pouco importante era a escravidão na sociedade do Ceará: em 1864, Pernambuco tinha 260 mil escravos, permanecendo ainda com 41 122 em 1887; e a Bahia, 300 mil escravos em 1864 e 76 838 escravos restantes em 1887.[113]

A constituição étnica do povo cearense remonta há muitos séculos. O censo de 1813 mostra uma configuração já tendente à atual, com predominância de pardos: 28% de brancos, 6% de indígenas, 16% de negros e 50% de pardos.[112] Assim, predominam os mestiços, descendentes, em sua maior parte, de brancos e índios, mulatos e caboclos que viviam como vaqueiros, moradores de fazendas, pescadores, dentre outros. Os brancos, em sua grande maioria, descendem de portugueses, com pequena contribuição de holandeses, espanhóis, sírio-libaneses (estimam-se 5 mil descendentes no Estado[114] ) e outros, mas grande parcela dos brancos também possui ancestralidade multiétnica como em todo o Brasil.

Cor/Raça Porcentagem[115]
Brancos 33,7%
Negros 2,4%
Pardos 63,5%

Segundo dados do estudo Frequência de Antígenos HLA em uma Amostra da População Cearense, realizado pelo professor Henry Campos, titular da disciplina de Medicina Clinica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, revelou que há um predomínio nítido de um antígeno no grupo de cearenses, que não é o mesmo presente nas populações de negros e portugueses.[116] Comparado esse estudo com outros semelhantes realizados em Pernambuco e Bahia, confirma-se que a predominância indígena no Ceará é relevante.

O Ceará tem, atualmente, quinze etnias indígenas nativas reconhecidas. A população estimada dessas etnias é de 22 500 índios, de acordo com dados do Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (FUNASA). No Ceará muitas pessoas desconhecem a existência dos índios, pois políticas oficiais, durante muito tempo, obrigaram os indígenas a esconderam sua identidade. Um decreto da Assembleia Provincial do Ceará, datado de 1863, declarou que não havia índios na província.[117] Então eles passaram a ser desacreditados, perseguidos e tiveram suas terras invadidas. Somente na década de 1980, os índios cearenses começaram a reivindicar seus direitos de posse de terra e o reconhecimento de suas etnias.

Política[editar | editar código-fonte]

Palácio Iracema, antiga sede do governo estadual

O poder executivo é exercido pelo governador do Ceará Cid Gomes (eleito em 2006 para o período de quatro anos 2007 - 2010, e releito em 2010 para o periodo de 2011 a 2014) e todas as secretarias de estado, órgãos vinculados e a administração indireta. Exemplos de órgãos que integram essa administração são: Secretaria da Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará e o Departamento de Edificações e Rodovias do Ceará. A administração indireta é feita por autarquias, empresas públicas e fundações tais como: Escola de Saúde Pública do Ceará, Companhia de Água e Esgoto do Ceará e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico.[118]

O poder Legislativo é exercido pela Assembléia Legislativa do Estado do Ceará que é composta por 46 deputados.[119] O legislativo estadual fiscaliza as contas públicas do executivo bem como aprova e regula todas as leis com jurisdição no território do Ceará. A TV Assembléia é um órgão de comunicação da assembléia do Ceará que divulga as ações desta instituição. Na função de fiscal das atividades do poder executivo a assembleia do Ceará é auxiliada por dois tribunais de contas: Tribunal de Contas do Estado do Ceará, fiscal do governo estadual, e Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará, fiscal das prefeituras, que também auxilia as câmaras municipais nessa tarefa.[120] Mesmo com a atividade desses tribunais e do poder legislativo a corrupção é preocupação marcante na sociedade e na mídia que constantemente reclamam de atividades suspeitas e em época de eleição.[121] [122]

O Judiciário cearense tem como instância máxima o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará composto por 27 desembargadores.[123] O Fórum Clóvis Beviláqua, da comarca de Fortaleza, é o maior fórum subordinado ao Tribunal cearense. Atualmente 139 municípios são sedes de comarca sendo 45 vinculadas, 49 de primeira entrância, 40 de segunda entrância, 49 de terceira entrância e Fortaleza que é uma comarca especial. O Ministério Público do Estado do Ceará é a instituição que de forma autônoma auxilia o estado na garantia da justiça e do direito.

O sistema correcional é composto por quatro penitenciárias, dois presídios, duas colônias agrícolas, uma casa de albergado, duas casas de custódia, dois hospitais, e 131 cadeias públicas. Este sistema estava abrigando em 2008 um contingente total de 8.101[124] pessoas. A maior unidade prisional do sistema é o Instituto Penal Paulo Sarasate abrigando 940[124] pessoas.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O Ceará surgiu como unidade administrativa em 1799 com quatorze municípios, sendo o mais antigo, Aquiraz, fundado em 1699, e o último desse período foi Guaraciaba do Norte criado em 1791.[125] Com a Independência do Brasil as províncias foram organizadas em 1823 e nesse ano o território já estava dividido em mais quatro cidades. Durante todo o período imperial do Brasil foram criadas mais 44 cidades desmembrando-se vilas das já então existentes. Em pouco mais de um século o estado passou de 62 para 184 municípioss que, a partir da constituição de 1988, passaram a serem unidades constitutivas da união em patamar igual aos estados.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística dividiu o território cearense em sete mesorregiões e estas em 33 microrregiões constituindo-se basicamente em divisões estatísticas. O Governo do Ceará dividiu o estado em oito macrorregiões de desenvolvimento e em vinte regiões administrativas.[126]

Existem ainda duas regiões metropolitanas no estado: a Região Metropolitana do Cariri (RMC) e a de Fortaleza (RMF). A primeira foi criada pela Lei Complementar Estadual nº 78, sancionada pelo governador Cid Gomes em 29 de junho de 2009 e é formada por nove municípios do sul cearense: Barbalha, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Missão Velha e Santana do Cariri.[127] Já a Região Metropolitana de Fortaleza, onde se localiza a capital, foi criada pela Lei Complementar Federal nº 14, de 8 de junho de 1973, que instituía, também, outras regiões metropolitanas no país; inicialmente, a região metropolitana era formada por apenas cinco municípios: Fortaleza, Caucaia, Maranguape, Pacatuba e Aquiraz, sendo, posteriormente, adicionado os municípios de Maracanaú (1983); Eusébio (1987); Itaitinga e Guaiuba (1992); Chorozinho, Pacajus, Horizonte e São Gonçalo do Amarante (1992) e Pindoretama e Cascavel (2009).[127]

Litígio territorial[editar | editar código-fonte]

