Ceará

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Nota: Para outros significados de Ceará, ver Ceará (desambiguação).
Estado do Ceará
Bandeira do Ceará
Brasão do Ceará
(Bandeira) (Brasão)
Hino: Hino do Ceará
Gentílico: cearense

Localização do Ceará

 - Região Nordeste
 - Estados limítrofes Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco
 - Mesorregiões 7
 - Microrregiões 33
 - Municípios 184
Capital Fortaleza
Governo
 - Governador(a) Cid Gomes (PSB)
 - Vice-governador(a) Professor Pinheiro (PT)
Número de deputados
 - Federais: 22
 - Estaduais: 46
Área  
 - Total 148.825,602 km² (17º)
População  
 - 2007 estim. 8.185.286 [1] hab. ()
 - Densidade 54,40 hab./km² (11º)
PIB 2005
 - Total R$40.923.492 (13º)
 - Per capita R$5.054 (22º)
IDH (2000) 0,700 (20º) – médio
 - Esper. de vida 69,6 anos (21º)
 - Mort. infantil 32,1/mil nasc. (20º)
 - Analfabetismo 21,8% (22º)
Fuso horário UTC-3
Clima Tropical semi-árido, semi-úmido e úmido [[Classificação do clima de Köppen|]]
Sigla BR-CE
Site governamental www.ceara.gov.br

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O Ceará é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Nordeste e tem por limites o Oceano Atlântico a norte e nordeste, o Rio Grande do Norte e a Paraíba a leste, Pernambuco a sul e o Piauí a oeste. Sua área total é de 146.348,30 km² [2], ou 9,37% da área do Nordeste e 1,7% da superfície do Brasil, ligeiramente menor que o Nepal. Sua capital é a cidade de Fortaleza.

O nome Ceará, ao pé da letra significa "canta a jandaia". Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do Estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

O Estado é conhecido nacionalmente pelo seu belíssimo litoral, pela religiosidade popular e pela imagem de berço de talentos humorísticos. A jangada, ainda comum ao longo da costa, é considerada um dos maiores símbolos do povo e da cultura cearenses.

Índice

[editar] História

Ver artigo principal: História do Ceará

Tradicionalmente, o Ceará foi formado pela miscigenação de colonizadores europeus, indígenas catequizados e aculturados após grande resistência à colonização e negros e mulatos que viviam como trabalhadores livres ou, em minoria, como escravos. Era uma sociedade rural baseada sobretudo na pecuária e dominada por uma elite latifundiária que dominava a economia em um regime semi-feudal em que seus agregados dependiam totalmente do "coronel". O desenvolvimento independente do Ceará começaria apenas depois de sua separação de Pernambuco em 1799, e sua história foi sempre marcada por lutas políticas e movimentos armados. Esta instabilidade prolongou-se durante o Império e a Primeira República, normalizando-se depois da reconstitucionalização do País, em 1945.

[editar] Ceará Pré-Colonial

Existem relatos de que os navegadores espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe desembarcaram nas costas cearenses antes da viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. A de Pinzón chegou a um cabo identificado como o da Ponta Grossa, a que se acredita ser o Mucuripe. E Lepe na barra do rio Ceará, em Fortaleza. Essas descobertas não puderam ser oficializadas devido ao Tratado de Tordesilhas (1494).

As terras equivalentes ao Ceará foram doadas a Antônio Cardoso de Barros, mas este não se interessou em colonizá-las. Ficaram assim entregues à ação de corsários, que exploraram o âmbar-gris, as madeiras de lei, a pimenta e o algodão nativos.

O Ceará era habitado ancestralmente por indígenas de origem mongolóide de etnias diversas, como os cariris e potiguaras. Os colonizadores portugueses chegaram em 1603 através do litoral, mas o povoamento pelos europeus foi enormemente dificultado nas primeiras décadas de colonização, devido à intensa resistência dos nativos - que destruíram o primeiro forte edificado para marcar o domínio português e mataram muitos dos primeiros povoadores -, à interveniência de secas e à invasão de piratas estrangeiros.

[editar] Ceará Colonial

Ver artigo principal: Capitania do Ceará

A primeira tentativa séria de colonização ocorre com Pero Coelho de Sousa, que aporta no Ceará em 1605 com mulher e filhos, demonstrando por isto certo interesse em colonizar o Ceará. Em 1613, porém sobrevém a primeira seca registrada na história cearense, fazendo perecer Pero Coelho e família.

Fortaleza de São Sebastião, em 1613, ponto inicial da colonização do Ceará.
Fortaleza de São Sebastião, em 1613, ponto inicial da colonização do Ceará.

A colonização do Estado, iniciada no século XVII, foi dificultada pela forte oposição das tribos indígenas e só tomou impulso com a construção, na embocadura do rio Pajeú, do forte holandês Schoonenborch, que em 1654, foi tomado pelos portugueses. Com seu nome mudado para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, o forte tornou-se a sede da Capitania.

Como boa parte da população era ameríndia, muitas das primeiras cidades do Estado surgiram de aldeamentos onde os indígenas eram concentrados por religiosos católicos, após catequizados, para viver sob o controle religioso e colonial. Sabe-se, contudo, que houve intensa resistência, destacando-se a Guerra dos Bárbaros, no século XVIII, entre indígenas e portugueses, e que se estendeu por décadas. O processo de aculturação, no entanto, não se deu sem grandes influências de crenças, técnicas e produtos tipicamente nativos. Outras vilas surgiram do encontro de rotas do chamado gado tangerino, que era levado pelas estradas até feiras ou até os compradores.

As principais vilas da capitania eram Sobral, Icó, Crato e Aracati, além de Fortaleza, primeiro aldeamento do Estado e que só se tornou a cidade preponderante na economia estadual no início do século XIX. Dentre essas, a que mais ganhou destaque foi Aracati, que, devido ao comércio de couro e carne de charque, se tornou a praça econômica do Ceará. Entre os anos de 1750 a 1800, Aracati viveu seu apogeu, mas com uma grande seca na região entre os anos de 1790 até 1793, os rebanhos bovinos morreram, e a produção de carne charque transferiu-se para o Rio Grande do Sul, que assumiu a posição de abastecedor principal das outras regiões brasileiras.

Em 1813 torna-se governador do Ceará o português Manuel Inácio de Sampaio, o qual reúne os literatos no palácio do governo e dá incentivo às letras e às artes.

