O Guarani

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O Guarani
primeira edição do livro o guarani
Autor (es) José de Alencar
Idioma Língua portuguesa
País Brasil
Formato Folhetim (1a edição)
Lançamento 1857
ISBN N/A
Cronologia
Último
Último
Cinco Minutos
A Viuvinha
Próximo
Próximo

O Guarani é um romance escrito por José de Alencar, desenvolvido em princípio em folhetim, de fevereiro a abril de 1857, no Correio Mercantil, para no fim desse ano, ser publicado como livro, com alterações mínimas em relação ao que fora publicado em folhetim.

A obra fez de José de Alencar um autor reconhecido. Foi republicada por diversas editoras e, atualmente, encontra-se em domínio público. [1]

Enredo[editar | editar código-fonte]

A obra se articula a partir de alguns fatos: a devoção e fidelidade de Peri, índio goitacá, a Cecília de Mariz; o amor de Isabel por Álvaro, e o amor deste por Cecília; a morte acidental de uma índia aimoré por D. Diogo e a consequente revolta e ataque dos aimorés, tudo isso ocorrendo com uma rebelião dos homens de D. Antônio de Mariz, liderados pelo ex-frei Loredano, homem ambicioso e mau-caráter, que deseja saquear a casa e raptar Cecília.

Álvaro, que já conhecia o amor de Isabel por ele e também já a amava, se machuca na batalha contra os aimorés. Isabel, vendo o corpo do amado tenta se matar asfixiada junto com o corpo de Álvaro, quando o vê vivo tenta salvá-lo, porém ele não permite e morrem juntos.

Durante o ataque, D. Antônio, ao perceber que não havia mais condições de resistir, incumbe Peri à salvar Cecília, após tê-lo batizado como cristão. Os dois partem, com Ceci adormecida e Peri vê, ao longe, a casa explodir. A Cecília só resta Peri.

José de Alencar.jpg Este artigo é parte da série
Trilogia Indianista de José de Alencar
Pix.gif
O Guarani (1857)
Iracema (1865)
Ubirajara (1874)
Ver também: Indianismo

Durante dias Peri e Cecília rumam para destino desconhecido e são surpreendidos por uma forte tempestade, que se transforma em dilúvio. Abrigados no topo de uma palmeira, Cecília espera a morte chegar, mas Peri conta uma lenda indígena segundo a qual Tamandaré e sua esposa se salvaram de um dilúvio abrigando-se na copa de uma palmeira desprendida da terra e alimentando-se de seus frutos. Ao término da enchente, Tamandaré e esposa descem e povoam a Terra.

As águas sobem, Cecília se desespera. Peri com uma grande força arranca a palmeira e faz dela uma canoa para poderem continuar pelo rio, deixando subentendido que a lenda de Tamandaré se repetiu com Peri e Cecília.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Em geral, os personagens seguem linhas pré estabelecidas, com traços marcadamente simbólicos (herói, heroína/protagonistas, antagonistas), inteiramente destituídas de personalidade (personagens superficiais). São personagens planas e previsíveis. O livro possui os seguintes personagens:

Herois
Família de Cecília
  • D Antônio de Mariz, fidalgo português e pai de Cecília.
  • D Lauriana, dama paulistana e mãe de Cecília.
  • D Diogo, irmão de Cecília.
  • Isabel, filha bastarda de D Antônio de Mariz, tida como sua sobrinha.
  • D Álvaro de Sá, chefe dos aventureiros a serviço de D Antônio.
Vilões
  • Loredano, aventureiro e frade renegado.
  • Bento Simões, comparsa de Loredano e muito supersticioso
  • Rui Soeiro, comparsa de Loredano e pouco supersticioso
  • Martim Vaz, após a morte de Bento Simões e Rui Soeiro, assume como braço-direito de Loredano, mas abandona o vilão no final

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Ópera[editar | editar código-fonte]

O Guarani foi adaptado a ópera por Carlos Gomes em 1870[2] .

Cinema[editar | editar código-fonte]

Foi adaptado a cinema pela primeira vez em 1912, num filme mudo hoje considerado perdido. Em 1979 foi novamente adaptado, num filme a cores sonoro, realizado pelo cineasta Fauzi Mansur e estrelado por David Cardoso. Em 1991 foi adaptado a minissérie pela hoje inexistente cadeia de televisão TV Manchete. Até ao momento a última adaptação ao cinema foi em 1996, realizado por Norma Bengell. Praticamente todas as adaptações ao pequeno e ao grande ecrã fazem uso de música da ópera de Gomes, em maior ou menor grau.

Histórias em quadrinhos[editar | editar código-fonte]