Ceará de 1861 sem Crateús e Independência

No governo colonial do Governador Sampaio o engenheiro Silva Paulet apresentou mapa da província em 1818 que mostrou o limite oeste do litoral até a foz do Rio Igaraçu. Desta forma a localidade de Amarração, atual cidade de Luís Correia faria parte do Ceará. Durante o século XIX a localidade teve assistência da cidade cearense vizinha, Granja, até que em 1874 os parlamentares estaduais decidiram elevar a localidade a categoria de vila. Essa atitude chamou a atenção dos políticos do Piauí que reivindicaram seu território. A solução ocorreu pelo Decreto Geral nº 3012, de 22 de novembro de 1880, decidindo que haveria uma "troca" onde o Piauí restabeleceu a totalidade de seu litoral e o Ceará incorporou os municípios de Crateús e Independência.[128]

Desde essa época que na divisa do Ceará com o Piauí persistem vários pontos com indefinições de seus limites.[129] A área total em disputa é de aproximadamente 2.500 hectares. Depois da Constituição de 1988, foi proposto que em 1991 seriam resolvidas as questões de limites entre os estados, mas só em 2008 foi apresentado um acordo entre esses, com o Piauí ficando com 1 500 hectares e o Ceará com 1 000, devendo ainda ser confirmado pelo governo federal.[130]

Economia[editar | editar código-fonte]

Evolução do PIB (R$)
Ano PIB (R$ 1.000) Per Capita
2006 R$ 46.303.000 5.634
2007 R$ 50.331.383 6.149
2008 R$ 60.099.000 7.112
2009 R$ 65.704.000 7.686
2010 R$ 77.865.000 9.216
2011 R$ 86.000.000* 10.081*
2012 R$ 94.000.000* 10.999*
2013 R$ 103.400.000* 11.950*
2014 R$ 115.230.000* 13.556*
2015 R$ 127.250.000* 14.970*
2016 R$ 140.960.000* 16.583*
*Estimativa


Quase metade da economia cearense se concentra na capital.
Exportações do Ceará - (2012)[131]

Em 2008, o PIB cearense, em preços de mercado, foi de R$ 60.098.877.000, dos quais 47,17% estão concentrados na capital Fortaleza, segundo estudo do Ipece.[132] Há um suave processo de desconcentração da riqueza no Estado, visto que em 2004 a capital representava 47,80% do PIB estadual. Por outro lado, as cidades mais ricas, no geral, seguem aumentando sua proporção em relação ao PIB total. Destacam-se além da capital: Maracanaú (5,19%), Juazeiro do Norte (3,31%), Caucaia (3,25%), Sobral (2,83%), Eusébio (1,56%), Horizonte (1,39%), Maranguape (1,07%), Crato (1,07%) e São Gonçalo do Amarante (1,02%).

Os cinco municípios com PIB per capita mais altos no Ceará são: Eusébio (R$ 23.205), Horizonte (R$ 15.947), Maracanaú (R$ 15.620), São Gonçalo do Amarante (R$ 14.440) e Fortaleza (R$ 11.461), todos muito acima da média estadual, que é de R$ 7.112. Os dez municípios de maior PIB abrangem 67,86% do PIB total.[132]

A partir da década de 1960 houve uma progressiva industrialização e urbanização, que ganhou impulso a partir da década de 1980, em parte devido à política de concessão de benefícios fiscais a empresas que se instalassem no estado.[133] Atualmente, embora sendo ainda uma economia sub-industrializada em relação a vários outros estados do Brasil, a economia cearense não é mais baseada sobretudo nas atividades agropecuárias, sendo preponderante o setor terciário de comércio e serviços, com grande destaque para o turismo. Apesar disso, aquelas ainda possuem grande relevância na economia do estado, em especial a pecuária, mas há também crescente importância de cultivos não-tradicionais no estado, como a produção de frutas e legumes no Vale do Rio Jaguaribe e de flores na Serra da Ibiapaba e no Cariri.

Desde 2004 a economia cearense vem crescendo, moderada, mas sustentadamente, entre 3,5% e 5% ao ano.[134] Em 2007 o crescimento foi de 4,4%, e em 2008 de 6,5%, sendo o primeiro inferior à média brasileira para aquele ano e o segundo bastante superior, principalmente devido à forte recuperação da agropecuária cearense (24,59%) aliada à manutenção em níveis altos do crescimento da indústria (5,51%) e do setor de serviços (5,21%). Em 2009, apesar da crise econômica internacional e de perdas no setor primário, o PIB cearense cresceu 3,1%, bastante acima do resultado do PIB brasileiro, de -0,2%, sobretudo devido ao bom desempenho do setor de serviços.[135] Com isso, o PIB cearense atingiu pela primeira vez um patamar de mais de 2% da produção nacional.[135] Uma estimativa feita pelo IPECE mostra que o PIB do Ceará teve um crescimento nominal recorde, quando cresceu 10 bilhões, quando comparado o ano de 2010 com o ano de 2009.[136] Em 2010 também foi registrado o recorde de participação da economia cearense na economia nacional. Tal participação que era de 1,89% em 2007, subiu para 2,04% em 2010.

Em 2011, a economia cearense continuou a crescer acima da média nacional. O PIB cearense totalizou 84 bilhões, um aumento de 10 bilhões se comparado ao ano anterior, segundo dados preliminares do IPECE.[137] Neste ano, o estado pode ter, pela primeira vez, um PIB per capita acima de R$ 10.000.

O instituto também citou expectativas para a economia em 2012, onde possivelmente, crescerá entre 5% e 5,5%, ainda acima da média nacional. O PIB cearense deve totalizar, ao final do ano, um valor em cerca de 96 bilhões.

Para 2013 está previsto que o PIB ultrapassará os 100 bilhões de reais, com o PIB per capita chegando próximo dos 14.000 reais.

Quanto a sua pauta de exportações, foi, em 2012, baseada em Calçados de Borracha (17,32%), Couro Preparado de Bovinos ou Equinos (14,60%), Coco, Castanha e Caju (11,73%), Melões (7,00%) e Calçados de Couro (6,86%)[131] .

Setor primário[editar | editar código-fonte]

Cajueiro, de onde se retira um dos principais produtos agrícolas do Ceará: a castanha de caju.

Destacam-se na atividade agrícola: feijão, milho, arroz, algodão herbáceo, algodão arbóreo, castanha de caju, cana-de-açúcar, mandioca, mamona, tomate, banana, laranja, coco e, mais recentemente, a uva.[138] Recentemente tem crescido um pólo de agricultura irrigada dirigida principalmente à exportação, em áreas próximas à Chapada do Apodi, dedicando-se especialmente ao cultivo de frutas como melão e abacaxi. Outro destaque muito recente é o do cultivo de flores, que tem ganhado importância especialmente na Cuesta da Ibiapaba.