[editar] Ceará no Império

O século XIX começa no Ceará com movimentos rebeldes, como a República do Crato, em 1813, movimento de cunho republicano-liberal liderada pela família cratense dos Alencar. Tal movimento foi reprimido com dureza pelo governador provincial do Ceará, Inácio de Sampaio. Em 1825 o Ceará toma parte na Confederação do Equador, com Tristão Gonçalves, liberal, aplicando um golpe e tornando-se chefe do governo cearense. A Confederação é frustrada pela forças imperiais e Tristão morre durante os combates contra as forças legalistas do Império.

Sobreviventes do Sítio Caldeirão, um dos eventos mais cruéis da história cearense.
Sobreviventes do Sítio Caldeirão, um dos eventos mais cruéis da história cearense.

O ciclo de conflitos termina com a Insurreição de Pinto Madeira, iniciada por Pinto Madeira, grande "coronel" da cidade de Jardim, que visava o retorno da monarquia absolutista e representava interesses regionais opostos aos da cidade próxima do Crato, de inspiração marcantemente liberal. A insurreição termina derrotada por forças cratenses.

Em meados de 1860, devido à Guerra de Secessão norte-americana, há um surto de crescimento da produção do algodão no Estado, que, entretanto, não dura muito tempo. Em 1877, tem início a chamada Grande Seca de 1877-1879, um dos mais severos períodos de seca prolongada da história cearense, que levou à morte milhares de indivíduos e causou graves conseqüências demográficas, com a fuga de milhares de retirantes. A capital Fortaleza, então, recebeu uma população de fugitivos da seca quatro vezes maior que a sua própria [3].

No início do século XX, Fortaleza cultivava ares de Belle Époque.
No início do século XX, Fortaleza cultivava ares de Belle Époque.

A gravidade dessa estiagem chamou, pela primeira vez, a atenção do governo central do Império e mesmo de cientistas, havendo então a produção de textos científicos e propostas para o melhoramento da situação da população cearense [4], infelizmente pouco efetivas e, quase nenhuma, posta em prática, como se verificou nos graves períodos de estiagem de tempos posteriores, como a gravíssima Seca de 1915, retratada por Rachel de Queiroz em sua obra O Quinze. Por outro lado, houve um aceleramento nas obras do Açude Cedro, em Quixadá, o primeiro do Nordeste, que só ficou pronto em 1906 [5].

[editar] Primeira República e Estado Novo

Alguns anos antes da proclamação da República, notabilizou-se a campanha abolicionista no Ceará, que logrou abolir a escravidão no Estado em 25 de março de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. A primeira cidade brasileira a abolir a escravatura foi Acarape, atual Redenção, em 1º de janeiro de 1883. Devido a isso - e não ao seu clima ensolarado e tropical - o Ceará recebeu a alcunha de Terra da Luz, inicialmente por José do Patrocínio.

Com a participação de várias organizações libertárias, Sociedade Libertadora Cearense, da maçonaria, assim como a Sociedade das Senhoras Libertadoras e Sociedade Perseverança e Porvir. O grande destaque ficou com Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, jangadeiro que impulsionou as campanhas abolicionistas ao comandar seus companheiros jangadeiros, em 1881, numa total recusa a transportar escravos para dentro ou fora da província [6].

Soldados das forças juazeirenses.
Soldados das forças juazeirenses.

Na realidade, a escravidão, que jamais fora dominante no Ceará, estava praticamente extinta nos anos de 1880, de forma que não houve resistência, mesmo por parte da elite agrícola, à abolição.

A forte religiosidade popular e a grande miséria dos cearenses estimulava uma profusão de líderes messiânicos e formas de fanatismo religioso. O cearense Antônio Conselheiro, de Quixeramobim, chegou a formar, na Bahia, o arraial de Canudos, cuja forte atração populacional e ideológica acabou por causar a Guerra de Canudos, perpetrada pelo Governo central, com apoio da elite fundiária, contra milhares de sertanejos. Isso, entretanto, não extinguiu a influência dos líderes religiosos da região.

No fim do século XIX, o carismático Padre Cícero também passou a atrair milhares de sertanejos para um minúsculo distrito do Crato, que se tornaria Juazeiro do Norte (emancipada em 1911), persuadidos pela sua fama de milagreiro - atribuída ao caso da beata Maria de Araújo, cuja hóstia, recebida do padre, teria se transformado em sangue dezenas de vezes.

Padre Cícero, grande líder religioso e político no interior do Ceará.
Padre Cícero, grande líder religioso e político no interior do Ceará.

Controvérsias religiosas sobre o milagre acabaram levando à perda da ordenação pelo Padre Cícero, que, não obstante, tornou-se um líder cada vez mais conhecido. Apesar de seu caráter messiânico, o líder foi hábil em evitar grandes conflitos com a elite local.

Em 1914, irrompeu a Sedição de Juazeiro, que teve razões políticas: por um lado, o governador interventor Franco Rabelo, que representava a política salvacionista, centralizadora, do presidente Hermes de Fonseca, e, de outro, Padre Cícero, que havia conquistado os postos de prefeito de Juazeiro do Norte e vice-governador. Rabelo iniciou uma perseguição ao líder religioso. Com isso, liderados por Floro Bartolomeu, os sertanejos fiéis ao Padim Ciço reuniram-se para lutar contra as tropas estaduais, conseguindo derrotá-las em sua cidade e fazê-las recuar até Fortaleza, onde, vencendo, destituíram o governador. Na década de 1930, outro confronto eclodiu no Cariri, dessa vez no Crato. Localizado na zona rural da cidade, o Caldeirão de Santa Cruz do Deserto era um movimento messiânico igualitário e agrícola semelhante a Canudos e que era liderado pelo beato José Lourenço. A comunidade passou a ser vista pelo governo e pelos poderosos fazendeiros da região como uma má influência. Em 1937, o Caldeirão foi invadido e bombardeado, ocorrendo um massacre com aproximadamente 400 mortos.

