Celso Amorim

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Celso Amorim
Celso Amorim
123º Ministro das Relações Exteriores
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Nascimento: 3 de Junho de 1942 (67 anos)
Santos, São Paulo
Profissão: Diplomata
político
professor (brevemente)
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Celso Luiz Nunes Amorim (Santos, 3 de junho de 1942) é um diplomata brasileiro. Ao longo de sua carreira, ocupou por duas vezes o cargo de ministro das Relações Exteriores do Brasil. Influenciado pelo trabalho de Ulysses Guimarães, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mas não teve militância partidária. Recentemente, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT).[1] Em 7 de outubro de 2009, a revista americana Foreign Policy indicou Amorim como "o melhor chanceler do mundo".[2]

Índice

[editar] Formação acadêmica

Celso Amorim formou-se pelo Instituto Rio Branco em 1965, obtendo título de pós-graduação em Relações Internacionais pela Academia Diplomática de Viena, na Áustria, em 1967.

[editar] Controvérsia sobre o título de doutor

Em julho de 2009, a jornalista Malu Gaspar noticiou no blog da Revista Exame sua apuração de que o título de doutor que Celso Amorim ostentava na verdade era falso, pois o então ministro jamais concluíra seu doutorado[3]. Amorim, que até então usava o título indiscriminadamente - como em sua biografia no site do Ministério das Relações Exteriores[4] e em artigos de jornal[3] -, declarou: "Nunca terminei meu doutorado, provavelmente por causa do meu excesso de ambição à época. O tempo da academia e da burocracia não coincidiram, então fui transferido de Londres antes que pudesse terminá-lo."[3]

[editar] Professor universitário

Amorim foi professor de Língua Portuguesa do Instituto Rio Branco, professor de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e é membro permanente do Departamento de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

[editar] Cargos governamentais anteriores

A história de Celso Amorim no serviço público iniciou-se em 1987, quando ele se tornou secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia, desempenhando tal posição até o ano de 1989. Foi então selecionado para o cargo de diretor-geral para Assuntos Culturais no Ministério das Relações Exteriores, à época chefiado por Abreu Sodré.

Contudo, Amorim assumiu nova posição em 1990, sendo nomeado diretor-geral para Assuntos Econômicos. Em 1992, assumiu pela primeira vez a chefia de uma missão no exterior, ao tornar-se representante do Brasil no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).

[editar] Ministro das Relações Exteriores (1993-1995)

Em maio de 1993, durante o governo de Itamar Franco, Celso Amorim foi chamado pelo então chanceler José Aparecido, que substituiria Fernando Henrique Cardoso, para ser secretário-geral do Itamaraty. Porém, em decorrência de problemas de saúde, Aparecido não tomou posse, e Amorim assumiu interinamente o ministério até, em agosto daquele mesmo ano, ser finalmente efetivado chanceler.

[editar] Embaixador brasileiro no Reino Unido e outros papéis

Em 1995, Fernando Henrique Cardoso, eleito presidente da República, indicou Celso Amorim para chefiar a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova Iorque, função que exerceu até 1999.

Em 1999, ele assumiu a chefia da missão brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, Suíça.

Em 2001, Amorim foi transferido para Londres, assumindo a embaixada brasileira no Reino Unido. Em finais de 2002, foi convidado por Luiz Inácio Lula da Silva para ser seu chanceler.

[editar] Ministro das Relações Exteriores (2003-presente)

Desde 2003, Celso Amorim é o ministro das Relações Exteriores do governo Lula. Ele, Luiz Dulci e Jorge Armando Felix são os únicos ministros ou secretários do primeiro gabinete de Lula a permanecer nos cargos para que foram originalmente designados.