Na pecuária os rebanhos de maior representatividade são: bovinos, suínos, caprinos, eqüinos, aves, asininos, carcinicultura e ovinos.[139]

Os principais recursos minerais extraídos do solo cearense são: ferro, água mineral, calcário, argila, magnésio, granito, petróleo, gás natural, sal marinho, grafita, gipsita, urânio bruto. O município de Santa Quitéria, na localidade de Itataia, possui uma das maiores reservas de urânio do Brasil.[140]

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

J Macêdo, uma das maiores indústrias de massas do Brasil

Os principais setores da indústria cearense são vestuário, alimentícia, metalúrgica, têxtil, química e calçadista. A maioria das indústrias esta instalada na Região Metropolitana de Fortaleza, com destaque para Fortaleza, Caucaia e Maracanaú onde se encontra o Distrito Industrial de Maracanaú sendo um importante complexo industrial, dinamizando a economia do estado do Ceará.[141] Em Caucaia e São Gonçalo do Amarante será instalada a ZPE do Ceará no Complexo Industrial e Portuário do Pecem onde serão instaladas uma siderúrgica e uma refinaria de petróleo.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará é a entidade sindical dos donos das empresas. A entidade congrega a maioria dos donos e dirigentes industriais. Algumas das grandes empresas do Ceará com alcance nacional vinculadas a FIEC são: Aço Cearense, Companhia de Alimentos do Nordeste, Grendene, Café Santa Clara, Grande Moinho Cearense, Grupo Edson Queiroz, Indústria Naval do Ceará, J. Macêdo, M. Dias Branco, Troller e Ypióca.[142]

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

O comércio é muito marcante na economia do Ceará compondo o PIB do estado com mais de 70%.[132] A Associação Comercial do Ceará foi a primeira instituição classista cearense, fundada em 1866. Atualmente a principal instituição comercial no estado é a Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomercio). Algumas redes de comércio varejista filiadas a Fecomercio com destaque no nacional são Rede de Farmácias Pague Menos, Cone Pizza, Otoch e Esplanada.

Em 2009 foi iniciada a construção da segunda central de abastecimento do estado que ficará na região do Cariri e complementará a distribuição de alimentos juntamente com a Ceasa da RMF.[143] Complementando a atividade comercial da Ceasa, todas as cidades mantêm mercados municipais.

Em Fortaleza existem vários shopping centers: Iguatemi Fortaleza, North Shopping (Fortaleza), Shopping Aldeota]], Shopping Benfica, Shopping Center Um, Shopping Del Paseo e Shopping Via Sul. Além desses, somente outros 3 shoppings ficam fora da capital: o Maracanau Shopping Center, que fica em Maracanaú,o North Shopping Sobral,que fica em Sobrale o Cariri Shopping, que fica em Juazeiro do Norte.[144]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

Imagem aérea de Sobral com vista para a Igreja do Patrocínio e o Museu do Eclipse, importante museu científico do Ceará

O Ceará mantém a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico como principal instituição de fomento científico e tecnológico do estado.[145] Fazem parte ainda do sistema de C&T do Ceará a Fundação Cearense de Meteorologia, a Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará e as universidades estaduais. O Governo federal tem duas unidades da Embrapa no estado: Embrapa Agroindústria Tropical em Fortaleza e Embrapa Caprinos em Sobral. Instituições privadas de destaque são o Instituto Atlântico e o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação.

O principal espaço de desenvolvimento científico do estado é o Campus do Pici, em Fortaleza, abrigando boa parte dos laboratórios da Universidade Federal do Ceará e outras instituições como o Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho no Nordeste e a sede da rede GigaFOR e vários cursos de pós-graduação. Em todo o estado são ofertados 108 cursos de pós-graduação sendo 69 de mestrado e 29 de doutorado.[146]

O Ceará tem destaque na história e na pesquisa astronômica do Brasil. O Rádio-Observatório Espacial do Nordeste do INPE instalado em Eusébio é o maior radiotelescópio do Brasil. A Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia (SBAA), com sede em Fortaleza, é uma das principais instituições divulgadoras da astronomia no país.[147]

Esqueleto do Anhanguera no "North American Museum of Ancient Life"

Em 2009, Ano Internacional da Astronomia, o Ceará passou e integrar a Rede Internacional de Centros para Astrofísica Relativística (Icranet). Essa integração visa orientar os cursos de graduação em física das universidades UVA e UECE, respectivamente em Sobral e Fortaleza, para estudos nas áreas de astrofísica, astronomia e criar um programa de pós-graduação específico na UECE.[148]

O primeiro registro de fósseis no Brasil se deu com o livro "Viagem pelo Brasil" (Reise in Brasilien), publicado entre 1823 e 1831, relatando a descoberta de um peixe Rhacolepis na atual cidade de Jardim.[149] A bacia sedimentar da Chapada do Araripe conta com uma formação muito rica em fósseis da flora e fauna do Cretáceo, boa parte em excelente estado de preservação, sobretudo na cidade de Santana do Cariri.[150] Os fósseis da região tem sido importantes para comprovar a deriva dos continentes africano e sul-americano.[151]

Nessa área foi estabelecido o Geoparque Araripe, o primeiro do gênero no Hemisfério Sul, visando a proteger sua significativa importância geológica e paleontológica.[151] O trecho mais importante do geoparque é a Formação Santana, que se destaca por conter os primeiros registros de tecidos moles (não ósseos) de pterossauros e tiranossauros do mundo, as primeiras fanerógamas fósseis da América do Sul e várias espécies de peixes fossilizados.[149] Na cidade de Santana do Cariri existe o Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri que ajuda no estudo e divulgação científica paleontológica.

Educação[editar | editar código-fonte]

A primeira instituição de ensino do Ceará foi o Liceu do Ceará fundado em 1845 em Fortaleza.[152] Fortaleza concentra o maior número de escolas particulares do estado. O Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará, transformado em Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, que comanda as unidades de ensino técnico em várias cidades do interior do estado e o Colégio Militar de Fortaleza são importantes unidades de ensino federal no estado..[153]

Imagem da Biblioteca pública de Sobral

No Ceará a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2007 foi de 19,2% e de analfabetos funcionais foi de 30,7%, valores acima da média nacional. A média de estudo dos cearenses acima de 10 anos é de 5,9 anos, acima da média nordestina, mas bem abaixo da nacional, e a grande disparidade entre a capital e o interior fica clara, com a Região Metropolitana de Fortaleza obtendo média muito superior, de 7,2 anos.