Com a Revolução de 30, o Ceará passou a ser governado por interventores do Governo Federal. Ascenderam, nesse período, duas organizações políticas: a Legião Cearense do Trabalho, com nítida influência fascista, e a Liga Eleitoral Católica, de forte conotação religiosa, representante da elite tradicional e com forte apelo popular. Nos anos 40, com a Segunda Guerra Mundial e a instalação de uma base norte-americana em Fortaleza, ideais democráticos e anti-fascistas passaram a ser defendidos em passeatas e manifestações. Por uma forte propaganda governamental, muitos cearenses adentraram para o Exército da Borracha, formado por seringueiros que, na Amazônia, produziam borracha para abastecer os exércitos aliados - dentre os quais muitos morreram.

[editar] Demografia e dados sociais

Fortaleza, vista a partir do Mucuripe, a quarta maior cidade do Brasil.
Fortaleza, vista a partir do Mucuripe, a quarta maior cidade do Brasil.
Maracanaú, vista do Shopping Maracanaú, a segunda maior cidade do Ceará.
Maracanaú, vista do Shopping Maracanaú, a segunda maior cidade do Ceará.

Segundo estimativas do IBGE (2006), a população cearense é de aproximadamente 8.238.000 habitantes, o que confere ao Estado uma densidade de cerca de 55 hab./km²[7].

Os municípios mais populosos são Fortaleza, Caucaia, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Sobral, Crato, Itapipoca e Maranguape. Observe-se que, destes, quatro estão localizados na Região Metropolitana de Fortaleza, ainda há um crescimento considerável no Sertão Central em cidades como Quixeramobim e Quixadá..

Há forte concentração população na microrregião de Fortaleza (que inclui municípios da Região Metropolitana de Fortaleza), com 3.255.701 habitantes; na do Cariri, com 519.055 habitantes; e na de Pacajus, com 98.390 habitantes. Somadas, possuem 7.875,767 km² (5,3% do total) e 3.873.146 habitantes (cerca de 46% do total) o que lhes confere uma densidade populacional de 491,78 hab./km².

Juazeiro do Norte é a segunda cidade mais populosa e povoada do Ceará.
Juazeiro do Norte é a segunda cidade mais populosa e povoada do Ceará.

A transição demográfica prossegue: a taxa de natalidade, que nos anos 70 era bastante alta, caiu para 19,4‰ em 2006, e a taxa de mortalidade está em 6,6‰[7].

A taxa de crescimento demográfico caiu de uma média de cerca de 2,6% na década de 50 para cerca de 1,73% durante os anos 90. Com a transição demográfica em curso, a proporção de idosos no conjunto da população aumentou de 2,4% em 1950 para 6,72% em 2004. Em sentido contrário, os jovens de 0-14 anos passaram de 45,7% em 1950 para 30,13% em 2005.[8]

A taxa de urbanização, que em 1940 era de 22,7%, foi estimada em 2006 em 76,4%, tendo se acelerado muitíssimo nas últimas décadas (só em 1980 a população urbana passou a ser majoritária, com 53,1%).[8]

Quixadá é uma das principais cidades do interior semi-árido do Ceará.
Quixadá é uma das principais cidades do interior semi-árido do Ceará.
Quixeramobim é a cidade do Sertão Central que mais cresceu nestes últimos 15 anos.
Quixeramobim é a cidade do Sertão Central que mais cresceu nestes últimos 15 anos.

A religião é muito importante para a maior parte da população cearense. O Estado é o terceiro mais católico do País, em termos proporcionais, com 86,7% da população seguindo o catolicismo. Em seguida, vêm os protestantes, somando 9,01%; os que não possuem nenhuma religião, com apenas 2,82%; e os fiéis de outras religiões, com 1,34% [9].

De acordo com os dados do IBGE, a expectativa de vida do cearense foi de 69,9 anos em 2006 (65,7 para homens; 74,4 para mulheres), o que representa uma melhora de 18,7% em relação à de 1980 (58,9 anos).

Vista parcial da cidade do Crato, construída ao sopé da Chapada do Araripe.
Vista parcial da cidade do Crato, construída ao sopé da Chapada do Araripe.

Assim, o Estado acompanhou e até superou o aumento geral da esperança de vida do brasileiro, que foi de 15,7% (passando de 62,52 para 72,35 anos no mesmo período). Ainda assim, está muito inferior à maior expectativa de vida do país, que é a do Distrito Federal (75,11 anos).

O Ceará foi o Estado que mais diminuiu a mortalidade infantil de 1980 a 2006, atingindo 30,8 por mil a partir da altíssima taxa de 111,5 por mil de 1980. Houve, portanto, uma redução de 72,4%. Ainda assim, o Ceará está acima da taxa de mortalidade nacional de 24,9 por mil. Por outro lado, dentre os estados nordestinos, só perde para o Piauí (29,3 mortes por mil nascimentos).

A criminalidade, entretanto, é um problema crescente no Estado. A taxa de homicídio é de 20,0 por 100 mil habitantes, o que faz o Ceará passar da 22ª para a 17ª posição entre os Estados da Federação, em relação a 1994. O Ceará possui 9 municípios (4,9% do total do Estado) entre os 10% com maior taxa de homicídio do Brasil [10].

[editar] Etnias

Cor/Raça Porcentagem
Brancos 33,7%
Negros 2,4%
Pardos 63,5%

Fonte: PNAD (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração)[11].

Devido às características econômicas que sempre predominaram no Ceará (a pecuária, atividade bastante móvel, e a cotonicultura) e aos aspectos naturais da terra (como o regime periódico de secas, que gerava graves situações de escassez de alimentos em várias áreas sertanejas), a escravidão africana não foi muito importante no Estado. Assim, a população negra cearense sempre foi relativamente pequena.

Em 1864, havia apenas 36 mil cearenses escravos, número que, em 1887, reduzira-se para apenas 108 (observe-se que, em 1872, a população total estava em 721.686 habitantes[12]). Comparando-se com Estados escravistas próximos, constata-se quão desimportante era a escravidão na sociedade do Ceará: em 1864, Pernambuco tinha 260 mil escravos, permanecendo ainda com 41.122 em 1887; e a Bahia, 300 mil escravos em 1864 e 76.838 escravos restantes em 1887 [13].

Predominam os mestiços, descendentes, em sua maior parte, de brancos e índios, mulatos e caboclos que viviam como vaqueiros, moradores de fazendas, pescadores, etc.

