Celibato involuntário

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Celibato involuntário é a situação de uma pessoa que não tem relacionamento íntimo ou não está envolvida em relações sexuais por razões diversas daquelas presentes no celibato ou na abstinência sexual. O termo é usado especialmente para pessoas que, apesar das expectativas, tiveram pouca ou nenhuma experiência sexual ou romântica.

Definição[editar | editar código-fonte]

Um celibatário involuntário é alguém que na maioria dos casos é do sexo masculino e não consegue iniciar ou manter um relacionamento sexual ou romântico, apesar de seu desejo em fazê-lo. Pessoas nessa condição podem sofrer de solidão, frustração, depressão ou serem equivocadamente tomadas por homossexuais que estão escondendo sua sexualidade.

A historiadora Elizabeth Abbot em seu livro The History of Celibacy ("A História do Celibato"), dedica um capítulo aos celibatários involuntários. Ela inclui nesta categoria uma grande variedade de pessoas:[1] :

  • Aqueles em circunstâncias que lhes negam acesso a potenciais parceiros (por exemplo, os que estão em detenção, que vivem em sociedades em desequilíbrio demográfico entre os sexos em função da morte de muitos homens numa guerra ou praticantes do aborto seletivo, comum na China e na Índia [1][2];
  • Aqueles sem acesso ao controle de natalidade ou sem recursos financeiros para manter um filho;
  • Aqueles que tiveram negado o direito ao casamento em função de normas sociais, tais como as viúvas no hinduísmo ou irmãs mais jovens em sociedades que exigem o casamento das irmãs mais velhas antes;
  • Mulheres cujas famílias não têm dinheiro para o dote, exigido em suas sociedades;
  • Pessoas que poderiam perder seus empregos se fosse sabida a sua atividade sexual (por exemplo, os aprendizes e jornaleiros na Europa medieval ou certos empregados domésticos ou tutores até o início do século XX;
  • Homens castrados contra a vontade.

Há controvérsias acerca da duração necessária para que o celibato seja qualificado como involuntário. Algumas pessoas classificam-se como celibatárias involuntárias por não estão se relacionando naquele momento, embora tenham-no feito anteriormente. Os críticos a esse ponto de vista sugerem que o rótulo apropriado para isso seja apenas o de solteiro, o qual, ao contrário do "celibato involuntário" é de uso comum e não carrega qualquer estigma potencial, ao passo que o celibato involuntário é mais ou menos uma condição semiperpétua. Donnelly e Burgess usaram um piso de seis meses de celibato involuntário em seu próprio estudo. Outros aplicam o termo apenas àqueles que nunca estiveram envolvidos em um relacionamento sexual ou romântico. Alguns estudiosos também incluem pessoas que por razões médicas (convalescentes, enfermos, etc.) ou físicas (deficiências, ferimentos, etc.) estão incapacitadas de se envolver em atividades sexuais, assim como em função de efeitos colaterais de alguma medicação prescrita.

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Um estudo foi iniciado em 1998 por pesquisadores da Universidade Estadual da Geórgia quando um membro de um grupo de discussão na internet perguntou sobre o assunto [2] . O estudo, Involuntary celibacy: A life course analysis, [3] foi publicado em 2001 no Journal of Sex Research, produzido pela Society for the Scientific Study of Sexuality. Uma notícia relatada no estudo indicou que o celibato involuntário pode levar à raiva e à depressão. [4]

Em 6 de março de 2004, uma carta de Brian G. Gilmartin, que fez pesquisas intensivas sobre celibatários involuntários do sexo masculino (por ele denominados "tímidos amorosos"), notou que "pelo menos 40% dos casos de homens com timidez amorosa severa poderiam ser diagnosticados como portadores da 'Síndrome de Asperger'", uma proporção com fundamento em seu livro de 1987.[5]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Pouquíssimas pesquisas sobre o assunto foram publicadas e poucas estatísticas estão disponíveis, embora o assunto esteja recebendo atenção dos acadêmicos.[6] [7] Esse não parece ser um conceito ou um fenômeno levado a sério por quem não o experimenta. Relativamente poucas pesquisas estão disponíveis sobre o assunto, sem embargo das poucas fontes aqui apresentadas, devendo-se considerar que muitas delas focam também outros aspectos do celibato.