Dados de 2008 demonstram que as gerações mais antigas sofreram com o escasso acesso à educação comparado aos jovens: a média de anos de estudo chega a 8,9 anos na faixa de 20-24 anos, mas cai abruptamente para só 2,8 anos na faixa de 60 anos ou mais de idade.[4] Quanto ao índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB), o Estado obteve em 2009 as melhoras notas da Região Nordeste em todas as categorias: para alunos da 4ª e 5ª séries do ensino fundamental, 4,4 (11ª mais alta no ranking nacional), seguida por Pernambuco (4,1); para os da 8ª e 9ª séries, a nota 3,9 (10ª melhor do País), seguida por Piauí (3,8); e para os do 3º ano do ensino médio, 3,6 (8ª melhor), seguida por Paraíba (3,4).[154]

Resultados no ENEM
Ano Português Redação
2006[155]
Média
34,74 (12º)
36,90
51,59 (10º)
52,08
2007[156]
Média
46,73 (15º)
51,52
55,10 (14º)
55,99
2008[157]
Média
38,13 (13º)
41,69
59,15 (9º)
59,35

A rede de ensino do estado no ano de 2007 era composta por 17.234 escolas sendo 7.668 pré-escolares, 8.773 de ensino fundamental e 793 de ensino médio.[158] Estas escolas receberam 2.290.213 matriculas sendo 261.030 no pré-escolar, 1.624.943 no fundamental e 404.240 no ensino médio.[158] Servindo a rede havia 92.636 docentes sendo 12.988 no pré-escolar, 63.651 no fundamental e 15.997 no ensino médio.[158]

Em 2005 o Ceará abrigava 47 instituições de ensino superior com 6.797 docentes e 99.597 alunos matriculados.[158] A Universidade Federal do Ceará foi a primeira do estado, fundada em 1954.[159] Atualmente existem a Universidade Federal do Ceará,a Universidade Estadual do Ceará, a Universidade Regional do Cariri,a Universidade Estadual Vale do Acaraú,a Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira,a Universidade Federal da Região do Cariri e Universidade de Fortaleza particular.

Energia[editar | editar código-fonte]

O estado era, até o final do século XX, totalmente desprovido de grandes unidades geradoras de energia.[160] Na década de 2000 foram feitos investimentos pesados na geração de energia eólica com a possibilidade de o Ceará gerar toda sua demanda energética em seu próprio solo.[161]

Atualmente a maior parte da demanda de energia elétrica é suprida pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco[160] por meio da geração nas usina hidrelétrica de Paulo Afonso, Xingó, Sobradinho, Itaparica e Moxotó. O Ceará também é servido pela energia gerada na Usina Hidrelétrica de Tucuruí no Pará.

A Companhia Energética do Ceará é a empresa responsável pela distribuição da energia no estado. O consumo médio do estado gira em torno de 650 gigawatts por mês.[162] Em 2007 99,3% dos domicílios urbanos e 90,4% dos domicílios rurais eram servidos pela rede de distribuição elétrica, contabilizando 2.688.746 clientes.[163]

O estado é o maior produtor de energia eólica do país,[164] além de possuir a melhor produção mundial.[165]

Mídia[editar | editar código-fonte]

Os jornais foram a primeira mídia de massa do estado. O primeiro jornal cearense foi o Diário Oficial publicado em 1825. No final do século XIX havia centenas de jornais e publicações periódicas em todo o território, com mensagens de cunho político e social. Em 1881 chegaram à costa cearense os cabos submarinos da The Western Telegraph Company interligando o Brasil a Europa por meio telegráfico.[166] Estes cabos foram interligados aos já existentes no Ceará e dai para o resto do país.

A primeira estação de rádio surgiu na década de 1930. Era uma entidade de rádio amador chamada de Ceará Rádio Clube.[167] Em 1959 entrou no ar a TV Ceará Tupi, primeiro canal de televisão do Ceará. Em 31 de março de 1972 chegou a vez da tv a cores no estado e em 2009 teve início a transmissão do sinal de televisão digital. Atualmente o sistema de rádio e televisão conta com 143 emissoras de rádio e 13 de televisão.[163] Os principais jornais do estado são: O Povo, Diário do Nordeste e O Estado.

A telefonia iniciou-se no Ceará, primeiro em Fortaleza, em 1891 com a fundação da empresa telefônica do Ceará. Em 1938 o serviço passou a ser automático com a instalação de equipamentos da Ericsson do Brasil. A Companhia Telefônica do Ceará surgiu em 1971 e foi privatizada em 1998. Atualmente existem 2.490.224 linhas telefônicas no estado.[163]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Durante o século XIX somente oitenta cearenses foram diplomados pelas duas faculdades de medicina existentes no Brasil.[168] Desses, somente trinta voltaram para o Ceará. Em 1861 ficou pronto o primeiro hospital do estado, Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, que foi o foco de combate à várias pestes que assolaram o estado: varíola, febre amarela e cólera na década anterior.[168] Nos primeiros anos do século XX foi fundada a primeira entidade médica do Ceará, Associação Médica Cearense, em 1913. Em 1925 iniciou-se as atividades da Santa Casa de Misericórdia de Sobral, sendo até hoje o maior hospital do interior cearense. Durante toda a década de 1930 houve um surto de malária no estado.

Os principais hospitais públicos do estado estão concentrados na Capital. Atualmente o sistema de saúde pública cearense é composto por hospitais municipais e estaduais, totalizando 164 unidades hospitalares com internação e 2.198 sem internação.[169] O Hospital Geral de Fortaleza é o maior hospital público. O Instituto Doutor José Frota é o maior hospital de emergência. Dois hospitais de grande porte serão construídos durante o atual governo do estado nas regiões do Cariri e Sobral para diminuir a superlotação do sistema de saúde cearense.[170] O sistema também é composto por centenas de postos de saúde e centenas de equipes do Programa de Saúde da Família em quase todos os municípios. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência está sendo implantado em todas as regiões do Ceará. O atendimento médico privado é bastante desenvolvido com um total de 127 hospitais, destacando-se os hospitais São Mateus, Antônio Prudente, Unimed, Monte Klinikum.[169]

Há grande disparidade no acesso a médicos e a leitos hospitalares. Os municípios com mais médicos por mil habitantes são Barbalha (3,6 por mil), Guaramiranga (2,6) e Aracoiaba (2,3) — Fortaleza é a 9ª com mais médicos em termos proporcionais (1,5 por mil) —, enquanto os que possuem menos são Varjota, Granja e Pires Ferreira, todos com apenas 0,2 médico por mil. Barbalha também se destaca como a cidade com mais leitos por mil habitantes (8,1), seguida por Brejo Santo (6,0), Jati (5,9) e Crato (5,4), enquanto as que apresentam menos leitos possuem índices muito menores: Forquilha (0,1), Pacatuba (0,3) e Beberibe (0,5).[102]

Segurança pública[editar | editar código-fonte]

O Governo do Ceará, desde o início da década de 1990, realiza ações para integração das forças policiais: militar, civil e bombeiro. A primeira ação foi a reformulação do sistema de chamadas 190 que passou a funcionar integrado com o nome de CIOPS - Centro Integrado de Operações de Segurança - e que na Capital do estado integra também o sistema municipal de controle de tráfego e Guarda Municipal. O mais recente passo na integração das forças policiais do estado foi a criação da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará que formará conjuntamente o pessoal de todas as forças de segurança.[171]

