Central telefônica

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Central telefônica de comutação manual 1945

Em telecomunicações, uma central telefônica (português brasileiro) ou central telefónica (português europeu) é o equipamento eletrônico que realiza a ligação (comutação) entre dois usuários ("assinantes") do serviço de telefonia.

Funções[editar | editar código-fonte]

As principais funções de uma central telefônica são semelhantes desde a sua invenção:

  • Atendimento;
  • Recepção de Informação;
  • Processamento da Informação;
  • Teste de ocupado;
  • Interconexão;
  • Alerta;
  • Supervisão;
  • Envio de informação.
  • Disponibilidade maior.

História[editar | editar código-fonte]

Duas fileiras de comutação telefônica manual do Livro "De Electriciteit" por P. van Capelle 1893

Em 1879, os irmãos Thomas e Daniel Connelly, juntamente com Thomas J. McTighe, patentearam o primeiro sistema em que um usuário podia controlar um mecanismo de comutação à distância.[1]

A primeira central telefônica foi ativada em Paris no ano de 1879. No mesmo ano, D. Pedro II dava a permissão para instalar no Rio de Janeiro.[2] A companhia Telephonica do Brasil foi criada em 15 de novembro de 1879, com capital inicial de 1.500.000$000 réis, divididos em 7500 ações distribuídos pela Western Company.

Em 1884, Ezra Gilliland, da empresa Bell, desenvolveu um sistema de comutação automática mais simples, porém semelhante ao dos irmãos Connely e McTighe que podia trabalhar com até 15 linhas. Nesse sistema, que também não chegou a ser usado na prática, havia um contato metálico que pulava de uma posição para outra, quando o usuário apertava um botão, determinando o tipo de conexão que era estabelecida.

No entanto, um avanço realmente importante e surpreendente, ocorreu em 1889, quando o agente funerário Almon Brown Strowger, na cidade de Kansas, desenvolveu um sistema de comutação automático que realmente funcionava.

A primeira central automática do Brasil foi inaugurada em 1922 na cidade de Porto Alegre (a terceira das Américas, logo depois de Chicago e Nova York). A segunda foi inaugurada três anos depois na também cidade gaúcha de Rio Grande. A terceira, em 1928, em São Paulo, e em 1929 foi a vez do Rio de Janeiro inaugurar sua primeira central automática.[3]

Centrais Automáticas Passo a Passo[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo após a invenção do telefone e das centrais de comutação, surgiu a idéia de automatizar as ligações entre as várias linhas existentes. Ou seja, a pessoa que desejasse telefonar, acionava mecanismos que enviavam sinais elétricos à central automática, ligando seu aparelho ao telefone da pessoa com quem desejava falar sem a ajuda das telefonistas .

Em 1879, os irmãos Thomas e Daniel Connelly, juntamente com Thomas J. McTighe, patentearam o primeiro sistema em que um usuário podia controlar um mecanismo de comutação à distância.

O aparelho, bastante primitivo, baseava-se nos telégrafos ABC de Wheatstone (físico inglês) e nunca chegou a ser usado. A parte principal do sistema era uma roda dentada, semelhante às usadas em relógios, que movida por um eletroímã, percorria o espaço de um “dente” por vez.

Quando o eletroímã recebia um pulso elétrico, atraía uma barra metálica que fazia a roda dentada girar um “espaço”, movendo um braço de metal que, transmitia os pulsos elétricos sucessivamente e estabelecia contato com as demais linhas.

O Sistema Automático Strowger[editar | editar código-fonte]

rigth

Conta a história que Almond Strowger desconfiava que as telefonistas desviavam, propositalmente, as ligações destinadas a ele para um outro agente funerário, seu concorrente. Por isso, resolveu inventar um sistema que dispensasse o intermédio delas.

Após vários estudos e tentativas, Strowger construiu, com a ajuda de um relojoeiro, um sistema que atenderia 100 linhas telefônicas, que foi patenteado em 1891. A invenção deu tão certo que, no mesmo ano, Strowger fundou a Automatic Electric Company para comercializá-la.

A primeira central telefônica automática a usar o sistema de Strowger, foi aberta em 1892 em La Porte, em Indiana, EUA. Na década que seguiu, foram instaladas mais de 70 centrais destas nos Estados Unidos.

Evolução Tecnológica[editar | editar código-fonte]

As primeiras centrais automáticas ou centrais que dispensavam o operador/telefonista para completar uma ligação, eram do tipo eletromecânicas, conhecidas como Passo-a-passo. Foram inicialmente substituidas pelas centrais Cross Bar ("Barras cruzadas", também eletromecânicas) e a partir dos anos 70 as empresas de telefonia passaram a utilizar Centrais Digitais, também chamadas CPA ("Central de Programa Armazenado"). As CPA's são verdadeiros computadores específicos para a função, e trabalham com um software interno para execução das operações inerentes: interligar (comutar) terminais, executar controle, teste e gerenciamento do hardware, serviços adicionais (identificação de chamadas, transferência de chamadas, ligações simultâneas, etc.) aos clientes.

É importante observar que o processo para comutar dois terminais telefônicos, em termos gerais é simples, porém, na prática, exige uma grande Infra-estrutura para Sistemas de Telecomunicações disponível, tais como, sistemas de energia elétrica, ar-condicionado, pressurização de cabos, rede de cabos, e sistemas de transmissão/recepção (rádios, modems, etc.), além é claro, de técnicos especializados.

As Centrais Telefônicas são também comumente chamadas de Centrais de Comutação.

Outro tipo existente é a Central de Comutação Celular ou CCC, usadas na Rede de Telefonia Celular. Essas Centrais agregam às funções da Central convencional uma interface para acesso às Estações Rádio Base, que são o segmento de rádio do sistema celular.

CPA[editar | editar código-fonte]

Central telefônica (Nortel DMS)
  • CPA (Central de Programa Armazenado)
  • CPA-T (Controle por Programa Armazenado - Temporal)

Na década de 70 as centrais telefônicas passaram por um processo evolutivo da era analógica para a era digital (processamento por computador). Essa mudança ocorrida nos núcleos de processamento das centrais, através da troca de componentes eletromecânicos por processadores digitais estendeu-se aos outros componentes funcionais das centrais, dando origem ao que chamados de centrais digitais CPA. A CPA é uma central telefônica que operacionalmente possui um programa armazenado na sua memória principal, responsável pelas funções básicas de comutação e controle. Pode-se dizer que é um sistema de comutação digital controlado por um sistema de informação baseado em computador. São funções comuns as centrais telefônicas a interligação de terminais telefônicas (linhas de assinantes), controle da chamada telefônica, serviços de identificação e tarifação dos assinantes.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Flood, J.E. (1995). Telecommunications Switching, Trafic and Networks. Prince-Hall, New York, USA.
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