O Ceará tem cerca de 15 etnias nativas, embora somente 9 sejam reconhecidas pela FUNAI. A população estimada dessas nove etnias é de 5.365 índios. No Ceará muitas pessoas desconhecem a existência dos índios, pois os próprios índios, durante muito tempo esconderam sua identidade. Um decreto da Assembléia Provincial do Ceará, datado de 1863, declarou que não havia índios no Ceará. Então eles passaram a ser desacreditados, perseguidos e tiveram suas terras invadidas. Somente na década de 1980, os índios cearenses começaram a reivindicar seus direitos de posse de terra e o reconhecimento de suas etnias.

[editar] Geografia

Ver artigo principal: Geografia do Ceará
Ver página anexa: Lista de rios do Ceará

O Ceará é cercado por formações de relevo altas, as chapadas e cuestas: a oeste é delimitado pela Cuesta da Ibiapaba, a leste, pela Chapada do Apodi, ao sul pela Chapada do Araripe e ao Norte pelo Oceano Atlântico. Por isso o nome de Depressão Sertaneja para a região central do Estado.

Enquanto as chapadas e cuestas são de origem sedimentar, as serras e os inselbergs que abundam em meio à Depressão Sertaneja são de formação cristalina. Dentre os relevos sedimentares, apenas a Chapada do Araripe (com altitudes que vão de 700m até mais de 900m) e a Cuesta da Ibiapaba (com altitude média de 750m) possuem altura suficiente para permitir a ocorrência freqüente de chuvas orográficas, o que confere a essas áreas maior umidade e pluviosidade.

O Rio Jaguaribe, com 633km de extensão, é o principal rio cearense.
O Rio Jaguaribe, com 633km de extensão, é o principal rio cearense.

As altitudes na Chapada do Apodi, por outro lado, não ultrapassa os 300m, o que faz com que as características semi-áridas predominem na região. Dentre as serras de origem cristalina, aquelas que possuem mais de 600m de altura média (como é o caso do Maciço de Baturité, da Serra da Meruoca ou da Serra de Uruburetama) também são favorecidas pelas chuvas orográficas, surgindo aí vegetação tropical densa, chuvas mais freqüentes e maior umidade, em especial na vertente de barlavento delas. Nas serras menos altas, surge vegetação semelhante às das vertentes de sotavento das serras úmidas, isto é, uma caatinga de caráter hipoxerófilo, conhecida como mata seca.

A carnaúba é a árvore símbolo do Ceará e ocupa grandes extensões no sertão.
A carnaúba é a árvore símbolo do Ceará e ocupa grandes extensões no sertão.

O Ceará está no domínio da Caatinga, um bioma semi-árido exclusivamente brasileiro, caracterizado por ter seu período chuvoso restrito a três ou quatro meses do ano e alta biodiversidade. A forte sazonalidade do bioma faz com que existam fauna e flora adaptadas a tais condições ambientais. Infelizmente, a área protegida dessa vegetação endêmica brasileira é ainda muitíssimo restrita.

Dependendo do local, de acordo com o solo e o regime de chuvas - que pode variar de menos de 500 mm até perto de 1.000mm anuais - são formados vários padrões distintos de caatinga, desde a arbustiva até à arbórea, com paisagens e flora distintas. Em especial no norte cearense, são comuns vastas áreas de carnaubais próximas à vegetação predominante de caatinga, o que caracteriza essa região por apresentar extensas faixas de mata dos cocais.

As serras e o litoral, no entanto, gozam de um clima menos seco e quente, com temperatura e umidade mais favoráveis ao verdor. Nas serras e chapadas, a caatinga dá lugar, à medida que se eleva a altitude, ao cerrado, cerradão (vegetação de cerrado mais densa e alta) e à floresta tropical.

As pluviosidades, bem mais intensas do que na Depressão Sertaneja, variam de 1000mm a mais de 2000mm anuais. Nessas regiões, as temperaturas também variam mais que no resto do Estado: nos meses mais frios (particularmente julho), as mínimas podem chegar a menos de 15ºC, mas, nos meses mais quentes (notadamente novembro e dezembro), a temperatura pode atingir cerca de 35ºC. Por estarem isoladas em meio à caatinga, as serras úmidas apresentam não só grande biodiversidade, como também muitas espécies endêmicas, constituindo-se em santuários de refúgios da flora típica de matas tropicais úmidas [14].

Existe ainda o carrasco, vegetação xerófila com características próprias que surge no reverso da Chapada da Ibiapaba e do Araripe caracterizada por uma flora arbustiva e arbórea predominantemente lenhosa, ao contrário da caatinga. O carrasco distingue-se ainda da caatinga pela quase inexistência de cactos e bromeliáceas. Alguns se referem a essa vegetação como uma espécie de transição entre o cerrado, a floresta tropical e a caatinga.

[editar] Litoral

Praia de Águas Belas, em Cascavel (Ceará)
Praia de Águas Belas, em Cascavel (Ceará)
Ver página anexa: Lista de praias do Ceará

No litoral, que se estende por 573 km, predominam os mangues e a vegetação litorânea típica, além de áreas sem vegetação recobertas por dunas. Mesmo com altitudes muito pouco elevadas, as pluviosidades e a umidade são maiores que na Depressão Sertaneja. As temperaturas médias variam de 22ºC a 32ºC.

Duna em Jericoacoara, durante o pôr-do-sol.
Duna em Jericoacoara, durante o pôr-do-sol.

A planície litorânea possui geografia diversificada, o que faz com que o Estado possua praias com coqueirais, dunas, barreiras (também chamadas falésias por muitos) - paredões sedimentares que acompanham a faixa da costa e, em alguns trechos, possuem tons coloridos - e áreas alagadas de manguezal, onde há grande biodiversidade.

As praias mais famosas do Ceará são a Praia de Jericoacoara, a Praia de Canoa Quebrada e a Praia de Porto das Dunas, dentre outras, as quais se destacam por alcançar fama internacional. Regionalmente, outras praias destacadas são: a Praia das Fontes, Morro Branco, Icaraí, Presídio, Cumbuco e Lagoinha. O litoral cearense é atravessado por duas rodovias, a Costa do Sol Nascente e a Costa do Sol Poente, que, a partir de Fortaleza, direcionam-se para o litoral leste e oeste, respectivamente.