A Polícia Militar do Ceará tem um contingente de aproximadamente 13 mil policiais[172] divididos em sete batalhões, um batalhão de choque, um batalhão de segurança patrimonial, um esquadrão de polícia montada, uma companhia de polícia rodoviária, um centro integrado de operações aéreas, uma companhia de polícia do meio ambiente, um pelotão de motos e a unidade de polícia de turismo. O efetivo da Polícia Civil é de aproximadamente 2.200[173] policiais distribuídos em 34 distritos policiais, oito delegacias metropolitanas, 19 delegacias regionais, 23 delegacias municipais e 18 delegacias especializadas. O Corpo de Bombeiros Militares é composto pelo efetivos de aproximadamente 1.400 bombeiros[174] distribuídos em 5 grupamentos, um em Fortaleza com onze seções de comando e os outros quatro no interior subordinando 13 seções.

A criminalidade é um problema crescente no estado. A taxa de homicídio foi de 24,0 por 100 mil habitantes em 2008, um expressivo aumento de 79,1% comparado à taxa de 13,4 por 100 mil em 1998. Em função do aumento ainda maior do número de assassinatos em outras Unidades Federativas, o Ceará possui a 18ª maior taxa de homicídios do Brasil, enquanto, em 1998, estava na 17ª posição. Por sua vez, Fortaleza, com 35,9 homicídios por cem mil habitantes, passou do 20ª para o 17ª lugar entre as capitais mais violentas do País, porém continua bastante abaixo da média das capitais do Nordeste.[175] O Ceará possui 7 de seus 184 municípios entre os 500 com maiores taxas de homicídio do Brasil.[176]

Em 2007, foi implantado em Fortaleza o Ronda do Quarteirão, programa de segurança pública do Governo do estado que tem por objetivo diminuir o tempo de resposta a ocorrências policiais. Em 2008, o programa foi expandido para Caucaia e Maracanaú e, em seguida, para vários municípios interioranos. Neste mesmo ano foi criada a polícia científica do estado, Perícia Forense do Estado do Ceará que atuará em sua área de forma autônoma e desvinculada de outras forças policiais. Apesar dos esforços, o combate à violência não tem surtido efeito somente com ações policiais, e a criminalidade ainda é crescente.[177] Somente entre 2008 e 2009, houve um alarmante aumento da taxa total de roubos, que mais que triplicou de 219,8 para 772,0 por 100 mil habitantes, bem como um aumento do número de estupros (de 6,9 para 7,8 por 100 mil). A taxa de homicídios cresce, lenta mas preocupantemente, de 22,2 para 22,5 por 100 mil entre 2008 e 2009.[178]

Transporte[editar | editar código-fonte]

Mapa dos transportes do Ceará

No Ceará existem dois aeroportos administrados pela Infraero. O Aeroporto Internacional de Fortaleza é o maior do estado movimentando anualmente mais de 5 milhões de passageiros[179] e o Aeroporto Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, é o maior do interior do estado e um dos mais movimentados do interior do Nordeste.[180] O Governo do Ceará tem cadastrado 68 aeroportos e pista de pousos. O Aeroporto de Aracati no litoral leste, o Aeroporto de Camocim no litoral oeste, o Aeroporto de São Benedito na Serra da Ibiapaba e o Aeroporto de Quixadá no sertão cearense destacam-se por dar acesso a regiões turísticas. Outros aeroportos regionais de destaque são o Aeroporto de Sobral e o Aeroporto de Iguatu.

O sistema ferroviário do estado é operado em conjunto com a malha do Nordeste pela empresa Transnordestina Logística S.A, que está construindo a ferrovia Transnordestina. O estado é cortado por 1.431 km de caminhos de ferro interligando o estado de norte a sul e de leste a oeste entre a capital e o interior.[181] Ainda no transporte ferroviário existem dois sistemas de metrô em construção. O Metrofor é o metrô de Fortaleza interligando vários bairros da cidade e também as cidades de Maracanaú e Caucaia e o Metrô do Cariri que interligará as cidades do Crato e Juazeiro do Norte.

Ao longo dos 570 km de litoral do Ceará estão instalados 13 faróis em pontos estratégicos para auxiliar a navegação de cabotagem, sendo controlados pela Capitania dos Portos do Ceará.[182] Os principais portos do estado são: o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, que é administrado pelo governo federal e o Terminal Portuário do Pecém, inaugurado em 2002, construído para estruturar o Complexo Industrial e Portuário do Pecém com planejamento de terminal para uso siderúrgico e de refinaria de petróleo.

Em Fortaleza tem início a rodovia federal mais importante do Brasil, a BR-116, que liga a capital do Ceará às regiões Sudeste e Sul do país até o Rio Grande do Sul. Em Fortaleza também tem início a BR-222 que faz ligação com a região Norte indo até o Pará. A BR-020 faz a ligação de Brasília com Fortaleza. A rodovia BR-230 Transamazônica corta o estado na região sul e a BR-304 liga o Ceará ao Rio Grande do Norte. As rodovias estaduais somam um total de 10.657,9 km, sendo 5.767,6 km pavimentados e 4.890,3 não-pavimentados. A extensão total da malha rodoviária, incluindo rodovias municipais, estaduais e federais, é de 53.325,4, segundo o Departamento de Edificações e Rodovias do Ceará.[183] Todas as sedes dos municípios têm acesso por estradas pavimentadas.[184] Atualmente o sistema encontra-se com algumas estradas danificadas em decorrência de fortes chuvas,[185] mas a maioria das rodovias apresenta boa condição de trafegabilidade.[186] [187]

Cultura[editar | editar código-fonte]

O governo do Ceará criou a primeira secretaria estadual de cultura do Brasil em 1966.[188] A instituição organiza e fomenta a cultura cearense e auxilia outras instituições particulares na manutenção das tradições da população do estado.

Arte popular[editar | editar código-fonte]

Rendeira cearense trabalhando com bilros

A cultura cearense é de base essencialmente européia e ameríndia, com algumas influências afro-brasileiras, assim como em todo o sertão nordestino. Quando da introdução da cultura portuguesa no Ceará, ao longo do século XVII]], os índios já produziam um diversificado artesanato a partir de vegetais como o cipó e a carnaúba, bem como dominavam técnicas primitivas de tecelagem do algodão,[189] inclusive tingindo os tecidos de vermelho com a casca da aroeira.[190] Com a colonização, diversas técnicas européias se somaram a essa base cultural, formando uma arte popular que viria a ser renomada nacional e internacionalmente.

