Ceawlin de Wessex
| Ceawlin de Wessex | |
|---|---|
| Rei de Wessex | |
| Governo | |
| Antecessor | Cynric de Wessex |
| Sucessor | Ceol de Wessex |
| Vida | |
| Morte | c. 593 |
Ceawlin de Wessex (também escrito como Ceaulin ou Caelin; morto por volta de 593) foi um rei de Wessex, atual sudeste da Inglaterra. Ele pode ter sido filho de Cynric de Wessex, e neto de Cerdic de Wessex, que foi o primeiro líder dos saxões que chegaram à Inglaterra. Ceawlin já estava ativo quando a invasão anglo-saxã foi completada na Inglaterra.
Segundo a Crônica Anglo-Saxônica, várias batalhas aconteceram em sua época, entre 556 e 592, incluindo a primeira entre diferentes grupos anglo-saxões. A cronologia de sua vida é incerta: seu reinado é descrito como tendo durado sete anos, dezessete, ou trinta e dois anos, e muitos eventos históricos da época foram colocados em dúvida. Entretanto, parece que sob reinado de Ceawlin ele adquiriu um significante território, embora alguns ele tenha perdido para outros reinos anglo-saxões. Ceawlin é um dos oito "bretwaldas". Ele é considerado por Beda, em Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum como o segundo rei a exercer o imperium sobre os outros reis anglo-saxões.
Ceawlin morreu em 593, tendo sido deposto um ano antes provavelmente por seu sucessor, Ceol.
Índice |
Contexto[editar]
No século V as ofensivas dos povos continentais à Grã-bretanha evoluiram em migrações em grande escala. Por entre os novos chegados estão os Anglos, Saxões, Jutos, Frísios e provavelmente outros povos. Conquistaram territórios a sul e leste da Inglaterra, mas por volta do fim do século a vitória bretã no monte Badon travou o seu avanço durante meio-século.1 2 Por volta do ano 550, os bretões voltavam a perder terreno e no espaço de um quarto de século, parece que todo o sul de Inglaterra passou para as mãos dos invasores.3
A paz que se seguiu à batalha do monte Badon é em parte comprovada por Gildas, um monge que redigiu, a meio do século VI, De Excidio Britanniae, um texto polémico. Gildas cita poucos nomes e datas, mas indica claramente que existia paz do seu nascimento até à data em que escreve.4 Outra fonte da época é a Crônica Anglo-Saxônica, que lista os reis que tiveram o título de bretwalda. Essa lista apresenta uma lacuna no início do século VI, o que corresponde ao relato de Gildas.5
O reino de Ceawlin corresponde ao período da expansão anglo-saxônica do final do século VI. A cronologia e os feitos dos primeiros reis saxões do oeste permanecem obscuros, mas é certo que Ceawlin é uma das personagens chaves da conquista final do sul de Inglaterra pelos anglo-saxões.6
Conquista territorial[editar]
No seu apogeu, o reino de Wessex ocupa todo o sudoeste da Inglaterra, mas as primeiras etapas da sua conquista não são evidentes.7 O desembarque de Cerdic, seja qual for a data, parece ter sido na Ilha de Wight, e os anais colocam a data da conquista da ilha em 530. Segundo a Crónica, Cerdic morre em 534, e o seu filho Cynric sucede-lhe; acrescenta que "deram a ilha de Wigth aos netos, Stuf e Wihtgar". Beda contradiz essa informação: segundo este, a ilha de Wight foi colonizada pelos jutos e não pelos saxões - uma versão que os vestígios arqueológicos parecem confirmar.8 9
Textos anteriores na Crónica detalham algumas batalhas que permitiram a expansão do reino dos saxões para oeste. As campanhas de Ceawlin não são feitas no litoral: são alargadas ao longo do vale do Tamisa e para além dele, até ao Surrey, a leste. Ceawlin teve um papel importante na expansão dos saxões para oeste, mas a história militar da época é de difícil compreensão.7
Referências
- ↑ Hunter Blair, An Introduction to Anglo-Saxon England, p.13-16
- ↑ James Campbell, John e Patrick Wormald, The Anglo-Saxons, p. 23
- ↑ Hunter Blair ( Roman Britain and Early England: 55 B.C. – A.D. 871, p. 204) propõe 550-575 como datas da conquista final.
- ↑ Stenton, Anglo-Saxon England, p. 2-7
- ↑ Swanton, Anglo-Saxon Chronicle, p. 60-61
- ↑ Stenton, Anglo-Saxon England, p. 30
- ↑ a b D. P. Kirby (Earliest English Kings, p.49) qualifica o conjunto da Crónica como "ficção política".
- ↑ Swanton, Anglo-Saxon Chronicle, p. 14-21
- ↑ Stenton, Anglo-Saxon England, p. 22-23
Bibliografia[editar]
- The Anglo-Saxon Chronicle, New York, Routledge (1996). ISBN 0-415-92129-5.
- Peter Hunter Blair, An Introduction to Anglo-Saxon England, Cambridge, Cambridge University Press (2003). ISBN 0-521-83085-0.
- Peter Hunter Blair, Roman Britain and Early England: 55 B.C. – A.D. 871, New York, W.W. Norton & Company (1966). ISBN 0-393-00361-2.
- James Campbell, John e Patrick Wormald, The Anglo-Saxons, Londres, Penguin Books (1991). ISBN 0-14-014395-5.
- Frank M. Stenton, Anglo-Saxon England, Oxford, Clarendon Press (1971). ISBN 0-19-821716-1.
- D. P. Kirby, The Earliest English Kings, Londres, Routledge (1992). ISBN 0-415-09086-5.