[editar] Proteção ao meio ambiente

A Depressão Sertaneja
A Depressão Sertaneja
Vista da Chapada do Araripe a partir do seu sopé no Crato
Vista da Chapada do Araripe a partir do seu sopé no Crato

No Ceará existem dois parques nacionais. O Parque Nacional de Ubajara criado em 30 de abril de 1959 e até recentemente era o menor parque em área com 563 ha, passando a ter atualmente 6.299 ha. Abriga em seu interior a Gruta de Ubajara e um bondinho de acesso à gruta, o qual é sua maior atração. O segundo parque é o Parque Nacional de Jericoacoara - criado em 2002 para preservar as praias e dunas da região -, que tem como principal atrativo a Pedra furada que fica no encontro com o mar e também a vila de pescadores que mantém suas características originais e rústicas. Outras áreas de preservação ambiental importantes são as florestas nacionais do Araripe (a primeira Floresta Nacional do território brasileiro, estabelecida em 1946) e de Sobral. Existe, ainda, a Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, com 10.000km², que se estende por 38 municípios do Ceará, Pernambuco e Piauí [15] .

O Governo do Ceará mantém 13 áreas de proteção ambiental. O Parque Ecológico do Cocó e o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio são os únicos parques estaduais do Ceará, sendo o Parque do Cocó o primeiro a ser criado, em 1989, dentro da área urbana de Fortaleza, abrigando o bioma de mangue. Em todo o Ceará existem 58 área de conservação sendo 20 estaduais, 11 federais, 13 municipais e 14 particulares.

Infelizmente, as áreas naturais do Estado estão muito pouco preservadas. As regiões de floresta tropical, com maior biodiversidade, nas serras e chapadas de elevada altitude, possuem grande concentração demográfica, intenso uso para fins agropecuários e, comparativamente, pouca preservação e fiscalização ambiental. Em situação igualmente grave está a extensa caatinga cearense, que conta com uma ínfima taxa de menos de 0,45% de preservação (embora represente, em suas variadas formas, cerca de 90% do território estadual)[16]. Em sua maior parte, a caatinga está destruída ou, apesar de aparentemente conservada, não passa de formas vegetais secundárias menos ricas.

[editar] Clima

Vista panorâmica na cidade serrana de Guaramiranga, no Maciço de Baturité
Vista panorâmica na cidade serrana de Guaramiranga, no Maciço de Baturité

O clima é predominantemente semi-árido, com pluviosidades que, em trechos da região dos Inhamuns, podem ser de menos de 500mm, mas também podem se aproximar de 1.000mm em outras áreas caracterizadas pelo clima semi-árido brando (presente, por exemplo, na área semi-árida do Cariri e nas cidades relativamente próximas à faixa litorânea). O que caracteriza o clima da região é a irregularidade do período chuvoso, que se concentra em 3 a 4 meses (normalmente fevereiro a junho), podendo atingir elevadas médias de pluviosidade, mas chega a escassear quase que por completo em meses posteriores. As médias térmicas são elevadas, variando entre 26ºC e 29ºC, e a amplitude térmica na região semi-árida é relativamente grande, com dias muito quentes e noites amenas.

A paisagem repleta de monólitos que caracteriza o sertão próximo a Quixadá.
A paisagem repleta de monólitos que caracteriza o sertão próximo a Quixadá.

Em todo o Estado, os dias mais frios ocorrem geralmente em julho e os mais quentes, entre outubro e fevereiro.

Nas áreas serranas, onde impera o clima tropical sub-úmido e semi-úmido e, nas altitudes mais elevadas, tropical úmido, as temperaturas são mais baixas, com média de 20ºC a 25ºC. Surgem aí vegetações de cerradão e floresta tropical, e as pluviosidades são mais altas, superando os 1.000mm, elevando-se também a umidade. As áreas serranas contêm mananciais que banham os sopés dessas regiões, tornando-os mais propícios à atividade agrícola. É nas serras e próximo a elas, assim como nas planícies aluviais, que se concentra a maior parte da população do interior cearense, com densidades superiores a 100 hab./km², por exemplo, em boa parte do Cariri cearense.

A maior amenidade do clima nessas áreas é verificada mesmo nesses sopés, como é o caso da cidade do Crato. As temperaturas são mais frias em meados de julho, quando atingem não raro menos de 15ºC durante a noite (foi em Jardim, na região da Chapada do Araripe que se registrou oficialmente a menor temperatura do Estado, 8ºC). No geral, entretanto, as temperaturas variam entre, aproximadamente, 17ºC e 32ºC.

No litoral, o clima é tropical semi-úmido, com pluviosidades normalmente entre 1.000mm e 1.300mm. As temperaturas são bastante elevadas, com médias de 26ºC a 28ºC, mas a amplitude térmica é bastante pequena. No geral, as temperaturas variam, durante o dia, de mínimas de 23ºC-24ºC até máximas de 30º-31ºC. É raro as temperaturas ultrapassarem os 35ºC na região litorânea, ao contrário do que ocorre no Sertão cearense.

Fortaleza: Média das mínimas: 23º; Mínima absoluta: 19º; Média das máximas: 28º; máxima absoluta: 32º.

[editar] Cultura

Ver página anexa: Lista de cearenses notáveis

[editar] Arte popular

A cultura cearense é de base essencialmente européia e ameríndia, com menores influências afro-brasileiras, seguindo o mesmo padrão de todo o sertão nordestino. Por conseguinte, a arte popular cearense, em especial o artesanato, mescla técnicas e tradições européias com traços das culturas nativas e, em menor proporção, afro-brasileiras.

Quando da introdução da cultura portuguesa no Ceará, ao longo do século XVII, os índios já produziam um diversificado artesanato a partir de vegetais como o cipó e a carnaúba, bem como dominavam técnicas primitivas de tecelagem do algodão [17], inclusive tingindo os tecidos de vermelho com a casca da aroeira [18]. Com a colonização, diversas técnicas européias se somaram a essa base cultural, formando uma arte popular que viria a ser renomada nacional e internacionalmente.

Rendeira cearense trabalhando com bilros.
Rendeira cearense trabalhando com bilros.

Com origens portuguesas e relevante influência indígena, têm destaque a produção de redes com os mais diversos bordados e formas e intrincadas rendas feitas em bilros, talvez o maior destaque da produção artesanal cearense, sendo uma arte tradicional no Ceará desde, pelo menos, o século XVIII [19]. As rendas e os labirintos possuem maior destaque nas imediações do litoral, enquanto o interior se destaca mais pelos bordados [20].