Com origens portuguesas e relevante influência indígena, têm destaque a produção de redes com os mais diversos bordados e formas e intrincadas rendas feitas em bilros, talvez o maior destaque da produção artesanal cearense, sendo uma arte tradicional no Ceará desde, pelo menos, o século XVIII.[191] As rendas e os labirintos possuem maior destaque nas imediações do litoral, enquanto o interior se destaca mais pelos bordados.[189] As pedras semipreciosas também são exploradas, transformadas em jóias criativas, sobretudo em Juazeiro do Norte, Quixadá e Quixeramobim.

Ademais, o artesanato feito em madeira e barro se destaca bastante, com produção de esculturas humanas, representando tipos da região; quadros talhados em madeira e vasos adornados. Outro importante item do artesanato cearense são as garrafas de areias coloridas, onde são reproduzidas, manualmente, paisagens e temáticas diversas. São ainda encontrados, em diversas cidades - em especial Massapê, Russas, Aracati, Sobral e Camocim, dentre outras, cestarias, chapéus e trançados com variadas formas e desenhos feitos da palha da carnaúba, do bambu e do cipó.[191] Por fim, como conseqüência natural de uma economia que, durante séculos, foi essencialmente pecuarista, o couro é trabalhado artesanalmente, em especial, para a produção de chapéus e outras peças da roupa de vaqueiros, assim como de móveis e esculturas. As principais cidades no artesanato coureiro são Morada Nova, Juazeiro do Norte, Crato, Jaguaribe e Assaré.[190]

Em diversas áreas do interior cearense, os cordéis, assim como os repentistas e poetas populares, especialistas no improviso de rimas, ainda estão presentes e ativos, seguindo uma tradição que remonta aos trovadores e poetas populares da Idade Média lusitana. Outra forte influência portuguesa se encontra na grande importância das festas religiosas nas cidades de todo o interior, particularmente as festas de padroeiro, que estão entre as principais festividades da cultura cearense, abarcando não só cerimônias religiosas, mas também danças, músicas e outras formas de entretenimento, numa complexa mistura de aspectos sagrados e profanos. Destaca-se a Festa de Santo Antônio em Barbalha, famosa pelo pau da bandeira e comemorada nessa forma a 78 anos.[192]

Artes plásticas[editar | editar código-fonte]

O movimento de maior destaque na história da pintura cearense foi o modernismo com o surgimento da Sociedade Cearense de Artes Plásticas em 1944 que reuniu vários pintores como Antônio Bandeira, Otacílio de Azevedo, Aldemir Martins, Inimá de Paula, Zenon Barreto e outros.[193] Bandeira é considerado um dos maiores pintores abstracionistas do Brasil. Antes desse movimento alguns importante pintores cearenses foram Raimundo Cela e Vicente Leite que no começo do século XX retrataram várias paisagens do sertão e litoral do estado.

Na segunda metade do século XX o suíço Jean-Pierre Chabloz em passagem pelo Ceará descobriu a arte do acreano de origem cearense Chico da Silva no Pirambu retratando figuras primitivas de dragões e outros animais com carvão e tinta guache. Seu estilo foi classificado como arte naïf e teve grande destaque até a década de 1980. No final do século XX o pintor Leonilson foi o maior destaque cearense na pintura.[194] Contemporaneamente temos os nomes de Roberto Galvão e Bruno Pedrosa dentre outros.

Humor[editar | editar código-fonte]

O Ceará se tornou conhecido nacionalmente como berço de talentos humorísticos como Chico Anysio, Renato Aragão, Tom Cavalcante e Tiririca, dentre vários outros. Embora a percepção de que há um Ceará moleque, como verdadeira identidade do povo cearense, seja controversa, a história do estado é repleta de casos verídicos e curiosos que parecem corroborar com essa ideia, destacando-se, sobretudo, figuras populares como o Bode Ioiô, que era famoso em Fortaleza e inclusive foi eleito vereador da cidade, e o Seu Lunga, de Juazeiro do Norte, famoso pela sua intolerância com perguntas óbvias, assim como eventos como a vaia ao sol também em Fortaleza, depois de quase um dia inteiro de céu nublado na cidade.[195] A novela humorística da Record, Ceará contra 007, de 1965 ajudou a formar esse imaginário de um Ceará Moleque.

Literatura[editar | editar código-fonte]

José de Alencar, o mais famoso escritor cearense

O Ceará é terra de muitos escritores e poetas importantes, podendo-se citar, dentre muitos outros: José de Alencar, Domingos Olímpio, Rachel de Queiroz, Adolfo Caminha, Antônio Sales, Jáder Carvalho, Juvenal Galeno,J. Camelo Ponte, Gustavo Barroso e Patativa do Assaré.[196]

A literatura cearense foi sempre caracterizada por florescer em torno de grupos literários. O primeiro desses grupos de desenvolvimento literário foi Os Oiteiros, que, embora mantendo os padrões típicos do Arcadismo, soube encontrar uma cor local para descrever o fugere urbem e o carpe diem típicos daquela escola.[196]

No final do século XIX, surgiu a Padaria Espiritual, uma agremiação cultural formada por jovens escritores, pintores e músicos. Vários autores criticavam as instituições e valores então vigentes com discurso irônico, irreverência, espírito crítico e sincretismo literário.[197] Para alguns críticos literários e historiadores, essa agremiação pode ser considerada um movimento pré-modernista que já apresentava alguns aspectos do Modernismo, que só surgiria com força em São Paulo em 1922. Contemporânea à Padaria Espiritual, a Academia Cearense de Letras foi fundada em 1894 sendo uma das principais instituições literária do estado, congregando alguns dos nomes mais ilustres da literatura estadual.[198] Hoje, existem diversas instituições similares em todo o Ceará.

O Modernismo se consolidou no Ceará por meio do movimento Clã, fundado nos anos 1940, que congregou diversos escritores renomados cearenses: Moreira Campos, João Clímaco Bezerra, Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros, Otacílio Collares, Artur Eduardo Benevides, Antônio Martins Filho, Braga Montenegro, Manuel Eduardo Pinheiro Campos, Fran Martins, José Camelo Ponte, José Stênio Lopes, Milton Dias, Lúcia Fernandes Martins e Mozart Soriano Aderaldo.[199]

Na década de 1970, surgiram outros dois importantes grupos literários no Ceará: O Saco, uma revista artística inusitada, pois era distribuída com folhas soltas guardadas dentro de um saco; e o Grupo Siriará, que reuniu diversos jovens escritores, propondo uma literatura cearense autêntica e desvinculada dos estereótipos que se estabeleceram na retratação literária do ambiente cearense.[200]

O Ceará também possui escritores pós-modernistas renomados, embora, em sua maior parte, pouco conhecidos. Podem-se citar, dentre eles, Pedro Salgueiro, Natércia Campos, Airton Monte, Tércia Montenegro, Raymundo Netto dentre outros.[201]