Em seu segundo ministério, Amorim tornou-se responsável pelo direcionamento humanista da política externa brasileira atual, que incluiu entre seus objetivos a luta contra a fome, a pobreza e o unilateralismo. Formulou coalizões com países do hemisfério sul, tais como G-20 (luta pela redução das distorções no comércio agrícola, na Organização Mundial de Comércio), o G-4 (luta para tornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas menos anacrônico e mais legítimo e representativo), o G-3 (Fórum IBAS - Índia, Brasil e África do Sul - para coordenação de posições no cenário internacional) e participou ativamente na institucionalização do chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

[editar] Questões importantes

[editar] Irã

Celso Amorim e o iraniano Manoucherch Mottaki negociaram secretamente a cooperação entre os sistemas bancários do Brasil e Irã, conforme reportagem da revista Isto É de 29 de junho de 2009. Isso viola advertências do Conselho de Segurança da ONU e sanções dos EUA, segundo a reportagem.[5]

[editar] Bolívia

Celso Amorim recebe Álvaro García Linera para discutir o suprimento de gás.

Após as eleições presidenciais de Evo Morales em 2006, a Bolívia anunciou a nacionalização do gás e do petróleo em seu território, utilizando o exército para a ocupação de empresas estrangeiras, entre elas a estatal brasileira Petrobras. Esta explorava os dois principais campos de gás e representava cerca de 15% do Produto Interno Bruto boliviano. A tomada do controle forçou as companhias estrangeiras a rever seus contratos em um prazo de 180 dias; do contrário, seriam obrigadas a deixar o país. As renegociações aumentaram os impostos cobrados pelo estado boliviano para 82%[6].

No dia 1° de maio do mesmo ano, Celso Amorim afirmou que a nacionalização era um "cenário esperado", mas que a forma como fora feita não estava nas previsões do Brasil, classificando como "desnecessária" a ocupação por tropas militares da Petrobras e explicando que não haveria "reação física"[7].

Em novembro de 2007, Morales garantiu que não modificaria mais as leis de investimentos no setor de petróleo ou gás, e Celso Amorim confirmou que o país voltaria a investir nestas condições. Tanto o Brasil como a Bolívia possuem interesses um com o outro: o primeiro, em 2007, dependia de 50% do gás boliviano exportado; e o segundo não pode ficar sem o investimento e o mercado brasileiro[8].

Em setembro de 2008, durante a crise política na Bolívia, na qual os departamentos mais ricos exigiram maior autonomia, o governo brasileiro se posicionou no sentido de tentar mediar as negociações entre os grupos do conflito. No mês seguinte, Amorim felicitou-os por se entenderem via diálogo e por criarem um acordo que convoca o referendo relativo à nova constituição do país para janeiro de 2009[9].

[editar] Equador

Correa e Amorim em 2008.

Durante a crise diplomática da Colômbia com Equador e Venezuela de 2008, em que o exército colombiano invadiu o território equatoriano para matar integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Amorim afirmou que o Brasil se sentia "ameaçado indiretamente" por um conflito na região e que condenava o ataque militar colombiano; porém, desejava a resolução pelo diálogo para que o projeto de integração, paz e desenvolvimento na América do Sul não fosse posto em risco[10][11].

No dia 23 de setembro de 2008, o presidente equatoriano Rafael Correa determinou o embargo dos bens da construtora brasileira Odebrecht, ocupando suas obras por meio do exército e proibindo funcionários de deixar o país. Exigiu então uma indenização de 43 milhões por falhas no funcionamento da central hidrelétrica San Francisco, a segunda maior do Equador; caso não fosse feito o pagamento, a Odebrecht seria expulsa. A San Francisco, que custou 338 milhões de dólares, pode gerar até 12% do total da energia consumida no país, mas, segundo o Equador, deixou de funcionar um ano depois de concluída[12].

No dia seguinte, Amorim anunciou que o Brasil estava dando proteção à empresa[13]. Correa então ameaçou não pagar o empréstimo de mais de 200 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que contraiu para financiar a San Francisco. Mesmo assim, os presidentes Correa e Lula disseram que acreditavam que a questão da Odebrecht não afetaria as relações das duas nações[14]. Em 30 de setembro, Amorim informou que a empresa aceitaria o acordo proposto pelo Equador[15].