Ademais, o artesanato feito em madeira e barro se destaca bastante, com produção de esculturas humanas, representando tipos da região; quadros talhados em madeira - muitos com temática religiosa, vasos adornados, etc. Outro importante item do artesanato cearense são as garrafas de areias coloridas, onde são reproduzidas, manualmente, paisagens e temáticas diversas. São ainda encontrados, em diversas cidades - em especial Massapê, Russas, Aracati, Sobral e Camocim, dentre outras, cestarias, chapéus e trançados com variadas formas e desenhos feitos da palha da carnaúba, do bambu e do cipó [21]. Por fim, como conseqüência natural de uma economia que, durante séculos, foi essencialmente pecuarista, o couro é trabalhado artesanalmente, em especial, para a produção de chapéus e outras peças da roupa de vaqueiros, assim como de móveis e esculturas. Os principais destaques no artesanato coureiro são Morada Nova, Juazeiro do Norte, Crato, Jaguaribe e Assaré [22].

Em diversas áreas do interior cearense, os cordéis, assim como os repentistas e poetas populares, especialistas no improviso de rimas, ainda estão presentes e ativos, seguindo uma tradição que remonta aos trovadores e poetas populares da Idade Média lusitana. Outra forte influência portuguesa se encontra na grande importância das festas religiosas nas cidades de todo o interior, particularmente as festas de padroeiro, que estão entre as principais festividades da cultura cearense, abarcando não só cerimônias religiosas, mas também danças, músicas e outras formas de entretenimento, numa complexa mistura de aspectos sagrados e profanos. Destaca-se a Festa de Santo Antônio em Barbalha, famosa pelo pau da bandeira e comemorada nessa forma há 78 anos [23].

[editar] Humor cearense

O Ceará se tornou conhecido nacionalmente como berço de talentos humorísticos como Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante, dentre vários outros. Embora a percepção de que há um Ceará moleque, como verdadeira identidade do povo cearense, seja controversa, a história do Estado é repleta de casos verídicos e curiosos que parecem corroborar com essa idéia, destacando-se, sobretudo, figuras populares como o Bode Ioiô, que era famoso em Fortaleza e inclusive foi eleito vereador da cidade, e o Seu Lunga, de Juazeiro do Norte, famoso pela sua intolerância com perguntas óbvias, assim como eventos como a vaia ao sol também em Fortaleza, depois de quase um dia inteiro de céu nublado na cidade.

[editar] Música cearense

O gênero musical mais identificado com o Ceará é o forró, em suas variadas formas, inicialmente caracterizado especialmente pelo tradicional forró pé-de-serra, contando apenas com alguns poucos instrumentos como sanfona e triângulo. Nos anos 40, o cearense Humberto Teixeira formou uma famosa parceria com o pernambucano Luiz Gonzaga, criando o baião, que se tornou muito apreciado. Uma das principais tradições da música cearense - e, principalmente, do Cariri - são também as bandas cabaçais, que utilizam pífanos, zabumbas e pratos e freqüentemente fazem acompanhar sua música com movimentos e acrobacias com facões, com destaque para a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto. Outros representantes tradicionais da música cearense são os seresteiros e repentistas.

Dos anos 80 em diante, cresceu bastante o chamado forró eletrônico, que adotou novos instrumentos e absorveu muitas influências de diversos estilos populares, afastando-se um pouco da tradição do "pé-de-serra" e ganhando grande popularidade no Estado.

No entanto, o papel do Ceará na música se estende para muito além do forró. O importante momento musical dos anos 60, no qual floresceram a MPB e o tropicalismo no Brasil, também teve grande influência no Ceará, através de artistas como Ednardo, Belchior, Fagner, Amelinha e outros, alguns dos quais conseguiram projeção nacional.

Inusitadamente, o Ceará tem também tido certo destaque na música clássica brasileira, embora aí não encontre grandes incentivos. Um dos mais destacados compositores clássicos brasileiros foi o cearense Alberto Nepomuceno, considerado o "pai" do nacionalismo na música erudita do Brasil. Outro representante da música clássica foi o renomado regente Eleazar de Carvalho, em cuja homenagem foi criada a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho. Nessa seara, há também iniciativas que unem a música à filantropia como a Orquestra Filarmônica da Chapada do Araripe[24], em Araripe e a Sociedade Lírica do Belmonte[25], no Crato.

[editar] Literatura cearense

O Ceará é terra de muitos escritores e poetas importantes, podendo-se citar, dentre muitos outros: José de Alencar, Domingos Olímpio, Rachel de Queiroz, Adolfo Caminha, Antônio Sales, Jáder Carvalho, Moreira Campos, Gustavo Barroso, Patativa do Assaré, João Clímaco Bezerra etc. A literatura cearense foi sempre caracterizada por florescer em torno de grupos literários. O primeiro desses grupos de desenvolvimento literário foi Os Oiteiros, que, embora mantendo os padrões típicos do Arcadismo, soube encontrar uma cor local para descrever o fugere urbem e o carpe diem típicos daquela escola.

José de Alencar, considerado o maior escritor cearense
José de Alencar, considerado o maior escritor cearense

José de Alencar, nascido em Messejana (hoje anexada como bairro a Fortaleza), é considerado o principal romancista do Romantismo brasileiro. Suas obras tornaram-se bastante famosas, especialmente O Guarani, Iracema e Senhora.

No final do século XIX, surgiu a Padaria Espiritual, uma agremiação cultural formada por jovens escritores, pintores e músicos. Marcada pela ironia, irreverência e espírito crítico, bem como por um "sincretismo" literário, a Padaria Espiritual se expressava por meio do jornal O Pão. Muitos autores criticavam as instituições e valores então vigentes. Para alguns críticos literários e historiadores, a Padaria Espiritual pode ser considerada um movimento pré-modernista que já apresentava alguns aspectos do Modernismo, que só surgiria com força em São Paulo quase trinta anos depois. Assim, de certa forma, o Ceará foi pioneiro em desenvolver uma literatura irreverente, relativamente informal e sincrética. A Academia Cearense de Letras foi fundada em 1894 e é a principal instituição literária do Estado, congregando os nomes mais ilustres da literatura estadual. A sua criação inspirou, alguns anos mais tarde, a formação da Academia Brasileira de Letras.