A literatura de cordel tem destaque nas letras cearenses desenvolvendo-se expressivamente em Juazeiro do Norte, desde as primeiras décadas do século XX. Em Fortaleza, a Literatura de Cordel surgiu no período da Oligarquia de Nogueira Accioly, período esse, em que circularam alguns folhetos destratando a figura do governador cearense. Patativa do Assaré é um dos maiores destaques nesse tipo de literatura.[202]

Música[editar | editar código-fonte]

Rainha do Maracatu cearense em desfile carnavalesco na cidade de Caucaia

O gênero musical mais identificado com o Ceará é o forró, em suas variadas formas, notadamente o tradicional forró pé-de-serra. Nos anos 1940, o cearense Humberto Teixeira formou uma famosa parceria com o pernambucano Luiz Gonzaga, criando o baião, que se tornou muito apreciado.[203] Uma das principais tradições da música cearense - e, principalmente, do Cariri - são também as bandas cabaçais, que utilizam pífanos, zabumbas e pratos e freqüentemente fazem acompanhar sua música com movimentos e acrobacias com facões, com destaque para a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto. Outros representantes tradicionais da música cearense são os seresteiros e repentistas.

Dos anos 1980 em diante, cresceu bastante o chamado forró eletrônico, que adotou novos instrumentos e absorveu muitas influências de diversos estilos populares, afastando-se um pouco da tradição do "pé-de-serra" e ganhando grande popularidade no estado.[204]

O importante momento musical dos anos 1960, no qual floresceram a MPB e o tropicalismo no Brasil, também teve grande influência no Ceará, onde se revelaram artistas como Ednardo, Belchior, Fagner, Amelinha, J. Camelo Ponte e outros, alguns dos quais conseguiram projeção nacional, recebendo da crítica musical o apelido de "pessoal do Ceará".[203]

Inusitadamente, o Ceará tem também tido certo destaque na música clássica brasileira, embora aí não encontre grandes incentivos. Um dos mais destacados compositores clássicos brasileiros foi o cearense Alberto Nepomuceno, considerado o "pai" do nacionalismo na música erudita do Brasil,[205] que em Fortaleza batiza o Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. Outro representante da música clássica foi o renomado regente Eleazar de Carvalho, um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira e professor de maestros célebres, como Claudio Abbado e Zubin Mehta.[206] Em sua homenagem foi criada a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho. Nessa seara, há também iniciativas que unem a música à filantropia como a Orquestra Filarmônica da Chapada do Araripe,[207] em Araripe e a Sociedade Lírica do Belmonte,[208] no Crato.

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião é muito importante na cultura da maior parte dos cearenses. O Cristianismo é a religião de hegemonia no Estado e a Igreja Católica é a confissão cristã que mais deixou marcas na cultura cearense. Foi a única reconhecida pelo governo até 1883 quando, na capital do Estado, foi fundada a Igreja Presbiteriana de Fortaleza.[209] A confissão católica cearense adota vários elementos de origem popular e apresenta influências de crenças indígenas.

Durante todo o século XX várias igrejas se instalaram no Estado e no final desse houve um aumento considerável de pessoas de outras religiões. Contudo, o Ceará é ainda o segundo estado brasileiro com maior proporção de católicos, que são 85% da população segundo dados de 2000.[210] Os evangélicos são 8,2%, os espíritas 0,4%, os membros de outras religiões 0,9%, e os sem religião, 3,7%.[211]

O catolicismo tem uma extensa rede de igrejas e organizações religiosas em todo o Ceará. A Província Eclesiástica de Fortaleza, encabeçada pela Arquidiocese de Fortaleza, lidera oito dioceses: Quixadá, Iguatu, Tianguá, Crato, Crateús, Limoeiro do Norte, Sobral e Itapipoca. A Igreja Católica foi uma grande força política no passado, sobretudo até a primeira metade do século XX]], época em que organizações católicas influenciaram decisivamente os rumos da política estadual.[212]

Todos os 184 municípios cearenses possuem padroeiros. O padroeiro do Ceará é São José, daí porque o seu dia, no calendário religioso - 19 de março - é feriado estadual. Segundo a tradição popular cearense e os Profetas da chuva, essa data tem grande significado, pois, se nesse dia houver chuva, o "inverno" (estação chuvosa) estará garantido. Do contrário, a seca estará inegavelmente caracterizada.[213] Essa data curiosamente coincide com o equinócio.

A fé sertaneja, muitas vezes associada ao messianismo e marcada por profunda relação com os santos, rituais e datas religiosas, foi e continua sendo bastante influente na história cearense e nos costumes e festejos cearenses. A cidade de Juazeiro do Norte surgiu de um assentamento que, sob orientação do Padre Cícero, considerado pela fé popular um santo, tornou-se um local de peregrinação religiosa e, nos últimos anos, atrai milhares de crentes de vários locais do Nordeste. Outro local de grande peregrinação religiosa no Ceará é a cidade de Canindé que abriga um santuário importante é o de Canidé, em devoção a São Francisco, considerado o maior das Américas.[214] O Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, em Quixadá, tem se tornado outro centro de peregrinação católica, também esta presente na devoção cearence a Festa do Senhor do Bonfim, em Icó, de 22/12 a 06/01 com a procissão, dia 01 que reúne milhares de fiéis defronte ao Santuário do Senhor do Bonfim.

Maçonaria e Rotary[editar | editar código-fonte]

A maçonaria chegou ao Ceará por meio de personagens ilustres da história. O governador Sampaio foi ativo na luta contra os revolucionários maçons da Revolução Pernambucana de 1817 que alcançaram a província. Alguns destes, notadamente os ligados a família Alencar, foram perseguidos e em 1824 durante a Confederação do Equador foram presos e executados como Azevedo Bolão, Feliciano Carapinima, Francisco Ibiapina e Padre Mororó.[31]

Consta que José Martiniano de Alencar manteve reuniões da maçonaria em sua residência durante seus governos, mas não foi formalizada a criação de loja maçônica nesse período. A primeira loja maçônica foi a Luz do Aracati, surgida em 1834, em Aracati, do Rito Escocês, subordinada ao Grande Oriente Lusitano.[215] A loja Fraternidade Cearense criada em 1859 é a mais antiga ainda em funcionamento.[216]

Atualmente existem vários organizações de Obediências Maçônicas no estado, destacando-se a Grande Loja Maçônica do Ceará fundada em 1928,[217] sendo a primeira do gênero no estado, o Grande Oriente Estadual do Ceará fundado em 1937[218] e o Grande Oriente do Ceará fundado em 1973.[219]