Entretanto, as condições e os comportamentos associados ao celibato involuntário incluem: depressão severa[8] , autolesão, masturbação frequente, doenças mentais, automedicação, alcoolismo ou uso de narcóticos[9] [3], stalking, estupro e até suicídio. Além disso, o celibato involuntário também pode levar ao isolamento e a uma preocupação nociva com o comportamento sexual humano [10] .

Fatores contributivos[editar | editar código-fonte]

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O desemprego e/ou a falta de prestígio social contribuem muito para o celibato involuntário.

A falta de atratividade, de habilidades sociais, de carisma, deficiências, fatores socioeconômicos, tais como a pobreza, falta de educação superior e o desemprego.[11] frequentemente exercem um papel negativo na aproximação afetiva entre as pessoas. Adicionalmente, a falta de parceiros adequados ou o desconforto com a ideia de sexo fora de um relacionamento "estabelecido" podem ser fatores relevantes. Os homens também podem ser impedidos de manter relações sexuais por causa da disfunção erétil.

Em muitas sociedades, especialmente as do ocidente, os homens heterossexuais também são quase sempre obrigados a tomar a iniciativa e o papel dominante na busca ao sexo oposto e no jogo da sedução, normalmente competitivo entre os homens solteiros e disponíveis, que empregam vários modos e táticas para seduzir as mulheres, que também costumam igualar isto à autoconfiança, característica por elas valorizada nos homens. Há também a crença de que a autoconfiança existe independentemente da inteligência, da educação, do status, do dinheiro, do talento e do sucesso nas demais áreas da vida. Uma das observações mais comuns é de que um homem mais autoconfiante com menor nível de educação e status consegue chamar a atenção de uma mulher com mais frequência que um homem tímido que tenha mais inteligência, educação ou status.

O celibato involuntário também pode ser perpetuado pelo viés cognitivo ou pelas autojustificações, ou pelo sentimento de autoimpotência aprendida ou inadequação. A autoimpotência aprendida ocorre quando, após passar por rejeições repetidas, o indivíduo e condicionado a assumir o fato de que sempre será rejeitado. Qualquer "sinal" de interesse pode ser ignorado, mesmo quando o interesse da outra parte é genuíno. A "autoimpotência real" ocorre quando não há sinais de interesse para serem mal-interpretados. O "erro fundamental de atribuição" pode causar nos indivíduos a visão das pessoas como mas, cruéis ou superficiais, em vez de explicar o comportamento através das questões situacionais ou ambientais. Indivíduos adultos não casado que vivem em áreas rurais ou de baixa densidade frequentemente são incapazes de encontrar um(a) parceiro(a) adequado(a) em função dos padrões sociais e de casamento.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Elizabeth Abbot. A History of Celibacy. New York: Da Capo Press, 2001. 303–337 p. ISBN 0-306-81041-7
  2. For many, sexless lifestyle is not a choice, Georgia State University News Release, July 24, 2001 (accessed December 14, 2006)
  3. Involuntary celibacy: A life course analysis D. Donnelly, E. Burgess, S. Anderson, R. Curry, J. Dillard, Journal of Sex Research 38(2), S. 159-169. (2001) (accessed December 14, 2006)
  4. Study shows that involuntary celibacy can lead to anger and depression American Association of Single People, November 12, 2001 (accessed December 14, 2006)
  5. Gilmartin, Brian G.. Shyness and Love: Causes, Consequences and Treatment. [S.l.]: University Press of America, Lanham, Maryland (701 pages), 1987. ISBN 978-0819161024
  6. Sexuality in Society syllabus for San Francisco State University, Fall 2004 (accessed December 14, 2006)
  7. Sociology of Sexuality Syllabus for Washington State University, Summer Quarter, 2006 (accessed December 14, 2006)
  8. Flocker, Michael. 2004."Top Five Health benefits of Regular Sex" The Hedonism Handbook. DaCapo Press. Cambridge, MA. p.129,ISBN 0-306-81414-5
  9. Seabury, David. 1964. "Whiskey in Its Place" The Art of Selfishness. Julian Messner Inc. New York. pp.180-183
  10. Russell, Bertrand. Of Marriage & Morals. Liverlight Publishing Corporation. New York. 1970. pp.290-291, ISBN 0-87140-211-4
  11. [http://www.townhall.com/columnists/SuzanneFields/2005/12/08/a_revolution_without_a_man_to_love Townhall.com::A revolution without a man to love::By Suzanne Fields

Ligações externas[editar | editar código-fonte]