O Modernismo se consolidou no Ceará por meio do movimento Clã, fundado nos anos 40, que congregou diversos escritores renomados cearenses: Moreira Campos, João Clímaco Bezerra, Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros, Otacílio Collares, Artur Eduardo Benevides, Antônio Martins Filho, Braga Montenegro, Manuel Eduardo Pinheiro Campos, Fran Martins, José Stênio Lopes, Milton Dias, Lúcia Fernandes Martins e Mozart Soriano Aderaldo. Na década de 70, surgiram outros dois importantes grupos literários no Ceará: O Saco, uma revista artística inusitada, pois era distribuída com folhas soltas guardadas dentro de um saco; e o Grupo Siriará, que reuniu diversos jovens escritores, propondo uma literatura cearense autêntica e desvinculada dos estereótipos que se estabeleceram na retratação literária do ambiente cearense.

O Ceará também possui escritores pós-modernistas renomados, embora, em sua maior parte, pouco conhecidos. Podem-se citar, dentre eles, Pedro Salgueiro, Natércia Campos, Airton Monte e Tércia Montenegro, dentre outros.

[editar] Literatura popular cearense

No Ceará, a literatura de cordel desenvolveu-se expressivamente em Juazeiro do Norte, desde as primeiras décadas do século passado. Em Fortaleza, a Literatura de Cordel surgiu no período da Oligarquia de Nogueira Accioly, período esse, em que circularam alguns folhetos destratando a figura do Governador Cearense. Nesta mesma época, atuava também em Fortaleza o poeta-editor potiguar Luiz da Costa Pinheiro, autor do clássico “O Boi Mandingueiro e o Cavalo Misterioso”.

O poeta alagoano José Bernardo da Silva, fixou-se em Juazeiro do Norte, e fundou na década de 40 a Tipografia São Francisco, responsável, até o início da década de 80, por quase toda a produção de folhetos vendidos no Ceará e demais Estados nordestinos.

[editar] Economia

Quase metade da economia cearense se concentra na capital
Quase metade da economia cearense se concentra na capital

O PIB cearense em valores correntes, em 2005, foi de R$40.923.492, dos quais 48,22% estão concentrados na capital Fortaleza, segundo estudo do Ipece [26]. Muito atrás, destacam-se algumas cidades médias da região metropolitana e do interior: Maracanaú (5,37%), Sobral (3,53%), Caucaia (2,53%), Juazeiro do Norte (2,27%), Eusébio (1,41%), Horizonte (1,23%), Maranguape (1,17%), Crato (1,12%) e Iguatu (1,05%), respectivamente.

Segundo o mesmo estudo, houve leve desconcentração da riqueza de 2002 a 2005, período no qual a participação de Fortaleza no PIB caiu de 49,91% para 48,22%. Segundo o PIB per capita, a cidade com mais movimentação econômica é Eusébio (R$15.017,54 per capita), e a com menor, Martinópole (R$1.452,24 per capita). Juntos, os 15 municípios de maior PIB representam 72,2% das riquezas produzidas no Estado.

Economicamente, o Ceará nasceu da expansão do gado vindo de Pernambuco e da Bahia; o primeiro direcionou a colonização a partir do norte do Estado, e o segundo, a partir do sul. Assim, durante séculos o Ceará foi uma "civilização do couro", dedicada, sobretudo, à venda de gado e de sua carne para outras províncias. Em fins do século XVIII, com a Guerra de Independência dos Estados Unidos, o cultivo de algodão teve enorme impulso, tornando-se uma das principais atividades econômicas cearenses. A isso se somava a produção de café nas serras mais altas e, por fim, atividades agrícolas, pesqueiras e pecuárias de subsistência.

A partir dos anos 60, houve uma progressiva industrialização e urbanização, que ganhou impulso a partir da década de 80, em parte devido à política de concessão de benefícios fiscais a empresas que se instalassem no Estado. Atualmente, embora sendo ainda uma economia sub-industrializada em relação a vários outros Estados do Brasil, a economia cearense não é mais baseada sobretudo nas atividades agropecuárias, sendo preponderante o setor terciário de comércio e serviços, com grande destaque para o turismo. Apesar disso, aquelas ainda possuem grande relevância na economia do Estado, em especial a pecuária, mas há também crescente importância de cultivos não-tradicionais no Estado, como a produção de frutas e legumes no Vale do Rio Jaguaribe e de flores na Serra da Ibiapaba e no Cariri. Desde 2004, a economia cearense vem crescendo, moderada mas sustentadamente, entre 3,5% e 5% ao ano[27]. Em 2007, o crescimento foi de 4,1%, e, para 2008, prevê-se um crescimento de 4,5%.[28]

[editar] Agricultura

Cajueiro, de onde se retira um dos principais produtos agrícolas do Ceará: a castanha de caju
Cajueiro, de onde se retira um dos principais produtos agrícolas do Ceará: a castanha de caju

Destacam-se na atividade agrícola: feijão, milho, arroz, algodão herbáceo, algodão arbóreo, castanha de caju, cana-de-açúcar, mandioca, mamona, tomate, banana, laranja, coco e, mais recentemente, a uva. Recentemente, tem crescido um pólo de agricultura irrigada, dirigida principalmente à exportação, em áreas próximas à Chapada do Apodi, dedicando-se especialmente ao cultivo de frutas como melão e abacaxi. Outro destaque muito recente é o do cultivo de flores, que tem ganhado importância especialmente na Cuesta da Ibiapaba. O Ceará conta com dois portos por onde escoam sua exportação e importação: o porto do Pecém e o porto do Mucuripe.

[editar] Pecuária

Bovinos, suínos, caprinos, eqüinos, aves, asininos, carcinicultura e ovinos.

[editar] Mineração

Ferro, água mineral, calcário, argila, magnésio, granito, petróleo, gás natural, sal marinho, grafita, gipsita, urânio bruto. O município de Santa Quitéria, na localidade de Itataia, possui uma das maiores reservas de urânio do Brasil.

[editar] Indústria

Vestuário, alimentícia, metalúrgica, têxtil, química e calçadista. O Distrito Industrial de Maracanaú (Região Metropolitana de Fortaleza), é um importante complexo industrial, dinamizando a economia do estado do Ceará.