Em 6 de outubro, Correa teria dito que pretendia expulsar a Petrobras, como aconteceu à Odebrecht, e nacionalizar um campo de petróleo. Sua intenção era acelerar a assinatura de uma renegociação do contrato de exploração[16]. No dia seguinte, Lula disse que a Petrobras poderia sair do Equador caso não houvesse um "acordo satisfatório"[17]. Em 8 de outubro, o Equador anunciou a expulsão da Odebrecht após rejeitar o acordo e considerar outras falhas da empresa em projetos que estavam em andamento[18]. Logo depois, uma missão de Lula ao país para discutir o apoio brasileiro a obras de infra-estrutura viária foi cancelada[19]. Em 20 de outubro, a Petrobras confirmou um novo acordo com o Equador, no qual o Estado fica com todo o petróleo e a empresa, com uma remuneração pelos seus investimentos e seu serviço[20].

Em 21 de outubro, Amorim convocou o embaixador brasileiro em Quito para consultá-lo a respeito da decisão de Correa de recorrer à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara Internacional de Comércio, sediada em Paris, para a suspensão da dívida com o BNDES. Em novembro, ele declarou que o Brasil revisaria sua cooperação com o Equador, mas apenas a que envolvesse novos financiamentos e créditos, pois a de caráter social não acabaria[21].

Em dezembro, porém, surgiu o temor de que outros países sul-americanos, como a Venezuela, a Bolívia e o Paraguai, não honrassem seus empréstimos com o BNDES. O embaixador do Equador anunciou então que seu país continuaria pagando, em parcelas, seu empréstimo até a decisão da Câmara Internacional de Comércio. Durante esse processo, Celso Amorim observou que a integração sul-americana estava sendo prejudicada[22] e que, por ter garantia do Convênio de Crédito Recíproco (CCR), a dívida, se não fosse paga, afetaria não só o Brasil como também outros países da região, uma vez que havia um conjunto de Bancos Centrais envolvidos[23].

Em 11 de janeiro de 2009, o Itamaraty informou que o embaixador brasileiro em Quito voltaria à sua função e que o Brasil continuaria acompanhando com atenção suas relações financeiras com o Equador[24].

[editar] Ver também

Referências

  1. [1]
  2. The world’s best foreign minister
  3. 3,0 3,1 3,2 Malu Gaspar (3 de julho de 2009). Traído pela ambição. Portal EXAME. Página visitada em 5 de julho de 2009.
  4. Ministério das Relações Exteriores - Ministro Celso Amorim. Site do Ministério das Relações Exteriores. Página visitada em 5 de julho de 2009.
  5. http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2068/artigo142682-1.htm
  6. Bolívia ocupa Petrobras e nacionaliza exploração de petróleo e gás (Folha Uol)
  7. Celso Amorim diz no Senado que Bolívia é país estratégico para o Brasil (Câmara de Comércio Brasileira no Japão)
  8. Governo boliviano dá garantias para volta da Petrobras ao país (Agência Brasileira de Inteligência)
  9. Amorim diz que ficou satisfeito com acordo para referendo na Bolívia (Agência Brasil)
  10. OEA deve dar resposta rápida sobre crise para não perder credibilidade, diz Amorim (Agência Brasil)
  11. Amorim aponta riscos de crise para projeto de integração sul-americana (Agência Brasil)
  12. Presidente do Equador bloqueia bens da Odebrecht (Agência Brasil)
  13. Governo está dando proteção adequada à Odebrecht, garante Amorim (Agência Brasil)
  14. Equador ameaça não pagar BNDES por hidrelétrica (Agência Brasil)
  15. Construtora Odebrecht aceita acordo proposto pelo governo do Equador (Agência Brasil)
  16. Lobão afasta possibilidade de quebra de contrato do Equador com Petrobras
  17. Petrobras pode deixar o Equador, diz Lula (Agência Nacional)
  18. Presidente Rafael Correa decide expulsar a Odebrecht do Equador
  19. Presidente Lula cancela missão brasileira ao Equador (Agência Brasil)
  20. Petrobras confirma acordo com governo do Equador
  21. Novos financiamentos para o Equador deverão ser analisados com cuidado, afirma Amorim
  22. Amorim teme que casos de revisão de dívidas prejudiquem integração sul-americana (Agência Brasil)
  23. Amorim diz que Equador continuará pagando empréstimo até que pedido seja julgado
  24. Equador paga parcelas de dívida com o BNDES e embaixador brasileiro voltará a Quito

[editar] Ligações externas

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