O Guarani é apontado com um dos livros brasileiros que mais tiveram adaptações em histórias em quadrinhos[3] , a primeira adaptação do livro para os quadrinhos foi em 1938[4] , produzida por Francisco Acquarone e publicada pelo jornal Correio Universal, em 1948, foi publicada duas adaptações do livro: a primeira pelo haitiano André LeBlanc, para a vigéssima quarta edição revista Edição Maravilhosa, da editora EBAL, nos números anteriores, a revista publicou adaptações de obras literárias publicadas originalmente na revistas americanas Classic Comics e Classics Illustrated[4] , Blanc também adaptaria as outras obras de Alencar: Iracema (roteirizada pela própria esposa de LeBlanc)[5] e O Tronco do Ipê[6] a segunda adaptação foi feita pelo ilustrador português Jayme Cortez, para o formato de tiras diárias publicada no jornal Diário da Noite[7] . Na década de 1950, assim como, LeBlanc, quadrinista Gedeone Malagola também adaptou os três livros da trilogia indianista de Alencar, para a revista Vida Juvenil da editora Vida Doméstica[8] , o quadrinista Edmundo Rodrigues adaptou a obra na década de 1970[9] e em 2006 ilustrou uma nova versão do livro, escrita por José Alberto Lima, publicada pela editora Consultor[10] . Em 2009, os irmão Walter e Eduardo Vetillo[11] lançaram sua versão pela editora Cortez[12] , no mesmo ano, a Editora Ática lança uma nova adaptação, com roteiros de Ivan Jaf e arte de Luiz Gê, quadrinista conhecido pelos trabalhos na revista Circo[13] , que estava afastado do mercado de histórias em quadrinhos[14] , os autores ignoraram a origem goitacá do personagem Peri e o retrataram de forma que parecesse com Tarzan, personagem de Edgar Rice Burroughs, ambos os personagem guardam bastante semelhanças, tal qual Peri, Tarzan é constantemente adaptado para formato de histórias quadrinhos[15] e é também classificado como bom selvagem[16] . Em 2012, a Editora Scipione (que assim como a Editora Ática, faz parte do Grupo Abril), lançou uma nova versão em quadrinhos, roteirizada por Rosana Rios, com desenhos de Juliano Oliveira, arte-final de Sam Hart, cores de Tarsis Cruz e letras ficaram por conta de Cadú Simões, a diferença desta para as demais adaptações, é que os autores se basearam na ópera de Carlos Gomes[17] .

Literatura estrangeira[editar | editar código-fonte]

Em 2012, os escritores brasileiros Carlos Orsi Martinho e Octavio Aragão são convidados para publicar o conto de ficção científica "The Last of The Guaranys" na antologia "The Worlds of Philip José Farmer: Portraits of a Trickster" da editora americana Meteor House, a antologia dá sequencia a série literária Wold Newton universe, criada pelo escritor americano Philip José Farmer, onde conecta personagens da cultura pop como Tarzan e Sherlock Holmes[18] , no conto a dupla inclui Peri e Ceci no universo criado por Farmer, nessa versão da história, Peri é na verdade é John Gribardsun, nome adotado por Tarzan no conto "Time's Last Gift" de Farmer, onde Tarzan era um viajante no tempo[19] , Durante outras viagens temporais, Tarzan já havia assumido a identidade de outras figuras através do tempo como Hércules e Quetzalcoatl[20] , no ano seguinte o conto é republicado na antologia Tales of the Wold Newton Universe pela editora britânica Titan Books[21] .

Wikisource
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O Guarani

Referências

  1. O Guarani. Portal Domínio Público. Página visitada em 7 de julho de 2011.
  2. Sílvio Ferraz de Arruda. Frases célebres notáveis. [S.l.]: NBL Editora, 1973. 136 pp. 9788521310563
  3. Moacy Cirne (24 de janeiro de 2011). Quadrinhos - Nos braços de Peri. Revista de História da Biblioteca Nacional.
  4. a b , Gonçalo Junior Editora Companhia das Letras, A guerra dos gibis: a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964, 2004. ISBN ISBN 8535905820, 9788535905823
  5. Carlos Patati, Flávio Braga. Almanaque dos quadrinhos. [S.l.]: Ediouro Publicações, 2006. 44 pp. 9788500016905
  6. Moacy Cirne. Literatura em quadrinhos no Brasil: acervo da Biblioteca Nacional. [S.l.]: Nova Fronteira, 2002. 9788520914960
  7. Fernando Lemos, Rui Moreira Leite, Waldomiro Vergueiro e Fabio Moraes. A missão portuguesa: rotas entrecruzadas. [S.l.]: Editora UNESP, 2002. 205 e 206 p. ISBN 9788571394612
  8. Oscar C. Kern. (1981). "Historieta #5 - Entrevista Gedeone Malagola" (em português).
  9. Toni Rodrigues e Sidney Gusman (13/09/2012). HQ nacional de luto: morreram Naumim Aizen e Edmundo Rodrigues. Universo HQ.
  10. Biblioteca Nacional de Portugal. Biblioteca Nacional de Portugal.
  11. Bira Dantas (14/06/2010). Entrevista: Walter Vetillo. Bigorna.net.
  12. Iara Tatiana Bonin e Daniela Ripoll (Janeiro/Abril de 2011). Índios e natureza na literatura para as crianças. Universidade Estadual de Maringá / Revista Teoria e Prática da Educação.
  13. Adilson Thieghi (21/10/2009). O Guarani. HQManiacs.
  14. Guilherme Kroll Domingues. O Guarani (Ática). Universo HQ.
  15. Marcelo Naranjo. Os Especiais de Tarzan. Universo HQ.
  16. Rubens Ewald Filho (9 de março 2012). A Saga de Tarzan. R7.
  17. Carlos Costa sobre release (10 de maio de 2012). Editora Scipione lança adaptação de O Guarani. HQManiacs.
  18. André Forastieri (13 de abril de 2010). Invente a sua saga.
  19. Carey, Christopher Paul. Tales of the Wold Newton Universe, Part 2 of 4 (em inglês). Black Gate. Página visitada em 30/10/2013.
  20. Dennis E. power. Triple Tarzan - Tangle or A few incidences of time travel in the Wold Newton Universe. PJFarmer.com.
  21. Bibliography: The Last of the Guaranys. Internet Speculative Fiction Database.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • O guarani, disponível para donwload no Google Books
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