Cemitério de São João Batista (Rio de Janeiro)

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Entrada principal do cemitério, na Rua General Polidoro

O Cemitério de São João Batista é uma necrópole municipal, anteriormente administrada pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e gerida desde agosto de 2014 pela empresa privada Rio Pax[1] . Localiza-se no bairro de Botafogo e é o único cemitério da Zona Sul da cidade.

História[editar | editar código-fonte]

Criado a partir do decreto nº 482, de 16 de outubro de 1851, que autorizou a Santa Casa de Misericórdia a administrar os cemitérios da cidade, foi oficialmente inaugurado em 4 de dezembro de 1852, no dia que foi enterrada uma menina com menos de quatro anos, de nome Rosaura, filha de Cândido Maria da Silva. Até junho de 1855, foram feitos mais 412 sepultamentos. Nos anos seguintes seguiram-se os traslados de diversos túmulos provenientes de igrejas e outros cemitérios, como os restos do poeta Álvares de Azevedo, originalmente sepultado num cemitério da Praia da Saudade destruído por uma ressaca.

O cemitério ocupa uma vasta área, tendo de frente pela Rua General Polidoro, 333,5 metros, estendendo-se desde daquela frente, até as vertentes do Morro de São João, tendo na parte plana a superfície de 183.123 metros quadrados. Por dentro do terreno passa canalizado o Rio Berquó.

O chão inicial deste cemitério, a antiga Chácara Berquó, foi comprado em 2 de agosto de 1852, a Francisco da Cruz Maia. Posteriormente outras propriedades foram sucessivamente adquiridas e reunidas para formar a atual área.

O projeto da portaria monumental e dos gradis da parte frontal são de autoria do engenheiro Bettencourt Silva.

É um dos mais ornamentados cemitérios brasileiros, com centenas de ricos mausoléus e artísticas sepulturas. No centro, há uma capela dedicada a São João Batista. Possui uma quadra reservada para enterro das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, como forma de gratidão da Santa Casa de Misericórdia, com as freiras que assistiam os enfermos e asilados da instituição. Lá também estão as criptas da Academia Brasileira de Letras, dos soldados brasileiros mortos durante a Primeira Guerra Mundial, dos aviadores do Brasil, dos marinheiros do Encouraçado São Paulo mortos durante a Revolução de 1924 e dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

A aléia principal é chamada jocosamente de "Vieira Souto", em referência à luxuosa avenida que margeia a Praia de Ipanema. Na "Vieira Souto" se encontram alguns dos túmulos mais visitados do cemitério, como os de Tom Jobim, Luís Carlos Prestes e Santos Dumont.

Pela grande quantidade de pessoas famosas ali sepultadas, o São João Batista é conhecido como "o cemitério das estrelas". É também a necrópole que mais abriga tumbas de chefes de estado no Brasil, com pelo menos nove ex-presidentes da república, diversos primeiros-ministros do Império e até um ex-chefe de governo estrangeiro (Marcello Caetano, ex-presidente do Conselho de Ministros de Portugal). Lamentavelmente, os últimos anos têm sido de abandono do local, que sofre com o abandono por parte da administração, a degradação das áreas mais distantes e o vandalismo[2] [3] . Recentemente, ações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro vêm investigando a ocupação ilegal de espaços no cemitério, onde o traçado original das aléias foi alterado e ocupado com mais jazigos, além de problemas relacionados à contaminação do lençol freático de Botafogo[4] .

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Geraldo Ribeiro, motorista do ex-presidente Juscelino Kubitschek e que morreu ao lado de seu patrão em 1976, está enterrado no jazigo 410-B, quadra 12. No entanto, existe a possibilidade de que, na realidade, ali esteja sepultado o próprio ex-presidente. Explica-se: os caixões de ambos eram idênticos e foram velados juntos. No entanto, não havia nada que identificasse qual esquife era ocupado pelo ex-presidente e qual pertencia ao motorista. A dúvida foi revelada anos mais tarde pelo jornalista Murilo Melo Filho, que esteve presente aos funerais.

Oficialmente, o corpo de Juscelino Kubitschek está depositado no Memorial JK, em Brasília. E como as famílias dos dois mortos jamais se mostrou interessada em investigar a possibilidade de troca de cadáveres, persiste a dúvida[5] .

Sepultados Famosos[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Tom Jobim (1927-1994).

No panteão da Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Santos, Antônio Alves Ferreira dos - A Archidiocese de S. Sebastião do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Typographia Leuzinger, 1914.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-08-13/monopolio-centenario-no-fim.html
  2. http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/07/02/acessibilidade-e-conservacao-estao-enterradas-no-sao-joao-batista/
  3. http://oglobo.globo.com/rio/homens-sao-presos-furtando-tumulos-no-cemiterio-sao-joao-batista-7159810
  4. http://www.sidneyrezende.com/noticia/178667+cemiterio+sao+joao+batista+tristeza+e+preocupacao
  5. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/no_minimo__31466