Em 7 de maio de 1934 instala-se, solenemente, no prédio do Palace Hotel, o Rotary Club de Fortaleza, filiado ao Rotary International em ágape presidido por Lauro Barbosa, que empossou a primeira diretoria, tendo à frente Pedro Filomeno Ferreira Gomes e Raimundo Girão. Na ocasião foi lançado o primeiro número do Boletim do Rotary Club.[220]

Esporte[editar | editar código-fonte]

No Ceará é muito popular a vaquejada. São realizadas anualmente mais de cem vaquejadas e junto com este esporte o hipismo também é bastante popular, notadamente em Fortaleza e Sobral, cidades com grande tradição em corridas de cavalo. Sobral tem um dos clubes de hipismo mais antigo do Brasil, o Derby Clube Sobralense fundado em 1871.[221] O Jockey Club Cearense, em Fortaleza, é outra tradicional instituição cearense.[222]

O futebol é o esporte mais popular. O Estádio Castelão é um dos maiores do Brasil e abriga os principais jogos do Campeonato Cearense de Futebol. Na capital, os principais clubes são Ceará Sporting Club, Ferroviário Atlético Clube e Fortaleza Esporte Clube. No interior, Guarany Sporting Club e Icasa se consagram como principais. Com a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo FIFA de 2014, o Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza organizaram documentos para que a cidade venha a sediar jogos com uma reforma no Castelão. No futebol de salão o Ceará foi destaque durante o início da Taça Brasil de Futsal com o time Sumov Atlético Clube. O estado é sede da Confederação Brasileira de Futebol de Salão.[223]

O Ceará foi o primeiro estado do Nordeste a ter um pista de automobilismo[224] com a construção do Autódromo Internacional Virgílio Távora em 1969. Atualmente abriga provas de várias categorias nacionais e locais tais como Fórmula Truck, Pick-up Racing, Fórmula 3 e CTM2000. O motociclismo tem seu espaço em várias modalidades, mas as categorias de rali são as mais populares, inclusive no automobilismo com o Rally dos Sertões, onde o povo cearense acompanha, já tradicionalmente, de perto.[225]

No estado se pratica quase todas as modalidades de esportes olímpicos. Recentemente foram criadas federações de esportes pouco populares como o pentatlo moderno,[226] badminton[227] e ginástica.[228] Outros esportes populares que renderam bons atletas foram o vôlei de praia com os atletas Franco Neto, Shelda Bede e Márcio Araújo. No tênis de mesa o atleta Thiago Monteiro é o atual campeão brasileiro e pan-americano.[229]

Por ter um extenso litoral o Ceará também tem destaques em esportes náuticos e ligados ao litoral como o beach soccer, kitesurf, windsurf, wakeboard, sandboard e surfe, sendo Tita Tavares uma das maiores surfistas do Brasil. O triatlon e mergulho também são atividades com boa organização e desenvolvimento no estado. Outros esportes de aventura praticados no Ceará são o pára-quedismo, rappel, escalada, trekking, orientação e voo livre onde Quixadá, cuja geografia é marcada por colinas e inselbergs, a prática de esportes como o rappel e o voo de asa-delta ganha destaque internacional.[230]

Entre as lutas, vários tipos são praticados, destacando-se o Wushu, vale-tudo, capoeira e taekwondo. Outras modalidades existentes são o boxe, aikido, hapkido, jiu-Jitsu, judô, karatê, kung fu, luta de braço e wrestling.[223] O tiro esportivo é bem organizado com vários clubes e atletas praticantes.[carece de fontes?]

Festas e eventos[editar | editar código-fonte]

O Miss Ceará é um dos eventos de maior tradição do estado. Sua primeira edição ocorreu em 1955 e logo com a eleição de Emília Barreto Correia Lima como Miss Brasil.[231] A outra Miss Brasil do Ceará foi Flávia Cavalcanti Rebelo, apesar de ser natural de Salvador, representava o Ceará na competição nacional. Vanessa Vidal, Miss Ceará de 2008 ficou em segundo lugar, sendo a primeira concorrente a Miss Brasil com deficiência auditiva.[carece de fontes?]

O Cine Ceará é um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil.[232] Acontece em Fortaleza, anualmente desde 1991 e a partir de 2006 o festival aceita inscrições de produções internacionais.[carece de fontes?]

O Fortal é uma micareta que acontece anualmente desde 1991 sempre no final de julho. Várias outras micaretas menores ocorrem em cidades do interior. Um dos maiores festivais de música pop do Brasil é o Ceará Music que acontece anualmente desde 2001 reunindo em alguns dias várias bandas nacionais.[233]

A maior festa religiosa no Ceará ocorre em junho com as festas juninas. Durante este mês, o forró é o ritmo mais ouvido e tocado em todo o estado[203] e comidas e vestimentas típicas são comuns nas ruas e praças de quase todas as cidades, destacando-se Juazeiro do Norte com o Juaforró. O carnaval também é outra grande festa, com destaque para as festas organizadas nas cidades litorâneas. Outra grande festa religiosa é o Halleluya que acontece em Fortaleza e é aberto gratuitamente ao público, anualmente desde 1995. No setor agropecuário, o evento de destaque no Ceará é a ExpoCrato, realizado anualmente em Crato.[carece de fontes?]

Os dois principais espaços para realização de feiras, eventos e convenções do Ceará são o Pavilhão de Feiras e Eventos de Fortaleza e o Centro de Convenções Edson Queiroz.[234] O Siará Hall é outro importante espaço de eventos do Ceará.[carece de fontes?]

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

O Ceará tem atrativos diversos por todo seu território com destaque para o seu litoral que é bastante explorado. As praias de maior destaque são: Jericoacoara, a Praia do Futuro, a Canoa Quebrada e a Porto das Dunas, onde existe o Beach Park, um dos maiores parques temáticos da América Latina.[235]

Alguns dos espaços culturais importantes do estado são: Casa de José de Alencar (que abriga o Museu da Renda, o Museu da Antropologia, a Pinacoteca Floriano Teixeira e a Biblioteca Braga Montenegro), Museu da Imagem e do Som do Ceará, Museu do Ceará, Theatro José de Alencar, um dos mais importantes exemplos da arquitetura art nouveau no Brasil; Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, grande obra onde se apresentam e expõem diversas obras e performances artísticas, além de construções históricas; Museu Sacro São José de Ribamar e Museu Dom José[236] ambos importantes museus de arte sacra do Brasil e os centros históricos da cidades de Sobral, Icó, Aracati e Viçosa do Ceará que foram tombados como patrimônio nacional pelo Iphan.

Outras atrações destacáveis são: Arquivo Público do Estado do Ceará, Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, Casa de Juvenal Galeno, Centro Cultural Bom Jardim, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, Sobrado do Doutor José Lourenço, Academia Cearense de Letras, Instituto do Ceará, Instituto Cultural do Cariri, Museu dos Inhamuns, Academia Sobralense de Estudos e Letras.[237]

Referências

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