[editar] Turismo

O Ceará recebe hoje turistas do mundo inteiro, pois atende aos anseios dos mais diversos tipos:

Turismo cultural
Prédio do sítio histórico da Casa de José de Alencar
Prédio do sítio histórico da Casa de José de Alencar

Todas as regiões possuem um rico acervo cultural representado pela arte, tradição e memória, embora atualmente não incentivado suficientemente com vistas à sua preservação e desenvolvimento. Com um artesanato diversificado, o Ceará produz peças em crochê, madeira, cerâmica, bordados, vime, palha, bambu, tricô e renda. As pedras semipreciosas também são exploradas, transformadas em jóias criativas, sobretudo em Juazeiro do Norte, Quixadá e Quixeramobim.

Em Fortaleza, destaca-se a visitação à Casa de José de Alencar (que abriga o Museu da Renda, o Museu da Antropologia, a Pinacoteca Floriano Teixeira e a Biblioteca Braga Montenegro), o Museu da Imagem e do Som do Ceará, o Museu do Ceará, o Memorial da Cultura Cearense, o Museu das Secas, o Museu do Maracatu, o Museu de Fortaleza o Theatro José de Alencar, um dos mais importantes exemplos da arquitetura art nouveau no Brasil, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, grande obra onde se apresentam e expõem diversas obras e performances artísticas, além de construções históricas, como a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, marco-zero da cidade de Fortaleza e uma das construções mais antigas do Ceará.

Fortaleza, Aracati, Icó, Viçosa do Ceará, Sobral, Barbalha e Quixadá têm vários bens do Patrimônio Histórico arquitetônico tombados pelo IPHAN. A cidade de Aquiraz é a mais antiga do Estado, tendo sido a primeira capital da província. Os engenhos de cana-de-açúcar mantêm o ambiente rústico e também contam um pouco da História do Ceará.

Turismo religioso
Estátua do Padre Cícero na colina do Horto em Juazeiro do Norte.
Estátua do Padre Cícero na colina do Horto em Juazeiro do Norte.

Com inúmeras manifestações da religião católica popular, o Estado é palco de verdadeiros espetáculos de devoção, conseguindo mobilizar milhares de romeiros. As cidades de maior destaque são Juazeiro do Norte - atraindo os devotos do Padre Cícero, Canindé - sendo considerado o segundo maior centro de peregrinação de devotos de São Francisco e Quixadá - com o Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão.

Turismo de aventura
Chapada do Araripe, no Crato, uma das regiões com forte potencial para o ecoturismo no Ceará.
Chapada do Araripe, no Crato, uma das regiões com forte potencial para o ecoturismo no Ceará.

Áreas de serra, praia e sertão têm sido utilizadas, cada vez mais, para a prática de esportes, tais como: campeonatos de vôo livre, rappel, escalada, trekking, rally, windsurf, kitesurf, vela, surf, e ainda o sandboard. Os destaques estão em Quixadá, cuja geografia marcada por colinas e inselbergs facilita a prática de esportes como o rappel e o vôo de asa-delta, e em praias ao longo do litoral.

Ecoturismo

A diversidade de ecossistemas faz com que o ecoturismo seja praticado em todo o Estado, tendo como expoentes principais: O Maciço de Baturité, que conta com cachoeiras, vegetação de floresta tropical úmida e trilhas para observação da flora e fauna locais. O Parque Nacional de Ubajara, na Cuesta da Ibiapaba, conhecido como oásis próximo ao sertão semi-árido, contando com grutas visitadas por muitos turistas; o Sertão Central, com o Vale Monumental, que abarca cidades como Quixadá e Quixeramobim; e o vale do Cariri, com trilhas organizadas na Floresta Nacional do Araripe, primeira floresta nacional de todo o Brasil, contando com vegetação que varia de cerrado a floresta tropical em imensos paredões tabulares que se elevam a até mais de 900m de altitude. Deve-se, ainda, ressaltar que, na costa, há diversas áreas de mangue com fauna rica que atraem turistas, especialmente nas áreas próximas ao Delta do Parnaíba, na divisa com o Piauí.

Turismo rural

É uma das alternativas econômicas para o interior do Ceará, uma vez que pode agregar valor às propriedades e aos recursos naturais existentes. O interesse específico está na produção agropecuária, nos costumes e na culinária locais.

[editar] Transportes

[editar] Rodovias

Ver artigo principal: Rodovias do Ceará
Mapa viário do Ceará
Mapa viário do Ceará

Em Fortaleza tem início a BR mais importante do Brasil, a BR-116 que liga a Capital do Ceará as regiões Sudeste e Sul do país até a cidade gaucha de Jaguarão. Em Fortaleza também tem início a BR-222 que faz ligação com a região Norte indo até Marabá no Pará. A BR-020 faz a ligação de Brasília com Fortaleza passando por toda a região dos Inhamuns, área mais pobre do Estado. Estas três BRs estão duplicadas na área que faz entrada em Fortaleza sendo a BR-116 duplicada entre Horizonte e a Capital.

As rodovias estaduais somam um total de 10.657,9 km, sendo 5.767,6 km pavimentados e 4.890,3 não-pavimentados. A extensão total da malha rodoviária, incluindo rodovias municipais, estaduais e federais, é de 53.325,4, segundo o Departamento de Edificações e Rodovias do Ceará (DER). Todas as CEs que fazem a ligação de Fortaleza com os municípios vizinhos estão duplicadas: CE-040, CE-060, CE-065 e CE-090. No interior a CE-060 entre as cidades de Acarape e Redenção num trecho de 2km duplicado e entre as cidades de Juazeiro do Norte e Barbalha outro trecho de 10km. Entre Juazeiro do Norte e Crato a BR-122 também está duplicada. Todas as sedes dos municípios têm acesso por estradas pavimentadas.

[editar] Aeroportos

No Ceará existem dois aeroportos administrados pela Infraero: O Aeroporto Internacional de Fortaleza e o Aeroporto Regional do Cariri em Juazeiro do Norte. O Governo do Ceará tem cadastrado 68 aeroportos e pista de pousos destacando-se três para acesso a regiões turísticas tais como: Aeroporto de Aracati, Aeroporto de Camocim e Aeroporto de Quixadá. Tem ainda os aeroportos regionais em Sobral e Iguatu.

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